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Taxa de esforço: como calcular e qual o limite para pedir crédito?

7 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira

Índice de conteúdos:

  1. O que é a taxa de esforço?
  2. Qual a taxa de esforço recomendada?
  3. Como calcular a taxa de esforço?
  4. Como baixar a taxa de esforço?

A taxa de esforço mostra quanto do seu rendimento mensal fica comprometido com as prestações de um ou vários créditos. Por isso, é um dos indicadores mais importantes para avaliar se consegue assumir um novo empréstimo sem colocar o orçamento familiar sob pressão.

Uma taxa de esforço equilibrada permite pagar as prestações de créditos, as restantes despesas do dia a dia e ainda manter alguma margem para poupar e fazer face a imprevistos. Por outro lado, quando é demasiado elevada, aumenta o risco de dificuldades financeiras e de incumprimento. 

Mas como se calcula a taxa de esforço? Existe um limite máximo para pedir crédito? E qual é a percentagem que deve procurar manter? Saiba como fazer as contas e o que este indicador significa na avaliação da sua capacidade financeira.

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço é a percentagem do rendimento familiar destinada ao pagamento das prestações dos créditos contratados.

Este é um indicador muito importante, já que uma taxa elevada significa que grande parte do rendimento é destinada ao pagamento das prestações. O que, consequentemente, aumenta o risco de ter dificuldade em suportar as restantes despesas mensais ou de enfrentar problemas financeiros perante uma situação inesperada, como desemprego ou uma doença que implique perda de rendimentos. 


Taxa de esforço e DSTI: qual a relação?

Existe ainda outra forma de designar a relação entre créditos e rendimentos. O Banco de Portugal (BdP) usa a expressão “Debt Service-To-Income” (DSTI) para se referir ao rácio entre o valor das prestações mensais e o rendimento mensal líquido, ou seja, o dinheiro que efetivamente recebe depois dos descontos para o IRS e para a Segurança Social. 

A taxa de esforço tem influência na aprovação de crédito?

Ter uma taxa de esforço baixa não é apenas importante para garantir que faz um crédito responsável. É também um dos fatores que pode influenciar a aprovação de um pedido de empréstimo. 

Na avaliação de solvabilidade feita pelas instituições de crédito, que serve para analisar a capacidade financeira do consumidor e o risco de incumprimento, a taxa de esforço é um dos aspetos considerados. Quando é elevada, pode dificultar a aprovação ou levar à necessidade de apresentar garantias adicionais, como um fiador ou um seguro de proteção de crédito.

Ao pedir um crédito, tenha ainda em conta que as prestações vão representar um compromisso financeiro durante vários anos, dependendo do prazo de reembolso e do tipo de crédito. 

Por outro lado, se tiver um crédito com taxa variável, como acontece com os créditos habitação indexados à Euribor, a prestação pode aumentar quando a taxa de juro sobe. Nesse caso, o valor da taxa de esforço também aumenta, podendo tornar o orçamento familiar mais difícil de gerir.

Qual a taxa de esforço recomendada?

Não existe uma taxa de esforço que se adapte a todos os empréstimos ou situações financeiras. Uma taxa de 40%, por exemplo, pode representar um peso muito diferente no orçamento de quem recebe o salário mínimo ou de uma família com rendimentos de 4.000 euros.

Assim, a taxa de esforço ideal é aquela que permite pagar as prestações do crédito, continuando a ter rendimento suficiente para suportar as restantes despesas. Como referência, uma taxa na ordem dos 30% a 33% pode ser considerada equilibrada, uma vez que deixa cerca de dois terços do rendimento disponível para outras despesas e para poupar. 

O Banco de Portugal, que supervisiona as instituições de crédito, estabelece, por sua vez, limites à concessão de novos empréstimos através da recomendação macroprudencial. Um desses limites diz respeito precisamente ao DSTI. 

Em regra, o limite estabelecido é de 45%, embora exista uma margem de exceção: até 10% do montante total dos créditos concedidos por cada instituição em cada semestre pode apresentar um DSTI superior a este valor.

Ou seja, se pretende pedir um crédito, tenha em conta que a prestação desse empréstimo e de outros que possa ter não deve ultrapassar os 45% do seu rendimento líquido mensal. Por exemplo, numa família com um rendimento líquido de 2.500 euros por mês, uma taxa de esforço de 45% corresponde a um máximo de 1.125 euros em prestações de crédito. 


Quais as regras em vigor do Banco de Portugal?

Sempre que existem “sinais de alarme” que façam prever um aumento do risco de incumprimento, o Banco de Portugal pode emitir novas recomendações, levando os bancos e outras instituições de crédito a apertar os critérios de concessão de empréstimos. Até agosto de 2026, a taxa de esforço máxima era de 50%, tendo entretanto baixado para os 45%.

Há ainda outras medidas em vigor:
→ O loan-to-value (LTV) para créditos destinados à habitação própria e permanente é de 90% (ou seja, o banco só empresta, em regra, até 90% do valor do imóvel);
→ O prazo máximo de reembolso do crédito habitação é de 40 anos para clientes até aos 35 anos. Para clientes com mais de 35 anos, o prazo máximo é de 35 anos;
→ O prazo máximo de reembolso no crédito pessoal é de sete anos;
→ Por fim, o prazo máximo de reembolso é de dez anos nos contratos de crédito pessoal com as finalidades de educação, saúde e transição energética, bem como no crédito automóvel.

Como calcular a taxa de esforço?

Para calcular a taxa de esforço, deve usar a seguinte fórmula:

Taxa de esforço = (Encargos financeiros mensais / Rendimento líquido mensal) x 100

Vejamos um exemplo prático:

  • A Joana e o Pedro têm rendimentos líquidos mensais de 2.500 euros e, atualmente, têm dois créditos automóveis, com prestações que totalizam 500 euros por mês;
  • A sua taxa de esforço atual é de 20% ((500€ / 2.500€) x 100);
  • No entanto, estão a pensar comprar casa e a simulação que fizeram prevê uma prestação mensal de 800 euros. Neste caso, a taxa de esforço sobe para 52% ((1.300€ / 2.500€) x 100), uma vez que passam a ter 1.300 euros de encargos mensais com créditos. Ou seja, mais de metade do que recebem passa a ter como destino o pagamento de prestações de crédito.

Se precisa de calcular a sua taxa de esforço, pode recorrer ao nosso simulador e testar diferentes cenários até encontrar um valor que seja confortável para o seu orçamento.

Como baixar a taxa de esforço? 6 estratégias a aplicar 

Baixar a taxa de esforço, ou seja, libertar rendimentos para pagar outras despesas ou para construir um fundo de emergência, é um exercício que deve ser feito a qualquer altura, e não apenas quando a situação económica já é difícil. Deixamos-lhe algumas dicas para o conseguir.

1. Ajuste os rendimentos e gastos mensais

Como a taxa de esforço depende dos rendimentos, uma das formas de a baixar é procurar aumentar o valor que recebe mensalmente. Para o conseguir, pode tentar negociar o seu salário, mudar de emprego ou ganhar dinheiro através de um hobby.

Outra alternativa é reduzir despesas, o que pode conseguir, por exemplo, se:

  • Cortar gastos supérfluos;
  • Anular a subscrição de serviços que não utiliza;
  • Negociar contratos de eletricidades e telecomunicações;
  • Reduzir as refeições fora de casa;
  • Fizer um orçamento mensal para cada tipo de despesa.

2. Peça crédito com um co-titular 

Quando existem dois rendimentos, a taxa de esforço diminui. Ou seja, se, em vez de pedir um crédito sozinho, juntar outro titular, como o outro elemento do casal, serão tidos em conta os rendimentos de ambos. Como há mais rendimento disponível, o risco de incumprimento é menor, o que pode facilitar a aprovação do crédito.  

3. Renegocie as condições do empréstimo

Para baixar as prestações, pode tentar renegociar os seus contratos de crédito, encontrando uma solução que permita gastar menos todos os meses.

Tenha em atenção que a renegociação só é possível se a instituição de crédito concordar e pode incluir algumas alterações no contrato, como por exemplo:

  • Aumentar o prazo do empréstimo;
  • Baixar o spread (margem de lucro do banco); 
  • Transformar a taxa variável em taxa  fixa. 

Também pode renegociar os valores a pagar pelos seguros associados aos seus créditos, como o seguro multirriscos, seguro automóvel, seguro de vida e seguro de proteção de crédito, ou transferi-los para outras seguradoras.

No entanto, caso os seguros tenham sido feitos na seguradora associada ao banco, esta opção pode aumentar o spread. Faça as contas para perceber o que é mais vantajoso para o seu caso.

4. Amortize o crédito

Se recebeu um dinheiro extra ou conseguiu juntar uma poupança significativa, use parte ou a totalidade desse dinheiro para amortizar um ou vários créditos. 

Assim, ao reduzir o valor em dívida, a prestação será mais baixa e a taxa de esforço também. 

5. Transfira o crédito para outra instituição

A transferência de um ou mais créditos para outra instituição que ofereça condições mais vantajosas é outra forma de conseguir reduzir a taxa de esforço, já que, na prática, vai pagar menos pelos seus empréstimos. 

Antes de tomar esta decisão, faça várias simulações, leia com atenção todas as condições do crédito e compare opções para perceber se realmente compensa mudar.

6. Consolide créditos

A consolidação de créditos permite-lhe juntar todos os empréstimos num só, ficando apenas com uma prestação e pagando unicamente as comissões associadas à mesma. Assim, consegue reduzir o valor a pagar mensalmente e, consequentemente, a taxa de esforço. 

E o mais interessante é que a consolidação pode fazer baixar até 70% o valor das prestações mensais. Veja um exemplo prático, tendo como base o Crédito Consolidado da Cofidis (valores meramente indicativos):

Antes da consolidação Depois da consolidação 
Três créditos (crédito automóvel + crédito pessoal + cartão de crédito) Um crédito
Prazos de pagamento: 19 meses + 50 meses + 54 meses Prazo de pagamento: 84 meses
Capital em dívida: 15.000 eurosCapital em dívida: 15.000 euros
Prestação mensal total dos três créditos: 570,03 euros por mêsPrestação mensal: 281,01 euros
Redução da prestação mensal com a consolidação: 289,02 por mês 

Outra das vantagens do crédito consolidado é que, como só tem uma prestação, torna-se mais fácil gerir as finanças pessoais. Além disso, em alguns casos, não paga comissões e tem ainda a possibilidade de pedir um financiamento adicional. 

Para saber quanto pode poupar se recorrer, por exemplo, ao Crédito Consolidado Cofidis, utilize este simulador.

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