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O que sabe sobre os produtos de marca branca?

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produtos de marca branca

Com as famílias portuguesas a perderem poder de compra, comprar produtos de marca branca é um hábito cada vez mais recorrente, apesar deste tipo de produto ainda suscitar dúvidas a alguns consumidores. Será que compensa mesmo? A qualidade é a mesma? Esclareça as suas questões.

Devido ao panorama económico atual e à consequente perda de poder de compra, a compra de produtos de marca própria disparou. Cada vez mais famílias portuguesas optam por produtos de marca branca e não há superfície comercial que não os venda. O facto de estarem disponíveis a preços muito mais acessíveis permite uma poupança significativa no orçamento familiar.

O que são produtos de marca branca?

A expressão produto de “marca branca” surgiu por associação aos “produtos brancos”, que apareceram na década de 70. A designação tinha a ver com o facto de os produtos terem embalagens básicas, sem publicidade e sem um design sofisticado.

Um produto de marca branca é um produto que não tem qualquer marca, nem do produtor, nem do distribuidor, e que apenas obedece aos requisitos definidos por lei no que diz respeito à rotulagem. Hoje, o termo generalizou-se e grande parte destes produtos pertence às grandes cadeias de distribuição, como supermercados e grandes superfícies comerciais, assumindo a sua marca própria.

Além dos tradicionais produtos de marca própria, é cada vez mais comum encontrar estes produtos com selo gourmet e/ou de seleção. Esta é uma forma que as cadeias de distribuição encontraram para elevar a qualidade dos produtos e conseguir concorrer diretamente com as marcas tradicionais.

Quais as vantagens de comprar produtos de marca branca?

Em matéria de poupança, os produtos de marca branca ganham, sem dúvida. Os preços são muito mais baixos, comparativamente com outros produtos equivalentes de marcas reputadas. No setor alimentar, atestar a despensa e o frigorífico com produtos de marcar branca pode representar uma poupança acima dos 30%.

Por outro lado, já lá vai o tempo em que as marcas brancas eram alvo de desconfiança por causa da sua qualidade. Estudos realizados ao longo dos anos revelam que as marcas brancas têm tanta ou mais qualidade que as outras. Hoje, as marcas brancas concorrem em termos de qualidade, marketing e práticas sustentáveis.

O preço influencia a qualidade dos produtos de marca branca?

A resposta é não. O preço não é um indicador no que diz respeito à qualidade de um produto. O facto de um produto ser muito mais barato não significa que seja inferior. Atualmente, todos os produtos alimentares são submetidos a rigorosos controlos de qualidade definidos por lei. O que acontece é que a apresentação das embalagens dos produtos de marca é, normalmente, mais apelativa. A aposta no design e no marketing resulta de um maior orçamento comercial, o que depois se reflete nos preços.

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Segundo a DECO PROTESTE, “nos últimos testes tem-se confirmado a qualidade destas marcas próprias em várias categorias, tendo por base a análise de 1412 produtos de cuidado pessoal, higiene do lar e alimentação. Para se ter noção da evolução da qualidade destas “marcas brancas”, 31% dos títulos “Melhor do Teste” neste período couberam a marcas de supermercados e 77% das Escolhas Acertadas corresponderam igualmente às chamadas “marcas próprias”.”

Os produtos de marca branca são 100% nacionais?

Não obrigatoriamente. Muitos consumidores acreditam que os produtos de marca branca são produtos nacionais, o que não corresponde à realidade. Mesmo que um produto aparente ser português, na própria composição pode conter matérias-primas importadas, como sementes e cereais, no caso de um produto agrícola, ou algodão, no setor dos têxteis.

Assim, e devido à dificuldade em determinar se um produto era 100% português, a Associação Empresarial de Portugal (AEP) definiu vários critérios:

  • Rácio igual ou superior a 50% de componentes nacionais no produto final, seja em produtos de fabricante ou de marca branca. Tal critério originou a campanha “Compro o que é nosso”, cujos produtos detém um selo nacional;
  • Tem de se tratar de uma marca registada em Portugal;
  • A empresa fabricante tem de ter sede em Portugal;
  • Não pode ter dívidas ao Estado e à Segurança Social;
  • Deve cumprir a legislação em vigor no que diz respeito à Formação Profissional.

Se o código de barras começar por 560, o produto é português?

Não. O prefixo 560 no código de barras indica apenas que a marca foi registada pela GS1 Portugal, a entidade responsável pela introdução dos códigos de barras no nosso país a marcas suas associadas. Um código de barras que comece por 560 não garante de que se trate de um produto de origem nacional. Pode apenas querer dizer que o código de barras foi atribuído a uma empresa que tem sede em Portugal, mas que pode fabricar os seus produtos noutros países ou importar matérias-primas de origem estrangeira.

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