Investimentos alternativos: o que são e como funcionam?
Os investimentos alternativos são opções para quem não quer investir nas soluções tradicionais, como ações ou certificados de aforro. Mas embora se estejam a popularizar, sobretudo entre os mais jovens, têm alguns riscos associados.
Diversificação da carteira de investimentos, procura de maior rendibilidade ou simples curiosidade são algumas das razões para que os investimentos alternativos estejam a ser procurados pela nova geração de investidores. Mas será que o risco compensa?
O que dizem os dados sobre os investimentos alternativos?
A nova geração, sobretudo a que tem mais poder económico, olha com algum ceticismo para os investimentos mais tradicionais, como ações, obrigações e até imóveis.
De acordo com um estudo do Bank of America Private Bank, os investidores mais jovens (entre os 21 e os 43 anos) e que possuem já alguma riqueza própria ou herdada, têm uma maior preferência por criptomoedas e ativos digitais, private equity e investimento direto em empresas – incluindo a fundação das suas próprias empresas ou marcas – do que aqueles com 44 anos ou mais.
O mesmo estudo mostra que, à medida que a riqueza aumenta, os investidores procuram, cada vez mais, direcionar e diversificar os seus ativos através de uma gama mais ampla de ferramentas digitais que permitem aplicar o dinheiro de uma forma mais personalizada.
Em Portugal, os dados do relatório People & Money 2025, da gestora de ativos da BlackRock, indicam que desde 2022 se registou um crescimento muito significativo dos investimentos em ETF (Exchange-Traded Funds ou fundos de investimento cotados em bolsa).
No ano anterior, os dados da mesma empresa, citados pelo Eco, indicavam que 43% dos investidores portugueses detinham criptoativos, o que representava quase o dobro da média europeia (22%). O que não significa que existisse um elevado conhecimento sobre a forma como funcionam estes ativos. Aliás, segundo estes estudos, as gerações mais novas em Portugal, apesar de serem as que preferem investir em criptoativos, são as que admitem que não têm conhecimentos financeiros suficientes para investir.
Mas, afinal, o que são investimentos alternativos?
Os investimentos alternativos são ativos que não estão abrangidos pelas categorias tradicionais, que incluem, por exemplo, ações, obrigações e dinheiro. Assim, podem incluir:
- Capital privado ou capital de risco;
- Fundos de cobertura;
- Contratos de futuros,
- Arte e antiguidades;
- Contratos derivados;
- Pedras e metais preciosos;
- Artigos de luxo, como relógios, obras de arte ou vinhos de coleção.
Os ativos imobiliários (isto é, imóveis, unidades de participação em organismos de investimento alternativo imobiliário e participações sociais em sociedades imobiliárias) também podem ser considerados como investimentos alternativos.
Importa referir que os investimentos alternativos também podem passar por estratégias de investimento em ativos convencionais, mas recorrendo a métodos não tradicionais, como venda a descoberto e empréstimos.
Quais as características dos investimentos alternativos?
Os investimentos alternativos caraterizam-se geralmente por uma rendibilidade mais elevada do que as opções tradicionais. Por isso, tornam-se apelativos para as gerações mais jovens ou investidores com mais tendência para arriscar.
Outra característica importante sobre este tipo de investimento é o facto de, regra geral, não ter regulamentação nem supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Na tabela abaixo, explicamos algumas diferenças entre os dois tipos de investimentos.
| Investimentos tradicionais | Investimentos alternativos |
| Elevada liquidez | Nem sempre é fácil ter liquidez |
| Podem ou não ter garantia de capital | Não têm capital garantido |
| A rendibilidade é geralmente mais baixa | Podem gerar rendimentos superiores à média do mercado |
| Ativos negociados em mercados regulamentados ou organizados; estão sob supervisão da CMVM | Geralmente não são supervisionados pela CMVM |
| Podem estar expostos a flutuações do mercado | Podem ser menos sujeitos a flutuações do mercado |
| Investidores mais passivos | Investidores mais ativos |
Quais os riscos dos investimentos alternativos?
Dependendo do tipo de ativo em que se aplica o dinheiro, as alternativas de investimento apresentam geralmente um ou mais riscos associados aos investimentos:
- Risco de capital: perder parte ou tudo o que investiu;
- Risco de crédito: a entidade que recebe os fundos pode entrar em insolvência;
- Risco de mercado: quando o valor dos investimentos depende da oferta e da procura;
- Risco de liquidez: dificuldade em transformar rapidamente o ativo em “dinheiro vivo”.
Em certos casos, estes riscos são agravados pelo facto de o tipo de investimento não estar sob a supervisão da CMVM. Segundo o Código dos Valores Mobiliários, a competência da CMVM está limitada ao mercado de instrumentos financeiros e ativos como:
- Ações;
- Obrigações;
- Títulos de participação;
- Unidades de participação em instituições de investimento coletivo (fundos de investimento);
- Unidades de participação em organismos de investimento coletivo.
Isto significa que, ao negociar em ativos não regulados pela CMVM, o investidor não está protegido. “Os investidores não só não têm qualquer tipo de proteção dos supervisores, como estão expostos a riscos elevados de fraudes e burlas”, alerta a entidade.
Antes de investir também é importante confirmar se a plataforma ou entidade está autorizada a exercer atividades desse tipo em Portugal. “O dinheiro entregue e aplicado através de entidades não habilitadas a operar em Portugal não está abrangido pelos sistemas de garantia que protegem os depósitos ou de indemnização aos investidores e essas entidades não estão sujeitas ao escrutínio da supervisão nacional e europeia”, explica o supervisorPor isso, se tem interesse em investimentos alternativos, confirme se esse investimento está sujeito a regulação e se a entidade está registada na CMVM e autorizada a atuar em Portugal.
Como começar a investir em investimentos alternativos?
Se quer investir e explorar opções para além das tradicionais, comece por informar-se sobre o tipo de investimento e sobre a entidade envolvida.
De seguida, e tal como acontece com qualquer investimento, há alguns cuidados que deve ter:
- Perceba se o investimento se adequa ao seu perfil de investidor;
- Avalie os riscos associados;
- Diversifique a sua carteira, ou seja, não aplique todo o dinheiro no mesmo tipo de investimento;
- Mantenha um fundo de emergência, caso precise de liquidez;
- Comece por aplicações de valor mais baixo.
Além disso, existem também alguns erros muito comuns entre investidores que vale a pena reforçar para que os possa evitar, nomeadamente:
- Seguir tendências sem perceber como funciona o investimento;
- Não esclarecer todas as dúvidas antes de aplicar o dinheiro;
- Ignorar riscos;
- Não diversificar as suas aplicações;
- Não acompanhar a evolução dos investimentos;
- Reagir “a quente” em momentos de perda ou de flutuações do mercado;
- Não conhecer as regras fiscais para alguns investimentos, como os criptoativos;
- Não contabilizar eventuais comissões e custos associados.
Os investimentos alternativos podem ser atrativos para quem procura possibilidade de elevada rendibilidade e opções diferentes das convencionais. Contudo, estas alternativas estão, muitas vezes, associadas a riscos igualmente elevados. A prudência, aconselhável sempre que está em causa a aplicação de dinheiro, deve nestes casos ser redobrada.