Cartão clonado: o que fazer e como evitar perder dinheiro?
Índice de conteúdos:
- Como funciona a clonagem de cartões?
- Como saber se um cartão foi clonado?
- O que fazer se tiver um cartão clonado?
- O banco é obrigado a devolver o dinheiro de um cartão clonado?
- Como evitar que um cartão seja clonado?
Se suspeita que tem um cartão clonado, contacte de imediato o seu banco para bloquear ou cancelar o cartão e contestar as operações que não reconhece. Saiba também, neste artigo, como identificar a clonagem e prevenir novas fraudes.
Um cartão clonado é um cartão cujos dados foram copiados e utilizados por terceiros para realizar operações não autorizadas. A clonagem pode passar despercebida até surgirem pagamentos, levantamentos ou outros movimentos que não reconhece.
Entre 2020 e 2024, a GNR registou quase 6.000 queixas relacionadas com a clonagem de cartões multibanco ou de crédito. A maioria dos casos ocorreu nos grandes centros urbanos, com o Porto no topo da lista (1.084), seguido de Lisboa (777), Setúbal (643), Braga (634) e Aveiro (548).
Se detetar uma operação suspeita, é importante agir rapidamente. Quanto mais cedo comunicar a situação ao banco, bloquear o cartão e contestar as operações não autorizadas, mais depressa poderá limitar os prejuízos e, consoante as circunstâncias, pedir o reembolso dos valores perdidos.
Neste artigo, explicamos como saber se o seu cartão foi clonado, o que fazer perante uma utilização fraudulenta, em que situações pode ter direito ao reembolso e que cuidados deve ter para evitar riscos.
Como funciona a clonagem de cartões?
Quando um cartão é clonado, os criminosos copiam os seus dados para os utilizarem em operações fraudulentas. Uma das técnicas mais utilizadas para obter essas informações é o skimming.
Este esquema consiste na instalação de um dispositivo, chamado skimmer, em terminais de pagamento ou caixas ATM. O aparelho consegue ler e armazenar os dados da banda magnética do cartão, como o nome do titular, o número do cartão e a data de validade. Para obter também o PIN, os burlões podem recorrer a câmaras ocultas ou a teclados falsos colocados sobre os originais. Com estes dados, conseguem criar cartões falsos e realizar operações fraudulentas.
A clonagem de cartões também pode acontecer em ambiente online, através do chamado skimming digital. Neste caso, os burlões comprometem o servidor de uma loja e instalam malware nos sistemas de pagamento para copiar os dados dos cartões durante uma compra online.
Como saber se um cartão foi clonado? 4 sinais a ter em atenção
Nem sempre é fácil perceber que o seu cartão foi clonado. Muitas vezes, a fraude só é descoberta quando começam a surgir movimentos ou pagamentos que não reconhece. Por isso, fique atento aos seguintes sinais, que podem indicar uma utilização fraudulenta dos dados do cartão:
- Pagamentos ou transações que não reconhece;
- Movimentos realizados em locais onde nunca esteve ou onde não efetuou nenhuma compra;
- Notificações de pagamentos que não correspondem a nenhuma compra realizada por si;
- Cartão retido numa caixa multibanco sem qualquer indicação do respetivo motivo.
O que fazer se tiver um cartão clonado?
Se perdeu o cartão, este foi roubado ou suspeita que os seus dados foram utilizados de forma fraudulenta, é importante agir rapidamente para evitar mais prejuízos:
- Contacte de imediato o seu banco, informe-o da situação e peça o bloqueio ou cancelamento do cartão;
- Apresente queixa às autoridades competentes, como a PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público;
- Guarde todos os comprovativos das operações que não reconhece, pois podem ser necessários para contestar os movimentos e pedir o reembolso dos valores indevidamente cobrados.
O banco é obrigado a devolver o dinheiro de um cartão clonado?
Depende das circunstâncias. Depois de comunicar ao banco que o cartão está a ser utilizado por terceiros, deixa de ser responsável pelas operações não autorizadas realizadas posteriormente. A partir desse momento, os prejuízos resultantes de novas utilizações fraudulentas são, em princípio, da responsabilidade do banco. Por isso, é fundamental agir rapidamente assim que detetar uma situação de fraude.
Se o cartão tiver sido utilizado antes de conseguir contactar o banco, poderá ter de suportar os prejuízos até ao limite de 50 euros. Em regra, o banco deve reembolsar o valor restante das operações não autorizadas até ao final do primeiro dia útil seguinte à comunicação da fraude.
No entanto, o reembolso pode não ser definitivo. Se ficar provado que agiu de forma fraudulenta, que incumpriu deliberadamente as suas obrigações ou que foi negligente, o banco pode recusar o reembolso ou voltar a debitar os valores em causa.
Como evitar que um cartão seja clonado?
Enquanto titular de um cartão de débito ou crédito, deve adotar alguns cuidados para proteger os dados do cartão e evitar utilizações não autorizadas. Embora não seja possível eliminar totalmente o risco de clonagem, há medidas simples que pode tomar sempre que utiliza o cartão.
Ao utilizar uma Caixa Automática (ATM)
- Verifique o estado da máquina antes de inserir o cartão. Confirme se não existem peças soltas ou dispositivos estranhos na ranhura do cartão, no teclado ou à volta do equipamento. Esteja também atento à presença de câmaras ocultas. Se notar algum sinal de adulteração ou dano, não utilize o ATM e procure outro;
- Prefira caixas multibanco localizadas em locais seguros, como balcões de bancos ou centros comerciais. Evite, sempre que possível, ATM isolados ou instalados em zonas turísticas, já que podem estar mais expostos a tentativas de fraude;
- Proteja o teclado enquanto introduz o PIN, cobrindo-o com a mão ou com o corpo para evitar que alguém consiga observar os números;
- Se o ATM reter o seu cartão, verifique a mensagem apresentada no ecrã. A retenção pode acontecer, por exemplo, devido à validade expirada do cartão, ao excesso de tentativas de introdução do PIN ou a uma avaria. Se não for apresentada qualquer justificação ou se a mensagem lhe parecer suspeita, contacte de imediato o seu banco. Não aceite ajuda de desconhecidos para tentar recuperar o cartão.
Ao utilizar um terminal de pagamento automático (TPA)
- Verifique o terminal antes de o utilizar. Confirme se não existem sinais de adulteração, peças soltas ou dispositivos estranhos;
- Certifique-se de que o pagamento é feito na sua presença e nunca perca o cartão de vista;
- Confirme o valor apresentado no terminal antes de introduzir o PIN;
- Proteja o teclado ao inserir o PIN, tapando-o com a mão para evitar que o código seja visto por terceiros;
- Considere utilizar pagamentos contactless. Por não exigirem a inserção física do cartão no terminal, podem reduzir a exposição dos seus dados. Ainda assim, defina limites de segurança adequados e tenha em conta que, por defeito, pode ser pedido o PIN após determinados valores ou número de operações;
- Peça e guarde o comprovativo do pagamento, sobretudo quando se trata de uma transação de valor elevado.
Nas compras online
- Confirme que o site é seguro antes de introduzir os dados do cartão. Verifique se o endereço começa por https e se apresenta o símbolo do cadeado na barra de endereço;
- Evite fazer compras através de redes Wi-Fi públicas, sobretudo quando precisa de introduzir dados bancários ou informações do cartão;
- Prefira métodos de pagamento que ofereçam uma camada adicional de segurança, como cartões virtuais, MB WAY ou PayPal;
- Evite guardar os dados do cartão nos sites onde faz compras, mesmo que a opção esteja disponível. Assim, reduz o risco de os seus dados ficarem expostos em caso de ataque informático.
5 medidas de segurança extra
- Altere o PIN assim que receber o cartão e destrua a carta ou qualquer documento que contenha informação sensível;
- Evite guardar o PIN de forma facilmente identificável no telemóvel. Se precisar de o guardar, utilize um método seguro que não permita associá-lo ao cartão. Por exemplo, guarde-o como um contacto, acrescentando outros algarismos para parecer um número real;
- Nunca guarde o PIN junto do cartão nem o partilhe com ninguém, mesmo que a pessoa se apresente como representante do banco ou de outra entidade de confiança;
- Ative a autenticação multifator no homebanking e nas aplicações de pagamento, sempre que esta opção estiver disponível;
- Consulte regularmente o extrato e os movimentos da sua conta para detetar rapidamente qualquer operação que não reconheça.

