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Guardar dinheiro em casa: boas práticas para imprevistos

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Sérgio Rodrigues
Sérgio Rodrigues

Num mundo cada vez mais digital, pode parecer estranho falar de guardar dinheiro em casa. No entanto, o dinheiro físico continua a ter um papel importante em situações imprevistas.

Neste vídeo, Sérgio Rodrigues – especialista em finanças pessoais, explica porque é recomendável ter algum numerário disponível em casa, qual a quantia aconselhável e que cuidados deve ter para o guardar de forma segura.

Se quer estar preparado financeiramente para cenários inesperados, este vídeo é um bom ponto de partida. 

Porque é importante guardar dinheiro em casa?

Apesar da forte digitalização dos pagamentos através de cartões, transferências instantâneas ou apps como o MB WAY, existem situações em que o acesso a meios eletrónicos pode falhar durante várias horas ou até dias.

Falhas de energia, indisponibilidade de multibancos, problemas técnicos em terminais de pagamento ou interrupções temporárias nos sistemas bancários podem dificultar o acesso ao seu dinheiro.

É precisamente por esse motivo que entidades como o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu recomendam que as famílias tenham algum numerário disponível em casa, para fazer face a despesas urgentes e necessidades básicas durante estas situações excecionais.

No entanto, e como sublinha o especialista Sérgio Rodrigues, é importante realçar que guardar dinheiro em casa não substitui as contas bancárias nem os instrumentos de poupança onde o dinheiro está mais seguro. Funciona só e apenas como uma rede de segurança para situações inesperadas.

Qual a quantia ideal de dinheiro a guardar em casa?

Não existe um valor fixo que sirva para todas as pessoas, uma vez que o montante adequado depende da composição do agregado familiar, dos hábitos de consumo e das despesas essenciais.

Contudo, o objetivo principal é garantir liquidez e autonomia suficientes para cobrir despesas diárias inadiáveis – como alimentação, transportes ou medicamentos – durante alguns dias.

Assim, e de acordo com a orientação do Banco Central Europeu, o ideal é ter o equivalente a três dias de despesas essenciais guardados em dinheiro físico. Na prática, para chegar a esse valor, pode:

  1. Calcular quanto gasta, em média, por dia nas despesas essenciais do seu agregado familiar;
  2. Multiplicar esse valor por três;
  3. Guardar esse montante em numerário.

Se assim pretender, pode ter uma quantia superior a três dias. No entanto, tenha em consideração que, idealmente, este valor deve ser sempre razoável e proporcional. Isto porque quantias demasiado elevadas aumentam o risco de perda ou roubo e expõem o dinheiro à desvalorização causada pela inflação.

Existem riscos ao guardar dinheiro em casa?

Sim, existem riscos e é importante conhecê-los antes de decidir guardar dinheiro em casa. Entre os principais, destacam-se os seguintes: 

  • Roubo ou furto, especialmente se o dinheiro estiver mal escondido;
  • Perda em caso de incêndio, inundação ou outros acidentes domésticos do género;
  • Tentação de o gastar em despesas não essenciais, por estar facilmente acessível;
  • Ausência de rentabilidade, já que o dinheiro parado não gera juros e perde valor com a inflação.

Por isso, o dinheiro guardado em casa deve ser encarado apenas como um complemento ao fundo de emergência, e nunca como substituto da poupança bancária. A sua função é muito específica: servir de apoio em situações pontuais e excecionais em que não é possível utilizar os métodos tradicionais de pagamento.

Já o fundo de emergência, destinado a fazer face a despesas imprevistas, como problemas de saúde ou avarias no carro e em eletrodomésticos, deve estar guardado no banco, por exemplo, numa conta poupança ou num depósito a prazo. 

Como guardar dinheiro em casa de forma segura?

Se decidir guardar dinheiro em casa, a segurança começa pela responsabilidade e pela discrição. Algumas boas práticas incluem:

  • Não guardar quantias demasiado elevadas;
  • Não divulgar a terceiros que tem dinheiro guardado em casa;
  • Escolher um local acessível, mas discreto e estratégico, evitando sítios muito óbvios (como, por exemplo, a gaveta do móvel da entrada de casa);
  • Evitar concentrar todo o numerário num único local;
  • Utilizar cofres domésticos ou soluções de segurança adequadas sempre que possível, mas sem torná-los demasiado evidentes;
  • Manter o dinheiro organizado e contabilizado, sabendo exatamente quanto tem e onde está;
  • Rever periodicamente o valor guardado, ajustando-o às suas despesas atuais.

Guardar dinheiro em casa pode ser uma boa prática para lidar com imprevistos, desde que seja feito com consciência, moderação e planeamento. Assim, mesmo perante uma falha temporária dos sistemas digitais, terá autonomia para garantir o essencial.

Para saber mais sobre como guardar dinheiro em casa de forma segura e que cuidados deve ter para proteger o seu património, assista ao vídeo completo com as dicas do especialistaSérgio Rodrigues. 

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