Como investir com pouco dinheiro: dicas e opções para iniciantes
Índice de conteúdos:
- Qual a importância de investir?
- Onde começar a investir com pouco dinheiro?
- Quais os cuidados a ter para investir com pouco dinheiro?
Saiba como investir com pouco dinheiro e rentabilizar o seu capital, mesmo com investimentos reduzidos.
Em tempos de incerteza, deixar o dinheiro parado no banco pode parecer o mais seguro. No entanto, é provável que esteja a perder poder de compra. Para contrariar os efeitos da inflação, que faz com que o dinheiro perca valor, a melhor estratégia é investi-lo, gerando rentabilidade.
Qual a importância de investir, mesmo com pouco dinheiro?
Ao contrário do que possa pensar, investir não está reservado apenas a quem tem muito dinheiro. Mesmo com quantias mais modestas, é possível fazer investimentos que geram retorno. E quanto mais cedo começar, melhor.
Investir permite-lhe:
- Mitigar os efeitos da inflação: se os preços dos produtos e serviços sobem, mas os salários não acompanham a tendência, significa que, com o mesmo dinheiro, consegue adquirir menos bens. Ao investir, consegue fazer crescer as suas poupanças e impedir que estas percam valor com a inflação;
- Criar património: os investimentos permitem-lhe aumentar o dinheiro disponível e gerar riqueza;
- Realizar objetivos: ao investir, consegue acumular o dinheiro necessário para concretizar objetivos financeiros de longo prazo, e que precisam de montantes avultados, como a reforma, a compra de uma casa ou a educação dos seus filhos.
Onde começar a investir com pouco dinheiro?
O termo “investir” é muitas vezes associado à bolsa, ao risco e à possibilidade de se perder tudo de um momento para o outro. No entanto, investir não é mais do que aplicar dinheiro em ativos financeiros (e há alguns que têm capital garantido), com o objetivo de gerar retorno num determinado período de tempo.
É verdade que quanto maior a possibilidade de retorno, maior é o risco. Mas no mundo dos investimentos há uma enorme variedade de instrumentos financeiros pelos quais pode optar, dos mais seguros, aos mais arriscados. Tudo depende do dinheiro que tem disponível, dos seus objetivos e do seu perfil de investidor.
E não precisa de muito: pode começar a sua carteira de investimentos com montantes reduzidos. Por vezes, 100 euros, 50 euros ou até menos é suficiente.
Depósitos a prazo
Os depósitos a prazo são produtos financeiros simples e seguros, já que não há o risco de perda do capital investido. O montante de subscrição varia de banco para banco, mas costuma ser relativamente baixo.
Neste tipo de depósito, o seu dinheiro fica imobilizado pelo período acordado com o banco, sendo reembolsável apenas no final do prazo. Caso a instituição bancária permita a mobilização antecipada, provavelmente será penalizado no valor dos juros.
As taxas de juro de um depósito a prazo variam de banco para banco, mas são, geralmente, pouco apelativas. Se forem inferiores à inflação, que costuma ser o caso, significa que o dinheiro perde valor real.
Este tipo de investimento é, portanto, ideal para quem não quer correr muitos riscos e pretende apenas salvaguardar as poupanças ou fazer um fundo de emergência.
Tenha em consideração que até 100.000 euros por titular e instituição, os depósitos a prazo estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
Títulos do Estado
Ao subscrever um Certificado de Aforro ou Certificado do Tesouro, em vez de investir o seu dinheiro num banco, está a comprar dívidas do Estado. Como têm capital garantido, estes instrumentos de investimento também são uma opção segura para quem tem aversão ao risco.
Os montantes de subscrição são baixos – pode começar a investir em Certificados de Aforro com 100 euros e em Certificados do Tesouro com 1.000 euros – e ainda que a remuneração seja ligeiramente superior à dos depósitos a prazo, as taxas de juro nem sempre são suficientes para fazer face à inflação.
O prazo máximo dos Certificados de Aforro é de 15 anos a partir da data de subscrição, e dos Certificados do Tesouro é de sete anos.
Seguros de capitalização
São seguros com cobertura de risco de morte e de sobrevivência. Podem ter capital garantido (no caso de um seguro de vida individual ou de grupo) ou estar ligados a fundos de investimento, o que significa que há a possibilidade de perder o dinheiro investido.
Ao subscrever um seguro de capitalização, entrega um determinado montante à companhia de seguros que o gere e, no final do prazo, devolve-lhe o dinheiro acrescido do rendimento obtido. Pode fazer uma entrega única ou várias entregas sucessivas.
Os seguros de capitalização são mais adequados a quem quer fazer investimentos de médio/longo prazo, já que, quanto mais cedo resgatar o dinheiro, mais terá a pagar de impostos:
- Prazo até cinco anos: 28%;
- Entre cinco anos e um dia e até oito anos: 22,4%;
- Mais de oito anos e um dia: 11,2%.
PPR
Subscrever um Plano Poupança Reforma (PPR) é outra opção para começar a investir com pouco dinheiro. Trata-se de um investimento de longo prazo, geralmente utilizado por quem quer criar um complemento à pensão.
Existem dois tipos de PPR: sob a forma de seguro, que têm capital garantido, mas uma rentabilidade menor; e sob a forma de fundo, que não têm proteção de capital, mas o potencial de ganhos também é maior.
Ao subscrever um Plano Poupança Reforma, pode deduzir no IRS 20% do valor investido até um máximo de 400 euros.
Obrigações
São títulos de dívida de empresas ou do Estado. Ao investir em obrigações está, na prática, a emprestar dinheiro a uma entidade. Em troca, recebe juros (ou cupão), que são pagos periodicamente, até ao prazo acordado, no qual a entidade tem de reembolsar o montante total investido.
Este tipo de investimento não é totalmente seguro já que, se a taxa de juro for variável, há o risco de oscilação do indexante e o lucro pode ser reduzido ou inexistente. Existe, ainda, o risco de incumprimento por parte da entidade devedora, que pode não conseguir reembolsar os juros e o capital.
Fundos de investimento e ETF
Um fundo de investimento é um conjunto de ativos financeiros (ações, obrigações, imóveis ou outros produtos). A grande vantagem destes fundos é que lhe permitem investir de forma diversificada sem ter de negociar diretamente os ativos, já que é um gestor que faz a compra e venda por si com base em análises de mercado.
Existem vários tipos de fundos, com diferentes níveis de risco, e o capital não é garantido. O potencial de retorno é superior a outros produtos e é possível subscrevê-los com relativamente pouco dinheiro.
Dentro dos fundos de investimento há, por exemplo, os ETF (Exchange Traded Fund), que são compostos por ações de várias empresas, sendo, por isso, negociados em bolsa.
Ações
As ações são valores mobiliários que representam parte do capital social de uma empresa. Ao comprar ações, torna-se acionista, ou seja, passa a ser dono de uma parcela da entidade, e ganha com a sua evolução em bolsa.
O potencial de retorno é bastante elevado, mas para investir em ações tem de estar preparado para correr riscos. É que o mercado acionista é bastante volátil, podendo sofrer grandes oscilações num curto espaço de tempo.
Neste tipo de investimentos, é essencial ter uma carteira diversificada, com ações de várias empresas de setores diferentes, para poder equilibrar os ganhos e as perdas.
Como investir com pouco dinheiro? 9 cuidados a ter
Investir não tem de ser um “bicho-de-sete-cabeças”. No entanto, há alguns cuidados que deve ter para garantir que os seus investimentos são bem sucedidos.
- Criar um fundo de emergência: uma das regras de ouro dos investimentos é nunca investir dinheiro que lhe possa fazer falta. Assim, antes de começar a sua carteira, deve ter já o seu fundo de emergência criado para fazer face a emergências e imprevistos financeiros. Tendo em conta que o fundo precisa de estar disponível para ser usado a qualquer momento, pode aplicá-lo, por exemplo, num depósito a prazo ou num certificado de aforro.
- Planear e definir objetivos: o passo seguinte é determinar o objetivo do investimento. Aquilo que quer fazer com o dinheiro (comprar uma casa, ter um pé-de-meia para a reforma ou fazer uma viagem) vai definir qual o ativo mais indicado. Além disso, também deve pensar no montante que quer (e pode investir) e no tempo que planeia manter o investimento.
- Conhecer o perfil de investidor: nem todas as aplicações financeiras são adequadas a qualquer investidor. Antes de avançar para um investimento, mesmo que esteja a dispor de pouco dinheiro, deve conhecer o seu perfil, ou seja, saber qual é o nível de risco que está disposto a aceitar. No geral, os investidores podem ser divididos em quatro grupos: conservador, moderado, dinâmico e agressivo. Para conhecer o seu perfil, deve preencher um questionário, que é disponibilizado pelos bancos e intermediários financeiros.
- Perceber o mundo dos investimentos: faça sempre uma pesquisa prévia para entender como funcionam as aplicações em que está a pensar investir. Nunca invista em produtos que não conhece ou compreende bem, nem baseie as suas decisões em opiniões de terceiros.
- Considerar encargos e custos adicionais: dependendo do instrumento financeiro em que investir, pode ter de lidar com encargos extra, que podem ser mais ou menos avultados. Por exemplo, se comprar ações terá de pagar comissões. Não se esqueça, ainda, dos impostos sobre os juros.
- Diversificar a carteira de investimentos: com certeza já ouviu a expressão “não pôr os ovos todos no mesmo cesto”. Para minimizar o risco dos investimentos, deve diversificar a sua carteira. Se quiser investir em ativos mais arriscados, pode optar, também, por fazer um investimento num produto seguro para conseguir algum equilíbrio.
- Fazer reforços regulares com montantes baixos: tente investir de forma frequente, mesmo que seja pouco dinheiro.
- Gerir continuamente os investimentos: de tempos a tempos, reveja a sua carteira de ativos para perceber se continua alinhada com os seus objetivos.
- Saber esperar resultados: é praticamente impossível conseguir ganhar muito dinheiro da noite para o dia. Os investimentos requerem alguma paciência e, sobretudo, que não entre em pânico nos momentos de perda.
Saber onde e como investir com pouco dinheiro depende dos seus objetivos e do seu perfil. No entanto, como vê, investir é um processo que está ao alcance de qualquer um e que permite ter resultados positivos, mesmo com montantes baixos.