Impostos

Atualização dos escalões de IRS 2026: conheça os novos valores

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Olga Teixeira
Olga Teixeira

Os escalões de IRS (ou escalões do rendimento coletável) são uma parte fundamental no cálculo do imposto a pagar ou a receber pelos contribuintes. Atualmente, existem nove escalões, sendo que o primeiro aplica-se aos rendimentos mais baixos e o último aos mais elevados.

Cada escalão corresponde a um intervalo de rendimentos, com uma taxa associada. Assim, como o IRS é um imposto progressivo, quanto mais se recebe, maior é a taxa aplicada. Isto significa que uma taxa mais elevada pode levar a que pague mais imposto ou, em alguns casos, receba um menor reembolso, dependendo das deduções e das retenções na fonte efetuadas ao longo do ano.

Os escalões de IRS para 2026, em vigor desde o início do ano, foram alvo de uma redução das taxas anunciada em setembro, com descidas até ao 6.º escalão. Esta alteração poderá traduzir-se num alívio fiscal na declaração a entregar no próximo ano. Conheça os valores que deve ter em conta.

O que são os escalões de IRS?

Os escalões de IRS são intervalos de rendimentos anuais aos quais se aplicam taxas (a normal e a média), de uma forma proporcional ao volume do rendimento coletável.

A aplicação destas taxas é, por isso, importante para o cálculo do imposto, mas há outros valores que entram nas contas para saber se o contribuinte tem direito a reembolso ou se terá de pagar ao Estado.

Atualmente existem nove escalões, mas até 2017 eram apenas cinco. Desde então tem existido um desdobramento, de forma a que a aplicação das taxas seja mais justa e não penalize quem recebe rendimentos médios.

O que é o rendimento coletável?

O rendimento coletável corresponde à soma de todos os rendimentos obtidos durante o ano anterior que estão sujeitos a IRS, após a aplicação das deduções específicas para cada categoria. Entre estes rendimentos incluem-se, por exemplo, os do trabalho, prediais e de capitais.

É sobre este rendimento coletável que são aplicadas as taxas correspondentes ao escalão em que o contribuinte se enquadra.

Tenha em atenção que, no caso da declaração de IRS a apresentar em 2027, o cálculo do imposto é feito com base nos escalões de rendimento de 2026, uma vez que é a esse ano que respeitam os rendimentos a tributar.

Como funcionam os escalões de IRS?

Depois de determinado o rendimento coletável, este é encaixado num dos nove escalões de rendimentos, para definir a taxa de IRS aplicável.

No entanto, nem todo o rendimento coletável é tributado à mesma taxa, pois cada escalão possui uma taxa normal e uma taxa média. Desta forma, os contribuintes cujo rendimento seja superior a 8.342 euros (que é o limite para o 1.º escalão) estão sujeitos a duas taxas:

  • A taxa normal, que é aplicada apenas à parte do rendimento que ultrapassa o limite do escalão anterior;
  • E a taxa média, que corresponde ao valor efetivo de IRS a pagar em relação ao total do rendimento do escalão.

Como saber em que escalão está?

Para saber qual é o seu escalão de rendimentos, é necessário calcular o seu rendimento coletável, ou seja, o rendimento bruto anual menos as deduções específicas de cada categoria de rendimentos. O valor obtido determinará o escalão em que se encontra e será sobre esse montante que incidirão as taxas de IRS.

As deduções específicas dependem da categoria de rendimentos. Por exemplo, para rendimentos de trabalho dependente ou pensões, a dedução específica em 2026 é de 4.587,09 euros.

Assim, se o seu rendimento bruto anual em 2026 for de 25.000 euros, o rendimento coletável (após as deduções específicas) será de 20.412 euros, o que o coloca no 4.º escalão do IRS.

No caso de casais que optem pela tributação conjunta, deve somar-se o rendimento bruto anual de ambos os elementos, subtrair as respetivas deduções específicas e, por fim, dividir o resultado por dois, obtendo assim o rendimento coletável individual.

Como saber qual a taxa que lhe é aplicada?

Há que ter em conta que nem todo o rendimento coletável está sujeito à mesma taxa. De acordo com o Código do IRS, se o valor obtido num ano for superior ao 1.º escalão (até 8.342 euros), é dividido em duas partes para calcular o imposto.

Ou seja, o rendimento coletável pode ser dividido entre escalões, sendo que a parte que cabe dentro de um escalão é tributada pela taxa correspondente a esse escalão, e a parte que excede esse limite é tributada pela taxa do escalão imediatamente superior.

Por exemplo, para um rendimento coletável de 25.000 euros:

  • A 23.089 euros é aplicada a taxa média do 4.º escalão, que é de 17,277%, o que corresponde a 3.989 euros;
  • Ao valor excedente (1.911 euros) é aplicada a taxa normal do 5.º escalão (30,60%), o que dá um valor de 584,766 euros.

Somando os dois valores, o contribuinte fica com uma coleta de 4.573,85      euros. Este é o valor do imposto que poderá ter de pagar, mas serão ainda subtraídos os valores já descontados através de retenção na fonte e as deduções à coleta (por exemplo, com despesas de saúde ou de acordo com o número de dependentes) apresentadas na declaração de IRS.

Depois de feitas as contas, a Autoridade Tributária determina se há lugar a reembolso ou se é necessário pagar imposto.

Quais são os escalões de IRS em 2026?

Os escalões de IRS foram atualizados em setembro de 2026, com uma redução entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais até ao 6.º escalão. Assim serão estas as taxas ter em conta quando entregar a declaração em 2027:

EscalãoRendimento coletável (€)Taxa normal (%)Taxa média (%)
1.ºAté 8.342€12,20%12,20%
2.º8.342€ – 12 587€15,20%13,212%
3.º12.587€ – 17.838€ 20,70% 15,416%
4.º17.838€ – 23.089€ 23,60% 17,277%
5.º23.089€ – 29.397€  30,60% 20,136%
6.º29.397€ – 43.090€ 34,60% 24,732%
7.º43.090€ – 46.566€43,10%26,103%
8.º46.566€ – 86.634€44,60%34,658%
9.ºMais de 86.634€48,00% N/A

O que irá acontecer aos escalões de IRS em 2027?

Em 2027, os escalões de IRS vão ser novamente atualizados, com base numa fórmula automática que tem em conta a inflação e a produtividade.

Assim, de acordo com a Portaria n.º 455/2026/1, os limites dos escalões deverão subir 3,88%, não existindo alteração nas taxas a aplicar. Esta alteração está também prevista na proposta de Orçamento do Estado para 2027, que ainda será discutida na Assembleia da República.

Qual é a diferença entre escalões de IRS e retenção na fonte?

Por vezes, existe alguma confusão entre os escalões de IRS e as tabelas de retenção na fonte. Embora ambos digam respeito ao mesmo imposto e sejam usados para calcular o valor a pagar, são coisas diferentes.

Como vimos, os escalões do IRS servem para calcular, através da aplicação de diferentes taxas consoante os rendimentos, o valor que o contribuinte terá de pagar no final do ano fiscal, após entregar a sua declaração de IRS.

Já as tabelas de retenção na fonte determinam qual o valor a descontar mensalmente. Este valor tem em conta não só o tipo de rendimento (por exemplo, trabalho dependente ou pensões), mas também o facto de o contribuinte ser ou não casado, o número de dependentes ou ser portador de deficiência.

Em resumo, a retenção na fonte serve para determinar os descontos mensais, de forma a antecipar o que deve ser o imposto anual a pagar. No entanto, o valor final só é apurado quando se entrega a declaração de IRS, com base nos rendimentos anuais declarados e nas deduções, fazendo posteriormente a comparação entre esse montante e o valor das retenções.

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