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Taxa fixa ou variável: qual a melhor no seu caso?

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Taxa fixa ou variável: qual a melhor no seu caso

Um dos fatores mais importantes quando pede um crédito habitação é a escolha da taxa. Se não está por dentro deste assunto, ajudamo-lo a perceber as diferenças entre a taxa fixa e a variável e a descobrir qual será a mais indicada ao seu caso.

Comprar casa é um passo importante na vida de qualquer um e exige tomadas de decisão conscientes. Não deve ser porque um banco lhe apresenta uma proposta com mensalidades mais baixas que deve optar pela mesma, pelo menos sem que perceba as condições do contrato, entre as quais o tipo de taxa.

Se está a pensar em pedir um crédito habitação, pondere bem antes de consumar o contrato, até porque esta decisão vai determinar o valor que vai pagar durante todo o período do empréstimo, seja ele a 10 ou a 40 anos.

Quando contrata um credito habitação, uma larga maioria dos portugueses acaba por optar pela taxa variável, ficando à mercê das oscilações da Euribor. Por esse motivo, há cada vez mais consumidores a questionar se será mais vantajoso escolher a taxa fixa.

Em primeiro lugar, é preciso entender as diferenças entre cada uma e perceber qual se adequa melhor à sua situação financeira. Comece por assistir a este vídeo, onde explicamos a diferença entre as duas taxas.

Como funciona a taxa fixa?

Se optar por contratar uma taxa fixa, pode contar com mais segurança no que toca à oscilação mensal de valores. Isto quer dizer que, durante o período em que vigorará o contrato de crédito, a prestação vai manter-se sempre inalterada. O valor é definido no próprio contrato pela entidade bancária em questão e vai permanecer igual até terminar o período contratual, independentemente das variações do mercado.

Regra geral, uma prestação com taxa fixa é mais elevada. O cliente paga pela segurança de não ver a prestação aumentada com as subidas da Euribor.

Para estabelecer o valor desta taxa, há fatores a ter em conta, entre eles o perfil de risco e as garantias do cliente.

Há vantagens em contratar a taxa fixa, com destaque para a estabilidade e segurança que proporciona, o que, por si só, são elementos de peso no momento da escolha. Quando se contrata uma taxa fixa não há surpresas e imprevistos. No entanto, o valor das prestações no momento da contratação será mais elevado do que o valor com taxa variável.

Se a Euribor subir, terá a vantagem da prestação não aumentar. Mas tenha também em conta que, mesmo que a Euribor desça, a prestação da casa não acompanhará essa descida e o valor mensal irá manter-se.

Como funciona a taxa variável?

Ao contrário da taxa fixa, o valor da taxa variável pode oscilar de mês para mês. Se está a pensar optar por um crédito habitação com taxa variável, é preciso entender que a sua prestação da casa irá oscilar, de forma a acompanhar o comportamento da Euribor. Quem tem taxa variável, tem sofrido com os aumentos sucessivos das prestações nos últimos meses. Mas quando a Euribor descer, a prestação ficará mais baixa.

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Nos contratos de crédito habitação com taxa de juro variável, a taxa de juro resulta da soma do indexante (Euribor) e do spread:

A Euribor é definida diariamente pela Federação Europeia de Bancos e funciona como referência para diversos produtos financeiros. É o fator com mais peso no que toca à taxa variável e diz respeito à média de taxas de juros praticadas nos empréstimos interbancários de um determinado conjunto de bancos da zona Euro.

Quando pede um empréstimo com taxa variável, pode escolher o prazo da Euribor: três, seis e doze meses. O valor da Euribor é revisto consoante a taxa de referência que escolheu, ou seja, se optou pela Euribor a três meses, o valor é revisto trimestralmente.

O spread é um valor definido pelo banco para cada contrato de crédito. Neste caso, são tidos em conta o perfil de risco e as garantias do cliente, bem como o valor do imóvel em questão. O spread é basicamente a margem de lucro da instituição bancária.

Taxa fixa ou variável: qual a melhor para mim?

Uma vez que o mercado é instável e sofre variações com frequência, pode ser vantajoso escolher a taxa variável, para usufruir dos períodos em que a Euribor está mais baixa. Em contrapartida, e sempre que a Euribor subir, a prestação também aumenta. Isso implica que o seu orçamento familiar deve ter uma folga a contar com estes períodos e conseguir suportar uma prestação mais elevada.

Ao optar pela taxa variável, terá seguramente uma prestação mais baixa, pelo menos no início do crédito.

Se está a pensar num empréstimo com taxa fixa, faça antes este exercício: peça as simulações ao banco e compare a prestação dos primeiros cinco anos com aquela que pagaria num crédito com taxa variável, num período em que a Euribor estivesse nos 2 ou 3%. Se concluir que o valor é inferior, a taxa fixa compensa-lhe mais.

Se continua na dúvida, utilize esta dica: analise o período do contrato de crédito e perceba que, quanto menos tempo utilizar a taxa fixa, menor é a probabilidade de apanhar oscilações no mercado que compensem o valor que vai pagar a mais.

O importante para fazer uma escolha consciente é que tenha sempre em conta a sua situação familiar. Há vários fatores a considerar: o facto de ter um emprego estável, qual a percentagem da compra que pretende financiar, qual o prazo de financiamento que vai pedir e qual o montante do seu rendimento que pode utilizar para pagar a prestação.

Aconselhe-se junto da instituição financeira e perceba se é mais vantajoso pagar uma taxa fixa ou variável no seu caso, mas esteja ciente de que a escolha deve ter sempre em conta a disponibilidade e a estabilidade financeira de cada um.

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