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A consolidação de créditos pessoais afeta a CRC: mito ou verdade?

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Olga Teixeira
Olga Teixeira
A consolidação de créditos pessoais é uma ajuda para a vida financeira e não uma fonte de incumprimento. Esclareça todas as d

Índice de conteúdos:

  1. O que é a Central de Responsabilidades de Crédito (CRC)?
  2. A consolidação de créditos pessoais afeta a CRC??
  3. Como é que a consolidação de créditos pode melhorar a situação financeira?

A consolidação de créditos pessoais permite juntar vários empréstimos num só, ficando com uma única prestação mensal e, na maioria dos casos, com um encargo mais reduzido. Por isso, esta solução é frequentemente utilizada para reorganizar o orçamento, reduzir a taxa de esforço e evitar situações de incumprimento.

Ainda assim, muitas pessoas têm dúvidas sobre o impacto desta decisão na Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal, também conhecida como a “lista negra”. Mas será que consolidar créditos prejudica o histórico bancário ou dificulta futuros financiamentos? A resposta é não.

Neste artigo, explicamos como funciona a CRC, de que forma a consolidação de créditos é registada e porque é que esta solução pode até ajudar a melhorar a sua situação financeira e a evitar situações de incumprimento.

O que é a Central de Responsabilidades de Crédito?

A Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal é uma base de dados que reúne informação enviada pelas instituições financeiras sobre os empréstimos concedidos aos seus clientes. Não é, como se costuma dizer, uma “lista negra”, já que apenas se limita a registar informações, sem qualquer tipo de classificação.

Na prática, a CRC funciona como um registo dos créditos associados a cada pessoa, permitindo às instituições financeiras avaliar o risco antes de concederem um novo financiamento. Importa referir que esta informação não está acessível ao público e só pode ser consultada pelas entidades autorizadas e pelo próprio titular dos créditos.

Por exemplo, se pedir um crédito automóvel, a instituição a que recorrer irá consultar o seu Mapa de Responsabilidades de Crédito para perceber:

  • Quantos créditos tem ativos;
  • Qual o valor total em dívida;
  • Se existe alguma situação de incumprimento;
  • Se existe o risco de falhar prestações;
  • Se existe algum processo judicial por incumprimento.

O principal objetivo desta análise é avaliar a sua capacidade financeira e o nível de endividamento. Por isso, ter créditos registados na CRC não é, por si só, um problema. O endividamento (isto é, ter créditos) é normal e faz parte da vida financeira de muitas famílias. O verdadeiro risco está no sobreendividamento, ou seja, quando os encargos com créditos se tornam difíceis de suportar.

Que informações constam na Central de Responsabilidades de Crédito?

Na CRC constam todas as informações necessárias para que os analistas de crédito possam verificar as suas responsabilidades de crédito e avaliar o risco de falhar o pagamento de prestações. Estas informações incluem: 

  • Créditos em situação regular, ou seja, empréstimos a serem pagos normalmente;
  • Créditos em incumprimento, quando existem prestações em atraso;
  • Responsabilidades efetivas, que englobam créditos ativos, descobertos bancários, operações de locação financeira – como o leasing – e de factoring; valores utilizados em cartões de crédito, bem como descontos de letras e outros efeitos comerciais;
  • Responsabilidades de crédito potenciais, como montantes já contratados mas ainda não utilizados em cartões de crédito ou linhas de crédito, assim como garantias, fianças e avales.

Se quer saber o que consta do seu Mapa de Responsabilidades de Crédito, basta preencher este formulário no site do Banco de Portugal.

A consolidação de créditos pessoais afeta a Central de Responsabilidades de Crédito?

Não. Em regra, a consolidação de créditos não implica, por si só, um registo negativo na Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal.

De acordo com o Banco de Portugal, este tipo de operação corresponde a uma renegociação ou reestruturação de contratos de crédito, que pode surgir em diferentes contextos e com classificações distintas na CRC:

  1. Renegociação por prevenção de incumprimento ou por incumprimento, quando o contrato anterior é renegociado para prevenir ou regularizar uma situação de incumprimento. Nestes casos, a classificação mantém-se visível por seis meses (no caso de prevenção) ou 12 meses (incumprimento);
  1. Renegociação geral, que inclui situações de novas operações, renovações automáticas ou renegociação das condições de um contrato anterior, como a redução da taxa de juro ou alteração do prazo.

Assim, desde que não esteja em incumprimento, não vai ser prejudicado pela consolidação. Na prática, está apenas a juntar vários créditos num só, com um único contrato e com novas condições acordadas com a instituição financeira.

O que muda com a consolidação de créditos?

De uma forma geral, a consolidação simplifica a gestão dos seus compromissos financeiros, como mostramos na tabela abaixo.

Antes da consolidação:
→ Vários créditos ativos
→ Vários contratos de crédito
→ Várias prestações mensais
→ Diferentes datas de pagamento
→ Várias taxas de juro
→ Maior taxa de esforço
→ Vários prazos de reembolso
Depois da consolidação:
→ Um único crédito ativo
→ Um único contrato de crédito 
→ Uma prestação mensal
→ Uma única data de pagamento
→ Uma taxa de juro única
→ Taxa de esforço reduzida
→ Um único prazo de reembolso

Em que situações pode haver um impacto negativo na CRC?

A consolidação de créditos pessoais só pode ter um impacto negativo na Central de Responsabilidades de Crédito se for realizada devido a um incumprimento no pagamento das prestações ou se tiver um histórico de incumprimentos.

Ou seja, se está a pensar em consolidar os seus créditos pessoais para obter melhores condições ou para reduzir a taxa de esforço, esta estratégia até pode ajudar a melhorar a sua “reputação”. Isto porque ao reduzir o esforço financeiro, está também a diminuir o risco de incumprimento.

Como é que a consolidação de créditos pode melhorar a situação financeira?

A consolidação de créditos é uma solução frequentemente usada para aliviar a pressão financeira causada por vários empréstimos em simultâneo. Ou seja, em vez de múltiplos pagamentos mensais, passa a existir apenas uma prestação, o que facilita a gestão do orçamento e pode contribuir para uma maior estabilidade financeira.

Além disso, esta reorganização permite:

  • Reduzir o valor total mensal destinado ao pagamento de crédito;
  • Diminuir a taxa de esforço;
  • Organizar melhor a vida financeira, concentrando pagamentos numa única data;
  • Poupar dinheiro;
  • Reduzir o risco de incumprimento.

Veja alguns exemplos práticos de quanto pode poupar com a consolidação de créditos pessoais (tenha em conta que os valores apresentados são meramente indicativos):

Situação atualApós consolidaçãoPoupança mensal
2 créditos, com 500€ de  prestações1 crédito, com 393,41€ de prestação (84 meses)106,59€
3 créditos, com 730€ de prestações1 crédito, com 552,22€ de prestação (84 meses)177,78€

Estes números ajudam a desfazer o mito. Afinal, a consolidação de créditos pessoais é uma solução para manter as finanças organizadas e evitar dívidas maiores. Por isso, não é prejudicial e pode constar, sem problemas, na CRC. Para reduzir o risco de incumprimento e aliviar a sua vida financeira, faça as contas e veja quanto pode poupar por mês. Se fizer o seu crédito consolidado na Cofidis vai poupar ainda mais, porque não paga comissão de abertura e tem a possibilidade de pedir um financiamento extra.

O que achou?