Impostos

Escalões de IRS 2026: conheça os novos valores

1 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira
Contribuinte a analisar os escalões de IRS 2026

Índice de conteúdos:

  1. O que são os escalões de IRS?
  2. Como funcionam os escalões de IRS?
  3. Como saber em que escalão está?
  4. Como saber qual a taxa que lhe é aplicada?
  5. Quais são os escalões de IRS em 2025?
  6. Quais são os escalões de IRS em 2026?
  7. Qual é a diferença entre escalões de IRS e retenção na fonte?

Os escalões de IRS (ou escalões do rendimento coletável) são uma parte fundamental no cálculo do imposto a pagar ou a receber pelos contribuintes. Atualmente, existem nove escalões, sendo que o primeiro aplica-se aos rendimentos mais baixos e o último aos mais elevados.

Cada escalão corresponde a um intervalo de rendimentos, com uma taxa associada. Assim, como o IRS é um imposto progressivo, quanto mais se recebe, maior é a taxa aplicada. Isto significa que uma taxa mais elevada pode levar a que pague mais imposto ou, em alguns casos, receba um menor reembolso, dependendo das deduções e das retenções na fonte efetuadas ao longo do ano.

No ano de 2025 verificou-se uma descida nas taxas dos oito primeiros escalões. Já em 2026, verifica-se uma atualização de valores, com uma redução das taxas do 2.º ao 5.º escalão. Conheça os valores que deve ter em conta.

O que são os escalões de IRS?

Os escalões de IRS são intervalos de rendimentos anuais aos quais se aplicam taxas (a normal e a média), de uma forma proporcional ao volume do rendimento coletável.

A aplicação destas taxas é, por isso, importante para o cálculo do imposto, mas há outros valores que entram nas contas para saber se o contribuinte tem direito a reembolso ou se terá de pagar ao Estado.

Atualmente existem nove escalões, mas até 2017 eram apenas cinco. Desde então tem existido um desdobramento, de forma a que a aplicação das taxas seja mais justa e não penalize quem recebe rendimentos médios.

O que é o rendimento coletável?

O rendimento coletável corresponde à soma de todos os rendimentos obtidos durante o ano anterior que estão sujeitos a IRS, após a aplicação das deduções específicas para cada categoria. Entre estes rendimentos incluem-se, por exemplo, os do trabalho, prediais e de capitais.

É sobre este rendimento coletável que são aplicadas as taxas correspondentes ao escalão em que o contribuinte se enquadra.

Tenha em atenção que, no caso da declaração de IRS a apresentar em 2026, o cálculo do imposto é feito com base nos escalões de rendimento de 2025, uma vez que é a esse ano que respeitam os rendimentos a tributar.

Como funcionam os escalões de IRS? 

Depois de determinado o rendimento coletável, este é encaixado num dos nove escalões de rendimentos, para definir a taxa de IRS aplicável.

No entanto, nem todo o rendimento coletável é tributado à mesma taxa, pois cada escalão possui uma taxa normal e uma taxa média. Desta forma, os contribuintes cujo rendimento seja superior a 8.059 euros (que é o limite para o 1.º escalão) estão sujeitos a duas taxas:

  • A taxa normal, que é aplicada apenas à parte do rendimento que ultrapassa o limite do escalão anterior;
  • E a taxa média, que corresponde ao valor efetivo de IRS a pagar em relação ao total do rendimento do escalão.

Como saber em que escalão está?

Para saber qual é o seu escalão de rendimentos, é necessário calcular o seu rendimento coletável, ou seja, o rendimento bruto anual menos as deduções específicas de cada categoria de rendimentos. O valor obtido determinará o escalão em que se encontra e será sobre esse montante que incidirão as taxas de IRS.

As deduções específicas dependem da categoria de rendimentos. Por exemplo, para rendimentos de trabalho dependente ou pensões, a dedução específica em 2025 é de 4.350,24 euros.

Assim, se o seu rendimento bruto anual em 2025 tiver sido de 25.000 euros, o rendimento coletável (após as deduções específicas) será de 20.649,76 euros, o que o coloca no 4.º escalão do IRS.

No caso de casais que optem pela tributação conjunta, deve somar-se o rendimento bruto anual de ambos os elementos, subtrair as respetivas deduções específicas e, por fim, dividir o resultado por dois, obtendo assim o rendimento coletável individual.

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Como saber qual a taxa que lhe é aplicada?

É importante lembrar que nem todo o rendimento coletável é tributado à mesma taxa. De acordo com o Código do IRS, se o valor obtido num ano for superior ao 1.º escalão (ou seja, acima de 8.059 euros), este é dividido em duas partes para calcular o respetivo imposto.

O rendimento coletável pode, assim, ser dividido entre escalões, sendo que a parte que se enquadra dentro de cada escalão é tributada à taxa correspondente desse mesmo escalão. Já a parte que excede esse limite é tributada à taxa do escalão imediatamente superior.

Por exemplo, para um rendimento coletável de 25.000 euros:

  • A 22.306 euros aplica-se a taxa média do 4.º escalão, que é de 17,897%, resultando em 3.992,10 euros;
  • Ao valor excedente (2.694 euros) aplica-se a taxa normal do 5.º escalão (31,40%), o que dá um valor de 845,91 euros.

Somando os dois valores, a coleta total é de 4.838 euros. Este é o valor do imposto que o contribuinte poderá ter de pagar. Contudo, serão ainda subtraídos os montantes já descontados através de retenção na fonte e outras deduções à coleta, como despesas de saúde ou benefícios relacionados com o número de dependentes, apresentadas na declaração de IRS.

Após estes cálculos, a Autoridade Tributária determina se há lugar a reembolso ou se é necessário pagar imposto.

Quais são os escalões de IRS em 2025?

Os escalões de IRS em vigor durante o ano de 2025 são usados para as contas da declaração a entregar em 2026. Estes são os valores e as taxas que devem ser consideradas ao determinar o IRS devido:

EscalãoRendimento coletável (€)Taxa normal (%)Taxa média (%)
1.ºAté 8.059€12,50%12,500%
2.º8.059€ – 12.160€16,00%13,680%
3.º12.160€ – 17.233€21,50%15,982%
4.º17.233€ – 22.306€24,40%17,897%
5.º22.306€ – 28.400€31,40%20,794%
6.º28.400€ – 41.629€34,90%25,277%
7.º41.629€ – 44.987€43,10%26,607%
8.º44.987€ – 83.696€44,60%34,929%
9.ºMais de 83.696€48,00%N/A

Quais são os escalões de IRS em 2026? 

O Orçamento do Estado para 2026 confirmou os valores propostos pelo Governo em julho de 2025, aquando da anterior mudança nos escalões. Assim, verifica-se uma descida de 0,3 pontos percentuais nas taxas marginais do 2.º ao 5.º escalão de rendimentos.

Já os limites dos escalões têm uma subida de 3,51%, uma atualização automática que permite que os contribuintes com aumentos salariais não sejam penalizados. Para efeito de referência, o acordo salarial para 2026 prevê um aumento médio de 4,6% nos vencimentos.

Assim, estes são os escalões que vão vigorar durante o ano e que servirão como base para o cálculo do IRS a entregar em 2027:

EscalãoRendimento coletável (€)Taxa normal (%)Taxa média (%)
1.ºAté 8.342€12,50%12,500%
2.º8.342€ – 12.587€15,70%13,579%
3.º12.587€ – 17.838€21,20%15,823%
4.º17.838€ – 23.089€24,10%17,705%
5.º23.089€ – 29.397€31,10%20,579%
6.º29.397€ – 43.090€34,90%25,130%
7.º43.090€ – 46.566€43,10%26,472%
8.º46.566€ – 86.634€44,60%34,856%
9.ºMais de 86.634€48,00%N/A

Qual é a diferença entre escalões de IRS e retenção na fonte?

Por vezes, existe alguma confusão entre os escalões de IRS e as tabelas de retenção na fonte. Embora ambos digam respeito ao mesmo imposto e sejam usados para calcular o valor a pagar, são coisas diferentes.

Como vimos, os escalões do IRS servem para calcular, através da aplicação de diferentes taxas consoante os rendimentos, o valor que o contribuinte terá de pagar no final do ano fiscal, após entregar a sua declaração de IRS.

Já as tabelas de retenção na fonte determinam qual o valor a descontar mensalmente. Este valor tem em conta não só o tipo de rendimento (por exemplo, trabalho dependente ou pensões), mas também o facto de o contribuinte ser ou não casado, o número de dependentes ou ser portador de deficiência.

Em resumo, a retenção na fonte serve para determinar os descontos mensais, de forma a antecipar o que deve ser o imposto anual a pagar. No entanto, o valor final só é apurado quando se entrega a declaração de IRS, com base nos rendimentos anuais declarados e nas deduções, fazendo posteriormente a comparação entre esse montante e o valor das retenções.

Tenha em conta que as tabelas de retenção na fonte também foram atualizadas ao longo de 2025, proporcionando algum alívio fiscal em agosto e setembro. No entanto, esta atualização pode resultar num reembolso de IRS menor em 2026, tal como aconteceu em 2025.

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