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Seguro multirriscos habitação: o que cobre e como escolher?

9 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira

Índice de conteúdos:

  1. O seguro multirriscos habitação é obrigatório?
  2. Seguro multirriscos habitação: o que cobre?
  3. Quanto custa um seguro multiriscos?
  4. Como calcular o capital seguro do seguro multirriscos?
  5. Como escolher o melhor seguro multirriscos habitação?

O seguro multirriscos habitação cobre vários riscos a que um imóvel pode estar sujeito, como incêndio, fenómenos naturais ou roubo. Por incluir um conjunto alargado de coberturas, é uma solução importante para proteger a habitação e os seus bens.

Se está a pensar em comprar casa ou atualizar os seus seguros, pode estar a considerar contratar um seguro multirriscos. Mas sabe exatamente o que cobre e como escolher as coberturas mais adequadas às suas necessidades? Explicamos-lhe tudo, neste artigo.

O seguro multirriscos habitação é obrigatório?

Não, o seguro multirriscos de habitação não é obrigatório por lei. Nos imóveis em propriedade horizontal, como os apartamentos, o único seguro obrigatório é o seguro de incêndio, também conhecido como seguro do condomínio.

Ainda assim, o seguro multirriscos habitação é uma opção frequente, por oferecer mais coberturas do que o seguro de incêndio. Além disso, é frequentemente exigido pelos bancos no âmbito de um pedido de crédito à habitação, como forma de proteger o imóvel dado como garantia do empréstimo.

Seguro multirriscos habitação: o que cobre?

O seguro multirriscos de habitação inclui, além da proteção contra incêndio, outras coberturas facultativas que podem proteger o imóvel e o seu recheio contra diferentes riscos. Entre os vários exemplos estão os danos causados por tempestades e outras catástrofes naturais.

As coberturas incluídas e os danos abrangidos dependem das condições contratadas e estão definidos na apólice do seguro (isto é, no contrato do seguro). Por isso, é importante verificar o que está efetivamente coberto antes de assinar qualquer contrato.

Entre as principais coberturas que um seguro multirriscos pode incluir estão:

  • Furto ou roubo, com indemnização pelos danos ou prejuízos abrangidos pela apólice;
  • Responsabilidade civil, que pode cobrir danos causados a terceiros pelo segurado ou por pessoas do seu agregado familiar;

O prémio do seguro (preço) é calculado, entre outros fatores, em função das coberturas contratadas e do capital seguro. Quanto mais abrangente for a proteção, maior pode ser o seu custo.

Mais coberturas obrigatórias a caminho?

O PTRR – Portugal + Preparado prevê a criação de um sistema de seguros obrigatórios para habitações, com o objetivo de reforçar a proteção contra catástrofes naturais. A medida surge na sequência das tempestades que atingiram o país no início de 2026, incluindo a tempestade Kristin.

A nova obrigatoriedade ainda depende de regulamentação específica, que deverá definir, entre outros aspetos, as coberturas e condições aplicáveis.

O que abrange cada cobertura?

Antes de contratar um seguro multirriscos, é importante perceber não só quais as coberturas incluídas ou que pode adicionar, mas também o que abrange cada uma. Embora existam diferenças entre produtos e seguradoras, estas são algumas das coberturas mais comuns:

  • Incêndio: cobre os danos provocados no imóvel por incêndio. Pode abranger a fração autónoma e as partes comuns do edifício, como o telhado, as escadas, os elevadores e a garagem;
  • Fenómenos da natureza: pode cobrir danos causados por tempestades, incluindo os provocados pelo impacto de objetos projetados pela ação da chuva, neve ou granizo. Pode também abranger danos causados por inundações e prejuízos resultantes de aluimentos de terras;
  • Danos causados por água: cobre danos provocados por avarias ou fugas na canalização e nos sistemas de esgotos;
  • Furto ou roubo: pode garantir uma indemnização pelos danos ou prejuízos causados aos bens seguros na sequência de furto ou roubo. A cobertura pode ter exclusões específicas, nomeadamente quando o furto é praticado por pessoas a quem o segurado permitiu o acesso à habitação, como empregados domésticos ou familiares;
  • Riscos elétricos: cobre danos em equipamentos e instalações elétricas provocados por fenómenos como sobretensões ou curtos-circuitos.

Existem ainda coberturas adicionais que podem ser contratadas, dependendo do produto e das condições da apólice, nomeadamente:

  • Privação de uso: pode comparticipar despesas de transporte, guarda de bens e alojamento do segurado e do seu agregado familiar enquanto a habitação estiver inabitável devido a um sinistro coberto;
  • Substituição de chaves e fechaduras: pode cobrir as despesas de substituição de chaves e fechaduras na sequência de um furto ou roubo;
  • Responsabilidade civil familiar: pode cobrir danos materiais ou corporais causados a terceiros pelo tomador do seguro, pelo seu agregado familiar, empregados domésticos ou animais domésticos, dentro dos limites e condições previstas na apólice;
  • Assistência ao lar: pode incluir serviços de reparação, manutenção e bricolage, de forma gratuita ou a preços mais vantajosos, consoante as condições contratadas.

Quanto custa um seguro multiriscos?

O preço de um seguro multirriscos de habitação não é fixo e depende de vários fatores relacionados com o imóvel e com as coberturas contratadas. Entre os principais elementos que influenciam o valor do prémio estão:

  • Capital seguro: corresponde ao valor necessário para a reconstrução do imóvel;
  • Localização: a zona onde se encontra o imóvel pode influenciar o nível de risco e, consequentemente, o prémio do seguro;
  • Tipo de imóvel: o preço pode variar consoante se trate de um apartamento ou de uma moradia;
  • Características do imóvel: o tipo de construção, os materiais utilizados e a existência de sistemas de segurança, como alarmes;
  • Coberturas contratadas: quanto mais abrangente for a proteção, maior poderá ser o valor do prémio;
  • Franquias: o valor da franquia, ou seja, a parte do prejuízo que fica a cargo do segurado, também pode influenciar o preço;
  • Seguradora: diferentes seguradoras podem apresentar preços e condições distintas para uma proteção semelhante.

Por isso, para saber quanto vai pagar, é importante comparar propostas com coberturas equivalentes e não olhar apenas para o preço do prémio.

Como calcular o capital seguro do seguro multirriscos?

No seguro multirriscos, tal como nos seguros de incêndio e elementos da natureza, cabe ao tomador do seguro – a pessoa que contrata o seguro e paga o prémio – determinar o capital seguro.

Tenha em atenção que este valor corresponde ao custo de reconstrução do imóvel, e não ao seu valor comercial (isto é, ao preço pelo qual poderia ser vendido) nem ao seu valor tributário, que é atribuído pelas Finançaspara efeitos de IMI.

Para calcular este valor, são considerados fatores como o tipo e as características da construção e outros elementos que possam influenciar o custo de reconstrução. Importa referir que o valor do terreno não é incluído neste cálculo.

Qual o valor da reconstrução de um imóvel em 2026?

Para saber quanto custa a reconstrução do seu imóvel, pode obter uma estimativa multiplicando a área bruta pelo valor do metro quadrado da localização.

A área bruta inclui a parte proporcional das zonas comuns (caso viva num apartamento) e consta da caderneta predial do imóvel. Já o valor do metro quadrado depende da localização da casa.

As seguradoras recorrem, geralmente, aos valores de referência divulgados pela Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE). Na tabela abaixo estão os valores que vigoram durante o ano de 2026:

ZonaMunicípiosValor/m2
Zona ISedes de distrito (Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu), municípios das Regiões Autónomas e concelhos de Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Gondomar, Loures, Maia, Matosinhos, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Póvoa de Varzim, Seixal, Sintra, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Vila Nova de Gaia) 945,66€
Zona IIAbrantes, Albufeira, Alenquer, Caldas da Rainha, Chaves, Covilhã, Elvas, Entroncamento, Espinho, Estremoz, Figueira da Foz, Guimarães, Ílhavo, Lagos, Loulé, Olhão, Palmela, Peniche, Peso da Régua, Portimão, Santiago do Cacém, São João da Madeira, Sesimbra, Silves, Sines, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vila Real de Santo António e Vizela826,65€
Zona IIIOs restantes concelhos de Portugal Continental748,93€

Estes valores são, no entanto, meramente indicativos, uma vez que o custo de reconstrução pode variar em função de outros fatores, como a qualidade da construção, o número de casas de banho, a existência de elevador ou garagem e a classificação energética.

Para obter uma estimativa mais ajustada, pode utilizar o simulador disponibilizado pela Associação Portuguesa de Seguradores, que considera estes e outros fatores para calcular um valor indicativo do custo de reconstrução do imóvel.

O que é a regra proporcional na reconstrução?

É importante que o valor do capital seguro corresponda ao custo de reconstrução do imóvel. Desta forma, em caso de sinistro que obrigue a reconstruir a habitação, como um incêndio ou um aluimento de terras, a indemnização da seguradora pode cobrir os prejuízos dentro dos limites e condições da apólice.

Quando o capital seguro é inferior ao valor de reconstrução, aplica-se a chamada regra proporcional. Nesse caso, a seguradora indemniza apenas uma parte dos prejuízos, na proporção entre o capital seguro e o valor real de reconstrução.

Por exemplo, se a reconstrução da habitação custar 100.000 euros, mas o capital seguro for de apenas 80.000 euros, o imóvel está segurado por 80% do seu valor de reconstrução. Assim, se ocorrerem danos no valor de 50.000 euros, a seguradora deverá indemnizar 40.000 euros (80%), ficando os restantes 10.000 euros a cargo do segurado.

Por outro lado, se o capital seguro for superior ao custo de reconstrução, a indemnização não ultrapassa o valor efetivo do prejuízo nem o limite previsto na apólice. Ou seja, ter um capital seguro mais elevado não significa receber uma indemnização superior ao custo de reconstrução.

Valor de substituição vs. valor de reconstrução: qual a diferença?

A principal diferença entre estes dois conceitos está no que é segurado:

  • Valor de substituição: corresponde ao custo de substituir os bens seguros em caso de dano ou perda. Aplica-se, por exemplo, ao recheio da habitação quando esta cobertura está incluída no seguro multirriscos. Também é possível contratar um seguro apenas para o recheio. Neste caso, é importante identificar os bens que pretende segurar e dar especial atenção aos artigos de maior valor, como joias ou obras de arte.
  • Valor de reconstrução: corresponde ao custo necessário para reconstruir o imóvel em caso de destruição provocada por um sinistro coberto pelo seguro multirriscos. É este valor que deve servir de referência para determinar o capital seguro da habitação.

Ou seja, de forma resumida, o valor de reconstrução diz respeito à habitação, enquanto o valor de substituição se aplica aos bens que se encontram no seu interior.

Como escolher o melhor seguro multirriscos habitação?

Escolher o melhor seguro multirriscos habitação implica comparar diferentes propostas e avaliar quais as coberturas de que realmente precisa. Tenha em atenção que um seguro mais barato pode oferecer uma proteção mais limitada, enquanto contratar coberturas que não são relevantes para a sua situação pode aumentar o prémio sem trazer benefícios proporcionais.

Conheça, de seguida, os principais fatores a analisar antes de tomar uma decisão.

1. Pense nas coberturas de que precisa

As coberturas mais adequadas dependem de vários fatores, como a localização e o tipo de imóvel, mas também das medidas de segurança existentes.

Por exemplo, uma casa localizada junto a um curso de água pode estar mais sujeita a inundações, tornando esta cobertura particularmente relevante. Da mesma forma, uma habitação com sistemas de segurança, como um alarme, pode ter necessidades diferentes de uma casa sem estes equipamentos.

Também deve avaliar se precisa de uma cobertura para o recheio da casa. Se ainda não tiver um seguro específico para estes bens, esta pode ser uma opção a considerar, sobretudo porque substituir móveis, eletrodomésticos, louças, roupas e outros artigos pode representar uma despesa significativa.

Se tiver bens de elevado valor, como joias ou obras de arte, confirme também se estão abrangidos na apólice e em que condições.

2. Calcule corretamente o capital seguro

O capital seguro deve corresponder, tanto quanto possível, ao custo de reconstrução do imóvel. Se este valor for inferior ao necessário para reconstruir a habitação, pode aplicar-se a regra proporcional e a seguradora indemnizar apenas uma parte dos prejuízos.

Por outro lado, sobreavaliar o imóvel também não aumenta o valor da indemnização. Em caso de sinistro, esta terá como limite o valor efetivo da reconstrução, de acordo com as condições da apólice.

O mesmo princípio aplica-se ao recheio. O capital seguro deve refletir, de forma tão ajustada quanto possível, o valor dos bens que pretende proteger.

Para calcular estes valores, considere características como a área, a idade e o tipo de construção, bem como outros fatores que possam influenciar o custo de reconstrução e o risco associado ao imóvel.

3. Faça várias simulações e compare propostas

Antes de escolher um seguro multirriscos habitação, faça várias simulações e compare propostas. Desta forma, consegue perceber quais oferecem a proteção mais adequada à sua casa e ao preço mais ajustado.

Ao comparar não se foque apenas no preço. Analise também:

  • As coberturas incluídas;
  • O custo das coberturas adicionais;
  • As exclusões, ou seja, as situações que não estão abrangidas;
  • Os limites das indemnizações;
  • As franquias e o impacto que têm no valor que fica a seu cargo.

Tenha também em conta que alguns seguros oferecem ainda coberturas complementares que vão além da proteção do imóvel. É o caso do Seguro Multirriscos da Cofidis, que inclui Assistência Veterinária, Assistência Familiar, Assistência de Enfermagem e Assistência Médica de Urgência ao Domicílio.

Se, depois de comparar as propostas, considerar que o prémio é elevado, pode procurar uma solução com um preço mais ajustado, sem abdicar das coberturas que considera essenciais. O objetivo deve ser encontrar um equilíbrio entre o nível de proteção de que precisa e o valor que está disposto a pagar.

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