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ADSE ou seguro de saúde: qual é a melhor opção?

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Daniela Cunha
Daniela Cunha
Descubra as diferenças entre a ADSE e um seguro de saúde e saiba o que considerar para escolher a opção mais indicada para si

Índice de conteúdos:

  1. O que é a ADSE e como funciona?
  2. O que é um seguro de saúde e como funciona?
  3. ADSE vs. seguro de saúde: quais as principais diferenças?
  4. Ter ADSE é suficiente ou compensa ter também um seguro de saúde?
  5. Como tomar uma decisão? 6 fatores a considerar

Existem diferenças significativas entre a ADSE e um seguro de saúde. Saiba que fatores deve considerar se não sabe qual das opções escolher.

Ter um sistema de proteção na área da saúde é essencial para garantir o acesso atempado a cuidados médicos de qualidade. Para quem trabalha no setor público, a escolha recai muitas vezes sobre a ADSE. No entanto, nem sempre o subsistema de saúde do Estado é a opção mais vantajosa e existem situações em que ter um seguro compensa.

Se está indeciso entre aderir (ou manter-se) na ADSE ou subscrever um seguro de saúde, neste artigo comparamos as principais características das duas opções para o ajudar a decidir.

O que é a ADSE e como funciona?

A ADSE – oficialmente Instituto de Proteção e Assistência na Doença, I.P. – é o subsistema de saúde dos trabalhadores da função pública que tem como objetivo garantir que os funcionários do Estado têm acesso a cuidados de saúde a preços mais acessíveis.

Assim, podem beneficiar da ADSE todas as pessoas que trabalham na Administração Pública, bem como os seus familiares:

  • Trabalhadores com emprego público a título definitivo e a termo resolutivo;
  • Trabalhadores com contrato individual de trabalho, com e sem termo, em qualquer entidade do Estado;
  • Professores do ensino particular e cooperativo, desde que haja acordo entre a entidade patronal e a ADSE;
  • Reformados do Estado que, na altura da reforma, já eram beneficiários da ADSE e que não estejam abrangidos por outro subsistema de saúde da Administração Pública;
  • O cônjuge ou unido de facto há mais de dois anos do titular no ativo ou aposentado. Em caso de falecimento, pode manter o benefício enquanto mantiver a viuvez;
  • Descendentes (filhos e enteados) e equiparados (netos, tutelados, adotados e crianças entregues pelo poder judicial ou administrativo) até aos 26 anos, desde que estejam a estudar ou que sofram de incapacidade total e permanente ou de doença prolongada;
  • Ascendentes e equiparados com baixos rendimentos que estejam a cargo do titular. No caso de uma pessoa, tem de auferir menos de 60% do salário mínimo; já para um casal, o rendimento tem de ser inferior ao valor do salário mínimo.

Os beneficiários titulares têm de descontar mensalmente uma parte da sua remuneração ou reforma, sendo o desconto automaticamente processado pela entidade empregadora ou pelas entidades responsáveis pelas pensões. Depois, existem duas formas para poderem usufruir de atos médicos a preços mais acessíveis: através da rede ADSE ou do regime livre.

Ao optar por um prestador da rede, só tem como encargo o copagamento, que não é reembolsável. Já no regime livre, pode escolher qualquer prestador de cuidados de saúde não convencionado. Neste caso, suporta todos os custos e, depois, pode pedir à ADSE o reembolso das despesas elegíveis.

O que é um seguro de saúde e como funciona?

Um seguro de saúde cobre os riscos relacionados com a prestação de cuidados médicos por prestadores privados. Tal como em qualquer outro tipo de seguro, existem coberturas (o que está incluído) e exclusões (o que a seguradora não paga).

No contrato são definidas as condições particulares, bem como os limites do seguro. Isto é, o capital anual ou o número de atos médicos a que o segurado tem direito. O valor do seguro (chamado de prémio) é pago, por norma, mensal ou anualmente. Ao contrato de seguro é possível adicionar elementos da família, como o cônjuge ou os filhos.

Tal como na ADSE, os pagamentos dos seguros de saúde também podem ser feitos através de reembolso (quando recorre a um prestador fora da rede convencionada) ou de copagamento (quando vai a um prestador da rede).

ADSE vs. seguro de saúde: quais as principais diferenças?

Na hora de escolher entre a ADSE e um seguro de saúde, é importante compreender que cada opção apresenta características e regras distintas. Geralmente, estas são as principais diferenças:

ADSESeguro de saúde
DuraçãoToda a vidaAnual, renovável
Limites de idadeNãoSim
Capital seguroSem limiteCom limite, variável dependendo da cobertura
Número de atos médicosDepende do ato médico. Alguns não têm limite anual, outros simLimitado, depende do contrato com a seguradora
Período de carênciaNãoPode ter e a duração varia de contrato para contrato
Pré-existênciasNãoSim
Pessoas segurasTitular e familiares. O valor descontado é sempre igual, independentemente do número de beneficiáriosTitular e familiares. O valor do prémio depende do número de pessoas seguras
CoberturasPode beneficiar de qualquer tipo de cuidado. Não existe um pacote pré-definido de coberturasPor norma, existem pacotes pré-definidos
ExclusõesSim, mas são poucasSim, mais do que a ADSE
Modalidades de pagamentoCopagamento e reembolsoCopagamento, reembolso ou ambos. Depende do contrato com a seguradora
CopagamentoDependendo do ato médico, pode ser mais ou menos caro do que um seguroDependendo do ato médico, pode ser mais ou menos caro do que um seguro
Regime livreComparticipa 80% da despesa até aos limites máximos definidos na tabelaO valor da comparticipação varia entre seguradoras
PreçoDesconto de 3,5% do salário ou pensãoVariável. Depende da idade e do plano escolhido
FranquiaNãoPode ter
ParceirosRede com mais de 1.600 prestadoresVaria consoante a seguradora
Serviços digitaisFocados em reembolsos e pedidos de cartãoConsultas online gratuitas 24/7, e apps para gestão imediata
InternamentosCobertura base para quarto duplo/partilhado. O acesso ao quarto individual depende da disponibilidade e pode implicar o pagamento de suplementosQuarto individual garantido na maioria dos planos. Inclui frequentemente cama para acompanhante
Assistência domiciliáriaFocada em enfermagem e apoio social (higiene/alimentação); medicina domiciliária sujeita a disponibilidade da redeFocados em conveniência médica: envio de médico ao domicílio 24h ou entrega de medicamentos com copagamentos baixos

Ter ADSE é suficiente ou compensa ter também um seguro de saúde?

Para responder a esta questão, importa clarificar que a ADSE e o seguro de saúde não são substitutos um do outro.

O subsistema de saúde do Estado é mais vantajoso quando precisa de recorrer frequentemente a serviços de saúde ou já tem alguma condição médica, uma vez que não existem limites ao capital seguro, franquia e período de carência e não há exclusão devido a pré-existências. O facto de a mensalidade ser sempre proporcional ao rendimento, independentemente do número de beneficiários, também é uma vantagem.

Já o seguro de saúde compensa se pretende ter acesso a uma rede mais alargada de prestadores., ou se quer coberturas extra, mais específicas e abrangentes, como de saúde mental ou medicina dentária.

O ideal, se possível, será ter ambas as opções, que podem ser usadas de forma complementar para conseguir um nível de proteção mais elevado.

Como tomar uma decisão? 6 fatores a considerar

Para escolher a opção mais adequada às suas necessidades, há alguns aspetos que deve ter em consideração, nomeadamente:

  1. Orçamento disponível: um seguro de saúde implica o pagamento de um prémio (geralmente anual ou mensal), que varia consoante a idade, coberturas escolhidas e seguradora, e que tem tendência a aumentar ao longo do tempo. Já a ADSE funciona com um desconto fixo sobre o rendimento, o que pode ser mais previsível, especialmente se tem um orçamento mais limitado;
  1. Nível salarial: na ADSE, quanto mais ganha, mais paga, uma vez que o desconto é uma percentagem (3,5%) e não um valor fixo. Para ordenados muito elevados, o valor mensal pode acabar por ser superior ao de um seguro de saúde premium. Nos seguros, o custo é calculado com base no risco e idade, sendo indiferente se o seu salário sobe ou desce;
  1. Perfil de utilização: se precisa de recorrer frequentemente a consultas e exames, a ADSE será provavelmente mais vantajosa. Por outro lado, se faz uma utilização pontual dos serviços de saúde, um seguro básico, como o Médis Light comercializado pela Cofidis, por exemplo, pode ser suficiente;
  1. Idade: com a ADSE, além de não existirem limites mínimos ou máximos, o preço também não depende da idade. Por outro lado, os seguros de saúde tendem a aumentar o valor do prémio à medida que o segurado vai envelhecendo;
  1. Agregado familiar: tanto a ADSE como os seguros permitem incluir familiares nos contratos. No caso da ADSE, não paga mais por isso, mas implica o cumprimento de condições específicas;
  1. Rede de prestadores: os seguros de saúde oferecem, em regra, maior flexibilidade na escolha de médicos, clínicas e hospitais privados, uma vez que costumam disponibilizar uma rede mais alargada de prestadores do que a ADSE. Se prefere escolher livremente os prestadores, ter um seguro de saúde é mais vantajoso;
  1. Liberdade de alteração: pode facilmente alterar as condições de um seguro de saúde ou até mudar de seguradora. Se optar pela ADSE, deve ter em conta que, se desistir, fica impossibilitado de voltar a aderir ao subsistema de saúde do Estado; 
  1. Assistência em viagem: se viaja com frequência, os seguros de saúde privados costumam oferecer coberturas internacionais mais robustas e automáticas (incluindo repatriamento). Na ADSE, embora possa utilizar o Cartão Europeu de Seguro de Doença, o processo de reembolso para despesas fora da rede ou fora da Europa pode ser mais complexo e limitado.

A escolha entre a ADSE ou um seguro de saúde depende, em grande parte, das suas necessidades específicas, do seu orçamento e da forma como utiliza os serviços de saúde. Antes de tomar a sua decisão, é importante que investigue as duas opções e que faça várias simulações de seguros (pode recorrer ao nosso Simulador de Seguros, por exemplo), para perceber qual é a solução mais vantajosa tendo em conta o que precisa.

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