Comprar medicamentos: 9 dicas para poupar na farmácia
Comprar medicamentos pode representar uma despesa relevante no orçamento familiar, especialmente quando é necessário seguir tratamentos regulares. No entanto, existem formas de reduzir esta despesa. Descubra-as neste artigo.
Os medicamentos têm, de facto, um peso significativo nas despesas das famílias. Segundo dados do Infarmed, em 2025, os portugueses gastaram mais de 966 milhões de euros em medicamentos, um aumento de 4,9% face ao ano anterior. Só no primeiro trimestre de 2026, a despesa ultrapassou os 243 milhões de euros.
Entre janeiro e março de 2026, o encargo médio suportado pelo utente por embalagem foi de 4,67 euros, uma redução de 1,2% face ao período homólogo. No mesmo período, o encargo médio do SNS atingiu os 9,60 euros por embalagem, mais 6,9%.
O valor a pagar pode variar consoante o tipo de medicamento, a quantidade, o laboratório e o regime de comparticipação. A existência de descontos também pode fazer diferença. Conheça, de seguida, nove dicas que podem ajudá-lo a poupar na farmácia sem comprometer os seus tratamentos.
Como poupar ao comprar medicamentos? 9 dicas práticas
Poupar na compra de medicamentos não significa abdicar do que precisa. Deixamos-lhe nove dicas que pode começar a aplicar desde já:
1. Consulte os preços dos medicamentos
Antes de escolher um medicamento, pode consultar os preços disponíveis e perceber quais são as opções mais económicas. Para isso, utilize o site do Infarmed ou a app “Poupe na Receita”, criada pela autoridade do medicamento.
Basta pesquisar pelo nome do fármaco para conhecer o preço máximo praticado pelos diferentes laboratórios.
2. Compare preços entre farmácias
Depois de identificar o medicamento que pretende comprar, compare também os preços praticados em diferentes farmácias.
Por lei, certos medicamentos estão sujeitos a preços máximos definidos pelo Infarmed. Estes valores não podem ser ultrapassados, mas os retalhistas podem, se assim o entenderem, praticar preços inferiores. Por isso, é perfeitamente possível que encontre o mesmo medicamento a preços diferentes em duas farmácias.
3. Tenha em conta os preços de referência e as comparticipações
A comparticipação, que no regime geral varia entre os 15% e os 90%,pode reduzir significativamente o valor a pagar pelos medicamentos. No entanto, o valor comparticipado pelo SNS não é calculado diretamente sobre o preço do medicamento, mas sim sobre o preço de referência. Por isso, é importante ter este valor em conta para perceber quanto pode efetivamente pagar.
O preço de referência corresponde à média dos cinco preços mais baixos dos medicamentos de cada grupo homogéneo e não pode exceder o valor do medicamento genérico mais caro. O montante comparticipado pelo Estado é calculado multiplicando a taxa de comparticipação pelo preço de referência.
Por exemplo, se o preço de referência for 5,20 euros e a comparticipação for de 69%, o SNS comparticipa 3,59 euros. O restante fica a cargo do utente, mas o valor final depende do preço do medicamento escolhido: se o preço de venda ao público (PVP) for superior ao valor comparticipado, o utente paga a diferença; se for inferior ou igual, o medicamento é gratuito.
4. Esteja atento às informações na prescrição
Quando o médico prescreve um medicamento utilizando a denominação comum internacional, ou seja, o princípio ativo, a receita apresenta, junto à validade, a indicação “esta prescrição custa-lhe, no máximo, X euros, a não ser que opte por um medicamento mais caro”.
O valor indicado corresponde ao custo mais elevado entre os cinco medicamentos mais baratos que podem ser adquiridos com aquela prescrição. Isto significa que existem opções mais baratas, mas também medicamentos mais caros, sejam de marca ou genéricos. Assim, entre medicamentos equivalentes, optar por uma das opções de menor preço pode reduzir o valor a pagar.
Se, por outro lado, a receita indicar “este medicamento custa-lhe, no máximo, X euros”, significa que não existem alternativas ao medicamento em questão e que esse é o valor máximo a pagar pelo utente.
5. Opte por medicamentos genéricos, caso faça sentido
Os medicamentos genéricos costumam ser, regra geral, mais baratos. No entanto, nem sempre isso acontece.
Quando é introduzido no mercado, um genérico tem obrigatoriamente de ser pelo menos 50% mais barato do que o medicamento de referência, embora existam exceções para medicamentos de referência de preço inferior a dez euros. Contudo, por vezes, as marcas reduzem o preço do medicamento original para manter a competitividade, o que pode fazer com que o genérico deixe de compensar.
Por isso, mais uma vez, tenha em conta o preço de referência para perceber qual é a opção mais vantajosa.
6. Utilize cartões ou programas de fidelização
Certas farmácias, associações ou grupos podem oferecer descontos na compra de medicamentos.
O cartão Saúda das Farmácias Portuguesas, por exemplo, permite-lhe acumular pontos em cada compra (exceto nos medicamentos sujeitos a receita médica), que pode depois trocar por produtos e serviços farmacêuticos.
7. Compre apenas as quantidades necessárias
A não ser que se trate de um medicamento que tenha de tomar todos os dias, é bastante provável que se passem meses sem precisar de um determinado fármaco. Assim, caso o preço seja vantajoso, prefira as embalagens com menor quantidade. Além de poupar, evita o desperdício e o risco de os medicamentos perderem a validade antes de serem utilizados.
Nos tratamentos prolongados, também é preferível ir repondo a medicação à medida que precisa dela, em vez de comprar grandes quantidades de uma só vez. Isto porque, entretanto, o médico pode ajustar a dose, alterar o medicamento ou até interromper o tratamento, deixando-o com embalagens que já não vai utilizar.
8. Compre online
Há medicamentos e outros produtos de saúde que pode comprar pela internet. Ao fazê-lo, compare os preços com os praticados nas farmácias tradicionais e perceba se a diferença compensa.
9. Peça fatura com número de contribuinte
Sabia que pode deduzir 15% das despesas de saúde no IRS, até ao limite de 1.000 euros por agregado familiar, incluindo os gastos com medicamentos? Para garantir que estas despesas ficam devidamente registadas e são consideradas na declaração de IRS, peça sempre fatura com Número de Identificação Fiscal (NIF).
Medicamentos genéricos vs. medicamentos de marca: quais as diferenças?
Segundo o Infarmed, os medicamentos genéricos têm a mesma substância ativa (isto é, aquilo que lhe confere efeito), forma farmacêutica, dosagem e indicação terapêutica que o medicamento original que lhe serviu de referência.
No entanto, podem conter componentes sem atividade terapêutica diferentes, desde que estes não comprometam a eficácia, a segurança e a forma como o fármaco atua no organismo. É por isso que podem existir diferenças na forma, no tamanho ou na cor. Estas características não comprometem a qualidade nem a eficácia dos medicamentos genéricos, que estão sujeitos a requisitos de qualidade e segurança antes de serem comercializados.
Assim, a diferença de preço está relacionada com o investimento necessário para desenvolver um medicamento. Quando um laboratório desenvolve uma nova substância ativa, tem de suportar os custos de investigação e desenvolvimento. No caso dos medicamentos genéricos, essa fase já foi realizada pelo fabricante do medicamento de referência, pelo que os custos associados ao desenvolvimento da substância ativa são diferentes.
Por isso, os medicamentos genéricos podem ser uma alternativa aos medicamentos de referência e, muitas vezes, representar uma opção mais económica. Ainda assim, se tiver dúvidas sobre qual é o medicamento mais adequado para si, aconselhe-se com o seu médico ou farmacêutico antes de fazer uma escolha.
Comprar medicamentos online pode ser mais barato?
Comprar medicamentos online pode sair mais barato, sobretudo quando as farmácias praticam preços ou descontos online que não estão disponíveis nas lojas físicas. No entanto, antes de avançar, deve comparar o preço final tendo em conta os portes de envio e outros custos adicionais que possam existir.
É também importante comprar apenas em farmácias ou outros estabelecimentos autorizados a vender medicamentos online. Os sites legais apresentam o logótipo comum europeu, que permite confirmar se o vendedor está autorizado.
| Sabia que pode comprar online medicamentos sujeitos a receita médica? No site Farmácias Portuguesas pode adicionar a sua receita e pedir a dispensa dos medicamentos, escolhendo entre levantar a encomenda na farmácia ou recebê-la em casa. |
Como comparar preços antes de comprar medicamentos?
Para comparar preços de forma correta, deve garantir que está a analisar medicamentos com a mesma substância ativa, dosagem, forma farmacêutica e quantidade. Quando aplicável, considere também o preço final após a comparticipação.
Quais os cuidados a ter para poupar na farmácia sem comprometer a saúde?
Como vimos, há várias formas de reduzir a despesa com medicamentos, mas algumas decisões de consumo ou de tentativa de poupança podem acabar por ter o efeito contrário. Para evitar comprometer a eficácia dos seus tratamentos, tenha em atenção os seguintes cuidados:
- Não parta nem esmague os comprimidos sem indicação médica, pois pode comprometer a sua ação;
- Guarde os medicamentos num local protegido da luz, da humidade e de temperaturas elevadas. Por exemplo, evite deixá-los na cozinha ou na casa de banho;
- Não se automedique nem tome medicamentos prescritos a outras pessoas;
- Não reduza a dose recomendada;
- Não prolongue o tratamento para além do período indicado na bula ou pelo médico, nem o interrompa antes do tempo;
- Não troque de medicamento nem escolha uma alternativa apenas com base no preço sem antes se aconselhar com o seu médico ou farmacêutico.

