Crédito

O que é a Euribor e como influencia a sua vida financeira?

1 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira
Saiba o que é a Euribor e de que forma esta taxa mexe com a prestação do seu crédito habitação.

Índice de conteúdos:

  1. O que é a Euribor?
  2. O que é que faz a taxa Euribor subir ou descer?
  3. Qual o impacto da Euribor na vida financeira dos portugueses?
  4. Qual o impacto da Euribor no crédito habitação?
  5. Qual a evolução da Euribor nos últimos anos?
  6. Como acompanhar a evolução da Euribor?

A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa de juro de referência utilizada nos empréstimos entre bancos da zona euro e serve de indexante à maioria dos créditos à habitação com taxa variável em Portugal. Por isso, a sua evolução tem um impacto direto no valor da prestação mensal e, consequentemente, no orçamento de muitas famílias.

Mas qual é a relação entre a taxa a que os bancos se financiam e o custo do seu crédito? E porque é que a Euribor sobe ou desce ao longo do tempo? Neste artigo, explicamos o que é a Euribor, como é calculada, porque varia e de que forma influencia o crédito à habitação e as suas finanças pessoais.

O que é a Euribor?

A Euribor é a forma abreviada de dizer “Euro Interbank Offered Rate” e corresponde à taxa de juro de referência do mercado interbancário da zona euro. Na prática, reflete as taxas a que os bancos emprestam dinheiro entre si e serve de indexante para a maioria dos créditos à habitação com taxa variável em Portugal.

A Euribor existe desde 1 de janeiro de 1999, data em que entrou em circulação o euro, tornando-se uma das principais taxas de referência dos mercados financeiros europeus.

E embora seja comum falar da Euribor como se fosse uma única taxa, na realidade existem várias Euribor, cada uma associada a um prazo diferente: uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses. A taxa aplicada ao seu crédito depende do prazo definido no contrato.

Importa ainda referir que a Euribor é calculada diariamente com base na média das taxas apresentadas por um painel de bancos da zona euro para empréstimos feitos entre si. O valor é atualizado diariamente pela European Money Markets Institute (EMMI) e divulgado às 10h00 (hora de Lisboa).

O que é que faz a taxa Euribor subir ou descer? 

Quando ouvimos falar na Euribor, está geralmente associada a uma destas duas palavras: subida ou descida. Estas oscilações têm a ver com as taxas de juro praticadas entre os bancos, que também sobem e descem por uma razão.

A decisão sobre as taxas de juro e a forma como se comportam cabe ao Banco Central Europeu (BCE), que define as principais taxas diretoras. Como o nome indica, vão ter uma grande influência noutras, como as que são praticadas nos empréstimos entre bancos e no crédito que estes concedem aos seus clientes.

Além disso, as decisões do BCE também são tomadas com o objetivo de controlar a inflação:

  • Quando a inflação está elevada, o BCE tende a aumentar as taxas de juro para tentar travar o consumo ao crédito. Como consequência, a Euribor também sobe;
  • Por outro lado, quando a economia desacelera, o BCE pode reduzir as taxas de juro para incentivar o consumo, o investimento e o acesso ao crédito. Nesse cenário, a Euribor tende a descer.

Qual o impacto da Euribor na vida financeira dos portugueses?

A Euribor influencia diretamente o dia a dia financeiro de muitas famílias portuguesas. As suas oscilações refletem-se sobretudo:

Isto significa que, se a Euribor estiver alta, pode receber mais pelos seus investimentos e poupanças. Em contrapartida, se tiver um crédito habitação, um aumento tem o efeito contrário: vai pagar uma prestação maior e ficar com menos rendimento disponível.

Euribor e certificados de aforro: qual a dinâmica?
A subida da Euribor pode aumentar a remuneração dos certificados de aforro, mas apenas até um determinado limite. Se, no passado, era possível obter taxas superiores a 4%, isso deixou de acontecer com a Série F, lançada em 2023.
Nesta série, que é a mais recente, os juros continuam a ser calculados com base na Euribor a três meses, mas a remuneração base está limitada a 2,5%. Ou seja, mesmo que a Euribor continue a subir, a taxa de juro dos certificados de aforro não pode ultrapassar esse teto.

Qual o impacto da Euribor no crédito habitação? 

Se tiver um crédito habitação com taxa variável – ou um crédito com taxa mista durante o período em que vigora a taxa variável –, o valor da prestação mensal acompanha as oscilações da Euribor. Quando esta sobe, a prestação tende a aumentar; quando desce, tende a diminuir.

Segundo dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a abril de 2026, 49% dos créditos à habitação em Portugal tinham taxa variável. O que significa que, para quase metade dos portugueses, a prestação mensal resulta da soma entre o indexante ou taxa de referência (a Euribor) e o spread (margem de lucro do banco).

Os mesmos dados mostram que, no mesmo período, 40% dos créditos com taxa variável estavam indexados à Euribor a seis meses. Isto significa que a prestação é revista semestralmente, com base na média aritmética simples da Euribor registada no mês anterior à revisão, arredondada à milésima.

Assim, se a Euribor estiver elevada quando for feita a revisão do valor da prestação, esta aumenta. Por outro lado, se estiver mais baixa, a prestação diminui, mantendo-se inalterada até à revisão seguinte.

Vamos a um exemplo prático?
Imagine que contratou, em abril de 2026, um crédito habitação com taxa variável indexada à Euribor a três meses. Entre maio e julho, o valor da prestação é calculado com base na média da Euribor a três meses registada nos dias úteis de março. Na revisão de agosto, o banco recalcula a prestação utilizando a média da Euribor registada nos dias úteis de julho.

Para calcular a nova prestação, o banco considera:
→ O capital em dívida;
→ O número de prestações que ainda tem de pagar;
→ O spread contratado;
→ Euribor (taxa antiga e taxa atual).

Taxa fixa vs.taxa variável: quais as diferenças?

A principal diferença entre um crédito à habitação com taxa fixa e um com taxa variável está na forma como é calculada a prestação.

Na taxa variável, a prestação é revista periodicamente de acordo com o prazo da Euribor definido no contrato (um, três, seis ou 12 meses). Já na taxa fixa, a prestação mantém-se igual durante todo o período em que essa taxa vigora, independentemente das oscilações da Euribor.

Taxa fixa:
→ O valor da prestação é constante;
→ Não é afetada pelas subidas nem pelas descidas da Euribor;
→ Confere maior estabilidade e previsibilidade no orçamento familiar;
→ Menor exposição às oscilações das taxas de juro.

Taxa variável:
→ O valor da prestação varia de acordo com a Euribor e respetivo prazo;
→ Beneficia quando a Euribor desce, mas é penalizado quando sobe;
→ Confere menor previsibilidade, devido às revisões periódicas da prestação.;
→ Maior exposição às oscilações das taxas de juro.

Em suma, um crédito com taxa fixa oferece maior previsibilidade das prestações e reduz a exposição às oscilações das taxas de juro. 

No entanto, a possibilidade de contratar um crédito com taxa fixa depende das condições oferecidas por cada instituição bancária. Olhando novamente para os dados do Banco de Portugal, verificamos que em abril de 2026 apenas 5% dos créditos habitação tinham uma taxa fixa, o que mostra que continua a ser uma opção pouco frequente.

Como reduzir o impacto da Euribor no crédito à habitação?

Se ainda não contratou um crédito à habitação, pode optar por uma taxa fixa ou por uma taxa mista, que combina um período inicial de taxa fixa com outro de taxa variável. 

Caso já tenha um crédito em curso, existem várias formas de reduzir o impacto da Euribor. Pode, por exemplo:

  • Escolher um prazo de Euribor mais longo, como seis ou 12 meses, se pretender maior estabilidade entre revisões da prestação;
Quem é mais afetado pela subida da Euribor?
A subida da Euribor pode ser mais difícil de ultrapassar quando o valor em dívida é elevado, quando existem vários créditos ativos ou uma taxa de esforço elevada. Se o valor que paga pela prestação da casa já pesa muito no seu orçamento mensal, qualquer subida vai complicar a sua vida financeira e aumentar o risco de incumprimento.

Qual a evolução da Euribor nos últimos anos? 

O pico da Euribor coincidiu com a crise financeira de 2008, altura em que o valor ultrapassou os 5%, o que se traduziu num aumento muito significativo das prestações mensais no crédito à habitação. 

Nesse período, marcado por uma sobrevalorização dos imóveis, muitos proprietários, que já tinham prestações elevadas, não conseguiram suportar o aumento, acabando por entrar em incumprimento.

Desde então, manteve-se relativamente estável. Em meados da década passada chegou mesmo a atingir valores negativos, devido a uma descida das taxas de juro do BCE. 

Em 2022, com a tendência de subida da inflação, a Euribor também entrou num percurso ascendente, com novos picos em 2024 (ainda que longe dos valores de 2008). Voltou a descer, registando, desde o verão de 2025, uma tendência de estabilização. 

Dada a imprevisibilidade da inflação – que devido à guerra no Médio Oriente, entre outros fatores geopolíticos, registou uma tendência de subida – é difícil prever o comportamento futuro da Euribor. Por isso, a melhor forma de se precaver é garantir que a taxa de esforço do seu crédito habitação não é elevada e que o seu orçamento consegue suportar uma eventual subida.

Como acompanhar a evolução da Euribor?

As taxas da Euribor são atualizadas diariamente, mas apenas entidades autorizadas pelo European Money Markets Institute (EMMI) têm acesso aos dados em tempo real. No entanto, se quer analisar qual é a tendência e perceber se a prestação da sua casa vai subir ou descer, o site do Banco de Portugal indica a média mensal da taxa de juro Euribor, para diferentes prazos.

O que achou?