Guia da consolidação de créditos: tudo o que precisa de saber
Índice de conteúdos:
- O que é a consolidação de créditos?
- Que tipos de créditos podem ser consolidados?
- Quais as grandes vantagens da consolidação de créditos?
- Quem pode pedir um crédito consolidado?
- Em que situações faz sentido consolidar créditos?
- Como funciona o processo de consolidação de créditos?
- Como escolher o melhor crédito consolidado (e o mais barato)?
- Perguntas frequentes sobre a consolidação de créditos
Tem vários créditos com prestações elevadas? Precisa de reorganizar e simplificar a sua vida financeira, em vez de ter várias entidades financeiras e dias diferentes para pagar cada prestação? A consolidação de créditos pode ser uma boa estratégia de poupança e organização.
Ao consolidar está, na prática, a juntar todos os seus créditos. O resultado é uma prestação única e mais baixa, paga apenas uma vez por mês. Se está a precisar de organizar as suas finanças pessoais e de ter alguma folga no seu orçamento mensal, é uma boa altura para saber mais sobre o crédito consolidado.
O que é a consolidação de créditos?
A consolidação de créditos é a junção de vários créditos num só. Assim, estes empréstimos, que podem ter sido concedidos por diversas instituições, passam a estar concentrados apenas numa entidade.
Além disso, ao consolidar créditos passa a ter uma só prestação mensal, uma só taxa de juro e apenas uma data de cobrança dessa prestação única. O valor a pagar mensalmente é também mais baixo, já que a consolidação permite, muitas vezes, reduzir as prestações mensais em centenas de euros.
A renegociação de créditos consiste em alterar as condições de um ou mais contratos de crédito já existentes, como o spread, a taxa de juro ou o prazo de reembolso, sendo possível manter os empréstimos separados. A consolidação de créditos, juntar todos os créditos num só, é uma solução alternativa que pode também ser proposta no âmbito da renegociação.
Que tipos de créditos podem ser consolidados?
A consolidação abrange vários tipos de crédito, nomeadamente: crédito pessoal, crédito automóvel, crédito habitação, linhas de crédito e cartão de crédito.
Ou seja, se tem vários empréstimos e cartões de crédito, pode juntar todas essas dívidas numa só. A única diferença é que, caso decida incluir o crédito habitação, passa a ter um crédito consolidado hipotecário; isto é, que tem como garantia um imóvel, que fica hipotecado até que a dívida seja paga.
Quais as grandes vantagens da consolidação de créditos?
A consolidação de créditos tem várias vantagens, entre as quais se destaca a poupança. Vamos a um exemplo prático para perceber efetivamente quanto pode poupar ao consolidar os seus créditos?
Imagine que o panorama das suas responsabilidades de crédito é o que consta da tabela abaixo:
| Tipo de crédito | Capital em dívida | Prazo | TAN | TAEG | Prestação Mensal |
| Automóvel | 3.500€ | 19 meses | 11,00% | 13,0% | 208,26€ |
| Pessoal | 7.500€ | 50 meses | 11,47% | 13,6% | 193,77€ |
| Cartão de Crédito | 4.000€ | 54 meses | 19,00% | 24,7% | 168,00€ |
Neste caso tem três créditos, uma dívida total de 15.000 euros e a soma de todas as prestações é de 570,03 euros por mês.
Ao consolidar passará a ter apenas uma prestação de 281,01 euros e um prazo de 84 meses (sete anos) para pagar os 15.000 em dívida. A TAEG e a TAN descem e consegue poupar todos os meses 289,02 euros. Tenha em conta que estes valores são meramente indicativos e que deve sempre simular para perceber qual a poupança no seu caso concreto.
Além de uma poupança significativa, a consolidação tem ainda outras vantagens:
- Maior facilidade em controlar o orçamento mensal, visto que passa a existir uma só prestação por mês, numa só data;
- Menor risco de atrasos ou incumprimento nos pagamentos;
- Possibilidade de usar o dinheiro poupado para criar um fundo de emergência, para investir ou para fazer amortizações;
- Menos entidades financeiras envolvidas, o que facilita o contacto e reduz as comissões a pagar todos os meses;
- Dependendo do tipo de crédito a consolidar, pode ainda ter uma redução das taxas de juro;
- Como algumas soluções de crédito consolidado permitem obter um financiamento extra, pode aproveitar para realizar um projeto há muito adiado.
Existem riscos ou desvantagens?
A consolidação de crédito tem, no entanto, algumas desvantagens, que podem ser minimizadas se fizer uma boa gestão financeira.
Uma das desvantagens é que, ao alargar o prazo para pagar a dívida, vai pagar mais juros, o que significa que o custo total dos empréstimos (MTIC ou Montante Total Imputado ao Consumidor) será mais elevado.
Outro risco é que, ao ter alguma folga financeira, acabe por contrair novos créditos que podem originar sobreendividamento.
Ao consolidar créditos deve também evitar incluir empréstimos que está quase a acabar de pagar: ao fazê-lo vai aumentar substancialmente os juros, o que torna esse crédito “mais caro”.
Quem pode pedir um crédito consolidado?
Há algumas condições para poder ter acesso à consolidação de créditos, que não diferem muito dos requisitos normais para obter empréstimos. Cumprindo estes requisitos, será mais fácil conseguir juntar os seus créditos:
- Ter pelo menos dois créditos ativos (um deles pode ser o cartão de crédito);
- A taxa de esforço da nova prestação deve ser baixa, uma vez que taxas de esforço acima de 35% aumentam o risco de incumprimento;
- Não estar em incumprimento, ou seja, não pode ter prestações em atraso;
- Ter um registo “limpo” na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal;
- Ter um emprego estável ou poder oferecer uma garantia (como um fiador);
- Ter menos de 65 anos. Em regra, as instituições de crédito têm em conta a idade que o cliente vai ter no final do empréstimo e o ideal é que nessa altura não ultrapasse os 70/75 anos.
Em que situações faz sentido consolidar créditos?
Nem sempre a consolidação de créditos é a melhor solução para gerir as dívidas e organizar as finanças pessoais. Optar por juntar todos os créditos num só pode ser uma solução quando:
- Tem vários créditos ativos;
- A taxa de esforço elevada, fazendo com que o valor total das prestações acabe por consumir grande parte do seu rendimento mensal;
- Está a ter dificuldade para pagar os créditos e corre o risco de entrar em incumprimento;
- Prevê que vai ter uma quebra de rendimentos (por exemplo, vai divorciar-se) e quer manter as suas finanças organizadas;
- Prevê que vá ter mais despesas (nascimento de um filho ou a sua ida para a faculdade) e quer reduzir os gastos mensais;
- Ainda faltam alguns anos para acabar de pagar os seus créditos;
- Quer poupar para preparar a reforma ou para realizar um projeto pessoal.
Quando é que se deve evitar a consolidação de crédito?
Por outro lado, juntar créditos não é uma boa opção em situações como estas:
- Se o prazo dos empréstimos está perto do fim;
- Se o custo total do crédito vai ser muito elevado, ou seja, se o custo total da dívida vai subir muito;
- Se em vez de poupar, vai aproveitar a folga financeira para contrair novas dívidas;
- Se já está em incumprimento. Nesse caso, será mais acertado recorrer ao PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento) para resolver a situação;
- Se a consolidação não é suficiente para reduzir a taxa de esforço.
Como funciona o processo de consolidação de créditos?
O processo começa com uma simulação e um pedido de consolidação a uma entidade que preste este tipo de serviço e que esteja devidamente autorizada pelo Banco de Portugal a fazê-lo.
Se o pedido for aprovado, essa instituição vai pagar os seus créditos, assumindo a totalidade da dívida. A partir daí, em vez de pagar empréstimos aos bancos a, b e c, passa a ter apenas um credor.
Como todos os pedidos de crédito, o processo de consolidação passa por várias etapas, nomeadamente:
1. Fazer a simulação
Para encontrar as melhores condições para o seu crédito consolidado faça uma ou mais simulações, até que encontre uma solução em termos de prazo e valor da prestação que seja adequada para a sua situação.
Geralmente consegue fazer a simulação online e, logo de seguida, preencher o formulário de pedido de crédito. É o que acontece, por exemplo, se optar pelo Crédito Consolidado da Cofidis.
2. Enviar a documentação
Para que a instituição de crédito possa avaliar o seu pedido, terá de enviar alguma documentação que comprove a sua identidade, rendimentos e situação no que respeita a empréstimos ativos.
Assim, antes de submeter o pedido de consolidação de créditos, reúna a seguinte documentação (podem ainda ser pedidos outros dados além dos abaixo):
- Documento de identificação;
- Comprovativo de morada atual (faturas de eletricidade, telecomunicações ou outras que estejam em seu nome);
- Comprovativo de IBAN;
- Comprovativo de rendimentos (recibos de vencimento, declaração de IRS, nota de liquidação do IRS ou outros que sejam pedidos);
- Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal;
- Comprovativos de dívida de todos os créditos a consolidar.
3. Aguardar pela análise
Depois de entregar toda a documentação necessária, esta vai ser verificada pelos analistas de crédito. O objetivo é confirmar todos os dados enviados e avaliar se reúne as condições necessárias para poder consolidar os seus créditos e cumprir o pagamento das prestações.
4. Resposta da instituição de crédito
Caso cumpra as condições, o seu pedido é aprovado e o passo seguinte será assinar o contrato, para que a consolidação entre em vigor. Leia atentamente toda a informação, para garantir que compreende as condições do crédito e que estas vão ao encontro do que pretende.
Se o seu pedido for recusado, procure resolver as situações que originaram essa recusa antes de tentar novamente.
5. Início dos pagamentos
Após a aprovação do crédito, os seus créditos anteriores são liquidados e começa um novo contrato, com o valor total da dívida e apenas uma prestação mensal para pagar.
Como escolher o melhor crédito consolidado (e mais barato)?
Há alguns pontos que deve ter em conta na altura de escolher o crédito consolidado que seja mais vantajoso para o seu caso. Ou seja, um crédito consolidado mais barato e que ofereça também todas as garantias de segurança.
Estas são algumas dicas para encontrar a melhor solução para si:
- Faça várias simulações;
- Defina quais os créditos que quer consolidar;
- Simule a taxa de esforço;
- Compare propostas, analisando a FINE (documento que reúne todas as condições), e tenha especial atenção ao MTIC e às taxas de juro;
- Analise a existência de opções em que a taxa e o valor da prestação são fixos, mas que possam ser ajustados em caso de necessidade;
- Tenha atenção ao valor das comissões. Se possível, escolha uma opção sem comissão de abertura;
- Escolha entidades autorizadas pelo Banco de Portugal, de forma a evitar burlas, acesso indevido a dados pessoais ou perdas financeiras;
- Avalie a possibilidade de fazer um seguro de proteção ao crédito, para dar mais garantias à instituição financiadora e obter melhores condições;
- Analise os prazos de reembolso para perceber qual é o mais vantajoso. Tenha em conta que deve escolher o prazo mais curto com uma prestação que seja confortável para o seu orçamento;
- Negoceie as condições.
7 perguntas frequentes sobre a consolidação de créditos
A consolidação de créditos é uma estratégia útil para cortar despesas e reduzir o risco de incumprimento. Mas, para poder avançar, é necessário esclarecer todas as dúvidas. Para ajudar na tomada de decisão, deixamos abaixo algumas respostas a perguntas frequentes sobre o crédito consolidado.
Existem limites definidos para consolidar créditos?
Os limites mínimos e máximos dependem da instituição de crédito. Por exemplo, no caso do Crédito Consolidado da Cofidis, a dívida a consolidar deve variar entre os 5.000 e os 50.000 euros.
Existem limites ao prazo de reembolso?
Se for um crédito consolidado sem crédito habitação, o limite varia entre os sete e os 10 anos. Caso seja um crédito consolidado hipotecário, o prazo pode chegar aos 30 anos.
É possível consolidar créditos que estejam em nome de duas pessoas?
Sim, desde que ambas pretendam essa solução. O facto de existirem dois titulares – ou seja, duas pessoas responsáveis pelo pagamento da dívida – até pode facilitar a concessão de crédito.
São exigidos fiadores na consolidação de créditos?
Dependendo do valor da dívida e dos seus rendimentos, podem ser pedidas outras garantias. Nesse caso, um fiador pode ser útil para a aprovação da consolidação.
A contratação de um crédito consolidado implica a contratação de seguros?
Um seguro de proteção ao crédito, tal como um fiador, é uma garantia adicional para a instituição financeira. Assim, embora não seja obrigatório, pode ser recomendável.
É possível amortizar o crédito consolidado?
Sim, tal como nos outros créditos, é possível fazer uma amortização parcial ou total quando quiser. Aliás, até é uma boa estratégia aproveitar a poupança gerada pela consolidação de créditos para fazer uma ou várias amortizações.
É possível ter dois créditos consolidados?
Sim, pode fazer mais do que uma consolidação, desde que cumpra os requisitos necessários, incluindo os que dizem respeito à taxa de esforço.