Crédito

Amortização de crédito: como funciona e quando vale a pena?

1 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira
A amortização de crédito pode ser parcial ou total. Saiba como funciona e quais são as situações em que compensa amortizar um

Índice de conteúdos:

  1. O que é e como funciona a amortização de crédito?
  2. Quais são as vantagens de amortizar um crédito?
  3. Vale sempre a pena amortizar créditos?
  4. Como amortizar um crédito? 8 fatores a considerar
  5. Como conseguir margem financeira para amortizar créditos?
  6. Que alternativas existem à amortização de crédito?
  7. Perguntas frequentes sobre a amortização de crédito

A amortização de crédito pode ser total – quando liquida a totalidade da dívida – ou parcial, se abater apenas uma parte do montante em falta. Em ambos os casos, esta pode ser uma solução vantajosa se tiver disponibilidade financeira para o fazer. Ainda assim, existem situações em que a decisão pode não trazer tantos benefícios quanto espera.

Ao amortizar totalmente um crédito, deixa de ter essa responsabilidade financeira e ganha margem no orçamento mensal, já que elimina uma prestação. Já a amortização parcial permite reduzir o valor em dívida e, consequentemente, diminuir as despesas mensais.

No entanto, e apesar das vantagens, é importante ponderar bem antes de avançar. Dependendo do tipo de crédito, podem existir comissões, condições específicas ou alternativas mais vantajosas para a sua situação financeira. Conheça, de seguida, os prós, os contras e as regras deste processo.

O que é e como funciona a amortização de crédito?

A amortização de crédito consiste no reembolso antecipado (total ou parcial) do valor em dívida de um empréstimo. Na prática, significa pagar antes do prazo definido no contrato, com o objetivo de reduzir encargos e aliviar o orçamento familiar.

Quando a amortização é total, o crédito fica liquidado e deixa de existir qualquer obrigação associada ao empréstimo. Isto significa que deixa de pagar a prestação mensal, bem como outros custos associados, como juros, comissões ou seguros de proteção ao crédito. Além disso, o empréstimo desaparece do Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Já na amortização parcial, apenas uma parte do capital em dívida é paga antecipadamente. Embora o contrato continue ativo, o valor em dívida diminui, o que faz baixar o valor da prestação mensal.

Nota importante: Se quiser amortizar parcialmente um crédito e, ao mesmo tempo, encurtar o período de reembolso, tem de pedir ao banco essa alteração. Como explica o Banco de Portugal, esse pedido constitui uma renegociação do contrato. Como tal, só é possível se ambas as partes – cliente e instituição financeira – estiverem de acordo.

A poupança obtida com uma amortização parcial depende de vários fatores, como da taxa de juro, o montante ainda em dívida e o momento em que faz a amortização. Regra geral, quanto mais cedo amortizar, maior tende a ser a poupança em juros. Isto porque, nos primeiros anos do crédito, uma parte significativa da prestação corresponde precisamente ao pagamento de juros.

Importa ainda ter em conta que as regras de amortização variam consoante o tipo de financiamento. O crédito habitação, por exemplo, tem condições diferentes dos créditos ao consumo (como é o caso do crédito automóvel ou para férias).

Amortização de crédito ao consumo

Segundo o Banco de Portugal, se pretender amortizar um crédito ao consumo, tem de avisar a instituição financeira com uma antecedência de 30 dias. O aviso tem de ser enviado por escrito. 

Tenha em conta que a amortização pode implicar o pagamento de uma comissão de reembolso, que vai depender do tipo de taxa de juro que tem (fixa ou variável).

Tipo de taxa em vigorValor limite da comissão de reembolso
Taxa fixa0,5% do valor reembolsado se faltar mais de um ano para o fim do contrato;    0,25% do valor reembolsado se faltar menos de um ano para o fim do contrato;    A comissão a pagar não pode ser superior aos juros que teria de pagar entre a data do reembolso antecipado e a data para o fim do período de taxa fixa.
Taxa variávelNão tem de pagar comissão de reembolso antecipado.

Também fica isento de pagar comissão de amortização se: 

  • O contrato de crédito for sob a forma de facilidade de descoberto;
  • A amortização ocorrer porque acionou um seguro associado ao crédito.
Saiba que… Se optar pela amortização total, a instituição financeira tem de emitir um documento de distrate para extinguir a garantia associada ao crédito – por exemplo, a hipoteca sobre um automóvel. Este documento é gratuito e deve ser entregue no prazo máximo de 14 dias úteis após a liquidação total do contrato.

Amortização de crédito habitação

No crédito habitação, pode fazer uma amortização total ou parcial em qualquer momento do contrato e pelo montante que considerar mais conveniente para a sua situação financeira.

Em ambos os casos, a instituição de crédito tem de informar o cliente, por escrito, sobre o impacto do reembolso antecipado. De acordo com o Banco de Portugal, as instituições de crédito têm o direito de:

  • Exigir que o reembolso seja feito na data prevista para o pagamento da prestação mensal;
  • Cobrar uma comissão pelo reembolso antecipado. Esta taxa não pode ser superior a 2% do capital que é reembolsado nos créditos com taxa fixa; se a taxa for variável, o limite da comissão é de 0,5% do capital que é reembolsado.

Ainda assim, os contratos podem determinar comissões inferiores aos limites máximos estabelecidos por lei.

Há também situações específicas em que não tem de pagar qualquer comissão de amortização, nomeadamente quando:

  • O contrato determinar a isenção de comissão;
  • O motivo do reembolso foi a morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares do empréstimo.
Nota importante: Se tiver dúvidas sobre as condições aplicáveis ao seu crédito habitação, basta consultar a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) entregue pelo banco no momento da contratação. Este documento reúne todas as condições essenciais do financiamento, incluindo as regras relativas à amortização antecipada.

Quais são as vantagens de amortizar um crédito?

Amortizar um crédito pode trazer vários benefícios para as suas finanças pessoais. Além de aliviar o orçamento mensal, esta decisão pode melhorar a sua capacidade financeira e facilitar o acesso a novos financiamentos no futuro.

Estas são as principais vantagens da amortização de crédito:

  • Redução das despesas mensais: ao diminuir o capital em dívida, a prestação mensal pode baixar, libertando rendimento para outras despesas ou objetivos financeiros;
  • Poupança em juros: quanto mais cedo amortizar o empréstimo, menor será o total de juros pagos ao longo do contrato. Esta vantagem é especialmente relevante nos primeiros anos do crédito, quando a maior parte da prestação corresponde a juros;
  • Diminuição da taxa de esforço: com encargos mensais mais baixos, a percentagem do rendimento destinada ao pagamento de créditos também reduz. Isto melhora o equilíbrio financeiro e pode aumentar a margem para lidar com imprevistos;
  • Menos responsabilidades de crédito: ao liquidar ou reduzir dívidas, melhora o seu perfil financeiro junto das instituições bancárias. Isso pode ser importante caso precise pedir novo financiamento no futuro;
  • Maior liberdade financeira: ter menos créditos ativos significa menos compromissos mensais e maior flexibilidade para poupar, investir ou reorganizar o orçamento familiar.

Existem penalizações ou custos adicionais?

Não existem penalizações, mas as instituições de crédito podem cobrar comissões de reembolso, que dependem de fatores como o tipo de crédito (ao consumo ou habitação), a taxa de juro (fixa ou variável) e o tempo que ainda falta para acabar o contrato.

Vale sempre a pena amortizar créditos?

A amortização de créditos pode ser uma decisão financeiramente inteligente, mas nem sempre é a opção mais vantajosa. Embora reduzir ou eliminar uma dívida permita poupar em juros e aliviar o orçamento, é importante analisar cuidadosamente o impacto desta estratégia nas suas finanças.

Antes de avançar, faça contas: avalie o valor da comissão de reembolso antecipado, a taxa de juro do empréstimo, a poupança efetiva em juros e a liquidez que vai manter após a amortização. Em alguns casos, pode ser mais vantajoso manter uma reserva financeira para emergências ou investir o dinheiro noutras soluções com maior rentabilidade.

Em que situações compensa realmente?

A amortização tende a ser mais vantajosa quando:

  • As taxas de juro estão elevadas;
  • A amortização diz respeito a um cartão de crédito;
  • A prestação mensal pesa demasiado no orçamento;
  • A taxa de esforço é elevada;
  • O empréstimo ainda está numa fase inicial;
  • O prazo de reembolso é longo, como acontece com o crédito habitação. 

 Em que situações pode não compensar?

Por outro lado, a amortização pode não compensar quando:

  • As taxas de juro estão baixas;
  • Existe uma penalização ou comissão elevada;
  • O prazo de reembolso é curto;
  • O empréstimo está na fase final.

E quando pode não ser prioritário?

Mesmo que tenha dinheiro disponível para amortizar um crédito, essa pode não ser a prioridade mais adequada para a sua situação financeira. Há casos em que manter liquidez ou resolver outros problemas financeiros pode ser mais importante do que reduzir antecipadamente uma dívida.

Assim, pode não fazer sentido amortizar um crédito se:

  • Isso implica gastar o fundo de emergência;
  • Precisar de liquidez (isto é, ter dinheiro disponível) no curto prazo;
  • Existirem dívidas ao Estado ou a outras entidades, que possam implicar penhoras ou perda de bens;
  • Conseguir obter maior rentabilidade com o dinheiro através, por exemplo, de poupanças ou investimentos.

Como amortizar um crédito? 8 fatores a considerar

Antes de decidir fazer o pagamento antecipado de um ou mais créditos, há alguns fatores a considerar, nomeadamente:

  1. Identificar os créditos com juros mais elevados;
  2. Simular o impacto da amortização;
  3. Garantir um fundo de emergência;
  4. Confirmar se existem penalizações ou comissões a pagar;
  5. Calcular o custo da comissão de amortização;
  6. Definir a melhor estratégia de amortização (ou seja, se vai fazer o reembolso total ou parcial);
  7. Informar-se sobre os prazos e procedimentos exigidos pelo banco;
  8. Avaliar o que é mais vantajoso – amortizar ou investir o dinheiro. 

Como conseguir margem financeira para amortizar créditos?

A amortização de créditos pode ser uma forma de reorganizar a sua vida financeira e de conseguir algum alívio no orçamento. Mas para a fazer é preciso juntar uma quantia que faça com que a amortização compense.

Eis algumas estratégias que podem ajudar:

Que alternativas existem à amortização de crédito?

Se o objetivo é poupar dinheiro com um ou mais créditos, saiba que a amortização não é a única opção que existe. Consolidar, renegociar ou transferir os seus créditos também pode ajudar a equilibrar as contas. Saiba mais sobre cada opção.

Renegociação de crédito

Renegociar significa alterar uma ou mais condições do contrato de crédito, mas esta opção só é possível se existir acordo entre as duas partes.

Na prática, a renegociação pode incidir sobre aspetos como:

  • Spread;
  • Tipo de taxa de juro;
  • Prazo da Euribor;
  • Prazo de reembolso do empréstimo (ou seja, aumentar ou encurtar a duração do contrato).

No caso do crédito habitação, há dois pontos importantes a ter em conta:

  • Os bancos não podem cobrar comissões pela renegociação do contrato;
  • A renegociação não pode depender da aquisição de outros produtos ou serviços financeiros.

Consolidação de créditos

Se tem vários empréstimos e sente dificuldade em gerir todas as prestações, a consolidação de créditos pode ser uma alternativa à amortização.

Esta solução permite juntar vários créditos num só contrato, ficando com uma única prestação mensal – normalmente mais baixa – e um único prazo de pagamento.

Em suma, ao consolidar créditos passa a ter:

  • Uma só prestação mensal;
  • Apenas uma data de pagamento;
  • Uma única instituição financeira responsável pelos créditos;
  • Uma única taxa de juro;
  • Um prazo de reembolso único.

Em alguns casos, como no Crédito Consolidado da Cofidis, também é possível incluir financiamento adicional no novo contrato, caso necessite de liquidez extra.

Transferência de crédito

Se pretende obter melhores condições ou, simplesmente, mudar de banco, pode optar por transferir o seu empréstimo para outra instituição financeira. Neste caso, a nova instituição liquida o empréstimo junto da entidade atual e passa a assumir o contrato com novas condições.

Antes de avançar, é importante analisar os custos envolvidos. Segundo o Banco de Portugal, a instituição de origem pode cobrar:

  • Comissão de reembolso antecipado; 
  • Reembolso de despesas pagas a conservatórias, cartórios notariais ou às Finanças por conta do cliente;
  • Juros devidos até à data do reembolso antecipado.

Amortizar, renegociar, consolidar ou transferir?

A melhor solução depende do seu objetivo financeiro, e a tabela abaixo ajuda a perceber qual pode fazer mais sentido no seu caso:

ObjetivoSolução a considerar
Reduzir juros e capital em dívidaAmortização
Baixar a prestaçãoConsolidação
Melhores condiçõesRenegociação ou transferência
Mudar de instituição de créditoTransferência

7 perguntas frequentes sobre a amortização de crédito

A amortização de crédito é um investimento na estabilidade financeira, mas é importante ter toda a informação antes de avançar. Se ainda tem dúvidas, veja algumas perguntas mais frequentes sobre o tema. 

Vale a pena amortizar um crédito perto do prazo final de reembolso?icon

Geralmente não. Nesta fase, a percentagem da prestação correspondente a juros já é baixa, pelo que pode não compensar. No entanto, se o valor em dívida for baixo, pode optar por amortizar totalmente e libertar-se desse compromisso.

Existem montantes mínimos de amortização?icon

Não. Mas para que sinta o impacto da amortização, é aconselhável que o montante seja significativo. 

A amortização reduz a prestação mensal?icon

Sim. Ao reduzir o capital em dívida, o valor da prestação mensal vai baixar. 

A amortização altera a taxa de juro?icon

Não. A taxa de juro mantém-se, mas o capital em dívida reduz. É por isso que a prestação fica mais baixa. 

É melhor amortizar parcial ou totalmente?icon

Tudo depende da sua disponibilidade financeira. Se puder amortizar totalmente, liberta-se do crédito. Se não puder, consegue baixar o valor da prestação e poupar dinheiro.

Pode-se amortizar um crédito em qualquer momento?icon

Sim, a menos que o contrato de crédito estabeleça o contrário.

É possível amortizar vários créditos ao mesmo tempo?icon

Sim. Pode amortizar apenas um ou vários créditos. Mas dê prioridade aos que têm taxas de juro mais altas.


O que achou?