Pagamentos digitais: 13 cuidados para pagar com segurança
Índice de conteúdos:
- O que são pagamentos digitais?
- Que métodos de pagamentos digitais existem?
- O que dizem os dados sobre a utilização de meios de pagamentos digitais?
- Quais as vantagens e desvantagens dos pagamentos digitais?
- Pagamentos digitais ou físicos: qual a melhor opção?
- Quais os cuidados a ter para fazer pagamentos digitais em segurança?
Os pagamentos digitais são cada vez mais utilizados, mas nem sempre são feitos com os cuidados necessários. Saber como funcionam e que medidas de segurança adotar é essencial para evitar fraudes e proteger o seu dinheiro.
As formas de pagamento digital têm vindo a dominar o mercado e a tornar-se uma parte essencial do dia a dia dos consumidores. São práticas, rápidas, convenientes e cada vez mais seguras, o que explica a sua crescente utilização.
Existem vários métodos de pagamentos digitais, sendo que cada alternativa tem as suas vantagens. Neste artigo, explicamos-lhe como funcionam e que cuidados deve ter para garantir que faz pagamentos seguros.
O que são pagamentos digitais?
Os pagamentos digitais são transações feitas eletronicamente, sem uso de dinheiro físico, através de dispositivos móveis ou canais digitais.
Podem ser feitos online ou em compras presenciais e incluem vários tipos de instrumentos de pagamento, como cartões, apps, transferências ou carteiras digitais.
Que métodos de pagamentos digitais existem?
Hoje em dia, há várias formas de pagar digitalmente, nomeadamente:
- Cartão de débito: é um dos meios de pagamento mais utilizados. Está associado a uma conta (como a conta à ordem) e permite fazer pagamentos e transferir dinheiro, entre outras operações. O valor da transação é debitado de imediato da conta;
- Cartão de crédito: tem associado um limite máximo (plafond), previamente contratado. Permite pagar bens e serviços e, em alguns casos, também é possível levantar dinheiro a crédito. O montante utilizado tem de ser reembolsado na data e condições acordadas;
- Cartões virtuais: são cartões de pagamento temporários, gerados online, muitas vezes utilizados para compras pela internet, uma vez que permitem pagar sem ter de introduzir os dados do cartão físico associado. Têm limites de utilização, como prazos de validade mais curtos e montantes pré-definidos;
- Transferências e débitos diretos: as transferências consistem em movimentar dinheiro de uma conta para outra. Já o débito direto é um serviço bancário que permite efetuar de forma automática pagamentos periódicos diretamente da conta à ordem, mediante autorização concedida previamente ao credor;
- Aplicações de pagamento: são apps para dispositivos móveis (como smartphone, tablet ou smartwatch), que permitem associar uma conta ou cartão bancário e fazer várias operações, como pagamentos ou transferências. As mais conhecidas são o MB Way, da SIBS, o PayPal e a Revolut;
- Carteiras digitais: são aplicações para guardar dados de pagamento, que permitem fazer compras sem necessidade de recorrer ao cartão físico. Além do cartão bancário, algumas carteiras digitais também permitem guardar vouchers e cartões de fidelização, bem como fazer transferências entre utilizadores. Em Portugal, as mais comuns são a Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay;
- Meios contactless: são formas de pagamento que funcionam pela aproximação de dispositivos. Existem duas bastante comuns: NFC e QR Code. O NFC (Near Field Communication) é uma tecnologia “tap-to-pay”, que permite realizar compras através da aproximação do cartão físico, smartwatch ou smartphone ao terminal de pagamento. Já o QR Code (Quick Response Code) funciona de forma semelhante, mas só pode ser utilizado com telemóveis, já que é necessário utilizar a câmara para ler o código. Para utilizar qualquer uma destas tecnologias, é necessário ter uma app de pagamentos ou carteira digital.
Qual o melhor método de pagamento digital para cada situação?
Nem todos os métodos de pagamento digital são adequados para as mesmas situações. A escolha depende do tipo de compra, da frequência de utilização e do nível de segurança pretendido.
Veja, de seguida, qual a melhor opção para cada caso.
| Método de pagamento digital | Melhor para |
| Cartão de débito | Compras do dia a dia e controlo de gastos, já que o dinheiro é debitado diretamente da conta |
| Cartão de crédito | Compras de maior valor, reservas de hotéis e viagens, e situações em que pretende proteção adicional contra fraudes |
| Cartões virtuais | Compras online com maior segurança, especialmente em sites desconhecidos ou internacionais |
| Transferências | Pagamentos pontuais |
| Débitos diretos | Despesas recorrentes, como pagamentos mensais de serviços |
| Aplicações de pagamento | Transferências rápidas entre pessoas e pagamentos simples no dia a dia (por exemplo, para dividir contas) |
| Carteiras digitais | Pagamentos rápidos e sem contacto em lojas físicas e online, sem necessidade de cartão físico |
| Meios contactless | Compras rápidas de baixo valor em lojas físicas, com maior conveniência e rapidez |
O que dizem os dados sobre a utilização de meios de pagamentos digitais?
Os pagamentos digitais têm vindo a aumentar exponencialmente nos últimos anos e os números são prova disso. De acordo com um relatório do Tribunal de Contas Europeu, entre 2017 e 2023 o valor dos pagamentos digitais de montantes baixos mais do que duplicou, sendo superior a um bilião de euros por ano.
Nos países europeus, ainda são os cartões bancários que dominam: em 2022 representaram, em valor das operações 40% dos pagamentos no comércio eletrónico e 63% nos pontos de venda físicos. No segundo semestre do mesmo ano, 54% dos pagamentos com cartão na zona euro utilizaram tecnologias contactless.
Ainda assim, espera-se que em 2026 a utilização de cartões de crédito e débito caia ligeiramente (prevê-se que representem 35% dos pagamentos nas compras online e 59% nas lojas físicas). Em contrapartida, a utilização de carteiras digitais está a crescer: os dados apontam para um aumento dos pagamentos de 29% para 32% no comércio eletrónico e de 10% para 20% nos pontos de venda.
A nível nacional, os números também seguem esta tendência. Segundo o Banco de Portugal, a utilização de instrumentos de pagamento eletrónicos cresceu, de 2023 para 2024, 11,2% em quantidade e 6,6% em valor, tendo representado 99,8% dos pagamentos de retalho.
Tal como no resto da Europa, os cartões são o meio de pagamento mais utilizado, tendo correspondido, em 2024, a 89,5% do número de pagamentos do Sistema de Compensação Interbancária (SICOI): foram realizadas, em média, 11,5 milhões de operações diárias com cartão.
A utilização do contactless também está a crescer no país: o número de cartões emitidos com esta tecnologia aumentou 6,9% para 25,5 milhões, sendo que no final de 2024, 91% dos cartões e 93% dos terminais de pagamento tinham contactless. Os pagamentos com recurso a esta tecnologia também aumentaram, tendo sido utilizados em 1,4 mil milhões de operações.
Quais as vantagens e desvantagens dos pagamentos digitais?
Os meios de pagamentos digitais têm vindo a transformar a forma como os consumidores fazem compras e realizam operações financeiras. Dentro desta forma de pagamento existem várias alternativas, todas com benefícios e inconvenientes.
| Meio de pagamento | Vantagens | Desvantagens |
| Cartão de débito | – Amplamente aceite – Não é necessário subscrever produtos bancários – Acesso direto a fundos – Autenticação forte | – Proteção limitada contra fraudes – Pode implicar pagamento de comissão |
| Cartão de crédito | – Amplamente aceite – Autenticação forte – Proteção contra fraudes | – Pode implicar o pagamento de taxas e juros, caso o extrato não seja pago a tempo – É necessário fornecer os dados do cartão ao comerciante – Risco de endividamento – Sujeito a aprovação |
| Cartão virtual | – Permite pagar sem fornecer os dados do cartão físico – Permite definir limites de valor – Pode ser utilizado em qualquer loja online, portuguesa ou estrangeira – Oferece várias modalidades: compra única, várias compras e pagamentos recorrentes – Gratuito | – Exige uma aplicação para gerar cartões (como o MB Way) – Só pode ser utilizado em lojas online |
| Transferências bancárias | – Rápidas e práticas – Podem ser feitas no multibanco ou através do homebanking | – Geralmente, os comerciantes exigem prova do pagamento – É necessário esperar pela confirmação – Por vezes, as transferências através do homebanking implicam o pagamento de comissões |
| Débitos diretos | – Automáticos – Ideais para pagamentos recorrentes – Gratuitos – Por vezes, as empresas oferecem descontos se o pagamento for feito desta forma – Evitam atrasos nos pagamentos de contas recorrentes – É possível definir limites de valores a cobrar – Permitem a anulação de cobranças indevidas | – Risco de pagamentos não autorizados – Exigem maior atenção – Podem levar a gastos desnecessários, caso se esqueça de cancelar o débito direto |
| Aplicações de pagamento | – Não é necessário fornecer os dados do cartão – Rápidas e fáceis de utilizar – Autenticação forte – Maioritariamente gratuitas – Proteção contra fraudes | – Podem exigir a criação de uma conta (caso do PayPal e Revolut) – Utilização limitada: por exemplo, o PayPal só pode ser utilizado online e o MB Way nem sempre é aceite pelas lojas físicas – Podem implicar o pagamento de taxas a partir de um determinado montante de transação |
| Carteiras digitais | – Rápidas e fáceis de usar – Não é necessário fornecer os dados do cartão – Autenticação forte – Podem ser usadas online e em lojas físicas | – Nem sempre são aceites pelos comerciantes – Implicam a criação de uma conta – Limitadas aos dispositivos das marcas: o Apple Pay só funciona em iPhone ou Apple Watch e o Google Pay só funciona em sistemas Android |
| Contactless | – Rápido e prático – Utiliza criptografia e mecanismos de proteção – A compra só é feita se o dispositivo estiver junto ao terminal de pagamento – Tem associados montantes máximos por transação e limites diários – No caso dos cartões é necessário o código PIN sempre que o montante da compra ultrapassa o limite definido – Nas aplicações, como o MB Way, é necessário confirmar a transação | – Se o cartão for roubado ou perdido, pode ser utilizado por qualquer pessoa |
Pagamentos digitais ou físicos: qual a melhor opção?
A escolha entre pagamentos digitais ou físicos depende das suas necessidades, do tipo de transação que está a fazer e, claro, daquilo com que se sente à vontade para utilizar.
Contudo, os métodos de pagamento online são ideais quando quer conveniência e rapidez, permitindo transações imediatas. Já o dinheiro físico é a melhor opção para pagamentos de baixo valor ou quando o acesso digital é limitado ou inexistente.
13 cuidados para fazer pagamentos digitais em segurança
Os pagamentos digitais são já bastante seguros. Ainda assim, é importante que adote alguns cuidados para evitar possíveis burlas:
- Utilize apenas redes seguras e evite ligar os seus dispositivos a redes Wi-Fi públicas;
- Crie palavras-passe seguras e, de preferência, únicas para cada conta;
- Ative a autenticação de dois fatores;
- Mantenha os seus dispositivos e browsers atualizados;
- Instale um antivírus e mantenha a firewall ativa;
- Não guarde os dados de login em sites que contenham informações confidenciais;
- Confirme a segurança e fiabilidade dos sites, verificando se o endereço começa por “https://” ou se aparece o símbolo do cadeado;
- Não abra mensagens ou e-mails duvidosos;
- Nunca clique em links nem descarregue ficheiros de remetentes que não conhece;
- Instale apenas apps obtidas nas lojas de aplicações oficiais;
- Nunca partilhe os seus dados pessoais ou códigos com ninguém;
- Ative as notificações de movimentos bancários;
- Consulte o seu extrato regularmente.
Os meios de pagamentos digitais são uma solução prática e segura para o dia a dia, mas exigem atenção e alguns cuidados. Ao escolher o método mais adequado e adotar medidas de proteção, consegue aproveitar todas as vantagens sem comprometer a sua segurança.