Glide Path: a estratégia de investimento que protege a reforma
O Glide Path é uma estratégia de investimento que ajusta progressivamente a composição e o nível de risco de uma carteira à medida que o investidor se aproxima do seu objetivo, como a reforma.
O termo vem da aviação e refere-se à trajetória de uma aeronave na aproximação à pista. Nos investimentos, a lógica é semelhante: à medida que se aproxima o momento de utilizar o dinheiro acumulado, a carteira de investimentos pode ser ajustada para assumir menos risco e proteger o património.
Assim, no planeamento da reforma, o Glide Path define como a distribuição dos ativos pode mudar ao longo do tempo, passando, por exemplo, de uma maior exposição a ativos de risco para investimentos mais conservadores. O objetivo é acompanhar a evolução do investidor e reduzir o impacto de eventuais perdas numa fase em que há menos tempo para recuperar.
Neste artigo, explicamos como funciona o Glide Path, como evolui a composição da carteira ao longo do tempo e de que forma esta estratégia pode ser utilizada no planeamento da reforma.
Glide path: o que é esta estratégia de investimento?
O Glide Path é uma estratégia de investimento dinâmica, em que a composição da carteira vai sendo ajustada à medida que o investidor se aproxima dos objetivos financeiros definidos. Existem três tipos de trajetórias, que se distinguem pela forma como gerem o risco ao longo do tempo:
- Decrescente: é a mais comum e a mais utilizada no planeamento da reforma, já que a exposição ao risco vai diminuindo à medida que o investidor se aproxima do objetivo;
- Estática: a alocação dos ativos mantém-se igual ao longo de todo o horizonte de investimento, sem alterações significativas no nível de risco;
- Crescente: é a menos comum, uma vez que a exposição ao risco aumenta à medida que o investidor se aproxima do final do horizonte de investimento.
Como a trajetória decrescente é a mais comum no planeamento da reforma, será o foco principal deste artigo. Ainda assim, a estratégia mais adequada depende sempre dos objetivos, do horizonte temporal e do perfil de risco de cada investidor. Por isso, antes de escolher uma estratégia ou os ativos que pretende incluir na sua carteira, pode ser importante procurar aconselhamento especializado.
Como funciona o modelo decrescente no Glide Path?
Na abordagem decrescente, o nível de risco da carteira de investimentos vai diminuindo à medida que o investidor se aproxima do seu objetivo. A analogia com um avião a preparar-se para aterrar ajuda a perceber esta lógica: quanto mais perto está da pista, maior é a necessidade de controlar o voo.
Se, por exemplo, o objetivo é preparar a reforma, é natural que, com a aproximação desta fase, o investidor adote uma estratégia mais conservadora. Desta forma, procura reduzir o risco de perder uma parte significativa do património acumulado numa altura em que terá menos tempo para recuperar eventuais perdas.
Assim, no início do percurso – por exemplo, durante a juventude –, é comumoptar por ativos mais voláteis,como ações. Isto porque um horizonte de investimento mais longo permite suportar melhor as oscilações do mercado e recuperar de eventuais perdas.
A meio do percurso, já na meia-idade, a tolerância ao risco pode diminuir. A carteira tende, por isso, a tornar-se mais equilibrada, combinando ativos com diferentes níveis de risco e potencial de retorno.
Nos anos finais da vida ativa, quando a reforma se aproxima, a prioridade passa a ser, tendencialmente, preservar o património acumulado. Por isso, os ativos de menor risco podem ganhar maior peso na carteira, incluindo, por exemplo, Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro.
Porque é importante ajustar os investimentos à medida que se aproxima da reforma?
Além da tendência para assumir menos risco à medida que se aproxima da reforma, os investidores que estão mais perto deste objetivo têm, regra geral, mais património acumulado e menos tempo para recuperar de eventuais perdas.
Imagine, por exemplo, um investidor que está a poucos anos da reforma e cuja carteira é composta exclusivamente por ações,ainda que diversificadas. Um eventual crash nos mercados, provocado por uma situação com impacto global, como a crise financeira de 2008, pode levar a uma desvalorização significativa dos seus investimentos. Neste caso, além de sofrer uma perda de valor, o investidor terá menos tempo para esperar pela recuperação dos mercados, uma vez que a reforma está próxima.
É por isso que, quando o objetivo é preparar a reforma, o Glide Path prevê, tendencialmente, uma redução gradual da exposição ao risco à medida que esse objetivo se aproxima. Desta forma, procura-se proteger o património acumulado e reduzir o impacto que uma eventual queda dos mercados possa ter numa fase em que há menos tempo para recuperar.
O Glide Path termina quando chega a reforma?
Não necessariamente, até porque, com o aumento da esperança média de vida, a reforma pode prolongar-se por várias décadas. Por isso, mesmo depois de atingir a idade da reforma, pode continuar a investir e a gerir o património que acumulou, ajustando a estratégia às suas novas necessidades e ao tempo que ainda espera precisar do dinheiro.
Importa referir que a gestão e rentabilização do património acumulado pode também ajudar acombater os efeitos da inflação e a preservar o poder de compra ao longo da reforma. Além disso, os investimentos podem contribuir para gerar umrendimento complementar.
Assim, o Glide Path não tem necessariamente de terminar no momento da reforma. O que muda é o objetivo da estratégia: depois de acumular património, a prioridade pode passar de maximizar o crescimento para equilibrar a preservação do capital, o risco e a necessidade de gerar rendimento.
Quais são as vantagens e limitações do Glide Path?
A estratégia Glide Path pode trazer várias vantagens, sobretudo quando é utilizada para objetivos de longo prazo, como o planeamento da reforma.
Entre as principais vantagens estão:
- Redução gradual do risco, no caso da abordagem decrescente;
- Adaptação da carteira ao longo do ciclo de vida, acompanhando a evolução do horizonte de investimento;
- Maior proteção do património acumulado, à medida que o objetivo se aproxima;
- Menor dependência de decisões emocionais, uma vez que as alterações à carteira são definidas antecipadamente;
- Alinhamento com objetivos de longo prazo, como a preparação da reforma.
Ainda assim, o Glide Path também apresenta algumas limitações:
- Pode ser pouco personalizado quando assenta apenas na idade ou no tempo que falta para atingir o objetivo, sem considerar o perfil de risco, a situação financeira ou as necessidades individuais do investidor;
- Pode não responder adequadamente a alterações inesperadas do mercado, sobretudo quando a estratégia é seguida de forma rígida;
- Não tem necessariamente em conta mudanças na situação pessoal, como desemprego, reforma antecipada ou necessidade inesperada de utilizar o património;
- Pode limitar a flexibilidade da carteira, caso o investidor não reveja regularmente a estratégia em função dos seus objetivos e circunstâncias.
Como aplicar esta estratégia na prática?
O Glide Path não tem uma fórmula única. A forma como a carteira evolui depende de fatores como os objetivos financeiros, o horizonte temporal, o património, a idade e a tolerância ao risco. Por isso, a estratégia deve ser adaptada a cada investidor e revista à medida que o objetivo se aproxima.
Também é importante ter presente que todos os investimentos envolvem riscos. O Glide Path ajuda a gerir a exposição ao risco ao longo do tempo, mas não elimina a possibilidade de perdas.
Ainda assim, se o seu objetivo é planear a reforma, estes são alguns passos para começar:
- Definir a idade prevista para a reforma;
- Estabelecer os objetivos financeiros que pretende atingir;
- Identificar o seu perfil de investidor;
- Escolher uma estratégia de alocação de ativos adequada ao horizonte temporal;
- Rever periodicamente a composição da carteira e ajustá-la à medida que se aproxima da reforma;
- Procurar aconselhamento especializado para selecionar os ativos mais adequados em cada fase do percurso.
