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Consolidar ou renegociar créditos: que opção compensa mais?

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Olga Teixeira
Olga Teixeira
Consolidar ou renegociar créditos são formas diferentes para evitar o incumprimento. Conheça as regras e as diferenças entre

Índice de conteúdos:

  1. O que significa renegociar um crédito?
  2. Quais as vantagens e desvantagens de renegociar créditos?
  3. O que significa consolidar créditos?
  4. Quais as vantagens e desvantagens da consolidação de créditos?
  5. Consolidar ou renegociar créditos: qual a melhor opção?
  6. Que cuidados deve ter antes de consolidar ou renegociar créditos?
  7. Perguntas frequentes sobre a renegociação e consolidação de créditos

As prestações dos seus empréstimos estão a pesar demasiado no orçamento? Consolidar ou renegociar créditos são duas opções que podem ajudar a reduzir os encargos mensais e a evitar situações de incumprimento. Mas qual delas é mais vantajosa?

Perante uma quebra de rendimentos – causada, por exemplo,por desemprego, divórcio ou baixa médica – ou um aumento das despesas familiares, pode tornar-se difícil cumprir todos os compromissos financeiros. Nestas situações, agir rapidamente é fundamental para evitar atrasos nos pagamentos e proteger a sua estabilidade financeira.

Tanto a consolidação como a renegociação de créditos permitem aliviar a pressão sobre o orçamento, mas funcionam de forma diferente e respondem a necessidades distintas. Enquanto uma passa por alterar as condições dos empréstimos existentes, a outra permite juntar vários créditos numa única prestação.

Neste artigo, explicamos as principais diferenças entre consolidar e renegociar créditos, as vantagens e desvantagens de cada solução e em que situações pode compensar optar por uma ou por outra.

O que significa renegociar um crédito? 

A renegociação de um crédito consiste na alteração das condições do contrato em vigor, com o objetivo de reduzir o valor da prestação mensal ou tornar o empréstimo mais ajustado à situação financeira do cliente.

Entre as condições que podem ser renegociadas estão:

Nota importante: A renegociação de um crédito só pode avançar se existir acordo entre o cliente e a instituição financeira. Além disso, a lei proíbe a cobrança de comissões pela renegociação dos contratos de crédito, permitindo ao consumidor procurar condições mais favoráveis, sem custos adicionais associados ao processo.

Como funciona a renegociação do crédito habitação?

No caso do crédito habitação, a renegociação está sujeita a regras específicas que visam proteger os direitos dos consumidores. Uma dessas regras determina que a instituição financeira não pode exigir a contratação de outros produtos ou serviços – como seguros, Planos Poupança Reforma (PPR) ou cartões de crédito – como condição para aceitar a renegociação do empréstimo.

Além disso, os bancos não podem agravar os encargos do contrato (por exemplo, através do aumento do spread) quando a renegociação resulta de determinadas situações previstas na lei, nomeadamente:

  • Alteração da titularidade do crédito devido a divórcio, separação judicial de pessoas e bens, dissolução da união de facto ou falecimento de um dos elementos do casal. No entanto, a taxa de esforço do novo titular deve ser inferior a 55% (ou 60% se existirem dois ou mais dependentes);
  • Arrendamento do imóvel que serve de garantia ao crédito.
Quanto pode poupar ao renegociar o spread do crédito habitação?
Embora a poupança dependa do montante em dívida, do prazo restante e das condições do contrato, uma pequena redução no spread pode traduzir-se numa prestação mensal mais baixa e, consequentemente, numa poupança de vários milhares de euros ao longo do empréstimo.

Vejamos um exemplo meramente indicativo:
→ Montante em dívida: 160.000€
→ Número de prestações em falta: 300
→ Spread atual de 1.5% (TAN de 3,5%) = prestação mensal de 801€
→ Novo spread a 1,0% (TAN de 3,0%): 67.621,16€ = prestação mensal de 758,74€

Resultado da negociação:
→ Poupança mensal: 42,26€
→ Poupança total ao longo do contrato: 12.677,82€

Como funciona a renegociação de um crédito pessoal?

A renegociação também é possível nos créditos pessoais, incluindo empréstimos para a compra de automóveis, férias, eletrodomésticos ou outros bens de consumo.

À semelhança do crédito habitação, este processo permite ajustar as condições do contrato com o objetivo de reduzir a prestação mensal. Normalmente, estas alterações passam pela extensão do prazo de reembolso ou pela revisão da taxa de juro aplicada.

No entanto, ao contrário do que acontece no crédito habitação, a instituição financeira pode cobrar uma comissão pela renegociação, desde que essa possibilidade esteja prevista no preçário. Ainda assim, não pode exigir a contratação de outros produtos ou serviços financeiros como condição para aprovar a renegociação.

Importa referir que se a renegociação implicar um aumento do valor do empréstimo, o cliente terá de apresentar informação atualizada sobre a sua situação financeira,  para que seja feita a avaliação de solvabilidade (isto é, a capacidade de cumprir o pagamento do crédito). Caso exista risco de incumprimento, a instituição pode recusar as novas condições propostas. 

Qual o impacto de aumentar o prazo de um crédito pessoal?
O impacto de aumentar o prazo de um crédito pessoal pode ser percebido no seguinte exemplo, também meramente indicativo:
→ Valor do crédito: 10.000€
→ Prazo inicial: 48 meses = prestação mensal de 235€
→ Novo prazo após renegociação: 72 meses = prestação mensal de 170€

Resultado da negociação:
→ Poupança mensal: 65€

Nota: Embora esta solução permita aliviar o orçamento no curto prazo, é importante ter em conta que um prazo mais longo significa, regra geral, um custo total mais elevado, já que os juros serão pagos durante mais tempo. Por isso, antes de renegociar, vale a pena comparar o valor da poupança mensal com o impacto no custo final do crédito.

Quais as vantagens e desvantagens de renegociar créditos?

A renegociação de um crédito tem vantagens e desvantagens e implica algumas contrapartidas.  

Ao renegociar os créditos vai alterar as condições do contrato para reduzir a prestação a pagar. Ou seja, é uma boa forma de baixar as despesas mensais e aliviar um pouco a pressão sobre o orçamento familiar.

Se a renegociação implicar uma dilatação do prazo de reembolso, terá mais tempo para pagar o empréstimo, mas o crédito acaba por ficar mais caro. Isto é, vai pagar mais pela casa ou pelo carro do que no contrato inicial.

Além disso, se tiver vários créditos, estes têm de ser renegociados individualmente, o que pode tornar o processo mais complexo. Neste caso, optar pela consolidação pode ser mais simples.

Nota importante: Na renegociação de um crédito pessoal, podem ser propostos outros produtos ou serviços financeiros como forma de melhorar as condições do contrato. No entanto, a instituição de crédito não pode condicionar a concessão ou renegociação do empréstimo à contratação desses produtos – ou seja, as vendas associadas obrigatórias são proibidas em Portugal, conforme explica o Banco de Portugal.

O que significa consolidar créditos? 

A consolidação de créditos consiste em juntar vários empréstimos numa única prestação mensal, que tende a ser mais baixa do que a soma de todas as prestações que tinha anteriormente.

Esta solução pode abranger apenas créditos do mesmo tipo, como créditos pessoais, ou incluir diferentes tipologias de financiamento, incluindo o crédito habitação.

Importa referir que a consolidação pode ser feita mesmo sem a existência de garantia, como um imóvel, e, em alguns casos, permite ainda obter financiamento adicional. Ou seja, pode incluir um montante extra no novo contrato, por exemplo, para realizar obras em casa ou financiar um curso.

Na prática, a entidade que faz a consolidação vai pagar os seus empréstimos às restantes instituições financeiras, passando a ser a única credora das suas dívidas. Isto resulta:

  • Num único contrato de crédito;
  • Numa única prestação mensal;
  • Numa única taxa de juro comum a todos os empréstimos;
  • Numa única data de pagamento. 

Veja, na tabela abaixo, quanto pode poupar com a consolidação de créditos (exemplo meramente indicativo):

Antes da consolidação Depois da consolidação 
Três créditos (crédito automóvel + crédito pessoal + cartão de crédito) Um crédito
Prazos de pagamento: 19 meses + 50 meses + 54 meses Prazo de pagamento: 84 meses
Capital em dívida: 15.000€Capital em dívida: 15.000€
Prestação total dos três créditos: 570,03€/mêsPrestação mensal: 281,01€ 
Total de poupança com a consolidação: 289,02€/mês 

Quais as vantagens e desvantagens da consolidação de créditos?

A consolidação de créditos pode trazer várias vantagens, sendo a poupança mensal – que pode chegar a centenas de euros – a mais relevante. No entanto, existem existem outros benefícios associados:

  • Prestação mensal mais baixa;
  • Redução da taxa de esforço;
  • Menor risco de incumprimento; 
  • Apenas uma data de pagamento, o que facilita a gestão do orçamento familiar; 
  • Eliminação de várias comissões associadas a diferentes créditos;
  • Aplicação de uma única taxa de juro;
  • Possibilidade de direcionar a poupança mensal para um fundo de emergência ou investimento
  • Possibilidade de subscrever um seguro de proteção ao crédito para maior segurança financeira. 

Já a principal desvantagem é a de poder aumentar o prazo dos créditos pessoais, fazendo com que demore mais tempo e pague mais juros para saldar esse empréstimo.

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Consolidar ou renegociar créditos: qual a melhor opção?

A melhor solução para gerir os seus créditos depende de vários fatores e dos motivos que estão na origem da necessidade. Para ajudar na decisão, resumimos as duas opções na tabela abaixo. 

Renegociação de créditos:
→ Alteração das condições dos créditos existentes;
→ Pode incluir alterações ao spread, taxa de juro ou prazo de pagamento;
→ Reduz a prestação, mas nem sempre de forma significativa;
→ Mantém os contratos atuais;
→ Mantém várias prestações mensais;
→ Mantém várias instituições financeiras. 

Consolidação de créditos:
→ Junção de vários créditos num único contrato;
→ Permite unificar taxas, prazos de pagamento e condições;
→ Geralmente permite uma redução mais expressiva da prestação mensal;
→ Passa a ter apenas um contrato de crédito;
→ Fica apenas com uma prestação mensal;
→ O processo é centralizado numa só entidade financeira.
Faz mais sentido quando…
→ Tem apenas um crédito;
→ A dificuldade financeira é temporária. 



Faz mais sentido quando…
→ Tem vários créditos;
→ Tem dificuldade em gerir várias prestações;
→ A taxa de esforço está elevada;
→ Quer simplificar as finanças pessoais. 

Em suma, se tem apenas um crédito e pretende ajustar algumas condições, a renegociação tende a ser a opção mais simples. 

Por outro lado, se tem vários créditos e procura reduzir significativamente os encargos mensais, a consolidação costuma ser a solução mais eficaz. Além disso, caso tenha necessidade de financiamento adicional, algumas soluções – como o Crédito Consolidado da Cofidis – permitem ter acesso a este valor extra.

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Que cuidados deve ter antes de consolidar ou renegociar créditos?

A renegociação e a consolidação de créditos são processos mais simples se não existir incumprimento. Por isso, este é o primeiro cuidado a ter: procurar uma solução antes de falhar o pagamento de prestações

Depois, antes de tomar uma decisão, há alguns passos importantes a dar: 

  • Analise a situação financeira: perceba quanto deve em cada empréstimo, qual o valor de cada prestação, qual a taxa de esforço atual e quanto tempo falta para acabar cada contrato;
  • Simule e compare diferentes propostas: fazer várias simulações e comparar condições ajuda a encontrar a solução mais adequada para os seus objetivos; 
  • Leia a Ficha de Informação Normalizada (FIN): este documento inclui  informações sobre características e custo do crédito ao consumo (se for um crédito habitação, a informação está na FINE – Ficha de Informação Normalizada Europeia); 

4 perguntas frequentes sobre a renegociação e consolidação de créditos 

Renegociar ou consolidar créditos são opções que procuram aliviar a sua vida financeira, mas implicam uma tomada de decisão informada. Esclareça abaixo algumas dúvidas comuns sobre as duas soluções.

É possível consolidar um crédito habitação e um crédito pessoal?icon

Sim. Nesse caso será um crédito consolidado com hipoteca, em que a casa serve como garantia (tal como acontece no crédito habitação).

A consolidação afeta o acesso a novos créditos?icon

Não. Se a consolidação ou a renegociação de créditos não se deveram a incumprimento, o seu registo na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal permanece “limpo” e não afeta a concessão de novos empréstimos

Qual a diferença entre consolidação e transferência de crédito?icon

Na consolidação junta vários créditos num só. Ao transferir está a mudar o empréstimo para outra instituição de crédito.

Pode-se renegociar um crédito mais do que uma vez?icon

Sim, é possível negociar várias vezes, desde que exista acordo entre o cliente e a instituição de crédito.

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