Como aumentar a eficiência energética da casa e poupar energia?
Índice de conteúdos:
- O que é a eficiência energética?
- Porquê melhorar a eficiência energética da sua casa?
- Como aumentar a eficiência energética da sua casa?
- Que apoios à eficiência energética existem?
- Que opções existem para financiar as obras e equipamentos de eficiência energética?
- Checklist final: o que fazer antes de avançar com uma intervenção de eficiência energética?
Melhorar a eficiência energética da casa permite reduzir o consumo e as despesas, sem comprometer o conforto. Saiba que medidas pode adotar para tornar a sua habitação mais eficiente.
Os gastos com energia podem representar uma fatia importante do orçamento familiar. Melhorar o isolamento, escolher equipamentos mais eficientes ou reduzir desperdícios são algumas das medidas que podem ajudar a poupar energia em casa e, consequentemente, a baixar a fatura da luz.
Algumas soluções exigem investimento, enquanto outras passam por pequenas mudanças no dia a dia. Em ambos os casos, uma maior eficiência energética pode traduzir-se em poupança, mais conforto e menor impacto ambiental.
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O que é a eficiência energética?
A eficiência energética consiste em otimizar o uso da energia, procurando obter o máximo de desempenho com o menor consumo possível. O objetivo é reduzir os gastos e o desperdício, minimizando, ao mesmo tempo, o impacto ambiental.
Em Portugal, os edifícios têm sido, historicamente, pouco eficientes, sendo responsáveis por 30% do consumo de energia final. Contudo, o panorama tem vindo a melhorar. Em 2015, 84% das casas tinham classe energética C ou inferior, percentagem que desceu para 71,8% em 2025. Além disso, segundo dados do Eurostat, no último ano, 32,8% das casas portuguesas foram alvo de intervenções para melhorar a eficiência energética.
Porquê melhorar a eficiência energética da sua casa?
Além de contribuir para a descarbonização do planeta e para um meio ambiente mais limpo e sustentável, tornar a sua casa mais eficiente pode trazer vários benefícios para a sua carteira:
- Poupança: ao otimizar o consumo energético, reduz os gastos desnecessários e pode pagar menos na fatura da energia;
- Benefícios fiscais: durante cinco anos, os municípios podem reduzir até 25% o IMI de prédios urbanos com eficiência energética, desde que tenham uma classe energética A ou superior ou que, após obras de melhoria, subam pelo menos duas classes face à classificação anterior. Já as habitações com mais de 30 anos que sejam alvo de obras para melhorar o estado de conservação e cumpram os requisitos de eficiência energética e qualidade térmica ficam isentas de IMI durante três anos. Na primeira transmissão, podem ainda beneficiar de isenção de IMT, desde que se destinem a arrendamento de longa duração ou a habitação própria permanente;
- Maior conforto térmico: uma casa eficiente permite manter uma temperatura confortável, reduzindo as perdas de energia e o consumo necessário para aquecer ou arrefecer os espaços;
- Valorização do imóvel: uma maior eficiência energética pode contribuir para aumentar o valor da habitação no mercado imobiliário.
Como aumentar a eficiência energética da sua casa? 9 dicas a considerar
Das pequenas mudanças às obras mais profundas, há várias medidas que pode colocar em prática para aumentar a eficiência energética da sua casa, reduzir o consumo e melhorar o conforto.
1. Peça o certificado energético
O certificado energético, emitido por peritos qualificados independentes, indica a classificação da sua casa, numa escala que vai de F (muito pouco eficiente) a A+ (muito eficiente).
Para determinar esta classificação, os peritos avaliam aspetos como as paredes, os pavimentos, as janelas, os sistemas de climatização e a existência de equipamentos que utilizem fontes de energia renováveis.
O certificado contém ainda informação sobre as características do imóvel e recomenda medidas que podem ser implementadas para reduzir o consumo e melhorar a classificação energética. Além disso, identifica benefícios fiscais e programas de financiamento a que pode ter acesso.
Além de ser um documento útil, o certificado energético é obrigatório em algumas situações, nomeadamente:
- Edifícios novos;
- Edifícios sujeitos a obras de renovação, quando o custo total da obra relacionada com os componentes associados à eficiência energética é superior a 25% do valor total do edifício;
- Sempre que um edifício é colocado no mercado para venda ou arrendamento;
- Edifícios que beneficiam de programas de financiamento ou de benefícios fiscais, sempre que a certificação energética seja um requisito.
2. Opte por portas e janelas eficientes
É através das portas e janelas que ocorre uma parte significativa das trocas de calor entre o interior e o exterior da casa. Por isso, instalar soluções mais eficientes ajuda a reduzir as perdas de energia, a manter uma temperatura mais confortável e a otimizar o consumo energético.
Instalar janelas de classe A+ pode permitir reduzir em 50% as perdas energéticas. Além de melhorarem o isolamento térmico, as janelas e portas eficientes proporcionam também maior conforto acústico, ao atenuar o ruído proveniente do exterior.
Antes de escolher uma empresa para fazer a instalação, certifique-se de que a mesma está inscrita no sistema de etiquetagem energética CLASSE+, que permite comparar o desempenho energético de diferentes produtos.
3. Melhore o isolamento térmico
Um bom isolamento nas coberturas, paredes, portas e janelas ajuda a reter o calor durante o inverno e a impedir que a casa sobreaqueça no verão.
Quanto melhor for o isolamento da sua casa, menor será a necessidade de recorrer ao ar condicionado ou a outros sistemas para climatizar as divisões. Isto significa menos consumo de energia e, consequentemente, uma fatura de eletricidade mais baixa.
4. Instale painéis solares
Apesar de implicarem um investimento inicial elevado, os painéis solares podem ajudá-lo a reduzir até 80% da fatura da eletricidade. Existem duas opções: o sistema solar fotovoltaico, que capta a luz do sol e a transforma em energia elétrica que pode utilizar de imediato; ou o sistema solar térmico, que utiliza a energia solar para aquecer as águas sanitárias armazenadas num depósito.
Para aumentar ainda mais a eficiência energética e a poupança, pode adicionar uma bateria aos painéis fotovoltaicos. Desta forma, consegue armazenar a energia produzida que não foi utilizada de imediato para a consumir mais tarde.
5. Invista em sistemas de climatização eficientes
O aquecimento da casa e da água para uso doméstico representa, em média, 80% das necessidades energéticas das famílias europeias. Por isso, investir em sistemas de aquecimento eficientes pode ajudar a reduzir significativamente o consumo.
O ar condicionado é uma das soluções mais eficientes, sobretudo quando comparado com equipamentos como radiadores ou termoventiladores. Tal como acontece com os painéis solares, o investimento inicial pode ser elevado, mas compensa a médio e longo prazo.
Para o aquecimento de águas sanitárias, as soluções mais eficientes incluem as bombas de calor e os termoacumuladores híbridos, que permitem reduzir mais de 50% do consumo de energia.
6. Escolha eletrodomésticos de baixo consumo
Os grandes eletrodomésticos, como frigoríficos e máquinas de lavar, têm um peso significativo no consumo energético de uma casa.
Assim, se precisar de comprar um equipamento novo, opte por modelos mais eficientes, de classe A ou B. Embora possam ser mais caros, permitem reduzir o consumo e poupar na fatura da eletricidade.
Pode utilizar o simulador casA+ para perceber quanto pode poupar com soluções mais eficientes ao nível do aquecimento, dos eletrodomésticos e da iluminação.
7. Prefira lâmpadas LED
Se ainda tiver lâmpadas de halogéneo, fluorescentes ou incandescentes, considere substituí-las por versões LED.
Apesar de poderem ser mais caras, são bastante mais eficientes e duradouras, com uma vida útil que pode chegar às 50 mil horas. Além disso, atingem rapidamente a luminosidade máxima e produzem menos calor.
8. Evite deixar aparelhos em standby
Mesmo quando não estão a ser utilizados, os equipamentos eletrónicos continuam a consumir energia em standby. Embora estes consumos possam parecer insignificantes, a verdade é que vão-se acumulando ao longo do tempo e acabam por ter impacto na fatura.
Por isso, sempre que possível, desligue os aparelhos da tomada ou utilize tomadas com interruptor ou temporizadores que permitam programar os períodos em que ficam desligados da corrente.
9. Aproveite a luz solar
No verão, mantenha as persianas e os cortinados fechados durante as horas de maior calor para reduzir a entrada de calor em casa. No inverno, faça o contrário e aproveite ao máximo a luz e o calor do sol durante o dia.
Desta forma, reduz a necessidade de recorrer a equipamentos de climatização.
Que apoios à eficiência energética existem?
Para ajudar os proprietários a melhorar a eficiência energética das suas casas, o Governo disponibilizou, no passado, vários programas de apoio. Entre eles estavam o Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis, o Programa E-Lar, o Programa de Apoio a Bairros Mais Sustentáveis ou os Vales Eficiência.
Contudo, estes programas já foram encerrados e o Governo está a preparar uma nova estratégia para a eficiência energética. Nesse âmbito, foi criado o Plano Social para o Clima, integrado no Fundo Social para o Clima, que prevê medidas destinadas às famílias mais vulneráveis. Assim, a partir de 2027, está previsto um novo programa dirigido, nomeadamente, a beneficiários da tarifa social de energia e a famílias com baixos rendimentos.
Embora não existam, atualmente, programas de apoio em vigor, o Espaço Energia continua a disponibilizar ajuda técnica gratuita aos cidadãos. Através deste serviço, é possível obter informação, aconselhamento personalizado e orientação sobre diferentes temas, nomeadamente:
- Contratação de energia;
- Escolha de soluções de eficiência energética e de energia renovável;
- Seleção de equipamentos energeticamente eficientes;
- Opções de mobilidade sustentável;
- Obras de melhoria da eficiência energética;
- Interpretação das faturas de energia;
- Direitos dos consumidores.
Que opções existem para financiar as obras e equipamentos de eficiência energética?
Quando não existe liquidez ou poupança suficiente para suportar os custos das obras ou dos equipamentos necessários para melhorar a eficiência energética da casa, pode ser necessário recorrer a outras opções de financiamento.
No mercado, existem soluções de crédito especificamente destinadas a este tipo de projetos. O Crédito Pessoal Eficiência Energética da Cofidis, por exemplo, permite financiar projetos até 50.000 euros. Se, além de tornar a casa mais eficiente, precisar de realizar outro tipo de obras, pode optar pelo Crédito Pessoal Lar e Recheio.
A principal diferença está na finalidade do financiamento: por se destinar especificamente a projetos de eficiência energética, a primeira opção beneficia de condições mais vantajosas do que um empréstimo pessoal de finalidade geral.
Para projetos de menor dimensão, pode ainda recorrer a linhas de crédito. A Linha de Crédito da Cofidis, por exemplo, permite voltar a utilizar o montante disponível à medida que reembolsa o crédito, sem necessidade de fazer um novo pedido.
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Como escolher o melhor tipo de financiamento?
Antes de recorrer a financiamento, é importante analisar a sua situação financeira e garantir que toma uma decisão de crédito responsável. Para isso, há alguns fatores que deve comparar e ter em conta:
- Avalie a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) e o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC), que indicam, respetivamente, em percentagem e em euros, o custo total do crédito;
- Leia atentamente a Ficha de Informação Normalizada (FIN), onde constam todas as condições do empréstimo;
- Analise o prazo de reembolso e o valor da prestação mensal, tendo em conta que uma mensalidade mais baixa não significa necessariamente um crédito mais barato. Quanto mais longo for o prazo, maior tende a ser o custo total do empréstimo, uma vez que irá pagar juros durante mais tempo;
- Confirme as comissões e outros encargos associados ao crédito;
- Verifique se a prestação é adequada ao seu orçamento familiar e se não provoca um aumento demasiado elevado da sua taxa de esforço.
Checklist final: o que fazer antes de avançar com uma intervenção de eficiência energética?
Antes de avançar, siga estes passos:
- Identifique os principais desperdícios de energia na sua casa;
- Defina prioridades e perceba quais as intervenções mais urgentes;
- Peça vários orçamentos e estime o investimento necessário;
- Calcule a poupança potencial para perceber se o investimento compensa;
- Caso precise de recorrer ao crédito, compare diferentes opções de financiamento;
- E, por fim, escolha uma empresa certificada e com boa reputação para realizar a intervenção.

