El Niño: como proteger a casa e o carro de tempestades e cheias?
O El Niño é um fenómeno climático que pode influenciar os padrões meteorológicos em várias regiões do mundo, aumentando o risco de fenómenos extremos. Mas que impacto poderá ter em Portugal? E que cuidados deve adotar para proteger a sua casa e o carro de tempestades e cheias?
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) tem alertado para os possíveis efeitos do El Niño e para o risco de fenómenos meteorológicos extremos. E a verdade é que, depois das tempestades que marcaram o início de 2026, é natural que estas notícias causem alguma preocupação e levantem dúvidas sobre a possibilidade de novos episódios de mau tempo.
No entanto, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) lembra que, de acordo com os dados de que dispõe, os efeitos do El Niño em Portugal não deverão ser diretos nem estatisticamente significativos.
Ainda assim, e porque mais vale prevenir do que remediar, é importante garantir que a sua casa e o carro estão protegidos para enfrentar possíveis tempestades e cheias durante o outono e o inverno. Saiba que cuidados deve adotar para reduzir os riscos e minimizar os danos.
O que é o El Niño e quais os seus efeitos?
O El Niño é um fenómeno climático que ocorre com alguma regularidade, em intervalos de dois a sete anos, e que pode perturbar o clima mundial durante vários meses. Caracteriza-se pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que pode começar a intensificar-se durante a primavera.
Este aquecimento provoca alterações nos padrões de vento, pressão atmosférica e precipitação, aumentando, em determinadas regiões, a probabilidade de chuvas intensas, tempestades e ondas de calor. Estes fenómenos podem, por sua vez, provocar cheias e inundações, secas, destruição de colheitas, fome, perda de vidas e elevados danos materiais.
As previsões apontam para a ocorrência do El Niño em 2026. Segundo a OMM, a Atualização Global do Clima Sazonal mais recente, datada de 21 de outubro, prevê que, no epicentro do fenómeno (zona do Pacífico tropical), as temperaturas da superfície do mar possam atingir valores 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
África Oriental e Austral, Sudeste Asiático e Américas estão entre as regiões onde os efeitos do fenómeno poderão ser mais intensos. No entanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que as consequências não se limitam aos países diretamente afetados, podendo também provocar impactos na economia global, impulsionar novos conflitos e contribuir para deslocações populacionais e migrações.
| Porquê “El Niño”? O El Niño é uma das fases do fenómeno climático El Niño-Oscilação do Sul (ENOS). O nome é uma alusão ao Menino Jesus e foi atribuído por marinheiros e pescadores, que começavam a sentir os seus efeitos por volta da época do Natal. |
Como pode o El Niño afetar o tempo em Portugal?
Segundo o IPMA, as previsões de diversos modelos sazonais apontam para uma probabilidade superior a 99% de o El Niño persistir até ao início de 2027. Além disso, existe uma probabilidade superior a 80% de o fenómeno atingir uma intensidade muito forte.
Apesar destas previsões, o IPMA não antecipa efeitos diretos ou estatisticamente significativos em Portugal. Contudo, continuará a acompanhar a evolução do fenómeno e a divulgar atualizações relevantes. Ou seja, para já, não existem indicações de que o El Niño venha a ter um impacto direto significativo no clima português.
Que riscos podem as tempestades e as cheias representar para a sua casa e automóvel?
As tempestades, cheias e ventos fortes podem provocar danos materiais significativos e prejuízos elevados. Portugal conhece bem esta realidade. Até junho de 2026, tinham sido pagos 24 milhões de euros em indemnizações por danos em habitações causados pela tempestade Kristin, embora os prejuízos totais tenham sido estimados em cerca de seis mil milhões de euros.
Entre as principais consequências destes fenómenos meteorológicos estão:
- Inundações;
- Danos em telhados e janelas;
- Infiltrações;
- Trovoadas fortes;
- Queda de árvores e outras estruturas;
- Alagamento de estradas;
- Acidentes rodoviários;
- Falhas de energia;
- Danos em veículos, habitações e empresas;
- Destruição de colheitas.
Como proteger a casa e o automóvel de danos causados por tempestades?
Embora nem sempre seja possível evitar todos os danos causados por tempestades, sobretudo quando são particularmente intensos e imprevisíveis, existem algumas medidas que podem ajudar a minimizar os riscos e os prejuízos. Por exemplo:
- Limpar as caleiras e os sistemas de escoamento de águas;
- Verificar o estado dos telhados e das janelas;
- Fixar os objetos que se encontram no exterior;
- Recolher móveis de jardim e outros equipamentos que possam ser arrastados pelo vento;
- Aparar ramos de árvores que possam cair sobre casas, automóveis ou cabos de eletricidade;
- Evitar estacionar em zonas propensas a inundações ou junto de árvores;
- Evitar circular de automóvel quando as condições meteorológicas são adversas.
Contudo, apesar de todos os cuidados, há situações em que os danos são inevitáveis. Nesses casos, ter seguros para a casa e para o carro com coberturas adequadas pode fazer a diferença, ajudando a suportar os prejuízos e a recuperar dos danos causados.
Que coberturas do seguro multirriscos protegem a casa contra tempestades e cheias?
No caso das habitações, o seguro multirriscos é uma das principais formas de garantir proteção financeira perante os danos causados por tempestades e cheias, permitindo, consoante as coberturas contratadas, suportar os custos de reparação ou receber uma indemnização. É também por isso que está a ser estudada a possibilidade de tornar obrigatório um seguro contra calamidades, que proteja as habitações em caso de tempestades, sismos e outros fenómenos naturais.
Para garantir uma proteção adequada, é essencial que escolha as coberturas certas. Por exemplo, o seguro de incêndio – obrigatório para proprietários de apartamentos – não pode ser acionado para tempestades. Assim, o ideal é ter um seguro multirriscos que inclua coberturas como tempestades, inundações, danos por água e outros fenómenos naturais.
Alguns seguros, como o Seguro Multirriscos da Cofidis, disponibilizam ainda coberturas adicionais que podem ser úteis nestas situações, como assistência ao lar, privação temporária da habitação, proteção de equipamento informático de uso pessoal ou deterioração de bens refrigerados.
Antes de contratar um seguro para a sua casa, é igualmente importante analisar as condições da apólice, nomeadamente as exclusões (situações que não estão cobertas), o capital seguro, as franquias e os limites de indemnização.
O seguro automóvel cobre os danos provocados por tempestades e inundações?
Depende do seguro e das coberturas contratadas. O seguro automóvel mais básico (isto é, o seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel) só cobre os danos corporais e materiais causados a terceiros e às pessoas transportadas em caso de acidente, ficando de fora os danos provocados por tempestades e inundações no próprio veículo.
Para garantir uma maior proteção contra tempestades e outros fenómenos naturais, é importante ter um seguro automóvel mais completo, que inclua coberturas adicionais, como a de fenómenos da natureza. No caso do Seguro Automóvel da Cofidis, esta é uma das seis coberturas opcionais que pode escolher.
O que fazer se a sua casa ou o automóvel sofrer danos devido ao mau tempo?
Em ambos os casos, a prioridade é manter-se em segurança até que o perigo tenha passado. Quando tudo estiver mais calmo e já for seguro sair ou circular na estrada, o primeiro passo é avaliar os danos e fazer um registo fotográfico dos prejuízos.
Depois de reunir todas as provas, deve contactar a seguradora e fazer a participação do sinistro, comunicando o que aconteceu e os danos sofridos. Posteriormente, a seguradora poderá realizar uma peritagem para avaliar os prejuízos e, caso estejam abrangidos pelas coberturas contratadas, avançar com a reparação dos danos ou o pagamento de uma indemnização.
Uma nota muito importante: guarde todas as fotografias, documentos e comunicações feitas com a seguradora até que o processo esteja concluído.

