Como calcular o salário líquido: guia passo a passo
Índice de conteúdos:
- Qual a importância de conhecer o salário líquido?
- Qual a diferença entre salário bruto e salário líquido?
- Quais os elementos a considerar para calcular o salário líquido?
- Como calcular o salário líquido? 4 passos fundamentais
Conhecer bem o seu salário é fundamental para fazer uma gestão eficaz do seu orçamento. Descubra, neste artigo, como calcular o salário líquido passo a passo.
O salário definido no contrato de trabalho refere-se, por norma, à remuneração bruta mensal. Ou seja, ao valor pago pela empresa antes de efetuados os descontos para a Segurança Social e a retenção na fonte de IRS. Assim, para saber exatamente quanto é que lhe irá cair na conta todos os meses, precisa de conhecer o salário líquido.
Qual a importância de conhecer o salário líquido?
O salário líquido reflete o rendimento mensal real disponível. Conhecê-lo é fundamental para:
- Organizar as finanças: saber quanto ganha é essencial para gerir o orçamento familiar e avaliar quanto dinheiro poderá alocar a cada categoria, como despesas, poupanças e investimentos;
- Tomar decisões importantes: se está a pensar comprar uma casa, pedir um crédito ou fazer algum tipo de investimento, é importante que conheça o seu salário líquido;
- Gerir dívidas: conhecer a remuneração real ajuda a avaliar a sua capacidade para pagar eventuais dívidas, evitando o sobreendividamento;
- Negociar o salário: nas negociações salariais é comum referir-se o valor bruto. No entanto, é essencial que saiba como calcular o salário líquido para poder compreender o impacto das deduções na sua remuneração;
- Planear o futuro: conhecer o salário líquido é ainda fundamental para planear ações futuras, seja a reforma, os estudos dos seus filhos, investimentos de longo prazo ou outros objetivos financeiros.
Qual a diferença entre salário bruto e salário líquido?
Para poder calcular o salário líquido, é necessário perceber a diferença entre esse valor e a remuneração bruta (ou ilíquida).
Assim, o salário bruto é o ordenado do trabalhador antes de qualquer dedução. Inclui não só a retribuição base, mas também qualquer outro valor a que tenha direito, como subsídios (de alimentação, de risco, de isenção de horário, entre outros), comissões ou prémios.
É este montante que serve de base para calcular as contribuições para a Segurança Social, a retenção na fonte e outras deduções, como seguros de saúde ou os descontos para a ADSE, no caso dos trabalhadores da função pública.
Já o salário líquido diz respeito à remuneração real recebida pelo trabalhador depois de feitas todas as deduções obrigatórias e voluntárias.
Quais os elementos a considerar para calcular o salário líquido?
Para fazer o cálculo do salário líquido, há três elementos que deve ter em conta:
- Descontos para a Segurança Social: existem vários regimes contributivos, com diferentes taxas, mas a maior parte dos trabalhadores por conta de outrem são inseridos no regime normal. Isto significa que ao salário bruto são descontados, todos os meses, 11%;
- Retenção na fonte: é um mecanismo através do qual o Estado retém antecipadamente o imposto devido. A taxa de retenção depende do salário bruto auferido e de outros fatores, como a existência de dependentes. O valor da retenção é calculado com base nas tabelas que são atualizadas anualmente;
- Outras deduções: caso exista outro tipo de contribuições facultativas ou obrigatórias, como para seguros de saúde ou os descontos da ADSE, estas também têm de ser consideradas para calcular o salário líquido.
Que outros fatores influenciam o cálculo do salário líquido?
Para calcular o salário líquido precisa, resumidamente, de subtrair as deduções ao salário bruto. No entanto, é necessário ter ainda em conta os seguintes fatores, que influenciam as contribuições:
- Estado civil: as tabelas de retenção na fonte determinam diferentes percentagens consoante o sujeito passivo seja solteiro ou casado. No caso de ser casado, o facto de o cônjuge auferir ou não rendimentos também tem influência;
- Local de residência: existem diferentes tabelas de retenção para quem mora no continente e nas ilhas;
- Número de dependentes: os descontos para IRS também têm em conta os dependentes que fazem parte do agregado familiar e se algum deles tem deficiência;
- Subsídios e benefícios: a maior parte das remunerações recebidas pelos trabalhadores estão sujeitas a tributação. No entanto, há subsídios que estão isentos de impostos. É o caso do subsídio de alimentação, se estiver dentro dos limites definidos por lei (6,15 euros quando pago em dinheiro ou 10,45 euros se for pago em cartão). A forma como recebe os subsídios de férias e Natal (por inteiro ou em duodécimos) também deve ser considerada.
Como calcular o salário líquido? 4 passos fundamentais
Calcular o valor líquido do salário não é complicado. Só precisa de seguir este processo:
- Saber o salário bruto: primeiro tem de saber qual é a remuneração mensal sem qualquer dedução que consta no seu recibo de vencimento. Aqui deve considerar o salário base e qualquer outro subsídio ou benefício que seja relevante;
- Calcular o desconto para a Segurança Social: assumindo que está enquadrado no regime normal, a contribuição é de 11%. Assim, deve multiplicar o seu salário bruto por 0,11 para saber quanto terá de pagar à Segurança Social;
- Determinar a retenção na fonte: neste passo, deve consultar as tabelas de retenção na fonte, disponíveis no Portal das Finanças, e aplicar aquela que se enquadra ao seu caso. Na tabela adequada, procure o escalão correspondente ao seu salário e multiplique-o pela taxa marginal máxima. Se for caso disso, deve ainda subtrair a parcela a abater e a parcela adicional a abater por cada dependente;
- Calcular o salário líquido: depois de completar os passos anteriores, para saber o salário líquido só precisa de subtrair as deduções de IRS e Segurança Social ao salário bruto.
Vamos a dois exemplos práticos, para facilitar a compreensão destes cálculos?
Exemplo 1:
Vamos considerar um trabalhador do setor privado com os seguintes critérios:
- Salário bruto: 1.500 euros;
- Subsídio de alimentação: 10,20 euros por dia, pago em cartão (22 dias úteis, o que equivale a 224,40 euros);
- Estado civil: casado, dois titulares;
- Número de dependentes: dois;
- Domicílio fiscal: Portugal continental.
Segurança Social:
1.500 x 0,11 = 165 euros
Retenção na fonte:
Devemos considerar a tabela aplicável a “casado dois titulares”. A taxa aplicada a esta remuneração é de 24,10%. A parcela a abater é de 193,33 euros e, como existem dois dependentes, desconta-se mais 21,43 euros por cada um.
Ou seja, (1.500 x 0,241) – 193,33 – (21,43 x 2) = 125,31 euros
Salário líquido:
1.500 – 165 – 125,31 + 224,40 = 1.434,09 euros
Exemplo 2:
Neste exemplo, vamos ter em conta os seguintes dados:
- Salário bruto: 920 euros
- Subsídio de alimentação: 6 euros por dia, pago em dinheiro (22 dias úteis, o que equivale a 132 euros);
- Estado civil: solteiro;
- Número de dependentes: nenhum;
- Domicílio fiscal: Portugal continental.
Segurança Social:
920 x 0,11 = 101,20 euros
Retenção na fonte:
Como este trabalhador aufere o salário mínimo nacional, não tem de fazer retenção na fonte.
Salário líquido:
920 – 101,20 + 132 = 950,80 euros
Tenha em conta que estes exemplos são simplificados. Caso receba outro tipo de subsídios ou, por exemplo, os subsídios de férias e Natal em duodécimos, tem de os considerar nos cálculos.
Para o ajudar, no Contas Connosco temos uma calculadora de salário líquido que pode utilizar para saber exatamente quanto irá receber por mês.