Taxas de crédito: compreenda os custos antes de contratar
Índice de conteúdos:
- O que são taxas de crédito?
- Que tipos de taxas de crédito existem?
- Como escolher a melhor proposta de crédito?
As taxas de crédito influenciam o valor a pagar por um empréstimo. Saiba que tipos de taxas existem e o que cada uma significa.
Contratar um crédito é uma decisão financeira importante que tem impacto no orçamento familiar durante meses ou mesmo anos.
Ao avaliar as condições de um empréstimo, muitas vezes olha-se apenas para a prestação mensal, por ser o montante mais imediato e visível. No entanto, focar-se só neste valor pode ser enganador, já que o custo real de um crédito engloba o montante que é pedido, bem como diferentes taxas de juro e outros encargos.
Assim, se está a planear pedir um crédito, é fundamental que compreenda as várias taxas para perceber quanto irá, efetivamente, pagar no final do contrato e poder escolher a opção mais vantajosa.
O que são taxas de crédito?
Quando pede um crédito, o valor que o banco lhe empresta tem um custo: o juro. As taxas de juro – existem várias que indicam informações diferentes – são, por isso, aquilo que lhe mostra qual será o preço a pagar pelo empréstimo. São expressas em percentagem do montante emprestado e referem-se a um determinado período, geralmente um ano.
Existem, ainda, outras taxas associadas aos créditos, como a taxa de esforço, que não se refere a um custo, mas sim à percentagem do rendimento que é alocada ao pagamento do empréstimo.
Os depósitos também têm taxas de juro que indicam a remuneração a receber do banco pelo dinheiro lá depositado (isto é, “emprestado”, à instituição financeira).
Que tipos de taxas de crédito existem?
As taxas de crédito podem ser agrupadas em diferentes tipos, dependendo, por exemplo, se têm em conta a inflação, os custos da operação ou a forma como os juros são capitalizados.
Podem ser nominais ou reais, simples ou compostas, fixas ou variáveis, brutas ou líquidas. Conheça-as abaixo.
TAN (Taxa Anual Nominal)
A Taxa Anual Nominal representa o custo dos juros do empréstimo. É expressa em percentagem do montante do crédito e tem um valor anual, que é dividido pelo número de prestações.
A TAN pode ser fixa ou variável. Nos empréstimos com taxa fixa, resulta da soma do spread com a taxa fixada pelo banco; já nos créditos de taxa variável, corresponde à soma do spread com o indexante (geralmente a Euribor).
Esta taxa não inclui os impostos, comissões ou outros encargos, mas é fundamental na contratação de um crédito, já que indica, na prática, qual é a percentagem que terá de pagar pelo empréstimo.
TANB (Taxa Anual Nominal Bruta)
Trata-se da taxa de remuneração anual das aplicações financeiras, como os depósitos a prazo. É nominal, uma vez que não tem em conta a evolução da inflação; simples, porque não há capitalização dos juros; e bruta, já que é calculada antes da aplicação do imposto.
TANL (Taxa Anual Nominal Líquida)
A Taxa Anual Nominal Líquida corresponde à TANB depois de deduzido o imposto (geralmente os depósitos são tributados a 28%, caso não haja regime especial). Na prática, indica os juros que o cliente irá efetivamente receber.
TAE (Taxa Anual Efetiva)
Mede o custo total anual do empréstimo. A TAE engloba os juros, as comissões, todos os encargos com o crédito e as despesas com os seguros exigidos. Ficam excluídos os custos com impostos.
TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global)
É a taxa mais importante a considerar quando se pede um empréstimo, já que representa o custo total do crédito. A TAEG é expressa em percentagem anual e inclui:
- Juros;
- Comissões;
- Impostos;
- Seguros;
- Custos com operações de pagamento e utilização do crédito;
- Remuneração do intermediário de crédito, se tiver de ser paga.
No cálculo da TAEG não são consideradas as comissões de reembolso antecipado, os custos notariais e os valores a pagar em caso de incumprimento.
MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor)
O Montante Total Imputado ao Consumidor reflete o valor global que o cliente terá de pagar pelo empréstimo, fazendo deste um dos indicadores mais importantes a ter em conta. Ou seja, corresponde, em euros, à soma do valor do crédito e todos os outros custos associados, como juros, comissões, impostos e seguros.
Num empréstimo com taxa de juro variável ou mista, o MTIC é meramente indicativo e o valor final pode não corresponder ao montante inicialmente apresentado devido à variação dos juros.
Euribor
A Euribor é o indexante mais utilizado em Portugal nos créditos habitação com taxa variável ou mista. Trata-se do valor de referência para calcular a taxa de juro de um empréstimo. De uma forma resumida, a Euribor baseia-se na média dos juros praticados no mercado monetário interbancário europeu.
Existem diferentes prazos para esta taxa, que o cliente pode escolher na altura em que faz o crédito, mas os mais habituais são a três, seis e 12 meses. Ou seja, as taxas são revistas trimestral, semestral ou anualmente, consoante o prazo escolhido. Se a Euribor subir, o valor da prestação aumenta; e se a Euribor descer, a mensalidade do crédito diminui.
Spread
O spread é a componente da taxa de juro que acresce ao indexante. Na prática, representa o lucro do banco quando concede um empréstimo. O spread é definido livremente pelas instituições bancárias para cada contrato e varia consoante os custos do financiamento, o loan-to-value (que é o rácio entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel) e o risco de crédito do cliente.
Os bancos podem oferecer spreads mais baixos como contrapartida pela aquisição de produtos extra (que são sempre facultativos).
Taxa de juro fixa
Nos empréstimos com taxa fixa, a percentagem de juro é sempre igual, o que significa que o valor da prestação mensal mantém-se inalterado durante todo o período do contrato. Ou seja, o cliente sabe, desde o início, qual o montante total a pagar em juros e qual o valor global do empréstimo.
Esta taxa é estabelecida pela instituição de crédito, contrato a contrato, tendo em conta fatores como o risco de crédito do cliente, o loan-to-value, o custo do financiamento e o risco de fixação da taxa. Num contrato com taxa fixa, o cliente não está exposto ao risco de variação da taxa de juro, o que faz com que, no início do empréstimo, esta seja geralmente superior à praticada num crédito idêntico com taxa variável.
Taxa de juro variável
Num crédito com taxa variável, o valor do juro sofre oscilações ao longo do tempo, impactando a prestação mensal. Esta taxa resulta da combinação do indexante com o spread, sendo revista periodicamente, consoante o prazo de maturidade da Euribor (a cada três, seis ou 12 meses).
Taxa de juro mista
Os empréstimos com taxa mista combinam características das duas anteriores. Durante um determinado período do contrato, é aplicada uma taxa fixa e, depois, a prestação passa a ser calculada tendo em conta uma taxa variável, cumprindo sempre os critérios e regras aplicáveis a cada uma das taxas.
Taxa de esforço
É a percentagem do rendimento do agregado familiar utilizada para pagar as prestações de todos os créditos em vigor. As instituições bancárias calculam a taxa de esforço para medir a capacidade do cliente para cumprir com as suas obrigações financeiras. Quanto mais alta for a taxa de esforço, mais o cliente é visto como sendo de risco, podendo mesmo ser-lhe negado um empréstimo.
Comissões
Ao pedir um empréstimo, é necessário pagar várias comissões ao banco, como a comissão de abertura ou de estudo (para análise do crédito), a de avaliação (para o banco determinar o valor do imóvel) e a de formalização (correspondente a gastos burocráticos).
Estas comissões são definidas livremente por cada instituição bancária e são incluídas na TAE, TAEG e MTIC.
Como escolher a melhor proposta de crédito?
Pedir um empréstimo, seja para que fim for, deve ser feito com responsabilidade, já que é uma decisão que terá um impacto significativo nas finanças familiares.
Para escolher a melhor proposta de crédito, deve analisar com atenção a FIN ou a FINE que o banco fornece (dependendo do tipo de empréstimo que está a contratar) e dar especial atenção à TAEG e ao MTIC.
Não se foque apenas na mensalidade e, antes de optar por uma proposta de crédito, peça várias simulações, com prazos e condições diferentes (taxa fixa versus variável, por exemplo) para perceber qual é a opção mais vantajosa.
Tenha também em atenção as comissões e os encargos extra ao comparar propostas. Algumas instituições de crédito, como por exemplo a Cofidis, não cobram comissão de abertura e têm taxas de juro e mensalidades fixas, o que pode ser vantajoso.