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Catástrofes ambientais: os seguros e coberturas mais importantes

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Olga Teixeira
Olga Teixeira
As catástrofes ambientais causam danos e prejuízos elevados. Descubra os seguros que o ajudam a estar protegido contra estes

Índice de conteúdos:

  1. Porque estão as catástrofes ambientais a tornar-se um risco maior?
  2. Quais são as catástrofes ambientais mais comuns em Portugal?
  3. Quais são os seguros mais indicados para proteger-se contra catástrofes ambientais?
  4. Como escolher os melhores seguros para proteção contra catástrofes?
  5. Como reduzir os riscos antes de uma catástrofe ambiental?
  6. O que fazer em caso de catástrofe ambiental?

As catástrofes ambientais estão a tornar-se mais frequentes e intensas, aumentando os riscos para habitações, automóveis, empresas e até para a saúde das pessoas. Tempestades, inundações, incêndios florestais, ondas de calor e outros fenómenos extremos podem causar prejuízos inesperados e elevados.

Em Portugal, este tipo de ocorrências tem vindo a ganhar relevância, tornando cada vez mais importante conhecer os seguros e coberturas mais adequados para proteger o seu património e reduzir o impacto financeiro de uma situação de emergência.

Neste artigo, explicamos quais são as principais catástrofes ambientais, que seguros oferecem proteção nestes casos e o que deve analisar para garantir uma cobertura eficaz.

Talvez não saiba: A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que há 80% de probabilidade de um evento El Niño se desenvolver no Oceano Pacífico Tropical, durante os meses de verão, aumentando o risco de fenómenos climáticos extremos à escala global entre junho a agosto de 2026, com repercussões na Península Ibérica através de ondas de calor mais intensas.

Porque estão as catástrofes ambientais a tornar-se um risco maior?

É verdade que sempre existiram catástrofes ambientais e Portugal sentiu a severidade de algumas. O terramoto de 1755, as cheias de 1967 na região de Lisboa ou o aluvião na Madeira no ano de 2010 são apenas alguns exemplos.

Contudo, este tipo de catástrofes ambientais pode vir a ser cada vez mais comum, devido ao aquecimento global.

As emissões de gases de efeito estufa retêm o calor. As calotas polares derretem, fazendo subir o nível do mar. A temperatura à superfície aumenta, a seca torna-se mais comum, o que aumenta o risco de incêndio. As tempestades são mais frequentes e mais severas.

Segundo a Comissão Europeia, “um dos principais efeitos das alterações climáticas na Europa central e oriental deverá ser o aumento da temperatura”. Além da seca provocada pela falta de chuva nos meses (cada vez) mais quentes, “deverá verificar-se um aumento da intensidade e da frequência das inundações fluviais no inverno e na primavera, devido a uma maior precipitação no inverno”.

As Nações Unidas também deixam um alerta: a última década (2011-2020) é a mais quente já registada. Desde os anos 1980, cada década tem sido mais quente do que a anterior.

Quais as catástrofes ambientais mais prováveis em Portugal?

Em Portugal, os efeitos da tempestade Kristin ainda se fazem sentir e será preciso muito tempo para reconstruir tudo o que se perdeu, além da irreparável perda de vidas. Estará o nosso país sob ameaça das catástrofes ambientais?

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) identificou os riscos e os seus efeitos no nosso país. Resumimos os principais na tabela abaixo:

RiscoExpressão em PortugalPrincipais efeitos
NevõesFrequentes durante o outono e inverno em zonas montanhosas do Norte e CentroIsolamento de populações, interrupção de acessos e aumento do risco de acidentes rodoviários
Ondas de calorMais comuns no verão e nas regiões do interior Norte, Centro e AlentejoAumento da morbilidade e da mortalidade, agravamento de problemas de saúde e maior risco de incêndios
CheiasSobretudo nas bacias do Tejo, Douro e Sado Perda de vidas, danos materiais, prejuízos económicos e sociais e impactos ambientais
Inundações e galgamento costeiroVárias zonas da Costa entre Amorosa (Viana do Castelo) e Armação de Pêra (Faro)Danos em habitações, infraestruturas costeiras, estradas, zonas de lazer e apoios de praia
SismosAlém da região do Vale Inferior do Tejo, existem diversas zonas do território nacional com registo histórico de sismicidade importante, particularmente nas regiões centro e sul do país, destacando-se, entre outras, Loulé, Setúbal, a zona da Batalha-Alcobaça e Moncorvo.Perda de vidas, colapso de edifícios e infraestruturas, deslizamentos de terras e incêndios urbanos

A existência de seguros com coberturas adequadas aos maiores riscos em cada região é essencial para reduzir o impacto financeiro dos danos e ajudar a reconstruir o que foi destruído ou danificado.

No âmbito do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, o Governo pretende implementar um sistema de seguros obrigatórios. O objetivo é que os imóveis de habitação e as empresas passem a ter obrigatoriamente apólices que cubram riscos como sismos e eventos meteorológicos extremos.

Quais são os seguros mais indicados para proteger-se contra catástrofes ambientais?

Nem todos os seguros têm coberturas relacionadas com fenómenos naturais. Em alguns casos são opcionais, ou seja, não fazem parte das coberturas base, mas podem ser adicionadas. Conheça, de seguida, os seguros mais adequados para cada situação.

Seguro multirriscos habitação

Embora não seja obrigatório, é bastante comum entre os proprietários de apartamentos, já que tem coberturas mais abrangentes do que o seguro de incêndio. Garante a reparação de danos causados no edifício, na própria fração ou noutras frações.

O seguro multirriscos habitação é adequado para catástrofes ambientais, porque tem coberturas como:

  • Inundações, tempestades e riscos elétricos;
  • Fenómenos da natureza e sísmicos;
  • Recheio da casa, para reparação de danos nos bens móveis;
  • Responsabilidade civil do segurado e agregado familiar, se houver necessidade de indemnizar terceiros por danos causados;
  • Indemnizações por morte do segurado ou do seu cônjuge, devido a incêndio, queda de raio, explosão ou roubo na habitação.

Ao contratar um seguro multirriscos, tenha especial atenção às exclusões (o que não está coberto), porque podem incluir algumas catástrofes ambientais. Além disso, é importante ter em conta o capital seguro (isto é, o custo de mercado da reconstrução do imóvel).

Seguro de recheio

Se não tem seguro multirriscos – por exemplo, se é inquilino ou se não vive em apartamentos – e quer proteger bens como móveis, eletrodomésticos ou obras de arte contra eventuais danos de catástrofes, um seguro de recheio da casa pode ser uma boa opção.

Além de fenómenos naturais, o seguro de recheio inclui coberturas como furto ou roubo, danos por água (ruturas, entupimento ou transbordamento da rede interna) ou responsabilidade civil.

Seguro automóvel

As catástrofes ambientais também causam danos em veículos que nem sempre estão cobertos pelos seguros mais adequados. Além de acidentes, as tempestades, cheias e inundações são responsáveis por estragos (e por vezes perda total) de automóveis e motos.

As coberturas do seguro de responsabilidade civil automóvel (o seguro obrigatório, que é um “pacote” mais básico) não prevêem indemnizações por danos causados por catástrofes ambientais.

Assim, ao fazer um seguro automóvel, é aconselhável confirmar se estão cobertos fenómenos naturais como tempestades, inundações ou granizo. Estas coberturas costumam estar disponíveis no seguro automóvel com cobertura de danos próprios (o chamado “seguro contra todos os riscos”).

Dica importante: Em caso de sinistro durante uma tempestade ou outra catástrofe ambiental, o mais importante é manter-se em segurança e não correr riscos desnecessários. Só depois deve recolher imagens ou outras informações necessárias para fazer a participação ao seguro.

Seguro de saúde

Um seguro de saúde é uma forma de conseguir cuidados médicos a um preço mais acessível. Nesse sentido, também pode ser útil para ajudar no tratamento de danos físicos ou psicológicos causados por uma catástrofe natural.

Os seguros de saúde cobrem, de uma forma geral, consultas, exames, tratamentos e hospitalização, mas antes de contratar é importante avaliar fatores como:

Seguros para animais

Em caso de catástrofe ambiental é essencial proteger os seus animais de companhia não só durante a ocorrência da situação, mas também depois de o pior ter passado. Em caso de ferimentos – ou até para confirmar se está tudo bem depois do susto –, o acompanhamento de um veterinário vai ser fundamental.

Os seguros para animais incluem geralmente cuidados de saúde e responsabilidade civil, o que também é importante caso o animal se assuste e cause danos a terceiros.

Como escolher os melhores seguros para proteção contra catástrofes ambientais?

Antes de contratar um seguro para se proteger de catástrofes ambientais, deve avaliar outros fatores para além do preço. Tenha em conta que um prémio mais baixo reflete, geralmente, um seguro menos completo, com coberturas mais básicas e que podem não incluir este tipo de situação.

Eis o que deve analisar antes de tomar uma decisão:

  • Avalie os riscos da sua zona de residência: por exemplo, nas zonas com mais atividade sísmica, faz sentido contratar um seguro que não exclui danos causados por sismos;
  • Leia atentamente a apólice: analise as coberturas e exclusões dos seguros já contratados ou a contratar. Saber o que inclui o seu seguro é importante para não ter surpresas menos agradáveis em caso de fenómenos naturais;
  • Confirme capitais seguros e limites de indemnização: garanta que, caso sofra danos, uma eventual indemnização vai ser suficiente para reparar ou substituir o que se estragou;
  • Analise franquias: se a franquia for alta, significa que o seguro só assume a responsabilidade por danos mais sérios;
  • Verifique períodos de carência: isto é, o tempo que tem de esperar até poder usar o seguro. Este ponto é muito relevante, sobretudo nos seguros de saúde;
  • Compare várias propostas antes de tomar uma decisão: pode, por exemplo, recorrer ao nosso simulador de seguros para avaliar diversas opções.
Uma dica: É importante rever periodicamente os seus contratos de seguro, para garantir que tem as coberturas mais indicadas para o preço. Caso encontre uma opção mais barata com as mesmas coberturas ou com o mesmo valor, mas mais abrangente, pondere mudar de seguradora.

Como reduzir os riscos antes de uma catástrofe?

Embora as catástrofes ambientais sejam geralmente imprevisíveis e nem sempre haja tempo para acautelar pessoas e bens, existem formas de reduzir os riscos e até de evitar alguns danos.

Estes são alguns cuidados a ter com a sua habitação:

  • Limpe as caleiras;
  • Verifique periodicamente o estado dos telhados;
  • Faça a gestão de vegetação e limpeza de terrenos junto da casa;
  • Fixe objetos soltos nas varandas, jardins e terraços;
  • Caso se aproxime uma tempestade, recolha mobiliário de jardim e objetos que possam voar ou ser arremessados contra a casa e pessoas;
  • Tenha sempre um kit de emergência pronto, com velas, alimentos, água potável, medicamentos e outros bens indispensáveis;
  • Em caso de sismo, feche as torneiras de segurança do gás e água e faça o corte geral de energia;
  • Combine previamente um local de reunião, para o caso dos membros da família se separarem durante uma emergência;
  • Mantenha corredores e passagens desimpedidos, caso tenha de sair rapidamente de casa. 

No carro:

  • Mantenha sempre o depósito de combustível do seu automóvel a pelo menos 50%, caso exista uma evacuação;
  • Não circule em zonas inundáveis;
  • Afaste-se de zonas onde existam fogos florestais;
  • Se estiver na estrada, ouça notícias para ficar a par de eventuais cortes de circulação ou agravamento da situação meteorologia;
  • Em caso de sismo ou tempestade, deixe o carro longe de muros, taludes, postes e cabos de alta tensão.

O que fazer em caso de catástrofe ambiental?

Em caso de catástrofe ambiental há várias medidas que podem salvar-lhe a vida, proteger os seus bens e garantir que, quando tudo acalmar, estará em condições de acionar os seguros necessários.

Estas são algumas indicações a seguir:

  • Mantenha a calma;
  • Não circule sem necessidade;
  • Siga as orientações das autoridades, nomeadamente em caso de evacuação;
  • Tenha os contactos dos serviços de emergência consigo, mas não sobrecarregue as linhas de emergência;
  • Ajude as pessoas e animais mais vulneráveis; 
  • Em caso de sismo ou tempestade, mantenha-se afastado de janelas, espelhos e objetos que possam cair;
  • Conheça os pontos de encontro em caso de emergência na zona onde reside.

Caso já esteja em segurança e o pior já tenha passado, é altura de contabilizar danos e comunicar à sua seguradora o que aconteceu. Estes são os passos a dar:

  • Verifique a estrutura da casa, para garantir que não corre perigo;
  • Registe e fotografe os danos;
  • Participe o sinistro à seguradora;
  • Reúna a documentação necessária;
  • Evite reparações imediatas por conta própria.

As catástrofes ambientais não são inevitáveis. Contudo, a prevenção, alguns cuidados básicos antes, durante e depois de ocorrerem e o seguro certo podem fazer toda a diferença.

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