Poupar

Precisa de cortar despesas? Veja este guia.

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Cortar despesas

Vivemos dias complicados, economicamente falando. O aumento do custo de vida força os portugueses a apertarem o cinto para fazer face às despesas essenciais. Conseguir que o dinheiro “estique” pode ficar agora um pouco mais simples, com estas sugestões.

3 passos para começar a poupar:

  1. Faça um orçamento, com mapa de receitas e despesas. Pode fazê-lo em Excel, num caderno ou usar uma aplicação para telemóvel.
  2. Divida as suas despesas em essenciais e não essenciais.
  3. A partir daqui, é começar a reduzir, eliminar e renegociar.

O que reduzir, eliminar e renegociar

O momento para passar tudo em revista é agora. Reveja contratos, inclusivamente aqueles sobre os quais ainda não pensou. Se calhar, não precisa de assinar mensalmente duas plataformas de streaming. Talvez possa passar a ir ao ginásio noutro horário e pagar a mensalidade para o período low cost, ou até mesmo abdicar do ginásio e passar a fazer exercício ao ar livre. Simule e, se for caso disso, renegoceie contratos com operadores de telecomunicações e fornecedores de energia. Passe a levar de casa a garrafa de água e reduza o desperdício alimentar. Poupe em estacionamento, deixando o carro mais longe, num local sem parquímetro. Analise o seu dia-a-dia e veja em que pode cortar. Anote as poupanças e surpreenda-se. Tudo junto, ao final do mês, é uma boa quantia.

Consolidar créditos

O crédito consolidado permite juntar vários créditos num só. Por norma, a taxa de juro é mais baixa do que a média das taxas de juros de todos os créditos que tinha anteriormente. O que significa que vai pagar uma prestação mensal mais baixa. No entanto, segundo Bárbara Barroso, fundadora do MoneyLab, “quando consolidamos, estamos a juntar créditos de curto prazo a longo prazo”. Ou seja, estamos a prolongar o tempo em que vamos pagar estes créditos. O que significa que, na prática, “embora, por mês, vá pagar menos, no final, vai sair mais caro”. Ainda assim, a fundadora do MoneyLab admite que “pode fazer sentido para famílias que tenham um orçamento muito apertado”. Uma nota importante a reter é que a poupança mensal obtida com a consolidação de créditos “deve ser usada para planear um abate a esse crédito e ter folga para fazer face a despesas essenciais” e não para aumentar o consumo ou o endividamento.

Rever os seguros

Outro conselho de Bárbara Barroso: reveja as apólices dos seus seguros e, depois de identificar as suas necessidades, “entre em contacto com as seguradoras para reduzir os custos”. Seja seguro de vida, multiriscos, automóvel ou de saúde, pode haver uma margem para negociar. Além disso, mesmo num crédito habitação, em alguns casos, pode optar por manter o crédito na mesma instituição bancária e mudar os seguros para outra, conseguindo, assim, obter poupanças.

Telecomunicações

Verifique os pacotes de que dispõe atualmente, assim como as necessidades reais e confirme junto das operadoras se pode obter poupanças ou ter uma maior oferta a preços reduzidos. Simule e negoceie, sem pudor. Vai conseguir baixar a mensalidade.

Planear refeições

Bárbara Barroso sugere que uma das forma de poupar passa por planear refeições: “Por exemplo, ao domingo, podemos planear a semana toda. Seja a viver sozinha, em casal ou com a família”. Além disto, a especialista em finanças pessoais dá uma dica que deve ser posta em prática o ano inteiro e não apenas em época de crise: “Devemos fazer um levantamento do que tem a despensa e ter uma folha colada na porta, que funciona como um inventário de tudo o que a despensa tem, com a data à frente”. Ao apostar na organização, é mais fácil planear um menu, aproveitar tudo o que tem em casa e alimentar-se melhor. Além, claro, de poupar dinheiro.

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Troca de serviços

Durante a crise financeira entre 2009 e 2011, “surgiram muitas trocas de serviços”, lembra Bárbara Barroso. Por exemplo, “uma pessoa sabe fazer o IRS, a outra tem uma horta. Então uma faz o IRS e a outra dá-lhe legumes e batatas”. Além disso, a fundadora do MoneyLab lembra que podemos “aproveitar os momentos em que estamos em casa para aumentar o nosso valor, através do conhecimento”. Desde cursos online, formações ou talks dadas por especialistas, existe um leque de oferta muito variada e (quase sempre) gratuita.

Evitar tentações online

Cada vez mais, fazemos compras online. É tentador, e quase irresistível, ver as promoções que nos chegam por email ou que aparecem no instagram. Evite comprar por impulso. Ceda à tentação, seja racional e limite os seus gastos apenas ao essencial.

Prudência e poupança: as chaves para um futuro (mais) descansado

Idealmente, devemos poupar sempre, durante o ano inteiro e não, apenas, lembrarmo-nos disso em momentos de crise ou quando temos um rendimento extra. Se não consegue poupar muito, poupe pouco. O importante é começar.

Fundo de emergência

“No fundo de emergência, deverá constituir uma poupança que lhe permita suportar o equivalente a entre seis a doze meses das suas despesas mensais. Isto significa que, se as suas despesas mensais forem equivalentes a 1000 €, deverá ter no seu fundo de emergência entre 6 a 12 mil euros”. Este é o conselho da CEO da MoneyLab.

Para quem não consegue constituir um fundo de emergência, a especialista em finanças pessoais sublinha que “o importante é começar”. Mesmo que o seu fundo seja equivalente a, apenas, um mês de ordenado, deve “ter como objetivo aumentar essa poupança”. E, no mesmo sentido, “se não puder fazer um fundo de emergência tão grande, faz mais pequeno”.

Como aplicar dinheiro

“A não ser os certificados de aforro, poucos produtos têm rendibilidade”, explica Bárbara Barroso. No entanto, “a desvantagem dos certificados é que não podemos mobilizá-los nos primeiros três meses”. O que significa que, se tiver uma emergência e precisar desse dinheiro, não pode resgatá-lo. Por isso, a fundadora do MoneyLab propõe uma estratégia: “Se já tiver três meses de fundo de emergência, deixa esse valor num depósito a prazo ou conta-ordenado remunerada e, à medida que for poupando mais, vai colocando nos certificados de aforro”.

Lembre-se que este é um período desafiante para muitas pessoas e famílias, mas é também na crise que se encontram oportunidades.