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Depósito a prazo ou conta poupança: qual compensa mais?

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Olga Teixeira
Olga Teixeira

Um depósito a prazo e uma conta poupança têm um objetivo comum: poupar dinheiro e fazê-lo render. Mas há, também, várias diferenças entre estes dois produtos.

Poupar pode ter um objetivo concreto – por exemplo, dar uma entrada para comprar uma casa – ou ser apenas uma forma de criar uma almofada financeira para enfrentar um imprevisto ou uma quebra nos rendimentos. Em ambos os casos, é importante escolher uma opção que se adeque à pessoa e à situação e que seja vantajosa em termos de rentabilidade e flexibilidade.

Na altura de escolher, é comum surgir a dúvida: depósito a prazo ou conta poupança? Antes de decidir, saiba como funcionam ambas as opções.


Hábitos de poupança: o que dizem os números?

→ Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no primeiro trimestre de 2026, a taxa de poupança das famílias em Portugal fixou-se em 12,3% do rendimento disponível;

→ Dados do Banco de Portugal, divulgados no Boletim Económico de março de 2026, indicam que, entre os portugueses que pouparam em 2025, 60% manteve a totalidade da poupança numa conta à ordem ou em casa;

→ Entre os inquiridos que detinham instrumentos financeiros, 34,2% tinham um depósito a prazo, 16,7% investiram em Planos Poupança Reforma (PPR) e 14,2% subscreveram Certificados de Aforro ou do Tesouro;

→ 33,1% dos portugueses que pouparam recorreram a depósitos a prazo ou obrigações.

Depósito a prazo ou conta poupança: qual a diferença?

Os depósitos a prazo e as contas poupança são dois tipos de depósitos, em que o princípio é o mesmo: entregar dinheiro a uma instituição de crédito, que o “guarda” durante determinado período e, geralmente, paga uma remuneração sob a forma de juros. Ainda assim, são produtos com características diferentes.

Embora as condições de cada produto (nomeadamente os juros, os prazos e as condições de movimentação) dependam das instituições de crédito, existem algumas características gerais que permitem distingui-los.

Nota importante: apenas as instituições de crédito registadas no Banco de Portugal estão autorizadas a receber depósitos em dinheiro e outros valores, como cheques.

Depósito a prazo: como funciona e quais as vantagens?

Ao aplicar dinheiro num depósito a prazo, está a concordar em manter esse montante no banco durante um período de tempo previamente definido. Em contrapartida, recebe juros sobre o valor depositado. No final do prazo acordado, pode levantar o dinheiro.

Geralmente, é possível levantar a poupança antes do final do prazo (uma operação designada por mobilização antecipada), mas pode ser aplicada uma penalização, nomeadamente através da perda total ou parcial dos juros relativos a esse período.

A remuneração (isto é, os juros) pode ser paga periodicamente, por exemplo, de seis em seis meses, ou apenas na data em que o depósito termina.

Os depósitos a prazo são, por isso, uma opção comum quando se sabe que o dinheiro não vai ser preciso durante algum tempo. Podem, por exemplo, ser utilizados para constituir um “pé de meia” para a reforma ou para os filhos.

Conta poupança: como funciona e quais as vantagens?

As contas poupança são contas de depósito destinadas a uma finalidade ou a um público específico, como acontece, por exemplo, com as contas poupança jovem, emigrante ou habitação.

Estas contas podem ter algumas vantagens associadas, como a isenção de comissões de manutenção ou condições especiais na concessão de crédito. Regra geral, permitem movimentar o dinheiro e fazer reforços ao longo do tempo, embora as condições possam variar consoante o produto e a instituição.

Em resumo…
CaracterísticaDepósitos a prazoContas poupança
Finalidade definidaNãoSim
Liquidez (possibilidade de levantar o dinheiro)Sim, mas pode haver penalizaçãoSim
ReforçosGeralmente nãoSim
RemuneraçãoSimSim
Pagamento dos jurosNo final do prazo do contrato ou periodicamentePeriodicamente
Capital garantido através do Fundo de Garantia de DepósitosSim, até 100.000 eurosSim, até 100.000 euros

Qual das opções apresenta maior rentabilidade?

Depende do produto e da instituição de crédito. Geralmente, os depósitos a prazo apresentam taxas de juro mais atrativas, o que pode torná-los mais rentáveis. No entanto, esta remuneração está muitas vezes associada à manutenção do dinheiro durante um determinado período. Se precisar de o levantar antes do prazo, pode sofrer uma penalização nos juros.

As contas poupança, embora possam ter uma remuneração mais baixa, tendem a proporcionar maior flexibilidade, permitindo movimentar o dinheiro e fazer reforços.

Assim, não deve escolher apenas com base na taxa de juro. É importante ter em conta a necessidade de movimentar o dinheiro, os seus objetivos de poupança e as condições específicas de cada produto. Além disso, vale a pena comparar as propostas de diferentes instituições de crédito para encontrar a solução mais adequada ao seu caso.

Qual é a melhor opção para cada objetivo de poupança?

Como um depósito a prazo pressupõe que o dinheiro não seja movimentado durante um determinado período de tempo, pode ser uma opção para uma poupança a médio e longo prazo. Ou seja, aplica um determinado montante de que não vai precisar durante esse período e, em contrapartida, recebe juros.

Importa referir que se o depósito a prazo tiver uma taxa de juro previamente definida, permite ter maior previsibilidade sobre a remuneração a obter. No entanto, existem depósitos com taxas variáveis, que podem depender, por exemplo, do desempenho da Euribor.

Já quando tem um objetivo de poupança definido – por exemplo, começar a poupar para um filho desde o nascimento ou juntar dinheiro para comprar casa – e pretende fazer reforços ao longo do tempo, uma conta poupança pode então fazer mais sentido.

O que analisar antes de aplicar o dinheiro num depósito a prazo ou numa conta poupança?

Antes de aplicar o seu dinheiro, seja numa solução de poupança ou investimento, é essencial conhecer as condições de cada produto. Só assim poderá comparar as diferentes opções e escolher a que melhor se adequa aos seus objetivos.

Para isso, a lei determina que, antes de abrir uma conta bancária ou fazer um depósito, o consumidor tem direito a receber os seguintes documentos com informação sobre as características do produto, de forma a poder analisá-las e comparar diferentes opções:

  • Ficha de Informação Normalizada (FIN): aplicável a depósitos simples (contas à ordem) e a depósitos a prazo remunerados com taxa fixa ou variável;
  • Documento de informação sobre comissões: apresenta as comissões aplicáveis às contas de pagamento, como as contas à ordem;
  • Formulário de Informação ao Depositante (FID): aplicável a depósitos simples e estruturados, contém informação sobre a proteção dos depósitos.

Estes documentos são importantes para avaliar as condições do produto antes de aplicar o seu dinheiro. Entre os principais aspetos a analisar estão:

  • Taxa Anual Nominal Bruta (TANB);
  • Juros líquidos;
  • Prazo da aplicação;
  • Montante mínimo e máximo;
  • Possibilidade de fazer reforços;
  • Condições de mobilização antecipada;
  • Periodicidade do pagamento de juros;
  • Renovação automática;
  • Condições promocionais;
  • Eventuais comissões;
  • Produtos ou serviços associados e respetivos requisitos.

As vendas associadas são legais?

Embora os bancos não sejam obrigados a aceitar todos os depósitos, não podem fazer depender a aceitação da contratação de outros produtos ou serviços, como cartões ou seguros. Ou seja, as vendas associadas obrigatórias são proibidas por lei. Contudo, os bancos podem propor a contratação facultativa de outros produtos ou serviços financeiros, oferecendo, em contrapartida, uma remuneração mais elevada ou a isenção do pagamento de comissões.

Quanto dinheiro colocar num depósito a prazo ou numa conta poupança?

Tudo depende da sua capacidade financeira, da necessidade de liquidez e de ter, ou não, um fundo de emergência. Tenha em atenção que não é aconselhável aplicar todo o dinheiro num produto que não permite a mobilização antecipada, sobretudo se não tiver uma almofada financeira suficiente para fazer face a despesas inesperadas ou a uma quebra de rendimentos.

Assim, mais importante do que o valor aplicado é garantir que a solução escolhida – seja um depósito a prazo ou conta poupança – responde de forma adequada ao que necessita e pretende.

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