Crédito

Crédito para jovens: como baixar a prestação mensal?

7 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira

Se tem um crédito para jovens e a prestação mensal começa a pesar demasiado no seu orçamento, saiba que há várias formas de reduzir o valor a pagar. Renegociar as condições, transferir ou amortizar o crédito e, caso tenha vários empréstimos, consolidá-los são algumas das opções. Descubra como funciona cada uma e qual pode ser a mais adequada à sua situação financeira.

O peso das prestações de créditos pode ser particularmente relevante para os jovens, sobretudo numa fase em que os rendimentos ainda são baixos. Além disso, uma subida das taxas de juro ou um aumento das despesas mensais pode ser suficiente para complicar as contas ao fim do mês.

Por isso, se as prestações começam a comprometer o seu orçamento, é importante procurar soluções antes de falhar os pagamentos.

Jovens e crédito habitação: o que dizem os números?   As medidas de apoio à compra de habitação própria por parte dos jovens terão levado cerca de 112.000 pessoas a comprar casa com isenção de IMT e Imposto do Selo, segundo dados do Governo.  

Para quem recorre ao crédito habitação, é também importante acompanhar a evolução das prestações e o respetivo pagamento no orçamento. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que: → Em agosto de 2026, a prestação média do crédito habitação foi de 418 euros, mais quatro euros do que no mês anterior e mais 24 euros do que no período homólogo;
→ Entre julho e agosto de 2026, a parcela relativa a juros representou 50% da prestação média;
→ Nos contratos celebrados nos três meses anteriores, a prestação média atingiu 744 euros, mais 13 euros do que em julho e mais 14,3% face ao mesmo período do ano anterior.

Como baixar a prestação mensal de um crédito para jovens? 4 opções possíveis

Quando a taxa de esforço começa a ser elevada – isto é, quando as prestações já consomem uma parte significativa dos rendimentos – reduzir o valor a pagar mensalmente pode ajudar a aliviar o orçamento. Conheça quatro opções que pode considerar.

1. Renegociar as condições do crédito

A renegociação de um crédito permite alterar algumas condições do contrato para tentar reduzir a prestação mensal. Dependendo do tipo de crédito, pode passar, por exemplo, por alargar o prazo de reembolso, alterar a taxa de juro ou reduzir o spread. A iniciativa pode partir do cliente, mas qualquer alteração depende do acordo da instituição de crédito.

Por isso, se começar a sentir dificuldades em pagar as prestações, contacte a instituição financeira o mais cedo possível. Perante uma situação de risco de incumprimento, esta avalia a sua situação no âmbito do Plano de Ação para o Risco de Incumprimento (PARI), podendo propor soluções que incluam a renegociação das condições do crédito.

Antes de renegociar, tenha em conta que uma prestação mensal mais baixa nem sempre significa um crédito mais barato. Por exemplo:

  • Alargar o prazo pode reduzir a prestação, mas implica pagar juros durante mais tempo e pode aumentar o custo total do crédito;
  • Mudar de taxa variável para fixa, no crédito habitação, evita as oscilações da Euribor durante o período em que vigorar a taxa fixa, mas também impede de beneficiar de eventuais descidas;
  • Reduzir o spread pode estar associado à contratação ou manutenção de outros produtos ou serviços, como cartões de crédito ou seguros, pelo que deve considerar os respetivos custos.

2. Transferir o crédito para outra instituição

Transferir o crédito para outra instituição pode permitir baixar a prestação mensal se conseguir condições mais favoráveis, como uma taxa de juro ou um spread mais baixos. No entanto, antes de avançar, é importante perceber se a mudança compensa realmente.

Para isso, deve:

  • Comparar as condições das diferentes propostas, incluindo taxas de juro, prazo e custo total do crédito;
  • Verificar os custos associados à transferência e à eventual contratação de produtos adicionais;
  • Consultar as condições do contrato de crédito atual, para perceber se é possível mudar e se há penalizações.

3. Amortizar antecipadamente parte do crédito

Outra forma de reduzir a prestação mensal é diminuir o capital em dívida através de uma amortização parcial. Ao amortizar parte do crédito, passa a dever menos e, dependendo das condições do contrato, a prestação pode baixar. No entanto, antes de avançar, é importante perceber se esta opção é a mais adequada para o seu caso.

Para o ajudar, tenha em conta:

  • O impacto na prestação mensal: simule quanto vai efetivamente poupar todos os meses com a amortização. Se a diferença não for muito significativa, pode não compensar;
  • A sua disponibilidade financeira: evite usar dinheiro de que possa precisar para outras despesas;
  • O seufundo de emergência: não comprometa esta reserva financeira, que pode ser útil para despesas inesperadas;
  • Os custos da amortização antecipada: confirme se existem comissões ou outros encargos e qual o respetivo valor.

4. Consolidar vários créditos

Se tem vários empréstimos ativos, outra opção é juntar os créditos num único financiamento e passar a pagar apenas uma prestação mensal. Dependendo das condições do novo contrato, a consolidação pode permitir reduzir o valor total a pagar todos os meses e simplificar a gestão dos créditos.

Na prática, com esta solução, passa a ter uma única entidade credora, uma taxa de juro, um prazo de reembolso e menos comissões e despesas associadas.

No entanto, tenha em atenção que uma prestação mais baixa não significa necessariamente um crédito mais barato, já que a consolidação pode implicar o alargamento do prazo de pagamento e, consequentemente, aumentar o custo total do financiamento.

Assim, importa referir que o resultado da poupança depende de fatores como o número e os tipos de crédito que pretende consolidar, os valores em dívida, as taxas de juro e o novo prazo de reembolso. Ainda assim, deixamos-lhe um exemplo prático de quanto pode conseguir poupar, tendo como base o Crédito Consolidado da Cofidis (valores meramente indicativos):

Antes da consolidaçãoDepois da consolidação
Três créditos ativos: crédito automóvel + crédito pessoal + cartão de créditoUm crédito
Prazos de pagamento: 19 meses + 50 meses + 54 mesesPrazo de pagamento: 84 meses
Capital em dívida: 15.000 eurosCapital em dívida: 15.000 euros
Prestação mensal total dos três créditos: 570,03 eurosPrestação mensal: 281,01 euros
Redução da prestação mensal neste exemplo: 289,02 euros por mês
Talvez não saiba: perante uma situação de risco de incumprimento, a consolidação de créditos pode ser uma das soluções avaliadas pela instituição no âmbito da renegociação.

Como escolher a melhor opção para baixar a prestação de um crédito? 

Não existe uma solução que seja a mais indicada em todos os casos. Se tiver apenas um crédito, por exemplo, a consolidação não é uma opção. Já se não tiver poupanças disponíveis para amortizar, terá de considerar outras alternativas.

Assim, a escolha da opção mais adequada para baixar a prestação do seu crédito para jovens depende de vários fatores, nomeadamente:

  • Valor em dívida;
  • Tipo de taxa de juro;
  • Número de créditos ativos;
  • Tipos de créditos;
  • Taxa de esforço e rendimento mensal;
  • Prazo de reembolso;
  • Custos associados a cada solução.

Para ajudar a comparar as opções, veja em que situações cada uma pode fazer mais sentido:

OpçãoPode fazer sentido se…
Renegociação→ Está a ter dificuldades em pagar as prestações; → Pretende manter o crédito na mesma instituição; → A instituição aceitar alterar as condições do contrato.
Transferência→ Outra instituição oferece condições mais vantajosas; → A redução da prestação e/ou do custo do crédito compensa os custos associados à transferência.
Amortização→ Tem poupanças disponíveis para reduzir o capital em dívida; → Está numa fase do empréstimo em que o peso dos juros na prestação é elevado; → A amortização permite uma redução relevante da prestação; → Consegue fazê-lo sem comprometer o fundo de emergência.
Consolidação→ Tem vários créditos ativos; → Juntar os créditos permite reduzir o valor total das prestações mensais; → As condições do novo crédito são vantajosas, tendo em conta o prazo de reembolso, os custos associados e o custo total do financiamento.

Como saber quanto pode poupar na prestação?

Para perceber quanto pode poupar na prestação, compare o valor que paga atualmente com o valor que passaria a pagar depois de renegociar, transferir, amortizar ou consolidar o crédito. A diferença entre as duas prestações mostra-lhe a poupança mensal estimada.

Contudo, não olhe apenas para esse valor. Uma prestação mais baixa pode implicar um prazo mais longo ou outros custos que diminuem a poupança ou aumentam o custo total do crédito. Por isso, ao comparar as diferentes soluções, tenha em conta:

  • As taxas de juro, sobretudo a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG), que é o indicador que reflete o custo anual do crédito, incluindo juros, comissões e outros encargos;
  • O Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC), que permite perceber quanto vai pagar, no total, pelo financiamento;
  • O prazo de reembolso;
  • Os custos com comissões ou outros encargos;
  • Eventuais produtos ou serviços associados, que podem aumentar a despesa mensal.

Para facilitar a comparação, simule os diferentes cenários e leia atentamente a Ficha de Informação Normalizada (FIN), no caso do crédito ao consumo, ou a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), no crédito habitação.

O que fazer se já tiver dificuldades em pagar as prestações?

Se está com dificuldades em pagar as prestações dos seus créditos, contacte a instituição de crédito o mais cedo possível, de preferência antes de falhar um pagamento. Explique a sua situação financeira e procure perceber que soluções existem para reduzir o peso das prestações no orçamento.

Ao mesmo tempo, defina um plano para reorganizar as suas finanças através da redução de despesas mensais e, se possível, de um aumento no rendimento.

Como evitar que as prestações pesem demasiado no orçamento ao contratar um crédito para jovens?

Antes de contratar um novo crédito, é importante perceber se a prestação cabe no seu orçamento não só agora, mas também perante um eventual aumento das despesas ou dos juros. Assim, antes de assinar o contrato, siga a nossa checklist:

  • Consulte o Mapa de Responsabilidades de Crédito para ter uma visão global dos créditos de que é titular;
  • Calcule a taxa de esforço, considerando todos os créditos que tem ativos;
  • Avalie a sua capacidade financeira para manter os pagamentos ao longo de todo o prazo;
  • Simule uma eventual subida dos juros, sobretudo se contratar um crédito habitação com taxa variável;
  • Faça várias simulações e compare propostas de diferentes instituições;
  • Compare o custo total do crédito e não escolha apenas pela prestação mensal mais baixa;
  • Confirme se existem comissões, seguros, produtos ou serviços associados que aumentem o custo do crédito.
Qual a taxa de esforço recomendada? Embora dependa dos rendimentos e das despesas de cada pessoa, é geralmente aconselhável não gastar mais de ⅓ do rendimento mensal no pagamento de créditos. O Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço fique abaixo dos 45%.
O que achou?