Crédito

5 sinais de que está na hora de juntar todos os créditos num só

1 min
Daniela Cunha
Daniela Cunha
Jovem que decidiu juntar todos os créditos num só

Índice de conteúdos:

  1. Quais as vantagens de juntar todos os créditos num só?
  2. Quando é que vale a pena optar pela consolidação de créditos?
  3. Que tipos de créditos podem ser consolidados?
  4. Como escolher o melhor crédito consolidado?

Para quem tem mais do que um empréstimo, há alturas em que juntar todos os créditos num só pode ser mais vantajoso do que pagá-los individualmente.

Quando existem vários créditos em simultâneo, a gestão financeira torna-se mais complicada e a pressão sobre o orçamento familiar aumenta. Nestes casos, a consolidação de créditos pode ser uma boa alternativa.

Sendo corretamente utilizada, esta opção ajuda não só a simplificar a organização das finanças pessoais, mas também a reduzir o risco de incumprimento, a diminuir os encargos mensais e a aumentar a poupança.

No entanto, antes de juntar todos os créditos num só, é importante que avalie se essa é a solução indicada para o seu caso e, se o for, que saiba escolher o crédito consolidado mais vantajoso.

Quais as vantagens de juntar todos os créditos num só?

O crédito consolidado é um crédito pessoal que permite agregar vários empréstimos num único contrato de financiamento. O objetivo é passar a ter apenas uma prestação e uma taxa de juro mais baixa para que a nova mensalidade seja menor do que a soma de todas as prestações.

Na prática, a instituição financeira que conceder o crédito consolidado estará a “comprar” as suas dívidas originais, estabelecendo depois um novo contrato de crédito com condições mais ajustadas à sua capacidade financeira.

Assim, a consolidação de créditos é uma solução interessante para quem tem vários empréstimos, tendo como principais vantagens:

  • Facilidade de gestão financeira: terá de lidar apenas com uma prestação mensal, uma taxa de juro e uma entidade financeira;
  • Prestação mais baixa: em alguns casos, a consolidação permite uma redução de 60% a 70% no valor da mensalidade;
  • Folga orçamental: a prestação menor possibilita reduzir os encargos mensais e aumentar a poupança;
  • Redução do risco de incumprimento: com o alívio da pressão sobre o orçamento familiar, o risco de não cumprir com as suas obrigações e de endividamento é menor;
  • Financiamento extra: caso seja necessário e a taxa de esforço o permita, é possível pedir um empréstimo adicional.

Por outro lado, consolidar créditos também traz alguns inconvenientes: o alargamento do prazo obriga a que fique a pagar o crédito (e os juros) durante mais tempo, o que significa que, no final, o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) será maior. Além disso, o crédito consolidado reduz, geralmente, a taxa de esforço, tornando mais fácil a concessão de novos créditos, o que pode potenciar o endividamento.

Quando é que vale a pena optar pela consolidação de créditos?

Seja porque quer reduzir as despesas mensais ou porque está quase a entrar em incumprimento, há certas situações em que juntar todos os empréstimos num só pode ser a melhor opção. Conheça-as abaixo:

1. Quando tem vários créditos contratados

Ao contrário do que se possa pensar, a consolidação de créditos não é apenas para quem está numa situação financeira complicada e tem dificuldades em pagar as mensalidades. Pode também ser uma solução interessante se tem mais do que um crédito e quer facilitar a gestão das suas finanças.

Assim, tendo apenas uma prestação para pagar, é menos provável que se esqueça das datas de liquidação e que deixe, inadvertidamente, alguma mensalidade em atraso.

2. Quando está em risco de incumprimento

Não cumprir com as suas obrigações financeiras implica consequências graves, como juros de mora e registos negativos no Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal (a chamada “lista negra”). Assim, se está a ser cada vez mais difícil pagar as suas mensalidades, pondere recorrer ao crédito consolidado.

É importante que procure esta solução ainda antes de ter prestações em atraso, porque se já estiver em incumprimento, dificilmente conseguirá que um banco lhe conceda a unificação dos empréstimos.

3. Quando as prestações comprometem o orçamento mensal

Se o seu orçamento está a ficar “estrangulado”, pode ser boa ideia juntar todos os créditos num só. Ao negociar condições mais vantajosas e alargar o prazo de pagamento, consegue reduzir a sua prestação mensal, o que lhe dá uma maior folga financeira.

4. Se recorre frequentemente ao cartão de crédito

Caso esteja a recorrer de forma constante ao cartão de crédito ou aos métodos “compre agora, pague depois”, é bastante provável que os seus rendimentos não sejam suficientes para fazer face a todas as despesas e que esteja a viver acima das suas possibilidades.

Este tipo de comportamento pode levar ao sobreendividamento, especialmente tendo em conta que os cartões de crédito costumam ter taxas de juro muito altas.

Ao baixar os custos com os seus créditos, é mais fácil reorganizar as suas finanças, manter-se dentro do orçamento e evitar as soluções de curto prazo que têm custos elevados.

5. Se pretende baixar a taxa de esforço, pagar menos juros e aumentar a poupança

O crédito consolidado também é uma boa opção se o seu objetivo é apenas poupar mais dinheiro. Mesmo que não tenha dificuldade em pagar as prestações e não esteja em risco de incumprimento, ao juntar todos os créditos num só consegue negociar taxas de juro mais competitivas e melhorar as condições de pagamento. Assim, baixa a sua taxa de esforço e aumenta a poupança.

Que tipos de créditos podem ser consolidados?

De uma forma simples, a resposta é praticamente todos. No entanto, o tipo de crédito consolidado mais adequado – existem dois – vai depender da natureza dos empréstimos que quer juntar:

  • Crédito consolidado hipotecário: permite juntar o crédito habitação a créditos ao consumo. É preciso dar o imóvel como garantia, mas os limites de financiamento e os prazos de pagamento são consideravelmente maiores.

Se optar pela consolidação, é importante que saiba que não é obrigatório juntar todos os seus financiamentos. Por norma, os empréstimos que mais beneficiam desta alternativa são os créditos ao consumo, sobretudo os cartões de crédito, cujas taxas de juro podem chegar quase aos 19%.

Como escolher o melhor crédito consolidado? 8 detalhes a considerar

Antes de avançar para a junção dos seus créditos, deve ter em conta alguns aspetos importantes para evitar possíveis erros:

  1. Defina os créditos que pretende consolidar e reúna toda a informação sobre eles: um crédito consolidado ao consumo é muito diferente de um crédito consolidado hipotecário (que implica muito mais burocracias). Além disso, se tiver créditos a aproximar-se do prazo de vencimento, provavelmente não compensa consolidá-los;
  1. Simule e compare propostas: contacte várias instituições de crédito para poder comparar ofertas e perceber qual é a mais vantajosa. Por exemplo, o Crédito Consolidado da Cofidis permite financiar entre 5.000 e 50.000 euros, num prazo até 84 meses, e possibilita a redução das prestações até 70%;
  1. Verifique a reputação da instituição financeira: todas as entidades autorizadas a conceder créditos têm de estar registadas no Banco de Portugal. Consulte a lista disponibilizada para garantir que recorre a uma instituição fidedigna;
  1. Analise as taxas de juro: é importante que tenha em atenção, sobretudo, a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), que representa o custo total do empréstimo, incluindo os juros, impostos, comissões e outros encargos. Deve também analisar o MTIC para perceber qual é efetivamente o valor total que terá de pagar pelo empréstimo;
  1. Considere os encargos adicionais: não se esqueça de levar em consideração os custos associados ao crédito, como as comissões de abertura, avaliação ou processamento e eventuais seguros que a entidade financeira exija;
  1. Leia com atenção a FIN: sempre que faz uma simulação, as instituições financeiras são obrigadas a disponibilizar a Ficha de Informação Normalizada, que contém os dados detalhados do contrato de crédito. Deve ler este documento com atenção e utilizá-lo para comparar diferentes propostas;
  1. Calcule a taxa de esforço: divida o valor da mensalidade do crédito consolidado (bem como de outros créditos que tenha e optou por não unificar) pelos seus rendimentos e multiplique por 100%. O ideal é que a taxa de esforço não ultrapasse os 35%;
  1. Analise os prazos de pagamento: por um lado, um prazo muito longo pode aumentar significativamente o custo total do crédito devido aos juros acumulados; por outro, prazos demasiados curtos tornam a prestação mais elevada, o que não será útil se tiver pouca folga orçamental. Opte pela opção que lhe permita manter um equilíbrio entre o prazo do crédito e a mensalidade.

Juntar todos os créditos num só é uma boa forma de reestruturar as suas finanças e evitar o risco de incumprimento. No entanto, é importante que veja o crédito consolidado como uma ajuda e não como uma solução que resolve todos os problemas.

Se está a ponderar recorrer a esta opção porque está com dificuldades em pagar as suas prestações, é fundamental que acompanhe a consolidação de uma mudança de hábitos de consumo. Caso contrário, corre o risco de acumular novas dívidas e de perder o controlo das suas finanças.

O que achou?