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O que é a inflação e quais as suas causas e consequências?

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Olga Teixeira
Olga Teixeira
Está a pagar mais no supermercado do que o habitual? É efeito da inflação. Descubra as suas causas e o impacto no seu dia a d

Índice de conteúdos:

  1. O que é a inflação?
  2. Como é calculada a inflação?
  3. Quais as principais causas da inflação?
  4. Qual o impacto da inflação na economia global?
  5. Qual o impacto da inflação no orçamento das famílias?
  6. Por que é tão importante controlar a inflação?
  7. Como proteger o seu dinheiro da inflação?

A inflação está associada ao aumento dos custos nas compras do dia a dia, no abastecimento de combustível ou no pagamento de serviços. Ocorre quando há uma subida constante e generalizada dos preços, fazendo com que, com o mesmo dinheiro, consiga comprar menos do que anteriormente.

Regra geral, a inflação é provocada por vários fatores, como conflitos – por exemplo, as guerras na Ucrânia e no Irão –, fenómenos climáticos, como secas ou tempestades que afetam a produção, ou outros elementos que exercem pressão sobre o preço dos bens e serviços.

Por consequência, quando a oferta diminui e a procura se mantém, os preços tendem a aumentar. Este aumento pode ainda desencadear um efeito em cadeia, levando à subida de outros preços na economia.

Descubra, neste artigo, tudo o que precisa saber sobre a inflação e o seu real impacto no dia a dia das famílias.

O que é a inflação?

A inflação é a subida generalizada dos preços. Ou seja, não se trata apenas do aumento de um produto, mas sim de vários bens e serviços que se tornam mais caros ao mesmo tempo, ao longo de um determinado período.

Por exemplo, se no início do ano eram necessários 20 euros para comprar alguns produtos básicos e, atualmente, esse valor já não é suficiente, isso deve-se à inflação. Na prática, com o mesmo dinheiro, consegue comprar menos, porque os preços aumentaram. Ou seja, paga o mesmo valor, mas o saco de compras vem menos cheio.

Qual a diferença entre inflação e deflação?

A inflação ocorre quando os preços sobem de forma simultânea e contínua. Por outro lado, a deflação (também designada por inflação negativa) é o oposto, verificando-se uma descida generalizada dos preços.

Importa referir que nenhuma destas situações é, em regra, positiva para a economia. Isto porque num contexto de inflação, o consumo pode diminuir já que os bens e serviços ficam mais caros. Em contrapartida, numa situação de deflação, o consumo e o investimento tendem também a ser adiados, uma vez que existe a expectativa de que os preços baixem ainda mais.

O que é a estagflação?

A estagflação resulta da combinação entre estagnação económica e inflação elevada. Trata-se de um cenário em que a economia cresce pouco (ou não cresce), enquanto os preços continuam a aumentar.

Esta situação não é muito comum, mas ocorreu, por exemplo, nos anos 70, devido aos choques petrolíferos causados por tensões no Médio Oriente.

O que é a inflação pessoal?

A verdade é que nem todos os consumidores sentem a inflação da mesma forma. Por exemplo, quem não tem automóvel pode não sentir o impacto do aumento dos combustíveis; da mesma forma, alguém que tenha uma horta e produza parte dos seus alimentos pode não ser tão afetado pela subida de preços no supermercado.

A inflação pessoal corresponde, assim, ao impacto específico que a subida dos preços tem no orçamento de cada consumidor.

Como é calculada a inflação?

A inflação é medida com base na evolução dos preços de um conjunto de bens e serviços ao longo de um determinado período.

Em Portugal, o cálculo da inflação – feito através do Índice de Preços no Consumidor (IPC) –  é realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base num cabaz de consumo representativo dos hábitos das famílias.

Os bens e serviços incluídos neste cabaz são selecionados de acordo com a sua importância no orçamento familiar e com a frequência com que são consumidos.

Este cabaz abrange, por exemplo, alimentação e bebidas, produtos de higiene pessoal, jornais e revistas, despesas com habitação (como rendas, água, telecomunicações, eletricidade e gás), saúde, transportes, educação, bem como restauração e hotéis.

Na Zona Euro, o Eurostat (gabinete de estatística da União Europeia) utiliza o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), semelhante ao IPC, que permite comparar a inflação entre os diferentes países da União Europeia.

O que é a inflação homóloga?

A inflação pode ser medida de duas formas:

  • Em cadeia, quando se compara a evolução dos preços com o mês ou trimestre anterior;
  • Ou homóloga, quando se compara o nível de preços com o mesmo período do ano anterior.

A inflação em cadeia pode ser influenciada por fatores sazonais, como saldos ou períodos de maior procura no setor do turismo. Por isso, a inflação homóloga é geralmente a mais utilizada, uma vez que permite uma comparação mais estável e rigorosa ao longo do tempo. 

Quais são as principais causas da inflação?

A inflação pode ser explicada por diversos fatores, sendo um dos mais comuns a situação em que a procura supera a oferta. Assim, quando há mais consumidores do que bens disponíveis, os preços tendem a aumentar.

Isto pode ocorrer, por exemplo, em contextos de instabilidade geopolítica, como a guerra no Médio Oriente, que afetam a produção ou distribuição de petróleo. Como o combustível se torna mais escasso, o seu preço aumenta, o que acaba por se refletir em muitos outros bens e serviços que dependem dos combustíveis para produção e transporte.

A escassez de matérias-primas ou de outros recursos essenciais – como alimentos para o gado – também pode contribuir para a inflação. O mesmo acontece quando há um aumento repentino nos custos de produção, motivado, por exemplo, pela subida dos preços da energia, como se verificou em 2022 devido à guerra na Ucrânia.

Qual o impacto da inflação na economia global?

Quando a inflação não se limita a um país ou região e se torna generalizada, pode ter um impacto à escala global, levando a um cenário de recessão económica. Ou seja, onde não há crescimento económico, o que se traduz numa redução da produção e do consumo, provocando dificuldades para as empresas e, muitas vezes, o aumento do desemprego.

A inflação pode ainda levar a uma diminuição do investimento e a uma redução da capacidade de apoio financeiro a países em situação mais vulnerável.

Qual o impacto da inflação no orçamento das famílias?

Quando a inflação é elevada, as famílias começam a sentir dificuldades no seu dia a dia, uma vez que passam a pagar mais pelos bens e serviços de que necessitam.

Assim, o primeiro impacto da inflação sente-se no poder de compra. Isto porque os preços aumentam, mas o rendimento tende a manter-se igual, o que faz com que o mesmo dinheiro não chegue para comprar tudo o que costumava comprar. 

Como os preços pressionam o orçamento familiar, a tendência é gastar mais todos os meses, o que pode levar a uma redução da poupançaou até à impossibilidade de poupar. Mesmo que consiga poupar o mesmo valor (por exemplo, 200 euros por mês), no futuro esse montante servirá para comprar menos coisas.

Outro impacto negativo da inflação está relacionado com a subida das taxas de juro, que afeta sobretudo quem tem créditos. Uma das medidas utilizadas pelo Banco Central Europeu (BCE) para controlar a inflação é o aumento das taxas de juro. Quando isso acontece, os bancos passam a pagar mais para se financiarem e a Euribor – que resulta da média das taxas de juro dos empréstimos entre bancos – também aumenta. Assim, quem tem créditos com taxa variável acaba por sentir um aumento das prestações.

Por que é tão importante controlar a inflação?

Uma vez que tanto a inflação elevada como a deflação podem ter efeitos negativos na economia, a estabilidade dos preços é essencial para garantir um crescimento económico sustentável.

Quando a inflação é alta, o poder de compra diminui e tanto as famílias como as empresas enfrentam mais dificuldades no planeamento das suas despesas. Esta situação pode levar a uma redução do investimento e a um abrandamento do crescimento económico.

Por outro lado, quando os preços descem de forma acentuada, o consumo e o investimento tendem a ser adiados, na expectativa de novas descidas. Como consequência, a produção das empresas diminui, o emprego pode ser afetado e a economia acaba por desacelerar.

Já um nível de preços estável permite uma maior previsibilidade, facilitando o planeamento financeiro, incentivando o investimento e apoiando melhores decisões de consumo. 

Mas será que existe um valor ideal para a inflação? O Banco Central Europeu estabelece como objetivo uma taxa de cerca de 2%, por considerar que este nível oferece margem de segurança contra a deflação e flexibilidade suficiente para ajustar as taxas de juro em situações económicas adversas, como explica o Banco de Portugal.

Como proteger o seu dinheiro da inflação? 10 medidas que vão ajudar

Se já sente o impacto da inflação no seu orçamento ou pretende antecipar os seus efeitos, é importante reorganizar as suas finanças e adotar estratégias que ajudem a proteger o seu dinheiro.

Deixamos algumas dicas práticas para lidar com a inflação:

  • Analise as despesas fixas (como eletricidade, telecomunicações, seguros e  créditos), avaliando a possibilidade de renegociar condições ou mudar de fornecedor;
  • Pague todas as contas dentro do prazo, evitando juros de mora e outras penalizações por atrasos;
  • Aposte na reutilização, reparação e compra de produtos em segunda mão, prolongando assim vida útil dos bens;
  • Se as taxas de juro subirem, aplique o seu dinheiro em produtos de poupança, como os certificados de aforro;
  • Caso sinta dificuldade para pagar as contas, peça planos de pagamento ou tente renegociar as condições.

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