Novo ano letivo: como criar bons hábitos financeiros nas crianças
Aprender a lidar com o dinheiro é uma das competências mais importantes para a vida adulta, mas raramente faz parte do que é ensinado na escola. No entanto, o dia a dia oferece inúmeras oportunidades para começar esta aprendizagem, que pode e deve ser incentivada desde cedo.
Neste vídeo, Catarina Brandão – especialista em Finanças Pessoais e fundadora do projeto Cat Poupança, partilha algumas estratégias para ajudar as crianças a compreender o valor do dinheiro, fazer escolhas mais conscientes e desenvolver bons hábitos financeiros no novo ano letivo.
Porque é importante ensinar hábitos financeiros às crianças?
A educação financeira começa muito antes de a criança ter de gerir o seu próprio orçamento. As pequenas decisões do dia a dia permitem-lhe perceber que o dinheiro é um recurso limitado, que é preciso fazer escolhas e que cada decisão de compra tem consequências.
Por isso, não é necessário esperar pela idade adulta para falar sobre dinheiro. As compras para o regresso às aulas, a mesada ou semanada e até as idas ao supermercado podem transformar-se em momentos simples de aprendizagem.
Como criar bons hábitos financeiros no novo ano letivo? 7 estratégias práticas
Antes de mais, importa referir que não existe uma idade certa para começar a falar sobre dinheiro. O mais importante é adaptar a aprendizagem à idade da criança e aproveitar situações do quotidiano para lhe dar ferramentas que promovam a sua autonomia e a responsabilidade.
Conheça, de seguida, sete estratégias simples que pode colocar em prática durante o novo ano letivo.
1. Aproveite as compras escolares para ensinar a fazer escolhas
As compras para o regresso às aulas são uma boa oportunidade para envolver as crianças na gestão do dinheiro.
Comece por mostrar-lhes os preços, ajude-as a comparar diferentes opções e explique que, quando o orçamento é limitado, é necessário fazer escolhas e definir prioridades. Desta forma, ajuda-as a perceber que não é possível comprar tudo o que querem e que cada decisão tem impacto no dinheiro disponível.
2. Introduza uma mesada ou semanada com regras claras
Se fizer sentido para a idade da criança e para a realidade familiar, atribuir-lhe uma quantia regular para ela gerir pode ser uma ferramenta importante de educação financeira.
A mesada ou semanada pode, por exemplo, servir para pequenas despesas escolares, como almoços ou lanches. Ao ter de gerir um valor limitado, a criança começa a perceber que o dinheiro não é infinito e que, sem uma boa gestão, pode acabar antes de chegar a próxima quantia.
Além de promover a autonomia, esta prática ajuda a desenvolver o sentido de responsabilidade e a perceber as consequências das próprias escolhas.
3. Ensine a criança a poupar através de objetivos concretos
Tal como acontece com os adultos, poupar torna-se mais fácil e motivador quando existe um objetivo concreto.
Neste seguimento, defina, em conjunto com a criança, uma meta de poupança e um prazo para a alcançar. Pode ser um brinquedo para o Natal, uma experiência nas férias ou algo que ela queira muito comprar durante o período escolar.
Para tornar o processo mais visual e envolvente, incentive-a a acompanhar a evolução da poupança através de um gráfico, desenho ou outro sistema que possa ir pintando à medida que se aproxima do objetivo.
Desta forma, a criança percebe que poupar implica definir um objetivo, ter paciência e acompanhar o progresso.
4. Crie um sistema simples de gestão do dinheiro
Outra forma de desenvolver bons hábitos financeiros é ensinar a criança a dar diferentes finalidades ao dinheiro.
Pode, por exemplo, criar diferentes envelopes ou mealheiros para separar o dinheiro que se destina a gastar, poupar ou doar. Esta separação ajuda a perceber que o mesmo dinheiro pode ter objetivos diferentes e permite desenvolver uma relação mais consciente com as finanças pessoais.
Por isso, sempre que possível, mantenha alguma quantia em casa em vez de a depositar no banco.
5. Envolva a criança em pequenas tarefas financeiras
A educação financeira não precisa de acontecer apenas quando se fala diretamente sobre dinheiro. As decisões do dia a dia também podem ser oportunidades de aprendizagem.
De acordo com a idade da criança, envolva-a na elaboração da lista de compras, na comparação de preços no supermercado, na gestão de pequenas despesas escolares ou noutras escolhas de consumo relevantes.
Desta forma, a criança começa a compreender como são tomadas as decisões financeiras e desenvolve competências que podem ser úteis ao longo da vida adulta.
6. Evite alguns erros comuns na educação financeira
Um dos erros mais comuns dos pais é ceder ou negar todos os pedidos das crianças sem explicar o motivo.
E a verdade é que quando a criança não percebe de onde vem o dinheiro ou que este é finito, também não vai conseguir perceber as suas decisões. Por isso, é importante falar sobre dinheiro com naturalidade e sem tabus. Em vez de simplesmente dizer “sim” ou “não”, explique, de forma adequada à idade, porque determinada compra é ou não possível.
Por outro lado, também é importante evitar utilizar o dinheiro como recompensa ou castigo, já que esta associação pode contribuir para criar uma relação emocional pouco saudável com o dinheiro.
7. Ensine pelo exemplo
Os hábitos financeiros das crianças são, muitas vezes, influenciados pela forma como os adultos à sua volta lidam com o dinheiro. A forma como fala sobre dinheiro, planeia as despesas, poupa e toma decisões de compra transmite ensinamentos, mesmo quando não está a falar diretamente sobre finanças.
Não precisa, por isso, de ser perfeito nem de seguir regras rígidas. O mais importante é ser consistente e dar o exemplo no dia a dia, mostrando à criança como fazer escolhas financeiras mais conscientes.
Para conhecer todas estas estratégias e perceber como pode ajudar as crianças a desenvolver uma relação mais saudável e consciente com o dinheiro no novo ano letivo, assista ao vídeo completo da especialista Catarina Brandão.