Dinheiro

Sabe como organizar o orçamento familiar?

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Começou o mês, o ordenado já caiu na conta, não se preveem gastos fora do normal agora, e até sobraram alguns euros das semanas anteriores. O orçamento familiar mensal está controlado e equilibrado assim, correto? Na verdade, nem por isso. É certo que a ginástica das contas muitas vezes é difícil de fazer e chegar ao fim do mês com dinheiro extra ou sem despesas por pagar é uma vitória para muitas famílias, mas o orçamento familiar também pode ajudar a ir além do equilíbrio financeiro, a reforçar a capacidade de poupar de cada um.

Um fator que ajuda a mover melhor a engrenagem, um incentivo à gestão e organização do orçamento familiar, e consequentemente à poupança, é a definição de objetivos. Sejam coisas mais inspiradoras a longo prazo – como preparar a reforma ou ter uma casa maior -, ou outras mais de curto e médio prazo, como umas boas férias ou um carro novo, ter objetivos claros no horizonte ajuda na análise e gestão regular do orçamento familiar mensal.

Mês novo, orçamento familiar mensal novo

Todos os meses há receitas fixas de salários, na maioria dos casos, e despesas mais ou menos fixas também – habitação, educação, energia, água, telecomunicações. E, depois também há os gastos anuais que devem ser tidos em conta, como os seguros e impostos do carro, o IMI da casa se for propriedade nossa, as férias que estamos a planear. Mas pelo meio existem muitas despesas mais flexíveis do que podem parecer. É para essas que temos de olhar com atenção todos os meses.

Os gastos de supermercado parecem ser frequentemente semelhantes, tal como as despesas com restaurantes e cafés, ou até as já referidas contas de luz e água. Mas na verdade não é bem assim, e há coisas que podemos – e devemos – antecipar no início do mês, para um orçamento familiar rigoroso:

  • Aniversários. Em nossa casa, implicam presentes, comida, bolo, uma pequena festa. Em casa de outros, há o presente e as deslocações pelo menos.
  • Festas. Casamentos, batizados e outras festas especiais geram gastos maiores. Felizmente são planeados – e previstos pelos convidados – com alguma antecedência. Não é preciso roupa nova? Talvez, mas de pagar a limpeza de um fato ou vestido se calhar não nos livramos.
  • Consultas. Marcações programadas no médico, principalmente no privado, implicam despesas que podem crescer com a necessidade de medicação. O mesmo no dentista. Além de que um dia com a agenda mais apertada representa frequentemente despesas extra com comida, se não tivermos tempo de cozinhar nesse dia.
  • Carro. Vamos passar um fim de semana fora? Está programada uma festa ou visita à família que mora longe? Com a chuva e o frio não arriscamos levar os miúdos para a escola a pé? Tudo isso implica gastos extra com combustíveis, estacionamento ou portagens, que talvez consigamos antecipar.
  • Energia e água. Podem significar uma diferença ligeira ou um grande aumento, mas há fatores que alteram as despesas de energia em casa e que podemos prever. Há mais despesas com aquecimento no outono e inverno; gastos extra de gás se estamos por casa em férias e fins de semana e aproveitamos para cozinhar; e maior consumo de água nas férias da escola ou quando estamos em teletrabalho.

Conseguir prever as variações de despesas no início do mês – e já agora as receitas extra, como subsídios ou a devolução do IRS – é um passo fundamental para passar do equilíbrio no orçamento familiar para o reforço da poupança.

Como organizar o orçamento familiar melhor?

Usar um simulador de orçamento familiar ou fazer um orçamento familiar em tabela do tipo Excel é uma forma eficaz, quase “profissional”, de manter todas as contas controladas em casa. Mesmo um caderno onde escrevemos regularmente as nossas despesas ajuda, não só a encontrar a soma semanal e mensal e calcular o seu peso, mas também a identificar aqueles gastos mais escondidos que podem ter um grande impacto.

Se vir um artigo/despesa – e o seu valor -, várias vezes repetido, vai acabar por avaliar melhor esse gasto e se calhar conclui que está a prejudicar o seu orçamento. Um dos melhores exemplos é o café. Se pagar em média 70 cêntimos por cada um na rua e beber dois por dia, todos os dias da semana, isso representa mais de 40 euros por mês, 500 euros por ano. Se forem 3 ou 4 cafés, já lá vai quase um ordenado. Não conseguirá reduzir isso para metade pelo menos?

Todas as despesas contam no orçamento familiar

Quer esteja a gerir as suas contas na cabeça ou a preencher um documento mais exaustivo, deve procurar uma visão alargada e ter sempre em mente que todas as despesas contam, como no exemplo do café, e todas as poupanças também. É verdade que a coluna dos gastos só apresenta o que sai, e a coluna das receitas não mostra o que foi ‘ganho’ em descontos ou promoções, mas se comprou muitos artigos a metade do preço no supermercado ou se a roupa para as crianças estava em saldos, seguramente isso vai notar-se no final do mês.

Contratos podem ser negociados e melhorar o orçamento familiar

Por outro lado, há outros gastos mensais que tomamos como certos e definitivos, quando na verdade podem ser reduzidos também, na altura de fazer o orçamento familiar mensal. Estamos a falar do tarifário de telemóvel, por exemplo, mas não só.

  • Energia. Com o mercado livre, nada nos impede de consultar as várias empresas fornecedoras de gás e eletricidade e avaliar a mudança para um novo distribuidor. É preciso atenção aos descontos e às parcerias que podem ser favoráveis (como com cadeias de supermercados ou empresas de combustíveis), mas estudar o mercado não tem custos.
  • Televisão e internet. O período de fidelização acabou? Então é altura de ver se a concorrência tem um pacote mais atrativo ou uma promoção especial. Quem sabe o operador que temos pede um novo período de fidelização, mas pelo menos acompanha essa promoção.
  • Créditos. Esta é uma daquelas despesas que não podemos evitar, mas se calhar conseguimos reduzir e nem pensamos nisso. Quem tiver mais do que um crédito a pagar todos os meses, deve ponderar um crédito consolidado. É uma solução que permite juntar todas as mensalidades numa só – na mesma data e prazo de pagamento final -, o que torna muito mais simples a gestão do orçamento familiar. Por outro lado, a mensalidade que resulta da soma anterior é frequentemente mais baixa após a consolidação dos créditos num só. E no caso do não há pagamento de comissão de abertura.
  • Seguros. O carro lá vai andando, não batemos nem ninguém nos bateu nos últimos anos, e a anuidade do seguro também continua fixa. Por que não tentar um prémio mais baixo na seguradora?

Que percentagem do orçamento familiar deve ser a poupança?

Este é o ponto mais complicado na altura de estudar como fazer o orçamento familiar. Receitas (salários, principalmente) baixas representam normalmente uma maior dificuldade em poupar, mas tudo depende do estilo de vida e necessidades de cada um. De igual modo, ter um rendimento mensal elevado não é garantia de que se consegue poupar muito dinheiro. Por norma, uma poupança deve ser 10% a 20% do total das receitas. Se for superior, tanto melhor. E a forma mais adequada de conseguir isso é, após definir o valor ou percentagem que queremos poupar todos os meses, tratar de o fazer assim que o ordenado cai na conta.

Por outro lado, a poupança pode ser vista como um fundo de emergência e/ou um investimento – o ideal até é que existam os dois. Portanto pode começar por constituir um fundo de emergência, sempre disponível para despesas inesperadas, com um valor previamente pensado, e depois começar a investir mais a médio e longo prazo as poupanças mensais que conseguir retirar do orçamento mensal.

Se chegar ao fim do mês e houver algum dinheiro disponível, antes de fazer uma corrida às compras (que de vez em quando também sabe bem), estude o orçamento do mês seguinte, à procura de um aumento de despesas, e pondere a aplicação desse valor no fundo de emergência ou nos investimentos que tiver, junto com a poupança seguinte. Caso esse saldo positivo aconteça frequentemente, boas notícias, mas também é altura de aumentar o valor ou percentagem mensal a poupar.

Poupar por cabeça e dividir as responsabilidades

Normalmente um orçamento familiar mensal tem apenas uma coluna de despesas e outra de receitas, por mais linhas que cada uma tenha. No entanto, os rendimentos de uma família vêm habitualmente de mais do que uma pessoa, e as despesas – quando há filhos ou outros dependentes – de mais indivíduos ainda. Portanto a divisão ‘por cabeça’ é uma das alternativas na altura de estipular o orçamento familiar – que também deve ser conhecido e compreendido por todos, para ter melhores resultados.

Na prática, após definir o valor que pretende retirar imediatamente, e após calcular as contas e outras despesas fixas que tem de pagar, o restante fica para as despesas variáveis, onde podem estar restaurantes, atividades de lazer, roupa e compras menores de mercearia ou supermercado. Essa fatia variável é dividida pelos elementos da família, podendo ser gasta de uma vez, gradualmente ou até gerar nova poupança.

O mesmo acontece com os gastos inesperados, como um arranjo no carro ou em casa, por exemplo. Vai tentar buscar esse valor ao saldo individual definido para despesas variáveis de cada um, em vez de ‘retirar’ a totalidade de uma ou duas pessoas. Caso mesmo assim não chegue, terá de ir às poupanças ou ao fundo de emergências.

Fazer e organizar um orçamento familiar requer alguma dedicação, pois todos os euros que entram e saem podem ter um impacto grande no final da semana, do mês ou do ano. É preciso preencher bem a coluna das despesas para se ter uma noção realista das necessidades. Mas também se pode começar logo por reduzir alguns valores, avaliar os contratos que se tem e as despesas que representam. E no caso de haver mensalidades de crédito a pagar, um crédito consolidado simplifica muito a gestão mensal do orçamento familiar e ainda permite reduzir o peso da coluna das despesas.