Tudo o que precisa (mesmo) de saber para comprar o primeiro carro
Índice de conteúdos:
- Como comprar o primeiro carro?
- O que ter em conta depois de comprar o primeiro carro?
- Quais os erros mais comuns ao comprar o primeiro carro?
Comprar o primeiro carro é um momento especial, mas também um investimento que deve ser ponderado e que exige atenção para evitar erros comuns.
A inexperiência e o entusiasmo pelo primeiro carro podem fazer com que ignore aspetos importantes como o tipo de carro mais adequado para si, a melhor forma de financiamento ou os pontos a analisar na escolha do seguro.
Ou, na pior das hipóteses, pode acabar por comprar um automóvel que se revela uma fonte de problemas e de despesas. Neste artigo, resumimos os pontos mais importantes para que o processo seja mais fácil e sem obstáculos.
Como comprar o primeiro carro? Dicas e passos a ter em conta
Antes de comprar o primeiro carro é importante concentrar-se em encontrar uma solução que vá ao encontro do que precisa, tanto em termos de qualidade, como de orçamento. Saiba tudo o que deve ter em atenção.
1. Analisar estilo de vida e definir necessidades
O carro que vai comprar deve adaptar-se ao seu estilo de vida e não o contrário. O objetivo é ter um meio para se deslocar, mas essa escolha tem de ser feita com base nas suas necessidades. Estas são algumas perguntas cujas respostas podem ajudar a fazer a melhor escolha:
- Vai usar o carro de forma diária ou apenas ocasionalmente?
- Quantos quilómetros prevê fazer por mês/ano?
- Vai usar o carro sobretudo na cidade ou em viagens mais longas na autoestrada?
- Vai passar em portagens diariamente?
- Tem ou tenciona ter filhos a curto prazo?
- Precisa de um carro espaçoso e com uma bagageira ampla?
- Tenciona comprar um carro novo ou um usado?
Questões como estas são importantes para tomar uma decisão mais acertada. Por exemplo, os carros citadinos têm um consumo mais baixo, mas são geralmente menos espaçosos. Por outro lado, se tem filhos, o espaço e o conforto são importantes e talvez precise de um carro maior. Um SUV tem conforto, mas pode pagar mais nas portagens, o que aumenta a despesa se fizer viagens frequentes.
A escolha entre um automóvel usado ou um novo também é importante. Um veículo “zero quilómetros” é mais caro, mas vai gastar menos em manutenção e se precisar de financiamento para a compra tem taxas de juro mais baixas.
2. Escolher a motorização
O tipo de motorização também é relevante, porque vai ter implicações no consumo, custos de manutenção e noutras despesas, incluindo impostos.
Tenha em consideração que os carros elétricos não pagam Imposto Único de Circulação (IUC) e se comprar um carro elétrico novo também não paga Imposto sobre Veículos (ISV). No entanto, a autonomia e o carregamento podem ser desvantagens se o seu objetivo é percorrer grandes distâncias.
No caso dos carros a gasolina, o preço dos combustíveis é quase sempre um senão, sobretudo para veículos mais potentes ou quando as viagens são frequentes. Já o gasóleo, apesar de ser mais barato, tem penalizações a nível fiscal e a manutenção é mais cara.
Existe ainda um meio termo entre o motor de combustão e o elétrico: um veículo híbrido reduz o consumo de combustível, mas não tem os mesmos benefícios fiscais de um elétrico.
3. Definir quanto pode gastar
Em qualquer compra é sempre importante olhar para o orçamento disponível. No caso de um carro, além do valor da aquisição, é importante fazer as contas às despesas que vai ter mensalmente.
Entre os custos de ter (e manter) um carro estão, por exemplo:
- Combustível ou carregamentos elétricos;
- Portagens;
- Seguro automóvel;
- Manutenção (revisões e avarias);
- Inspeção periódica;
- Estacionamento;
- Impostos (IUC pago anualmente e ISV se comprar um carro novo);
- Custos administrativos;
- Prestação de crédito, caso recorra ao financiamento.
4. Decidir se vai comprar a pronto ou recorrer a financiamento
Depois de calcular o orçamento, a decisão seguinte passa pela forma como vai pagar essa aquisição.
Se não tiver dinheiro para pagar a pronto – o que é frequente quando se compra o primeiro carro – a solução passa por recorrer a um financiamento para a totalidade ou parte do valor da compra (caso consiga dar algum valor de entrada).
Que tipos de financiamento automóvel existem?
Se está a ponderar recorrer a um financiamento para comprar o primeiro carro, tem várias possibilidades:
- Crédito automóvel: é um financiamento com prazo máximo de dez anos, em que a entidade financiadora lhe empresta o dinheiro, sendo o pagamento feito em prestações mensais. O crédito automóvel pode ser feito com ou sem reserva de propriedade;
- Leasing ou locação financeira: paga uma renda mensal para usar o automóvel. No final do contrato, se tiver interesse em comprar o carro, paga o valor definido no contrato (o valor residual);
- Aluguer de longa duração (ALD): paga uma renda mensal que lhe permite usar a viatura, mas assume o compromisso de, no fim do aluguer, comprar o automóvel.
Existe ainda uma quarta opção (o renting ou aluguer operacional de viaturas – AOV), que não é um financiamento. Nesta modalidade, aluga o veículo, paga uma renda mensal e tem direito a um conjunto de serviços, como manutenção e substituição de pneus.
Como escolher o melhor crédito automóvel?
Caso decida recorrer ao crédito automóvel para financiar a compra do seu primeiro carro, há vários pontos a que deve dar atenção para garantir que escolhe a melhor opção. Conheça-os abaixo.
- Prazo de pagamento: pode pagar o seu carro no prazo máximo de dez anos. Tenha em conta que, ao escolher um prazo longo, vai pagar mais de juros e a desvalorização e o desgaste do veículo no fim do contrato vão ser maiores;
- Taxas de juro: entre as várias taxas de crédito, a mais importante para avaliar as condições do empréstimo é a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), que representa o custo total do financiamento. Tenha ainda em conta que as taxas para a compra de um carro usado são mais altas do que para carros novos;
- Valor das prestações mensais: quanto pode pagar por mês? É importante escolher uma prestação que se acomode facilmente ao seu orçamento mensal, porque uma taxa de esforço elevada aumenta a probabilidade de entrar em incumprimento. Nesse seguimento, simule a sua taxa de esforço antes de decidir;
- Custos e despesas associadas: os custos com um crédito não se limitam ao valor da prestação, porque existem geralmente outras despesas associadas, como seguros ou comissões. Escolher uma opção sem comissão de abertura e com prestações fixas como, por exemplo, o Crédito Automóvel da Cofidis ajuda a reduzir este tipo de custos e a gerir melhor o orçamento;
- Comparar propostas: antes de escolher, avalie várias propostas para escolher a que oferece melhores condições. Para comparar, faça várias simulações e analise a Ficha de Informação Normalizada (FIN) que obtiver em cada simulação;
- Ponderar fazer um seguro ou ter um fiador: ao comprar o primeiro carro, pode ainda existir alguma insegurança quanto ao futuro financeiro. Um seguro de proteção ao crédito e/ou um fiador são garantias adicionais que pode aproveitar.
5. Pesquisar o mercado e avaliar a oferta
Quando souber o tipo de carro que pretende e tiver um orçamento mais ou menos definido, é então altura de começar a procurar o automóvel que se enquadra nos seus objetivos.
No que respeita a carros novos, a escolha deve ter em conta fatores como o preço e as características da viatura. Nestes casos, não tem de se preocupar com o estado do veículo ou o histórico de quilómetros e acidentes, o que facilita bastante a escolha.
Mas quando está em causa a compra de um carro usado, há vários fatores a ter em consideração.
O primeiro é onde procurar. Stands, plataformas online ou marketplaces onde particulares vendem os seus veículos são algumas opções. Informe-se, ainda, junto de amigos e familiares para saber se conhecem alguém que esteja a vender um carro, pois pode encontrar uma boa oportunidade e comprar a alguém da sua confiança.
Já na fase da escolha, adote estes cuidados extra para garantir que está realmente a fazer um bom negócio:
- Analise a relação qualidade/preço, pesquisando o valor de carros semelhantes;
- Desconfie de preços muito baixos;
- Confirme numa conservatória do registo automóvel se existem penhoras ou hipotecas sobre o veículo;
- Leve alguém que tenha mais experiência com carros quando for ver o veículo;
- Verifique o estado interior e exterior da viatura e tenha atenção a sinais de acidentes anteriores;
- Esteja atento a vestígios de ferrugem, amolgadelas ou deformações;
- Experimente a abertura de portas e do capô;
- Avalie o estado dos pneus, as luzes e a pintura;
- Peça para ver os documentos do carro, para saber se não falhou a inspeção e para comprovar o número de quilómetros;
- Faça um test drive;
- Faça uma pesquisa pela matrícula, pelo Número de Identificação do Veículo ou pela Certidão Permanente Automóvel;
- Se possível, compre um carro usado com garantia (é obrigatória quando compra a profissionais);
- Caso seja um carro importado, confirme se está legalizado e matriculado em Portugal.
6. Reunir a documentação necessária
Quando se compra um carro é necessário fazer o registo de propriedade, para que o comprador passe a ser oficialmente o novo proprietário do veículo. Se esse processo não for tratado pelo vendedor, pode ser feito pelo comprador de forma online (através da plataforma Automóvel Online) ou presencialmente na Conservatória do Registo Automóvel, Loja do Cidadão ou balcão do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN).
Para fazer o registo online, deve ter consigo:
- Cartão de Cidadão, códigos PIN e leitor de cartões;
- Dados de acesso ao Portal das Finanças;
- Dados do veículo.
Caso decida fazer o registo presencialmente, então deve reunir a seguinte documentação:
- Requerimento de Registo Automóvel preenchido e assinado;
- Certificado de Matrícula/Documento Único Automóvel (DUA);
- Declaração de compra e venda assinada por ambas as partes;
- Cartão de Cidadão ou Bilhete de Identidade e os Números de Identificação Fiscal (NIF) do comprador e do vendedor.
Se a compra do carro for feita através de um crédito automóvel, para obter o financiamento vai precisar de:
- Documento de identificação;
- Comprovativo de morada atual (fatura da eletricidade, água ou telecomunicações);
- Comprovativo de IBAN;
- Comprovativo de rendimentos (recibo de vencimento, declaração ou nota de liquidação do IRS);
- Nota de encomenda/fatura pró-forma caso se trate de um carro novo.
7. Contratar um seguro automóvel
Qualquer carro, mesmo que esteja parado, é obrigado a ter um seguro de responsabilidade civil automóvel. Este é o seguro com a cobertura mais básica, que abrange os danos causados a terceiros.
No entanto, um seguro automóvel tem geralmente outras coberturas que, embora facultativas, são extremamente úteis tanto na estrada como quando o carro está parado:
- Danos próprios (também conhecida por seguro contra todos os riscos);
- Furto e roubo;
- Choque, colisão e capotamento;
- Fenómenos da natureza;
- Assistência em viagem;
- Veículo de substituição;
- Incêndio, raio e explosão;
- Atos de vandalismo;
- Quebra de vidros;
- Proteção jurídica.
E para escolher a melhor opção, há alguns pontos que deve ter em atenção antes de contratar o seu seguro automóvel. Por exemplo:
- Analise as suas necessidades. Por exemplo, se não tem garagem, convém ter coberturas adicionais que protejam contra roubo ou danos; por outro lado, um carro novo justifica um seguro com mais coberturas do que um usado;
- Informe-se sobre as exclusões (ou seja, sobre o que não está abrangido pelo seguro);
- Avalie as franquias (isto é, a parte dos danos que fica a cargo do segurado em caso de acidente);
- Não olhe apenas para o preço, mas sim para o que está incluído no valor. Tenha em conta que um seguro muito barato pode não ter as coberturas de que precisa.
Para tornar a sua escolha mais fácil, pode recorrer ao nosso Simulador de Seguros que permite comparar várias propostas e perceber o que cada seguradora oferece e a que preço.
Outra solução interessante é analisar uma opção que permita escolher as coberturas adicionais, como é o caso do Seguro Automóvel da Cofidis.
O que ter em conta depois de comprar o primeiro carro?
Comprar o primeiro carro não é o fim de uma etapa, mas sim o início de um período em que, enquanto condutor e proprietário, tem de ter alguns cuidados importantes para garantir que circula em segurança e dentro da lei. Eis alguns exemplos:
- Não descuidar as manutenções preventivas, para evitar avarias e despesas elevadas na oficina;
- Verificar periodicamente o óleo, o estado dos pneus e dos travões;
- Antes de viagens longas ou em condições mais difíceis como neve, fazer um mini check-up ao carro;
- Cumprir as datas para a inspeção periódica;
- Ter sempre o IUC em dia e não deixar acumular multas ou portagens por pagar;
- Em caso de sinistro, contactar a seguradora assim que possível;
- Conduzir sempre com a máxima precaução e não correr riscos; um condutor com histórico de acidentes é penalizado com seguros mais caros e um carro acidentado desvaloriza.
8 erros mais comuns ao comprar o primeiro carro
O ato de comprar o primeiro carro pode levar a alguns erros comuns. Para evitar lapsos e esquecimentos que lhe podem sair caros, resumimos os principais pontos a ter em atenção:
- Considere o orçamento disponível e não compre por impulso;
- Avalie todas as despesas associadas;
- Pesquise e analise o valor de automóveis semelhantes;
- Simule a sua taxa de esforço antes de pedir um crédito;
- Pondere se os extras valem a pena ou se pode abdicar deles;
- Preste atenção aos detalhes, como uma bagageira demasiado pequena, botões ou estofos estragados;
- Antes de tomar uma decisão, faça um test drive;
- Simule o valor do seguro automóvel e compare propostas.