Investimentos

O que fazer ao reembolso do IRS

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Parte dos contribuintes com direito a reembolso do IRS já recebeu, por esta altura, o valor devido. Receber o reembolso do IRS é um alívio para muitas famílias, que assim conseguem pagar algumas dívidas, fazer face a despesas com seguros ou com o carro, pagar o IMI ou reservar as tão desejadas férias. Mas para quem tem as contas em ordem, existem alternativas que permitem rentabilizar o dinheiro.

Atualmente, aplicar em depósitos pode não ser a melhor opção. Os juros dos depósitos a prazo estão em mínimos históricos. Tendo em conta que a taxa de inflação esperada para este ano é de 1,4% e todos os depósitos a um ano ficam abaixo desse valor, esta não é uma boa aposta para rentabilizar o reembolso de IRS.

O Contas Connosco deixa-lhe quatro sugestões de destinos a dar a este rendimento extra:

Fundo de emergência – Aproveitar o reembolso do IRS para poupar num fundo de emergência é uma opção equacionada por muitas famílias. Tal como o nome indica, trata-se de ter uma porção de dinheiro colocado de parte para uma eventualidade. Desta forma, caso surja uma despesa inesperada não terá de ver o seu orçamento familiar mensal afetado. Os especialistas em finanças pessoais recomendam que este fundo tenha dinheiro suficiente para fazer face ao valor de três a seis meses de despesas. Ou seja, imaginando que tem 500 euros de despesas mensais, o ideal será o fundo ter entre 1500 a 3000 euros. Mesmo que não consiga, nesta fase, atingir esse montante, o fato de começar a colocar de parte esse dinheiro já é positivo. O importante é começar e ter um fundo de maneio e ter esse dinheiro em produtos com liquidez, ou seja, que seja fácil aceder, como por exemplo os depósitos.

Amortizar créditos – Reduzir o montante das dívidas é outra das possibilidades de destino para o dinheiro do reembolso do IRS. No entanto, deve ter atenção que apenas lhe compensa se a taxa de juro que paga do empréstimo for superior a que consegue num produto com baixo risco. Ou seja, caso tenha a possibilidade de investir num depósito a 3% mas o empréstimo tenha uma taxa superior, nesse caso pode compensar amortizar o empréstimo. Por exemplo, imaginando um crédito automóvel de 15000 euros a oito anos (96 meses) com uma taxa de juro a rondar os 15%. Neste cenário, a prestação será de cerca de 269 euros. Se amortizasse este empréstimo em 1000 euros, e reduzisse o valor em dívida para 14000 euros, a prestação baixaria para 251 euros, ou seja, menos 18 euros. Feitas as contas, e até ao final do empréstimo tinha conseguido poupar mais de 1700 euros. Neste cenário pode ainda conciliar o investimento. Ou seja, pode aproveitar a diferença (18 euros) e aplicar esse dinheiro todos os meses.

Certificados do Tesouro – Os produtos de poupança do Estado são uma alternativa de baixo risco, nomeadamente os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), com uma taxa média é de 1,35%. As taxas começam nos 0,75%, no primeiro ano, e vão crescendo até atingirem os 2,25% no sétimo ano de aplicação. No entanto, a partir do segundo ano está previsto um bónus em função do crescimento do PIB, ou seja, a taxa pode ser melhorada. Contas feitas, se aplicar 1.000 euros neste produto, irá ter um retorno de 7,5 euros ao fim do primeiro ano ou de 97,5 euros em juros brutos, ao fim dos 7 anos, que correspondem ao prazo máximo. Este produto é válido para aplicações a partir de mil euros.

Investir num PPR – Apostar num Plano Poupança Reforma ou reforçar o seu, se já tiver um, é sempre uma boa solução para o reembolso do IRS. É certo que provavelmente só irá ter o retorno na altura da reforma, mas quando lá chegar vai agradecer a si próprio ter tido essa preocupação anos antes. A aplicação em PPR pode ser feita sob duas formas: seguros ou fundos de investimento. Os seguros são subscritos através das seguradoras e, regra geral, oferecem garantia de capital e de rendimento. Os fundos de investimento são feitos através das gestoras de ativos e não dão essas garantias, apesar de oferecerem um potencial de retorno mais elevado, já que parte da respetiva carteira é aplicada em ações. Esta opção é mais indicada para quem está mais longe da idade da reforma.

Qualquer que seja o destino que dê ao seu reembolso de IRS, o ideal será sempre fazer bem as contas e ponderar qual poderá ser a aplicação mais eficiente e eficaz, para o seu orçamento.