Pagar a prestações: como escolher a opção mais vantajosa?
Quando o valor de uma compra é elevado, pagar a prestações permite repartir essa despesa por vários meses e reduzir o impacto imediato sentido no orçamento. Existem várias opções de pagamento fracionado, com diferentes condições, prazos e custos. Conheça-as, neste artigo.
Se está a pensar fazer uma compra a prestações, é importante conhecer e comparar as soluções disponíveis para encontrar uma que se ajuste à sua capacidade financeira. Além do valor da prestação, deve ter em conta possíveis juros, comissões e outros encargos, que podem tornar a compra mais cara do que seria se fosse paga a pronto. Saiba como comparar as diferentes opções e avaliar se pagar a prestações é, de facto, a solução mais vantajosa.
O que dizem os números sobre os pagamentos fracionados em Portugal?
Os pagamentos em prestações e as soluções Buy Now, Pay Later (BNPL) têm vindo a ganhar popularidade. Embora não existam dados oficiais que permitam medir o peso desta modalidade em Portugal, o The Global Payments Report 2024 mostra que, entre 2022 e 2023, o valor total transacionado através de soluções BNPL na Europa cresceu 18%, passando a representar 5% dos pagamentos no comércio eletrónico.
A tendência deverá manter-se nos próximos anos. Segundo o mesmo relatório, prevê-se que o valor total transacionado através de soluções BNPL em todo o mundo atinja os 452 mil milhões de dólares em 2027, mais 43% do que em 2023.
Os pagamentos fracionados são um crédito?
Segundo o Banco de Portugal (BdP), os créditos ao consumo são empréstimos a particulares de montante entre os 200 e os 75.000 euros, em que são cobrados juros e outros encargos.
Assim, quando uma compra é paga a prestações sem juros ou comissões para o consumidor, não estamos perante um crédito. Em algumas soluções de BNPL (compre agora e pague depois), por exemplo, é o comerciante que paga uma comissão ao prestador do serviço para disponibilizar esta opção aos clientes.
Outra diferença é que o crédito ao consumo tem, regra geral, um prazo mais longo (entre sete a dez anos, dependendo da finalidade) e os pagamentos fracionados podem ser repartidos por apenas três ou quatro meses.
Os montantes em causa também variam. É possível, por exemplo, pagar um pequeno eletrodoméstico em prestações, enquanto um crédito pode ter valores mínimos mais elevados. Os montantes mínimos e máximos dependem das condições definidas pelas entidades financeiras.
Ao pedir um crédito, é habitual ser necessário apresentar documentos que comprovem os rendimentos e a morada, seguindo-se uma análise da capacidade financeira do cliente. Em algumas soluções de pagamento fracionado, a decisão pode ser imediata e os requisitos mais simples, podendo ser suficiente a apresentação de um documento de identificação e o IBAN.
Por isso, antes de escolher esta forma de pagamento, é importante perceber exatamente o que está a contratar: um crédito, com as obrigações e custos associados, ou simplesmente um plano para repartir o pagamento de uma compra.
Que opções de pagamentos a prestações existem?
Se quer comprar um produto ou serviço e não quer ou não pode pagar tudo de uma vez, existem várias formas de repartir a despesa por diferentes prestações. As condições, os prazos e os custos variam consoante a solução escolhida.
Planos de pagamento dos comerciantes
Algumas lojas físicas e online disponibilizam pagamentos a prestações, através de soluções próprias ou de serviços de empresas especializadas. Regra geral, o número de prestações é reduzido, podendo chegar, em alguns casos, às doze. Tenha em conta que, dependendo da solução, podem ser cobrados juros e outros encargos.
Buy Now, Pay Later (BNPL)
O Buy Now, Pay Later é um modelo que tem vindo a ganhar popularidade e permite repartir o valor de uma compra por um número reduzido de prestações, geralmente entre três e seis, consoante o prestador do serviço.
Quando a solução não cobra juros ou comissões ao consumidor, é habitualmente o comerciante que paga uma comissão ao prestador do serviço. Parcela Já, Klarna ou Floa são alguns exemplos deste tipo de solução.
Fracionamento através de cartão de crédito
Neste caso, o consumidor paga a compra ou o serviço com um cartão de crédito e opta depois por fracionar o reembolso. Por exemplo, uma compra de 180 euros pode ser repartida por seis meses, correspondendo a 30 euros por mês, acrescidos dos juros e do imposto do selo.
As taxas de juro dos cartões de crédito são limitadas pelo Banco de Portugal, mas podem ser elevadas. No 3.º trimestre de 2026, o limite aplicável é de 18,5%, pelo que, sempre que possível, é importante evitar prolongar o pagamento da dívida.
Outras soluções de crédito
O crédito ao consumo, incluindo o crédito pessoal, é outra forma de financiar uma compra e reembolsar o montante em prestações. Esta solução tem uma taxa de juro associada, um prazo de reembolso definido e está sujeita às regras determinadas pelo Banco de Portugal.
A concessão de um crédito depende sempre de uma avaliação de solvabilidade, que analisa, entre outros fatores, a capacidade financeira, os rendimentos e o histórico de crédito do consumidor.
Já as linhas de crédito são uma modalidade de crédito renovável. Neste caso, é disponibilizado um determinado montante que pode utilizar conforme necessitar. À medida que vai reembolsando o valor utilizado, o montante disponível é reposto. Esta solução é semelhante ao cartão de crédito, nomeadamente por existir um limite de financiamento e poderem aplicar-se juros, mas tem uma diferença importante: o montante está associado à conta à ordem e pode ser utilizado a partir daí.
Quais são as vantagens e os riscos de pagar a prestações?
Pagar a prestações permite repartir uma despesa por vários meses, reduzindo o impacto imediato no orçamento. No entanto, esta solução também pode implicar custos e riscos que deve conhecer antes de decidir.
A principal questão é perceber se a facilidade de pagar em várias vezes compensa os encargos e o compromisso financeiro assumido.
| Vantagens: → Despesa distribuída ao longo do tempo; → O montante não sai imediatamente da conta; → Pode ajudar a fazer face a uma necessidade temporária de liquidez. | Desvantagens: → Encargos que aumentam o custo total das compras; → Acumulação de várias prestações; → Risco de sobreendividamento; → Maior facilidade em ceder a compras por impulso. |
É mais barato pagar a prestações ou a pronto?
Depende da solução escolhida. Algumas modalidades de pagamento fracionado, como determinadas soluções de BNPL, podem não cobrar juros ou outros encargos ao consumidor. Nesses casos, o valor total pago pode ser igual ao preço da compra, embora o pagamento seja repartido por várias prestações. No entanto, se associar o BNPL a um cartão de crédito, cada prestação terá juros.
Já quando recorre a um cartão de crédito ou a um crédito ao consumo para pagar em prestações, podem ser cobrados juros, comissões e outros encargos. Nestas situações, o custo total da compra, será, regra geral, superior ao valor que pagaria a pronto.
Vejamos um exemplo prático, tendo como base uma compra de 1.000 euros, com valores meramente indicativos:
| Compra sem juros | Compra com crédito | |
| Número de prestações | 5 | 12 |
| Valor de cada prestação | 200€ | 88,34€ |
| Custo total | 1.000€ | 1.077,68€ |
Neste exemplo, pagar a crédito reduz o valor de cada prestação, mas aumenta o custo total da compra em 77,68 euros.
| Dica importante: não olhe apenas para o valor da prestação mensal, mas sim para o custo total. Ou seja, antes de escolher uma solução de pagamento, compare o montante total que vai pagar, incluindo juros, comissões e outros encargos. |
Quando é que pagar em prestações pode compensar?
Pagar em prestações pode fazer sentido em algumas situações, sobretudo quando não compromete o orçamento mensal e não se torna um hábito recorrente. Noutros casos, pode ser preferível pagar a pronto ou adiar a compra, evitando assumir mais um compromisso financeiro.
| Pode fazer sentido quando: → Não existem juros, comissões ou outros encargos; → É uma compra pontual e de valor elevado; → É uma despesa necessária e urgente e, naquele momento, não tem liquidez para pagar a pronto; → O valor da prestação cabe confortavelmente no orçamento. | É uma opção a evitar quando: → São cobrados juros, comissões ou outros encargos que aumentam o custo da compra; → Recorre frequentemente a pagamentos em prestações; → Pode adiar a compra; → Vai juntar mais uma prestação a outros créditos ou despesas; → O valor da prestação tem um impacto significativo no orçamento mensal. |
Como evitar que várias prestações pesem demasiado no orçamento?
Para evitar que várias prestações sobrecarreguem o orçamento, é importante ter uma visão global das suas finanças pessoais. Em vez de analisar apenas a nova prestação, tenha em conta todos os créditos, despesas e compromissos financeiros que já assume.
Estas são algumas medidas que pode adotar:
- Comece por consultar o seu Mapa de Responsabilidades de Crédito, que permite ter uma visão completa dos créditos e prestações em curso;
- Analise os seus extratos bancários e some os valores destinados a pagamentos de prestações. Assim, consegue perceber quanto paga por mês e em que datas;
- Calcule a sua taxa de esforço para perceber quanto do seu rendimento é absorvido pelos compromissos financeiros.
Ter vários créditos ativos ou uma taxa de esforço elevada pode ser um sinal de alerta. Nestas situações, é mais prudente evitar assumir novas prestações até ter maior margem no orçamento.
Como escolher a melhor opção para pagar em prestações?
O valor da prestação mensal é importante, mas não deve ser o único critério de escolha. Para perceber qual é a solução mais adequada, deve comparar o custo total, as condições do pagamento e o impacto que este compromisso terá no seu orçamento.
Antes de decidir, e sobretudo se optar por uma modalidade de crédito, analise:
- O Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC, que corresponde ao valor total que terá de pagar durante todo o período do empréstimo, incluindo o montante financiado e os juros, comissões, despesas, impostos e eventuais encargos com seguros;
- As taxas de juro, nomeadamente a Taxa Anual Nominal (TAN) e a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG);
- O prazo e número de prestações;
- As condições de amortização antecipada;
- A taxa de esforço, ou seja, o peso das prestações no rendimento líquido mensal;
- A capacidade financeira para cumprir o pagamento durante todo o prazo.
Checklist final: o que confirmar antes de optar por pagamentos a prestações?
A decisão de pagar uma compra a prestações deve ser ponderada. Antes de avançar, coloque algumas perguntas e confirme se esta opção se adequa à sua situação financeira:
- Qual é o preço da compra a pronto?
- Quanto vai pagar no total?
- Consegue escolher um plano com o menor número possível de prestações?
- Existem juros, comissões ou outros encargos?
- Quantas prestações ou créditos vai ter em simultâneo?
- A prestação cabe confortavelmente no seu orçamento?
- O que acontece se falhar alguma prestação?
- A compra é realmente necessária ou está a agir por impulso?
- Pode adiar a compra e poupar primeiro?

