Quanto custa uma escritura de imóvel? Saiba como poupar
Índice de conteúdos:
- O que é e como funciona a escritura de imóvel?
- Quanto custa uma escritura de imóvel?
- Que custos existem na compra de uma casa?
- Que documentos são necessários para fazer uma escritura de imóvel?
- Como poupar na escritura da casa?
- A Garantia Pública para jovens reduz os custos da escritura?
Comprar casa implica várias despesas além do preço do imóvel. Por isso, saber quanto custa uma escritura de imóvel é essencial para preparar o orçamento e evitar surpresas.
O valor a pagar depende de vários fatores, desde o preço do imóvel até à forma escolhida para realizar o processo. Saiba quanto pode ter de pagar, quais os documentos necessários e como poupar nesta despesa.
Escritura de imóvel: o que é e como funciona?
A escritura de um imóvel é o documento que formaliza a transmissão da propriedade, confirmando que o comprador passa a ser, legalmente e para efeitos fiscais, o novo proprietário.
Por exemplo, quando compra casa com recurso ao crédito habitação, é no dia da escritura que o banco disponibiliza o financiamento. Antes da assinatura, são verificados alguns pressupostos legais para confirmar se a transação pode ser feita, nomeadamente se o vendedor tem legitimidade para vender o imóvel ou se existe alguma hipoteca sobre a propriedade. Após a escritura, o imóvel é registado em nome do novo proprietário.
A escritura de um imóvel pode ser realizada em diferentes locais:
- Cartórios notariais ou escritórios de advogados;
- Balcão Único da Conservatória do Registo Predial;
- Balcões do serviço Casa Pronta.
Há alternativas à escritura de um imóvel?
Sim. A lei permite que alguns negócios, incluindo transações imobiliárias, sejam formalizadas através de Documento Particular Autenticado (DPA). Neste caso, o procedimento é diferente do de uma escritura pública.
Na prática, o DPA é assinado pelas partes, autenticado por um advogado ou solicitador e, posteriormente, comunicado eletronicamente através da plataforma Predial Online, acessível também pelo portal gov.pt. Dessa forma, não é necessário apresentar o documento em papel perante entidades públicas ou privadas. Esta alternativa também tem custos, mas pode tornar o processo mais simples.
O que diz a lei? O artigo 875.º do Código Civil determina que um contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública ou por documento particular autenticado. Ou seja, sem uma destas formas de formalização, o negócio não é válido. |
Quanto custa uma escritura de imóvel?
O custo de uma escritura de imóvel inclui não só as despesas com a formalização da compra e o registo da propriedade, mas também os impostos associados à aquisição, nomeadamente o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e o Imposto do Selo.
O valor final depende da forma escolhida para realizar a escritura, dos eventuais honorários cobrados pelo notário, advogado ou solicitador e do valor do imóvel, que influencia o montante dos impostos a pagar.
Quanto aos custos de formalização e registo, existem duas opções principais.
Se recorrer aos balcões do serviço Casa Pronta, os custos são:
- 375 euros para um único ato de registo, como a aquisição de um imóvel;
- 700 euros para mais do que um ato de registo, como acontece numa compra de casa com recurso a crédito habitação, em que é necessário registar a aquisição e a hipoteca.
Se optar por um notário, é mais difícil indicar um valor exato, uma vez que os honorários variam consoante a entidade escolhida e as características do negócio, incluindo o valor do imóvel.
Que custos existem na compra de uma casa?
Comprar casa e formalizar a aquisição através da escritura implica várias despesas que deve considerar. Além dos custos com os registos, terá de pagar os impostos associados à compra e, caso recorra a crédito bancário, poderá ter outros encargos.
Estas são algumas das principais despesas com que deve contar:
- Imposto do Selo: correspondente a 0,8% sobre o preço de aquisição ou o valor patrimonial tributário do imóvel, consoante o que for mais elevado;
- Imposto do Selo sobre o crédito: correspondente a 0,6% do montante financiado, nos créditos com prazo igual ou superior a cinco anos;
- IMT: o valor depende de fatores como o valor patrimonial tributário, o preço de aquisição, o tipo de imóvel (urbano ou não) e a sua finalidade (habitação própria permanente ou não). Pode estimar o montante a pagar através do simulador Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).
Sabia que os jovens podem poupar nos custos da escritura? Os jovens até aos 35 anos podem beneficiar de isenção de IMT e de Imposto do Selo na compra da primeira casa para habitação própria permanente, desde que cumpram os requisitos legais. Em 2026, a isenção total aplica-se a imóveis até 330.539 euros. Em 2027, está prevista uma atualização deste limite para cerca de 338.141 euros, no âmbito da proposta de Orçamento do Estado para 2027. |
Que documentos são necessários para fazer uma escritura de imóvel?
Para realizar a escritura de um imóvel, é necessário apresentar documentos de identificação dos intervenientes do negócio, bem como a documentação relativa à propriedade. No caso de uma casa usada, o vendedor deve ainda comprovar, por exemplo, se existem dívidas ao condomínio.
Cabe ao vendedor disponibilizar a documentação do imóvel, enquanto o comprador deve apresentar os comprovativos de pagamento do IMT e do Imposto do Selo relativos à aquisição.
Estes são os principais documentos que podem ser necessários:
Estes são os principais documentos que podem ser necessários:
- Documentos de identificação civil e fiscal dos vendedores e compradores;
- Certidão de teor, também conhecida como certidão permanente do registo predial;
- Caderneta predial;
- Certidão de infraestruturas (se tiver alvará de loteamento registado desde 1992, sem prestação de caução, e se for uma primeira transmissão);
- Certificado energético;
- Comprovativo de pagamento do IMT;
- Comprovativo de pagamento do Imposto do Selo;
- Declaração de liquidação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI);
- Declaração do condomínio com indicação dos encargos da fração e confirmação da inexistência de dívidas ou identificação de eventuais valores em dívida;
- Contrato-promessa de compra e venda (CPCV) do imóvel.
A apresentação da licença de utilização e da ficha técnica da habitação deixou de ser obrigatória para celebrar a compra e venda. Ainda assim, estes documentos, quando existam, são importantes para verificar as características e a situação legal do imóvel.
Dependendo das características do negócio, pode ainda ser necessário apresentar:
- Declarações de exercício do direito de preferência;
- Declaração dos valores em dívida do empréstimo, para efeitos de liquidação do mesmo.
Como poupar na escritura da casa?
As despesas com a escritura da casa podem ser elevadas. Por isso, é importante preparar-se para esses encargos e conhecer algumas medidas que podem ajudar a poupar algum dinheiro. Por exemplo:
- Verifique se tem direito a isenções fiscais: dependendo da sua idade, do valor do imóvel e da finalidade da compra, pode beneficiar de isenção de IMT e Imposto do Selo. Por exemplo, os jovens até aos 35 anos que comprem a primeira habitação própria e permanente podem beneficiar destas isenções;
- Compare os custos das diferentes opções: antes de marcar a escritura, peça orçamentos a cartórios notariais, advogados ou solicitadores e compare-os com os preços do serviço Casa Pronta. A diferença entre as opções pode representar uma poupança significativa;
- Avalie a possibilidade de recorrer ao Casa Pronta: este serviço permite formalizar a compra e realizar os registos necessários num único balcão, com preços previamente definidos. Dependendo das características do negócio, pode ser uma alternativa mais económica;
- Não aceite a primeira proposta apresentada pelo banco: se recorrer a crédito habitação, informe-se sobre os custos da escritura através da entidade sugerida pelo banco, mas procure também outras opções. No entanto, confirme se existem condições ou encargos associados à escolha de outra entidade.
A Garantia Pública para jovens reduz os custos da escritura?
Não. A Garantia Pública para jovens é uma medida que facilita o acesso ao crédito habitação, permitindo obter financiamento até 100% do valor da primeira casa, mas não reduz os custos da escritura.
Na prática, como os bancos não financiam, regra geral, a totalidade do valor do imóvel, o Estado assume o papel de fiador, cobrindo até 15% do valor da transação. A Garantia Pública aplica-se a imóveis até 450.000 euros e tem uma duração máxima de dez anos.
Segundo dados do Banco de Portugal, a garantia pessoal do Estado foi utilizada em 42,5% dos contratos de crédito à habitação celebrados por jovens.
Assim, enquanto a Garantia Pública facilita o acesso ao financiamento, a poupança nos custos da compra pode resultar de outros apoios, como a isenção de IMT e Imposto do Selo, destinada aos jovens que cumpram os requisitos legais.

