8 alternativas às contas poupanças que deve conhecer
Índice de conteúdos:
- Quais as vantagens e limitações das contas poupança?
- Que alternativas às contas poupança existem?
- Quais os fatores a considerar ao escolher alternativas?
Se está a pensar abrir uma conta poupança, vale a pena conhecer outras alternativas disponíveis no mercado que podem oferecer uma rentabilidade mais atrativa para o seu dinheiro.
As tradicionais contas poupança são, habitualmente, a primeira escolha de quem quer criar um pé-de-meia. Simples, acessíveis e com capital garantido, continuam a ser a opção preferencial de quem quer estabilidade.
No entanto, num contexto de inflação elevada e taxas de juro baixas, manter o dinheiro parado numa conta poupança pode significar, na prática, perder poder de compra ao longo do tempo.
A boa notícia é que existem no mercado muitas alternativas a este produto financeiro. Desde opções conservadoras a outras mais dinâmicas, há soluções que oferecem maior rentabilidade e que se ajustam a diferentes objetivos e perfis de investidores.
Quais as vantagens e limitações das contas poupança?
As contas poupança ainda são uma das primeiras opções dos portugueses para guardar o seu dinheiro. Funcionam como uma espécie de mealheiro, uma vez que permitem fazer reforços regulares e rendem alguns juros. Regra geral, quanto mais tempo a poupança estiver entregue ao banco, maior será o rendimento acumulado.
Entre as principais vantagens deste produto financeiro estão:
- A segurança: os depósitos até 100.000 euros estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos;
- A liquidez: regra geral, é possível movimentar o dinheiro (total ou parcialmente) a qualquer momento, ainda que com alguma penalização;
- A simplicidade: as contas poupança são fáceis de abrir e manter, não sendo necessários conhecimentos financeiros avançados nem um acompanhamento constante.
Apesar dos benefícios, este produto tem também algumas limitações que fazem dele um instrumento financeiro muito pouco atrativo nos dias de hoje:
- Baixa rentabilidade: as taxas de juro são bastante reduzidas (geralmente abaixo do valor da inflação), o que significa que os ganhos são mínimos ou até inexistentes;
- Pouco adequadas para objetivos de longo prazo: o crescimento do capital no médio e longo prazo é reduzido.
Tendo em conta estas desvantagens, é importante conhecer algumas alternativas às contas poupança, mais rentáveis, e que podem, efetivamente, pôr o seu dinheiro a trabalhar para si.
Que alternativas às contas poupança existem?
Investir em produtos financeiros é a melhor forma de fazer crescer as suas poupanças. Hoje em dia, já existem no mercado várias soluções, com diferentes características e que se adaptam às necessidades e ao perfil de cada um.
E mesmo que não tenha muito dinheiro para fazer investimentos, há sempre uma opção adequada a cada caso.
1. Depósitos a prazo
Os depósitos a prazo são bastante semelhantes às contas poupança. Neste caso, também deposita uma determinada quantia no banco, mas existe um prazo definido para a duração do depósito. Terminado esse prazo, o dinheiro é devolvido, acrescido dos juros.
A taxa de juro pode ser fixa ou variável, mas regra geral a rentabilidade é baixa (em 2025, a média ficou em 1,36%). Tal como nas contas poupança, o capital é garantido.
A grande diferença é que, dependendo do tipo de contrato, o depósito a prazo pode implicar a imobilização do capital durante o período definido. Ou seja, enquanto durar o depósito não pode movimentar o dinheiro. Nos casos em que o banco permite a mobilização antecipada, normalmente os juros são perdidos (na totalidade ou parcialmente).
É uma boa opção para quem tem objetivos de curto prazo e não quer expor o capital às oscilações do mercado.
2. Certificados de Aforro e do Tesouro
Os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro são instrumentos de dívida do Estado destinados a pequenos investidores. São produtos com capital garantido e os montantes mínimos de subscrição são reduzidos: 100 euros no caso dos Certificados de Aforro e 1.000 euros para os Certificados do Tesouro.
Nos Certificados de Aforro, a taxa de juro acompanha a Euribor a três meses, não podendo ultrapassar os 2,5% ilíquidos. A este valor, somam-se os prémios de permanência que começam nos 0,25% (a partir do segundo ano) e vão até 1,75% nos 14.º e 15.º anos. O dinheiro investido pode ser movimentado sem penalização, mas apenas após o final do trimestre.
Já os Certificados do Tesouro, têm um prazo de sete anos e uma taxa fixa crescente para cada ano de aplicação, que começa nos 0,70% e vai até aos 1,60%. Os juros são reembolsados anualmente, altura a partir da qual é possível resgatar o dinheiro sem penalizações.
3. Planos de Poupança Reforma (PPR)
Os PPR são instrumentos de poupança e investimento de longo prazo. Destinam-se, sobretudo, a preparar a reforma, mas podem servir para outros objetivos, como estudar ou comprar casa.
Existem várias opções de PPR no mercado, com juros mais ou menos elevados, dependendo do nível de risco associado. Assim, estes podem ser divididos em dois grupos:
- Fundos PPR: o dinheiro investido é aplicado em diferentes ativos financeiros (ações, obrigações, fundos de investimento, etc.). Não têm capital garantido, mas os juros são bastante mais altos;
- Seguros PPR: são contratos celebrados com seguradoras, que aplicam o dinheiro num fundo interno. Geralmente, o capital é garantido, mas a rentabilidade é mínima.
Os montantes de subscrição dos PPR costumam ser baixos e podem ser ajustados ao longo do tempo. Além disso, é possível programar entregas periódicas ou fazer reforços livres. Por norma, os Planos de Poupança Reforma só podem ser levantados no final do prazo, mas há situações específicas (desemprego de longa duração, por exemplo) que permitem a movimentação antecipada sem penalização.
Uma das grandes vantagens dos PPR são os benefícios fiscais (é possível deduzir 20% das entregas anuais em IRS, até um limite que varia em função da idade e do montante investido) e a tributação reduzida, caso tenham sido cumpridas as condições legais no momento do resgate.
4. Seguros unit linked
Os seguros unit linked são contratos de seguro do ramo vida ligados a fundos de investimento. Permitem o investimento em vários tipos de ativos (ações, obrigações, metais preciosos, etc.), com diferentes níveis de risco.
Os unit linked têm diferentes modalidades, podendo ser de duração determinada ou indeterminada e com ou sem capital garantido. Podem ser constituídos com uma entrega única ou com entregas periódicas.
5. Seguros de capitalização
São um tipo específico de seguro com cobertura de risco de morte e de sobrevivência. Garantem sempre o capital investido e, geralmente, também garantem uma taxa de rentabilidade, que pode ser anual ou para a duração do contrato. Em alguns casos, a esta taxa acresce ainda uma participação nos resultados financeiros do fundo autónomo.
Ao investir num seguro de capitalização, em caso de sobrevivência no final do contrato, a pessoa segura tem direito aos prémios pagos capitalizados à taxa garantida. Em caso de morte da pessoa segura, são os beneficiários que recebem o montante acumulado.
6. Ações
As ações são títulos que representam uma parte do capital social de uma empresa. São negociadas em Bolsa e, por isso, o retorno do investimento depende da evolução da sua cotação.
São produtos de risco elevado, já que estão dependentes das oscilações do mercado, e tanto podem valorizar (gerando lucros significativos), como sofrer desvalorizações acentuadas (gerando perda não só dos dividendos, mas também do capital investido). Por isso, se pensar investir em ações, o ideal é que diversifique o seu portfólio, de forma a proteger-se de eventuais quedas.
Os montantes de investimento inicial costumam ser bastante elevados, não só para permitir construir uma carteira diversificada, mas também para fazer face às comissões, que têm um grande peso.
7. Obrigações
As obrigações são instrumentos de dívida de uma empresa, Estado ou outra entidade pública ou privada. Os titulares recebem periodicamente juros (chamados cupão) e têm o direito a ser reembolsados quando a obrigação atinge a maturidade.
Têm menos risco do que as ações, mas ainda assim não são produtos de capital garantido. Além disso, deve considerar os encargos com comissões, que podem ser elevados, e a tributação dos rendimentos.
8. Fundos de investimento e ETF
Os fundos de investimento são produtos financeiros constituídos por vários tipos de ativos, como ações ou obrigações. Não têm capital garantido, mas os montantes de subscrição são, geralmente, baixos, o que dilui o risco.
Existem vários tipos de fundos de investimento, com características adequadas a todos os perfis de risco. Uma das grandes vantagens é que todos são geridos por equipas profissionais, que decidem quais os ativos mais vantajosos para aplicar o dinheiro.
Dentro dos fundos de investimento, há ainda os ETF (Exchange Traded Fund), que são negociados em bolsa, como se fossem ações, replicando um índice. Por exemplo, é possível comprar um ETF que investe nas 500 maiores empresas dos EUA.
Quais os fatores a considerar ao escolher alternativas às contas poupança?
Ao escolher um (ou mais) instrumentos financeiros para investir o seu dinheiro, é importante que tenha em conta alguns aspetos:
- Objetivos de poupança: antes de mais, deve pensar nos seus objetivos. Aquilo que pretende fazer com o dinheiro vai determinar se será mais adequado investir num produto de longo ou de curto/médio prazo;
- Perfil de investidor: nem todas as aplicações financeiras são adequadas a todas as pessoas. Regra geral, os investidores podem ser divididos em quatro grupos – conservador, equilibrado, dinâmico e arrojado –, que representam o nível de risco a que aceitam ser expostos. Antes de investir, deve conhecer o seu perfil;
- Valor mínimo de investimento: existem produtos que podem ser subscritos com montantes mínimos relativamente reduzidos, e outros que implicam disponibilizar quantias mais avultadas;
- Proteção do capital investido: considere, ainda, a existência (ou não) de capital garantido. Se tiver uma grande aversão ao risco, não será aconselhável investir em produtos em que pode perder o dinheiro;
- Facilidade de mobilização: antes de investir, pense se poderá haver a necessidade de mobilizar o seu dinheiro antes do final do prazo. Se sim, deve optar por um instrumento que o permita fazer com pouca ou nenhuma penalização;
- Impostos e comissões: analise as eventuais comissões de cada produto financeiro e as taxas de tributação para perceber se o investimento é vantajoso;
- Diversificação da carteira de investimentos: por fim, deve considerar o nível de diversificação que o produto permite. Regra geral, quanto mais diversificado, melhor.