ADSE ou seguro de saúde: qual é a melhor opção?
Índice de conteúdos:
- O que é a ADSE e como funciona?
- O que é um seguro de saúde e como funciona?
- ADSE vs. seguro de saúde: quais as principais diferenças?
- Ter ADSE é suficiente ou compensa ter também um seguro de saúde?
- Como tomar uma decisão? 6 fatores a considerar
Existem diferenças significativas entre a ADSE e um seguro de saúde. Saiba que fatores deve considerar se não sabe qual das opções escolher.
Ter um sistema de proteção na área da saúde é essencial para garantir o acesso atempado a cuidados médicos de qualidade. Para quem trabalha no setor público, a escolha recai muitas vezes sobre a ADSE. No entanto, nem sempre o subsistema de saúde do Estado é a opção mais vantajosa e existem situações em que ter um seguro compensa.
Se está indeciso entre aderir (ou manter-se) na ADSE ou subscrever um seguro de saúde, neste artigo comparamos as principais características das duas opções para o ajudar a decidir.
O que é a ADSE e como funciona?
A ADSE – oficialmente Instituto de Proteção e Assistência na Doença, I.P. – é o subsistema de saúde dos trabalhadores da função pública que tem como objetivo garantir que os funcionários do Estado têm acesso a cuidados de saúde a preços mais acessíveis.
Assim, podem beneficiar da ADSE todas as pessoas que trabalham na Administração Pública, bem como os seus familiares:
- Trabalhadores com emprego público a título definitivo e a termo resolutivo;
- Trabalhadores com contrato individual de trabalho, com e sem termo, em qualquer entidade do Estado;
- Professores do ensino particular e cooperativo, desde que haja acordo entre a entidade patronal e a ADSE;
- Reformados do Estado que, na altura da reforma, já eram beneficiários da ADSE e que não estejam abrangidos por outro subsistema de saúde da Administração Pública;
- O cônjuge ou unido de facto há mais de dois anos do titular no ativo ou aposentado. Em caso de falecimento, pode manter o benefício enquanto mantiver a viuvez;
- Descendentes (filhos e enteados) e equiparados (netos, tutelados, adotados e crianças entregues pelo poder judicial ou administrativo) até aos 26 anos, desde que estejam a estudar ou que sofram de incapacidade total e permanente ou de doença prolongada;
- Ascendentes e equiparados com baixos rendimentos que estejam a cargo do titular. No caso de uma pessoa, tem de auferir menos de 60% do salário mínimo; já para um casal, o rendimento tem de ser inferior ao valor do salário mínimo.
Os beneficiários titulares têm de descontar mensalmente uma parte da sua remuneração ou reforma, sendo o desconto automaticamente processado pela entidade empregadora ou pelas entidades responsáveis pelas pensões. Depois, existem duas formas para poderem usufruir de atos médicos a preços mais acessíveis: através da rede ADSE ou do regime livre.
Ao optar por um prestador da rede, só tem como encargo o copagamento, que não é reembolsável. Já no regime livre, pode escolher qualquer prestador de cuidados de saúde não convencionado. Neste caso, suporta todos os custos e, depois, pode pedir à ADSE o reembolso das despesas elegíveis.
O que é um seguro de saúde e como funciona?
Um seguro de saúde cobre os riscos relacionados com a prestação de cuidados médicos por prestadores privados. Tal como em qualquer outro tipo de seguro, existem coberturas (o que está incluído) e exclusões (o que a seguradora não paga).
No contrato são definidas as condições particulares, bem como os limites do seguro. Isto é, o capital anual ou o número de atos médicos a que o segurado tem direito. O valor do seguro (chamado de prémio) é pago, por norma, mensal ou anualmente. Ao contrato de seguro é possível adicionar elementos da família, como o cônjuge ou os filhos.
Tal como na ADSE, os pagamentos dos seguros de saúde também podem ser feitos através de reembolso (quando recorre a um prestador fora da rede convencionada) ou de copagamento (quando vai a um prestador da rede).
ADSE vs. seguro de saúde: quais as principais diferenças?
Na hora de escolher entre a ADSE e um seguro de saúde, é importante compreender que cada opção apresenta características e regras distintas. Geralmente, estas são as principais diferenças:
| ADSE | Seguro de saúde | |
| Duração | Toda a vida | Anual, renovável |
| Limites de idade | Não | Sim |
| Capital seguro | Sem limite | Com limite, variável dependendo da cobertura |
| Número de atos médicos | Depende do ato médico. Alguns não têm limite anual, outros sim | Limitado, depende do contrato com a seguradora |
| Período de carência | Não | Pode ter e a duração varia de contrato para contrato |
| Pré-existências | Não | Sim |
| Pessoas seguras | Titular e familiares. O valor descontado é sempre igual, independentemente do número de beneficiários | Titular e familiares. O valor do prémio depende do número de pessoas seguras |
| Coberturas | Pode beneficiar de qualquer tipo de cuidado. Não existe um pacote pré-definido de coberturas | Por norma, existem pacotes pré-definidos |
| Exclusões | Sim, mas são poucas | Sim, mais do que a ADSE |
| Modalidades de pagamento | Copagamento e reembolso | Copagamento, reembolso ou ambos. Depende do contrato com a seguradora |
| Copagamento | Dependendo do ato médico, pode ser mais ou menos caro do que um seguro | Dependendo do ato médico, pode ser mais ou menos caro do que um seguro |
| Regime livre | Comparticipa 80% da despesa até aos limites máximos definidos na tabela | O valor da comparticipação varia entre seguradoras |
| Preço | Desconto de 3,5% do salário ou pensão | Variável. Depende da idade e do plano escolhido |
| Franquia | Não | Pode ter |
| Parceiros | Rede com mais de 1.600 prestadores | Varia consoante a seguradora |
| Serviços digitais | Focados em reembolsos e pedidos de cartão | Consultas online gratuitas 24/7, e apps para gestão imediata |
| Internamentos | Cobertura base para quarto duplo/partilhado. O acesso ao quarto individual depende da disponibilidade e pode implicar o pagamento de suplementos | Quarto individual garantido na maioria dos planos. Inclui frequentemente cama para acompanhante |
| Assistência domiciliária | Focada em enfermagem e apoio social (higiene/alimentação); medicina domiciliária sujeita a disponibilidade da rede | Focados em conveniência médica: envio de médico ao domicílio 24h ou entrega de medicamentos com copagamentos baixos |
Ter ADSE é suficiente ou compensa ter também um seguro de saúde?
Para responder a esta questão, importa clarificar que a ADSE e o seguro de saúde não são substitutos um do outro.
O subsistema de saúde do Estado é mais vantajoso quando precisa de recorrer frequentemente a serviços de saúde ou já tem alguma condição médica, uma vez que não existem limites ao capital seguro, franquia e período de carência e não há exclusão devido a pré-existências. O facto de a mensalidade ser sempre proporcional ao rendimento, independentemente do número de beneficiários, também é uma vantagem.
Já o seguro de saúde compensa se pretende ter acesso a uma rede mais alargada de prestadores., ou se quer coberturas extra, mais específicas e abrangentes, como de saúde mental ou medicina dentária.
O ideal, se possível, será ter ambas as opções, que podem ser usadas de forma complementar para conseguir um nível de proteção mais elevado.
Como tomar uma decisão? 6 fatores a considerar
Para escolher a opção mais adequada às suas necessidades, há alguns aspetos que deve ter em consideração, nomeadamente:
- Orçamento disponível: um seguro de saúde implica o pagamento de um prémio (geralmente anual ou mensal), que varia consoante a idade, coberturas escolhidas e seguradora, e que tem tendência a aumentar ao longo do tempo. Já a ADSE funciona com um desconto fixo sobre o rendimento, o que pode ser mais previsível, especialmente se tem um orçamento mais limitado;
- Nível salarial: na ADSE, quanto mais ganha, mais paga, uma vez que o desconto é uma percentagem (3,5%) e não um valor fixo. Para ordenados muito elevados, o valor mensal pode acabar por ser superior ao de um seguro de saúde premium. Nos seguros, o custo é calculado com base no risco e idade, sendo indiferente se o seu salário sobe ou desce;
- Perfil de utilização: se precisa de recorrer frequentemente a consultas e exames, a ADSE será provavelmente mais vantajosa. Por outro lado, se faz uma utilização pontual dos serviços de saúde, um seguro básico, como o Médis Light comercializado pela Cofidis, por exemplo, pode ser suficiente;
- Idade: com a ADSE, além de não existirem limites mínimos ou máximos, o preço também não depende da idade. Por outro lado, os seguros de saúde tendem a aumentar o valor do prémio à medida que o segurado vai envelhecendo;
- Agregado familiar: tanto a ADSE como os seguros permitem incluir familiares nos contratos. No caso da ADSE, não paga mais por isso, mas implica o cumprimento de condições específicas;
- Rede de prestadores: os seguros de saúde oferecem, em regra, maior flexibilidade na escolha de médicos, clínicas e hospitais privados, uma vez que costumam disponibilizar uma rede mais alargada de prestadores do que a ADSE. Se prefere escolher livremente os prestadores, ter um seguro de saúde é mais vantajoso;
- Liberdade de alteração: pode facilmente alterar as condições de um seguro de saúde ou até mudar de seguradora. Se optar pela ADSE, deve ter em conta que, se desistir, fica impossibilitado de voltar a aderir ao subsistema de saúde do Estado;
- Assistência em viagem: se viaja com frequência, os seguros de saúde privados costumam oferecer coberturas internacionais mais robustas e automáticas (incluindo repatriamento). Na ADSE, embora possa utilizar o Cartão Europeu de Seguro de Doença, o processo de reembolso para despesas fora da rede ou fora da Europa pode ser mais complexo e limitado.
A escolha entre a ADSE ou um seguro de saúde depende, em grande parte, das suas necessidades específicas, do seu orçamento e da forma como utiliza os serviços de saúde. Antes de tomar a sua decisão, é importante que investigue as duas opções e que faça várias simulações de seguros (pode recorrer ao nosso Simulador de Seguros, por exemplo), para perceber qual é a solução mais vantajosa tendo em conta o que precisa.