Crédito para saúde dentária: como pagar tratamentos mais caros?
O custo dos exames e tratamentos dentários é, para muitas famílias, um obstáculo ao acesso a cuidados de saúde oral. Como algumas despesas podem chegar a centenas ou milhares de euros, o crédito para saúde dentária pode ser uma solução para financiar estes tratamentos.
Mas existem outras opções que podem ajudar a suportar estes custos. Neste artigo, apresentamos as diferentes soluções disponíveis e explicamos em que situações pode recorrer a cada uma.
| Saúde oral em Portugal: um luxo para muitos Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2025 mostram que 10,2% dos portugueses não realizaram os tratamentos dentários de que precisavam. O principal motivo para a não realização de exames ou tratamentos foi a falta de disponibilidade financeira (7,7%). Segundo o INE, 47,2% dos agregados familiares consideravam os encargos com cuidados dentários pesados para o seu orçamento. Esta dificuldade era mais evidente entre as famílias em risco de pobreza e os agregados com idosos. |
Porque é que os tratamentos dentários são tão caros?
Os tratamentos dentários podem ser caros devido aos custos dos equipamentos, dos materiais utilizados e da especialização dos profissionais, mas também ao acesso limitado a determinados cuidados de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Estes são alguns dos principais fatores que ajudam a explicar o preço elevado dos exames e tratamentos de saúde oral:
- Tecnologia e equipamentos: exigem um investimento elevado, tanto na aquisição como na manutenção;
- Materiais utilizados: muitos tratamentos recorrem a materiais de elevada qualidade, que podem aumentar o custo dos cuidados de saúde oral;
- Acesso limitado no SNS: a disponibilidade de cuidados de saúde oral no SNS é limitada, levando muitas pessoas a recorrer ao setor privado;
- Falta de comparticipação: determinados tratamentos, como próteses ou implantes dentários, não têm comparticipação pelo SNS;
- Acompanhamento regular: alguns tratamentos exigem várias consultas ao longo do ano;
- Especialização dos profissionais: determinados procedimentos requerem conhecimentos e formação específicos;
- Custos de funcionamento: os consultórios e clínicas têm despesas elevadas com instalações, equipamentos e pessoal.
Que tratamentos dentários podem representar um maior encargo financeiro?
Os tratamentos dentários mais caros são, regra geral, aqueles que exigem procedimentos complexos, várias consultas ou a utilização de materiais de elevada durabilidade e tecnologia avançada. Estes são alguns exemplos:
- Implantes e próteses dentárias;
- Tratamentos estéticos, como a aplicação de facetas dentárias;
- Tratamentos de ortodontia, incluindo aparelhos dentários e alinhadores invisíveis;
- Procedimentos de reconstrução e regeneração óssea;
- Cirurgias de correção dos maxilares.
Existe algum crédito para saúde dentária?
Sim, existem várias opções de financiamento que podem ser utilizadas para pagar tratamentos dentários, como o crédito pessoal, as linhas de crédito ou o cartão de crédito.
No caso do crédito pessoal, existe uma modalidade específica para despesas de saúde,com condições semelhantes às dos créditos destinados à educação e formação ou eficiência energética. No entanto, nem todas as instituições financeiras disponibilizam esta modalidade.
Como alternativa, pode recorrer a um crédito pessoal sem finalidade para financiar tratamentos dentários, como o Crédito Pessoal para Pagamento de Despesas da Cofidis.
Como funciona o crédito pessoal para pagar tratamentos dentários?
O crédito pessoal para tratamentos dentários permite financiar intervenções mais dispendiosas através de um empréstimo, cujo valor é pago em prestações mensais e o prazo de reembolso pode ir até sete anos (ou seja, 84 meses). Por exemplo, no caso do Crédito Pessoal para Pagamento de Despesas da Cofidis, pode pedir um financiamento entre 5.000 e 20.000 euros.
Antes de recorrer a este tipo de crédito, é importante avaliar se precisa realmente de contrair um empréstimo e perceber o impacto que a prestação mensal terá no seu orçamento mensal e na sua taxa de esforço.
Assim, se está a pensar em pedir um crédito para saúde dentária, tenha especial atenção aos seguintes fatores:
- Prazo do reembolso: um prazo mais longo permite reduzir a prestação mensal, mas implica pagar mais juros;
- Taxa de esforço: não deve ultrapassar os 45%, mas quanto mais baixa for, menor será o peso das prestações no orçamento mensal;
- Outros créditos ativos: tenha em conta os empréstimos que já está a pagar e o seu peso no orçamento mensal. Pode também considerar um crédito consolidado para juntar vários créditos numa única prestação e, eventualmente, reduzir os encargos mensais;
- Custo total do crédito: analise indicadores como a Taxa Anual de Encargos Global (TAEG) e o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC), que ajudam a perceber quanto vai pagar pelo empréstimo;
- Comissões e outros encargos: verifique se existem despesas adicionais que possam encarecer o financiamento.
| Dica importante: antes de escolher um crédito, faça simulações com diferentes montantes e prazos de reembolso para obter a Ficha de Informação Normalizada (FIN), um documento que reúne as principais condições do crédito. Assim, ao comparar a TAEG e o MTIC, em vez de olhar apenas para o valor da prestação, consegue avaliar melhor o custo de cada proposta e escolher a solução mais adequada ao seu orçamento. |
Como funcionam as linhas de crédito e os cartões de crédito para pagar tratamentos dentários?
As linhas de crédito e os cartões de crédito também podem ser utilizados para pagar tratamentos dentários, embora tenham regras e condições diferentes das do crédito pessoal.
Ambas são modalidades de crédito renovável. Ou seja, à medida que vai reembolsando o montante utilizado, esse valor volta a ficar disponível para novas despesas.
A principal diferença entre estas duas soluções está na forma como pode utilizar o dinheiro. Numa linha de crédito, pode receber o montante solicitado na sua conta bancária e utilizá-lo conforme as suas necessidades. Já num cartão de crédito tem um plafond disponível para efetuar pagamentos, sem que esse dinheiro esteja diretamente na sua conta à ordem.
No entanto, estas duas formas de financiamento devem ser utilizadas com prudência, uma vez que podem ter taxas de juro mais elevadas do que as do crédito pessoal, tornando o financiamento mais caro.
Por exemplo, segundo as taxas máximas definidas pelo Banco de Portugal (BdP) para o último trimestre de 2026, a TAEG máxima é de 15% para a categoria de crédito pessoal aplicável a estas despesas, enquantos nos cartões de crédito e linhas de crédito pode chegar aos 18,5%.
Que outras alternativas existem para pagar tratamentos dentários?
Além do crédito, existem outras soluções que podem ajudar a reduzir ou distribuir os custos dos tratamentos dentários, como os planos de pagamento das clínicas, o cheque-dentista, as consultas universitárias e os seguros de saúde dentários.
Estas alternativas podem ser especialmente úteis se o seu orçamento já estiver sobrecarregado com outros créditos ou se os seus rendimentos não permitirem assumir uma nova prestação mensal.
Planos de pagamento das clínicas
Algumas clínicas permitem pagar os tratamentos dentários em prestações, distribuindo o custo por vários meses e reduzindo o esforço financeiro imediato.
Contudo, antes de optar por esta opção, informe-se sobre as condições de pagamento e confirme se existem juros, comissões, despesas adicionais ou outras obrigações associadas.
Cheque-dentista
O cheque-dentista é um apoio disponibilizado pelo SNS, que permite aceder gratuitamente a determinados cuidados de saúde oral, incluindo consultas de prevenção, diagnóstico e tratamento, junto de médicos dentistas aderentes ao programa.
No entanto, este apoio não está disponível para toda a população, destinando-se a grupos específicos.
| O que dizem os números e a quem se destina o cheque-dentista? Segundo o Relatório sobre o Cheque-dentista, da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), este apoio foi utilizado por 91,9% dos beneficiários. Contudo, apenas 26,7% dos portugueses têm direito a beneficiar do programa, sendo que este se destina a: → Crianças e jovens com menos de 18 anos de idade; → Grávidas; → Beneficiários do Complemento Solidário para Idosos; → Pessoas com VIH/SIDA; → Utentes em situação de risco aumentado de cancro oral. |
Consultas dentárias nas universidades
Algumas universidades com cursos de Medicina Dentária disponibilizam consultas e tratamentos dentários a preços mais acessíveis.
Estes cuidados são prestados por estudantes, sob supervisão de professores e profissionais qualificados. No entanto, os tempos de espera podem ser mais longos, dependendo da disponibilidade de consultas.
Pode encontrar este serviço, por exemplo:
- Na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP);
- Na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL);
- Na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Católica Portuguesa.
Seguro de saúde dentário
Os seguros de saúde também podem ajudar a reduzir os encargos com consultas e tratamentos dentários. Neste caso, existem duas opções principais: os seguros de saúde com cobertura de estomatologia e os seguros dentários, especificamente destinados aos cuidados de saúde oral.
Antes de escolher o seguro dentário, deve ter em conta os seguintes fatores:
- Necessidades de saúde oral: considere os cuidados de que precisa e também as necessidades dos restantes elementos do seu agregado familiar;
- Frequência de utilização: avalie quantas vezes costuma recorrer a consultas e tratamentos dentários;
- Coberturas e exclusões: confirme quais os tratamentos incluídos e quais ficam excluídos;
- Limites das coberturas: verifique os valores máximos suportados pelo seguro;
- Rede de prestadores: confirme quais as clínicas e os médicos dentistas disponíveis na sua zona de residência;
- Modalidade de pagamento: perceba se o seguro funciona através de copagamento ou reembolso;
- Períodos de carência: verifique se existe algum prazo de espera antes de poder utilizar determinadas coberturas.
Por exemplo, o Seguro de Saúde Médis Dental comercializado pela Cofidis não tem períodos de carência, permitindo utilizar as coberturas logo após a subscrição, de acordo com as condições da apólice.

