DSTI: o que é e por que pode travar o seu crédito?
O DSTI é um rácio determinado pelo Banco de Portugal que afeta a concessão de crédito. Saiba como funciona.
Se está a pensar pedir um crédito, há uma série de siglas, nomes e conceitos que têm influência no empréstimo e que deve conhecer. Uma delas é a DSTI: um indicador que ajuda o banco a perceber se tem capacidade para pagar as prestações mensais.
Descubra o que é o DSTI, qual o seu impacto e o que pode fazer caso o valor o esteja a impedir de conseguir um empréstimo.
O que é o DSTI?
DSTI é a sigla de “Debt Service-to-Income”. Este indicador traduz a relação entre o montante total das prestações dos créditos e o rendimento líquido mensal do agregado familiar. Ou seja, mostra o esforço financeiro necessário para cumprir com as obrigações financeiras.
Quanto mais alto for o DSTI, maior o risco de um cliente não conseguir pagar as mensalidades.
Em que situações se aplica o DSTI?
O DSTI é aplicado aos novos contratos celebrados a partir de julho de 2018. Estão abrangidos os créditos à habitação, créditos hipotecários e créditos ao consumo, mas há algumas exceções. Assim, de fora ficam:
- Ultrapassagens de crédito;
- Créditos consolidados, refinanciamentos e alterações dos termos e condições de contratos de crédito já existentes;
- Contratos de crédito cujo montante seja igual ou inferior a dez vezes o salário mínimo;
- Contratos de crédito para aquisição ou construção de habitação própria de militares das forças armadas com deficiência e contratos de crédito bonificado à habitação para pessoas com deficiência;
- Facilidades de descoberto e outros créditos sem plano de reembolso (incluindo cartões e linhas de crédito).
Por que razão o DSTI pode travar o seu pedido de crédito?
O DSTI faz parte de uma recomendação emitida pelo Banco de Portugal devido ao entendimento da instituição de que a resiliência do setor financeiro pode ser negativamente afetada pelo elevado nível de endividamento das famílias e pela exposição do setor ao crédito à habitação.
Assim, o DSTI passou a ser um dos critérios utilizados para avaliar a solvabilidade dos clientes, servindo, portanto, para os bancos decidirem se devem ou não conceder um empréstimo. O objetivo é garantir a sustentabilidade financeira de todas as partes envolvidas.
No caso dos consumidores, o DSTI serve como proteção, já que uma percentagem elevada pode significar que existe pouca ou nenhuma margem para fazer face a imprevistos. No caso dos bancos, o DSTI é visto como uma forma de salvaguardar a estabilidade do sistema e evitar uma nova crise de endividamento.
O que entra no cálculo do DSTI?
Para calcular o DSTI, os bancos têm em conta os encargos e os rendimentos do cliente. Nos encargos são consideradas as prestações de todos os créditos, como crédito à habitação, automóvel ou pessoal.
Ou seja, são incluídas as mensalidades tanto dos empréstimos já em vigor – mesmo que sejam anteriores à recomendação ou que não façam parte do tipo de créditos contemplados na mesma –, como do que está a ser pedido.
Já como rendimentos, a instituição bancária contempla o salário líquido mensal (ou seja, depois de deduzidos os impostos e contribuições para a Segurança Social).
Como calcular o DSTI?
O cálculo do DSTI é feito utilizando a seguinte fórmula:
DSTI = Encargos com créditos / Rendimento mensal líquido x 100%
Exemplo prático: imagine um cliente com salário líquido de 1.600 euros, que está a pagar uma prestação mensal de 150 euros do crédito automóvel, e quer pedir um crédito à habitação que terá uma mensalidade de 620 euros. O cálculo a fazer será:
DSTI = (150€ + 620€) / 1.600€ x 100% = 48%
O DSTI deste cliente será, então, de 48%. Ou seja, esta é a percentagem do rendimento destinada ao pagamento dos créditos.
Qual é o limite máximo do DSTI em Portugal?
O Banco de Portugal recomenda que o DSTI não seja superior a 50%. Ou seja, os encargos mensais com créditos não devem ultrapassar metade do rendimento. No entanto, em certos casos, existe alguma flexibilidade:
- Até 10% do montante total de créditos concedidos por uma instituição bancária, por semestre, podem ser atribuídos a clientes com DSTI até 60%;
- Até 5% do montante total de créditos concedidos por um banco, em cada semestre, podem ser atribuídos a clientes com DSTI superior a 60%.
Contudo, nestes casos, as instituições financeiras têm de justificar que outros critérios foram considerados para analisar a solvabilidade do mutuário. Ou seja, mesmo que o DSTI ultrapasse os 50%, fatores como a existência de fiador podem permitir a concessão do crédito.
DSTI vs. taxa de esforço: qual a diferença?
Ambos os indicadores são utilizados pelos bancos e avaliam o peso dos encargos mensais no rendimento, mas não são exatamente a mesma coisa.
A taxa de esforço é um indicador geral que mede a percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento de créditos. A fórmula de cálculo é a mesma que a do DSTI, mas, em alguns casos, pode-se considerar apenas um crédito (por exemplo, numa simulação). Regra geral, considera-se saudável que este valor fique entre 30% e 35%.
Já o DSTI é um indicador mais rigoroso e padronizado, utilizado pelos bancos na análise de crédito. Neste caso, são sempre considerados todos os encargos com créditos (atuais e novos), seguindo regras definidas pelo Banco de Portugal, incluindo limites máximos e critérios específicos de cálculo.
Na prática, a principal diferença é que:
- A taxa de esforço é uma referência orientadora;
- O DSTI é uma métrica regulamentada, mais completa e obrigatória para os bancos.
Por isso, mesmo que a taxa de esforço pareça adequada numa simulação, o banco pode recusar um crédito se o DSTI ultrapassar os limites definidos.
Como melhorar o seu DSTI? 6 possibilidades a considerar
Um DSTI elevado pode ser um entrave caso queira pedir um empréstimo. A boa notícia é que há estratégias que pode colocar em prática para o reduzir de forma a aumentar as probabilidades de conseguir o crédito:
- Liquide as suas dívidas: se tem financiamentos de valores reduzidos ou que estejam a aproximar-se do fim (um crédito pessoal ou automóvel, por exemplo), termine os pagamentos antes de pedir um novo crédito;
- Consolide os seus créditos: caso a liquidação dos empréstimos não seja uma possibilidade, considere consolidar os seus créditos. Desta forma, fica a pagar apenas uma prestação mais baixa. Se a consolidação fizer sentido no seu caso (não se esqueça que o prazo e o custo total do crédito irá provavelmente aumentar), procure uma solução de crédito consolidado que seja vantajosa, como por exemplo a da Cofidis;
- Aumente os seus rendimentos: inclua um co-titular no pedido de crédito ou outros rendimentos que não tenha eventualmente declarado;
- Aumente o valor da entrada: se estiver a pedir um crédito à habitação, e caso seja possível, dê uma entrada maior. Desta forma, reduz o valor da prestação mensal e, consequentemente, do DSTI;
- Alongue o prazo do crédito: quanto maior for o prazo do empréstimo, menor o valor da mensalidade. No entanto, deve utilizar esta opção com cuidado já que, ao fazê-lo, o valor total do crédito aumenta;
- Elimine ou reduza os limites dos cartões de crédito: os bancos consideram o limite disponível no cartão de crédito para calcular o risco de endividamento. Assim, caso nunca utilize o saldo todo, é aconselhável que reduza o limite dos seus cartões para beneficiar o seu DSTI. Se tiver mais do que um cartão, pode cancelar os que não utiliza.