Pedir um crédito para jovens desempregados: é ou não possível?
Pedir um crédito para jovens desempregados é possível, mas nem sempre a aprovação é garantida. A ausência de rendimentos regulares, a falta de estabilidade profissional e, muitas vezes, a inexistência de garantias fazem com que as instituições financeiras considerem estes pedidos de maior risco.
Sempre que recebem um pedido de financiamento, as instituições de crédito avaliam a capacidade do candidato para cumprir o pagamento das prestações. Quando o requerente é jovem e está desempregado, o risco de incumprimento é, geralmente, considerado mais elevado, o que reduz a probabilidade de aprovação.
Ainda assim, isso não significa que todas as portas estejam fechadas. Existem algumas alternativas que podem ajudar a financiar projetos pessoais ou profissionais, consoante a situação de cada candidato.
É possível pedir um crédito para jovens desempregados?
Sim. É possível pedir um crédito para jovens desempregados, mesmo que esteja a receber o subsídio de desemprego. No entanto, na maioria dos casos, a falta de rendimentos regulares e a instabilidade profissional reduzem significativamente as probabilidades de aprovação.
Antes de conceder um empréstimo, os bancos e as instituições de crédito fazem uma avaliação de solvabilidade para analisar a capacidade do candidato cumprir o pagamento das prestações. Quando identificam um risco elevado de incumprimento – como acontece, frequentemente, em situações de desemprego –, o pedido tende a ser recusado.
Além dos rendimentos e da situação profissional, existem outros fatores que influenciam a decisão da instituição de crédito:
- Taxa de esforço (no crédito habitação, pessoal e automóvel, o Banco de Portugal recomenda que não ultrapasse os 45% do rendimento líquido mensal);
- Existência de outros créditos ativos;
- Histórico de incumprimento;
- Idade do candidato;
- Existência de garantias, como um fiador ou um imóvel;
- Número de titulares do empréstimo.
| Falsas ofertas de crédito fácil para desempregados: como detetar? As ofertas de crédito fácil que prometem aprovação imediata, mesmo sem rendimentos ou emprego, são, na maioria das vezes, tentativas de burla. O objetivo pode passar por pedir dinheiro antecipadamente para “tratar da documentação” ou obter dados pessoais e bancários. Para evitar cair neste tipo de fraude, tenha em atenção os seguintes sinais de alerta: → Desconfie de pedidos de pagamento antecipado para desbloquear ou aprovar o crédito; → Não acredite em promessas de aprovação garantida, sem qualquer análise da sua situação financeira; → Confirme se a entidade está autorizada pelo Banco de Portugal a exercer atividade, consultando a lista de instituições e intermediários de crédito autorizados; → Verifique se a empresa tem um site credível, contactos identificáveis e informação que comprove a sua atividade, desconfiando de ofertas divulgadas através das redes sociais; → Pesquise o nome da entidade para verificar se existem reclamações ou alertas de fraude, nomeadamente no site do Banco de Portugal ou noutras fontes fidedignas. |
Ter um fiador aumenta as hipóteses de aprovação de um crédito para jovens desempregados?
Apresentar um fiador pode aumentar as hipóteses de aprovação de um crédito para jovens desempregados, uma vez que representa uma garantia adicional para a instituição de crédito. No entanto, a sua existência, por si só, não garante que o empréstimo seja aprovado.
Antes de tomar uma decisão, o banco continua a avaliar a capacidade financeira do candidato para cumprir o pagamento das prestações. Assim, mesmo existindo um fiador, a ausência de rendimentos regulares ou de estabilidade profissional pode continuar a justificar a recusa do pedido.
Além disso, o fiador apenas é chamado a intervir se o titular do crédito deixar de cumprir as suas obrigações de pagamento. Ou seja, funciona como uma garantia para a instituição de crédito e não como uma forma de compensar a falta de capacidade financeira do candidato.
Dependendo do que estiver previsto no contrato, a instituição pode exigir o pagamento diretamente ao fiador ou ter primeiro de tentar recuperar a dívida junto do titular do crédito.
Importa ainda saber que quem aceita ser fiador não pode deixar de o ser por decisão própria. Regra geral, enquanto o contrato estiver em vigor, a cessação da fiança depende do acordo da instituição de crédito. Ainda assim, existem algumas situações em que o fiador pode deixar de assumir essa responsabilidade, embora o processo seja, habitualmente, complexo e esteja sujeito à aceitação da instituição.
Que alternativas de financiamento existem para jovens desempregados?
Como a aprovação de um crédito para jovens desempregados é, na maioria dos casos, difícil, pode fazer sentido procurar outras formas de financiamento.
Dependendo do objetivo, existem soluções que podem ajudar a financiar projetos pessoais, formação ou o início de uma atividade profissional. Conheça as principais alternativas e perceba em que situações podem ser uma opção.
Renegociação de créditos
Se tem outros créditos ativos, pode fazer sentido renegociar as respetivas condições para reduzir o valor das prestações e libertar algum rendimento mensal.
Tenha em consideração que a renegociação depende sempre da aprovação da instituição financeira e consiste na alteração de algumas condições do contrato, com o objetivo de diminuir o esforço financeiro e reduzir o risco de incumprimento.
Entre as condições que podem ser renegociadas estão:
- O spread;
- O prazo do contrato;
- O tipo de taxa de juro (por exemplo, passar de taxa variável para taxa fixa).
Consolidação de créditos
A consolidação de créditos consiste em juntar vários empréstimos num só. É possível consolidar, por exemplo, créditos pessoais, automóvel, habitação ou saldos de cartões de crédito, passando a ter apenas um contrato e uma única entidade responsável pelo financiamento.
Na prática, esta solução permite:
- Diminuir o valor da prestação mensal e aliviar o orçamento familiar;
- Pagar apenas uma prestação mensal;
- Ter uma única data de pagamento, em vez de várias ao longo do mês;
- Ter apenas uma entidade para gerir o empréstimo;
- Beneficiar de um prazo de pagamento único;
- Reduzir alguns custos e comissões associados à gestão dos vários créditos;
- E, em alguns casos, obter financiamento adicional.
| Por exemplo,no Crédito Consolidado da Cofidis, a poupança mensal pode chegar a várias centenas de euros. Imagine o seguinte cenário: → Tem três créditos ativos (automóvel, pessoal e cartão de crédito), com uma dívida total de 15.000 euros; → Atualmente, paga 570,03 euros por mês em prestações; → Após a consolidação, passa a pagar 278,86 euros por mês, numa única prestação. Ou seja, no final, consegue poupar 291,17 euros todos os meses. |
Empréstimos entre particulares
Quando não é possível obter aprovação junto de uma instituição financeira, uma alternativa pode passar por recorrer a um empréstimo de familiares ou amigos. Os empréstimos entre particulares são legais, desde que respeitem algumas regras:
- Para montantes superiores a 25.000 euros, o contrato só é válido se for celebrado por escritura pública ou através de um documento particular autenticado;
- Para valores acima de 2.500 euros, o contrato deve ser assinado pela pessoa que recebe o empréstimo;
- É permitida a cobrança de juros e de juros de mora, desde que respeitem os limites legais.
Mesmo quando existe uma relação de confiança entre as partes, é aconselhável formalizar o acordo por escrito. Desta forma, ficam definidas as condições do empréstimo, como o montante, o prazo de pagamento e a eventual cobrança de juros, além de proteger os direitos de ambas as partes caso surja algum imprevisto. Também é recomendável guardar um registo de todos os pagamentos efetuados.
Linhas de crédito bonificadas para criar o próprio negócio
Se pretende criar o seu próprio emprego, uma alternativa ao crédito tradicional pode passar pelas linhas de crédito bonificado do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), no âmbito do programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego.
Este apoio destina-se a desempregados inscritos nos centros de emprego ou centros de emprego e formação profissional que pretendam criar uma empresa de pequena dimensão. Atualmente, existem duas linhas de crédito disponíveis:
- MICROINVEST: destinada a investimentos até 20.000 euros. O reembolso é feito ao longo de cinco anos, podendo beneficiar de dois anos de carência de capital. No primeiro ano, os juros são integralmente bonificados pelo IEFP e, no segundo e terceiro anos, são parcialmente bonificados.
- INVEST +: destinada a investimentos entre 20.000 e 200.000 euros. Permite obter financiamento até 100.000 euros, com dois anos de carência de capital, sendo o reembolso efetuado ao longo de cinco anos. No primeiro ano, os juros são integralmente bonificados pelo IEFP e, no segundo e terceiro anos, são parcialmente bonificados.
Estas linhas de crédito são disponibilizadas através das instituições bancárias aderentes, às quais o candidato deve apresentar diretamente o seu projeto. Para conhecer as condições de acesso e a lista de bancos aderentes, consulte o site do IEFP.
