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As burlas digitais mais comuns

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burlas digitais

Os esquemas fraudulentos através dos dispositivos digitais têm vindo a aumentar. Conheça as burlas digitais mais comuns e fique alerta, para evitar cair na cantiga do bandido.

Há vários anos que as autoridades têm vindo a registar um aumento de crimes de burla online, que atingem os consumidores por via do uso de computadores e telemóveis. Durante a pandemia, cresceu o impacto destes esquemas na vida e na carteira dos portugueses. O aumento das compras e dos pagamentos online fomentou a criatividade dos burlões, que atuam em diversas plataformas e com métodos cada vez mais rebuscados. Damos-lhe a conhecer os mais comuns e explicamos o que fazer em caso de burla.

Burlas através do MB Way

Esta aplicação, que soma cada vez mais utilizadores, é das mais seguras, desde que seja utilizada corretamente. Quem não domina a sua utilização, fica mais vulnerável a eventuais esquemas digitais. Por norma, a burla através do MB Way acontece em situações de compra e venda. O burlão, enquanto vendedor, convence o comprador (ou vice-versa) a instalar a aplicação. A vítima, que não tem ou não domina a app, não estranha esta abordagem, até porque provavelmente o nome “MB Way” ser-lhe-á familiar.  

Em seguida, o burlão pede à vítima que vá a uma caixa multibanco, para que, através do seu cartão multibanco, registe na app o seu número de telemóvel (o do burlão). Noutras situações, é a própria vítima que cede os seus dados de acesso à aplicação ao burlão, sem se aperceber de que está a ceder o acesso à sua conta bancária. Através da app, o burlão poderá fazer compras, transferir dinheiro ou mesmo fazer levantamentos da conta da vítima, tranquilamente, esteja onde estiver.

Burla “Olá pai, olá mãe”

De acordo com os dados avançados pela PSP, este é o método que tem vindo a registar cada vez mais ocorrências em território nacional. Trata-se de um esquema em que o burlão tenta fazer-se passar por um familiar próximo para pedir à outra pessoa que lhe faça um pagamento ou lhe envie determinada quantia de dinheiro.

Geralmente, a abordagem é feita através de uma mensagem via WhatsApp. O burlão informa a vítima que teve um problema com o seu telemóvel e que só estará contactável através daquele número. Diz ainda ao familiar (por norma, mãe ou pai) que necessita de fazer um pagamento urgente e envia-lhe uma referência bancária ou um NIB/IBAN para realizar a transferência.

Para dar credibilidade à situação, os autores destes esquemas procuram informações pessoais sobre as vítimas. Por norma, o montante solicitado varia entre algumas centenas de euros e os 2000 euros.

Compras online de marcas em lojas fictícias

Neste caso, os burlões criam cópias de sites de lojas, idênticas aos originais. À primeira vista, tudo parece real e de confiança. A diferença reside no facto de não ser disponibilizada no site informação como a morada física, telefone fixo e designação social e de, raramente, emitirem fatura com um número fiscal coletivo.

Utilize este verificador de navegação segura do Google para ajudá-lo a encontrar sites inseguros e de malware.

Saiba ainda neste artigo do Contas Connosco os cuidados a ter quando faz compras pela internet.

Burla através de pagamentos eletrónicos

Trata-se, mais uma vez, de um esquema em situações de compra e venda. Se estiver a fazer compras online, geralmente é-lhe enviada uma referência para pagamento ou sugerido que faça o pagamento através de outra aplicação financeira. Se lhe acontecer pedirem-lhe para usar para efeitos de pagamento uma plataforma que não conhece, desconfie, porque pode ser uma armadilha. Ao nível de pagamentos eletrónicos, nunca utilize nenhum método que não conheça bem ou que o faça sentir-se desconfortável.

Leia mais  Saiba a quem pertence uma referência multibanco

Burlas por sms

Muitos consumidores queixam-se de tentativas de burla através de mensagem escrita. Ou são as mensagens da alfândega a pedir para clicar num link para desalfandegar uma encomenda ou, por exemplo, um alegado fornecedor de energia que diz haver uma dívida e deixa os dados para pagamento, sob pena de um corte de eletricidade. As estratégias dos burlões estão cada vez mais credíveis, imitando, muitas vezes, a escrita das empresas reais. Para evitar cair neste tipo de esquema, tenha os seguintes cuidados:

– Pesquise na internet pelo número de telemóvel do qual recebeu o sms;

– Não responda ao SMS, não siga links e muito menos dê os seus dados;

– Bloqueie o número;

– Denuncie o caso à sua operadora e à Polícia.

Cuidados a ter para evitar burlas digitais

Para que não seja apanhado na teia dos burlões, há outros cuidados que pode ter, com vista a salvaguardar as suas poupanças:

  • Tenha um antivírus atualizado no computador ou dispositivo móvel;
  • Não partilhe dados bancários e pessoais com terceiros;
  • Se se fizerem passar por um familiar e lhe pedirem dinheiro através de mensagens, faça perguntas simples sobre assuntos que os eventuais burlões possam desconhecer, para despistar qualquer tentativa de burla;
  • Reflita antes de fechar qualquer negócio e não se deixe persuadir com facilidade;
  • Saiba dizer “Não”. Os burlões sabem que as pessoas ficam mais vulneráveis sob pressão;
  • Utilize apenas aplicações e meios de pagamento que domine verdadeiramente e escolha sempre a modalidade de pagamento que considera mais segura para si;
  • Crie cartões virtuais e utilize-os em compras online, ao invés de inserir os dados do seu cartão físico;
  • Utilize redes seguras e evite redes públicas, mais vulneráveis a ataques informáticos;
  • Consulte frequentemente o seu extrato bancário;
  • Reúna informações sobre a empresa, vendedor ou condições de negócio antes de efetuar qualquer compra;
  • Guarde os registos de todos os seus movimentos bancários;
  • Esteja atento aos termos e condições dos sites, sempre que subscreve algum serviço.

Foi vítima de burla? Saiba o que fazer

Se for vítima de uma burla digital, deve entrar em contacto com o seu banco imediatamente e participar a ocorrência à GNR. Além disso, pode apresentar queixa presencialmente;

  • Numa esquadra da PSP;
  • Na Direção Nacional da Polícia Judiciária ou na delegação da sua zona de residência;
  • Em qualquer serviço do Ministério Público que funciona junto a todos os tribunais;

Em alternativa:

  • Ligue para o 116 006 – Linha de Apoio à vítima (APAV), cuja chamada é gratuita;
  • Ou ligue para o 112 – Número de emergência único europeu.

Para terminar, convidamo-lo a ouvir neste podcast algumas das burlas mais usadas em Portugal: