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Seguros do crédito habitação: como poupar centenas de euros?

7 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira

Os seguros do crédito habitação podem representar uma despesa significativa ao longo do empréstimo. Embora seja possível contratá-los fora do banco, muitos consumidores optam por mantê-los na instituição onde têm o crédito, mas esta nem sempre é a opção mais económica.

Mesmo que tenha contratado os seguros inicialmente com o banco, pode, em determinadas condições, transferi-los para outra seguradora e reduzir os custos. Antes de tomar esta decisão, é importante comparar diferentes propostas e perceber se a mudança pode afetar o spread, o valor da prestação ou as coberturas da apólice.

Neste artigo, explicamos como avaliar os seguros associados ao crédito habitação, quando pode compensar mudá-los e o que deve ter em conta para perceber se consegue realmente poupar.

Que seguros estão normalmente associados ao crédito habitação?

Quando compra uma casa com recurso ao crédito habitação, é comum contratar também, muitas vezes através do banco, dois seguros associados a este tipo de empréstimo:

  • O seguro de vida, que pode garantir o pagamento do capital em dívida em caso de morte ou de uma situação de invalidez ou incapacidade prevista na apólice. Desta forma, tanto o cliente como a instituição de crédito ficam protegidos;
Nota importante: Se comprar um apartamento, a lei obriga à contratação de um seguro contra incêndio. No entanto, pode optar pelo seguro multirriscos, que inclui coberturas mais abrangentes, desde que a cobertura de incêndios seja garantida. Além disso, e na sequência das tempestades que atingiram o país no início de 2026, está a ser estudado um reforço das coberturas dos seguros obrigatórios para habitação, de forma a incluir fenómenos extremos e calamidades, como tempestades, cheias ou sismos.

É obrigatório contratar os seguros no banco onde é feito o crédito habitação?

Não. Quem contrata um crédito habitação não é obrigado a contratar os seguros através do banco que concede o empréstimo.

Aliás, o seguro de vida, embora seja frequentemente exigido pelo banco como condição para conceder o crédito, não é, por si só, um seguro obrigatório por lei. O Decreto-Lei n.º 222/2009 estabelece que o banco deve informar o cliente de que a concessão do crédito habitação está subordinada à contratação de um seguro de vida.

O mesmo acontece com o seguro multirriscos. Por lei, os clientes podem optar por escolher outra seguradora que não a que é proposta pelo banco.

Na prática, porém, esta escolha pode ter impacto no custo total do empréstimo. Isto porque é comum os bancos oferecerem um spread (a margem de lucro da instituição de crédito) mais baixo quando o cliente contrata os seguros que estes indicam. Assim, se optar por outra seguradora, pode conseguir pagar menos pelos seguros, mas o aumento do spread pode fazer subir a prestação do crédito. Nesse caso, a poupança nos seguros pode não compensar o aumento da prestação mensal.

Por isso, muitos clientes optam por contratar os seguros através do banco, pelo menos inicialmente. Com o passar do tempo, podem manter essa opção por comodismo ou simplesmente por não reavaliarem as condições. No entanto, é importante que saiba que é possível transferir os seguros para outra seguradora, desde que sejam mantidas as coberturas exigidas pelo banco.

Vale a pena contratar os seguros do crédito habitação fora do banco?

Não existe uma resposta universal para esta pergunta. Para saber se compensa mudar, é preciso comparar o que vai poupar nos seguros com o eventual aumento da prestação do crédito.

Por exemplo, se ao mudar de seguradora poupar 100 euros por ano nos seguros, mas a alteração do spread fizer a prestação do crédito aumentar 10 euros por mês, vai pagar mais 120 euros por ano pelo empréstimo. Neste caso, a mudança não compensa, porque o aumento da prestação é superior à poupança obtida nos seguros.

Além de fazer estas contas, é importante comparar as coberturas e exclusões das diferentes opções. Escolher um seguro mais barato pode significar ter menos coberturas e, consequentemente, menor proteção.

Adicionalmente, antes de mudar de seguradora, peça ao banco a lista das coberturas mínimas exigidas. Depois, faça simulações e compare aspetos como:

  • Capitais seguros;
  • Coberturas e exclusões;
  • Idade dos titulares, no caso do seguro de vida;
  • Capital ainda em dívida;
  • Prazo que falta para terminar o crédito.
A importância de comparar coberturas: um exemplo prático O seguro de vida é um bom exemplo de como um preço mais baixo nem sempre significa uma proteção mais completa. No caso da cobertura de invalidez, existem, de forma geral, duas opções:
→ IAD (Invalidez Absoluta e Definitiva);
→ ITP/IDPAC (Invalidez Total e Permanente / Invalidez Definitiva para a Profissão ou Atividade Compatível).   A cobertura IAD só pode ser acionada quando a pessoa segura fica totalmente dependente de terceiros para realizar atividades básicas do dia a dia, como comer ou fazer a higiene pessoal. Está, geralmente, associada a um grau de incapacidade superior a 80%.   Já a cobertura ITP/IDPAC pode ser acionada perante uma incapacidade que impeça a pessoa de exercer a sua profissão ou de obter rendimentos, estando geralmente associada a um grau de incapacidade de cerca de 65%.  Por oferecer uma proteção mais abrangente, a cobertura ITP/IDPAC pode tornar o seguro mais caro. Por isso, ao comparar propostas, não olhe apenas para o preço: confirme também quais as situações em que cada cobertura pode ser acionada e se a proteção corresponde às suas necessidades.  

Como calcular a poupança real?

Para saber se vai realmente poupar ao mudar os seguros do crédito habitação para outra seguradora, não basta comparar o preço do seguro (também conhecido como o prémio). Porque, na verdade, duas propostas podem ter preços diferentes porque oferecem coberturas, níveis de proteção ou condições também diferentes.

Assim, comece por fazer simulações em várias seguradoras e compare as propostas com atenção. Para calcular a poupança real, tenha em conta estes fatores:

  • Coberturas e exclusões: confirme se as propostas oferecem o mesmo nível de proteção;
  • Franquia: compare o valor ou a percentagem da franquia que fica a seu cargo em caso de sinistro;
  • Impacto no spread: verifique se a mudança de seguradora faz aumentar o spread e, consequentemente, a prestação do crédito;
  • Custo total do crédito: compare quanto vai pagar pelo crédito antes e depois da alteração;
  • Poupança líquida: subtraia ao valor poupado nos seguros o eventual aumento da prestação do crédito. Só assim consegue perceber se a mudança representa uma poupança efetiva.
Dica importante: se, ao fazer uma simulação, encontrar melhores condições noutra seguradora, mostre essa proposta ao seu banco. Pode ser uma boa oportunidade para renegociar as condições dos seus seguros e conseguir uma proposta mais vantajosa sem ter de mudar de seguradora.

Quando compensa manter os seguros no banco? 

Manter os seguros associados ao crédito habitação no banco pode fazer sentido quando as condições oferecidas são competitivas e os benefícios associados compensam o custo. Por outro lado, transferir os seguros pode ser vantajoso quando se consegue uma poupança significativa sem perder coberturas e o aumento do spread não anula essa poupança.

A tabela abaixo resume os dois cenários. 

Pode compensar manter os seguros no banco quando…
→ A mudança de seguradora aumenta o spread e a prestação do crédito;
→ A diferença entre os prémios é pequena;
→ O banco oferece condições ou campanhas que reduzem o custo total do empréstimo;
→ Existem outros benefícios associados à contratação dos seguros no banco.
Pode compensar transferir os seguros quando…
→ Os prémios são significativamente mais baixos noutra seguradora;
→ As coberturas são mais completas ou adequadas às suas necessidades;
→ A poupança nos seguros é superior ao aumento da prestação provocado pelo spread;
→ A nova apólice oferece maior flexibilidade ou melhores condições.

Se está a pensar transferir os seguros associados ao crédito habitação, evite ainda alguns erros comuns que podem fazer com que a mudança não seja tão vantajosa como parece, nomeadamente:

  • Não confirmar as condições do contrato atual;
  • Não fazer simulações em várias seguradoras;
  • Comparar apenas o preço dos seguros;
  • Não confirmar se a nova apólice cumpre os requisitos exigidos pelo banco;
  • Ignorar o impacto da alteração do spread na prestação do crédito;
  • Não comparar coberturas, exclusões e franquias;
  • Escolher capitais seguros desadequados;
  • Cancelar a apólice atual antes de a nova entrar em vigor;
  • Não cumprir os prazos necessários para cancelar ou alterar o seguro.
Dica importante: recorra ao nosso Simulador de Seguros para comparar diferentes opções, perceber quais se adequam melhor às suas necessidades e estimar quanto poderá poupar ao mudar de seguradora.

7 dicas extra para reduzir o custo dos seguros do crédito habitação

Simular, comparar preços e avaliar as condições das diferentes propostas são passos importantes para tentar reduzir o custo dos seguros do crédito habitação. Mas há outras estratégias que podem ajudar a aumentar a poupança. Por exemplo:

  1. Concentrar vários seguros na mesma seguradora: algumas seguradoras oferecem descontos quando reúne diferentes apólices;
  1. Optar pelo pagamento anual: em alguns casos, pagar o prémio de uma só vez pode ficar mais barato do que o pagamento mensal, trimestral ou semestral;
  1. Aderir ao débito direto, à fatura eletrónica e às comunicações digitais: algumas seguradoras oferecem condições mais vantajosas para quem opta por estas modalidades;
  1. Rever os seguros periodicamente: as suas necessidades podem mudar ao longo do tempo, pelo que é importante confirmar se continua a ter as coberturas de que precisa;
  1. Atualizar o capital seguro: no caso do seguro multirriscos, confirme se o capital seguro continua adequado ao valor re reconstrução do imóvel e aos bens protegidos;
  1. Informar-se sobre campanhas promocionais: compare as condições de campanhas e descontos, tendo em conta o preço do seguro depois de terminada a promoção;
  1. Eliminar coberturas duplicadas: confirme se não está a pagar duas vezes pela mesma proteção, por exemplo, através do seguro de recheio e do seguro multirriscos.

3 perguntas frequentes sobre os seguros do crédito habitação

Conhecer as regras sobre os seguros do crédito habitação ajuda a poupar dinheiro e pode evitar algumas surpresas menos agradáveis caso algo aconteça. Esclareça, abaixo, algumas das dúvidas mais comuns sobre este tema.

Posso mudar os seguros do crédito habitação quando quiser?icon

Não necessariamente. Os seguros têm, em regra, uma duração anual, pelo que deve ter em atenção a data de renovação e os prazos para comunicar a intenção de não renovar. Se estiver a pensar mudar de seguradora, confirme na apólice qual o prazo de aviso prévio aplicável (geralmente, costuma ser 30 dias). 

O banco pode impedir a mudança dos seguros?icon

Não, mas é necessário que o novo seguro tenha as coberturas e capitais exigidos inicialmente pela instituição de crédito.

Posso mudar apenas um dos seguros?icon

Sim. Pode mudar apenas o seguro de vida ou o seguro multirriscos. No entanto, antes de tomar uma decisão, compare a poupança obtida com o eventual aumento do spread e da prestação do crédito.

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