COVID-19

O que mudou na casa dos portugueses em tempo de pandemia

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O que mudou na casa dos portugueses em tempo de pandemia

Com a pandemia de Covid-19, os hábitos dos portugueses mudaram. A quarentena forçou a maioria das pessoas a ficar mais tempo em casa, com a família, e a utilizar o mesmo espaço para trabalhar, estudar, fazer exercício físico, relaxar… A casa passou a ser escritório, escola, ginásio, entre tantas outras coisas. Talvez por estarem mais tempo em casa – ou por surgirem outras necessidades – o confinamento fez os portugueses olharem de forma diferente para aquelas quatro paredes: tornaram-se mais exigentes com o interior e passaram a valorizar mais o espaço exterior.

Além destas remodelações houve também uma enorme procura por material informático, impressoras, tinteiros e material de escritório, material que antes não era usados em casa. 

De acordo com um inquérito realizado a 1500 pessoas pela Fixando, uma plataforma de contratação de serviços, 35% dos inquiridos renovou algum espaço da casa durante o confinamento. Essas remodelações foram feitas, principalmente, pela necessidade de tornar a casa mais confortável (50%), de reorganizar o espaço disponível devido ao teletrabalho ou telescola (35%) ou, simplesmente, vontade de mudar o espaço (25%). Quanto às áreas de eleição, foram o quarto (32.5%), a sala (12.5%), o jardim (12.5%) e a varanda (12.5%), o escritório (7.5%) e o terraço (7.5%). 

Também o inquérito “Nova vida, Nova casa?” realizado pela consultora JLL a 1400 pessoas chegou a conclusões semelhantes: 49% dos inquiridos gostaria de fazer alterações em casa devido à pandemia, sendo a criação de um espaço de trabalho (51%) e a modernização do espaço exterior (34%) as duas principais mudanças, assim como a vontade de redecorar a casa (33%).

Numa pequena sondagem realizada pelo Contas Connosco, foi possível comprovar a mesma tendência: em 14 inquiridos, 12 admitem ter feito alterações em casa durante a quarentena. A maioria mudou a sala. Jorge Humberto Dias criou “três escritórios na sala grande, com espaço dividido”, tal como Gilda Pereira que adaptou o espaço para caberem “dois postos de ensino à distância e uma zona para exercício físico”. 

Tanto em casa de Tânia Carvalho como de Ana Luísa Silva, “a mesa da sala transformou-se em mesa de trabalho”. Pelo mesmo motivo, Victor Matos começou a reparar mais nos pormenores: “A mesa da sala começou a ‘meter espécie’! A cor era negativa! Então, toca de pintar de branco”. Também Ana Luísa Silva passou a estar mais atenta aos detalhes: “Quando ficámos em casa, tivemos tempo para olhar para as coisas com olhos de ver. Já queríamos trocar as janelas, os estores e os puxadores mas antes não dava tempo para fazer tudo.”

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Houve também algumas pessoas que investiram em mobília por necessidade de organização ou conforto. Maria do Rosário Vivaldo aproveitou a quarentena para “organizar a biblioteca” e, para isso, comprou “duas estantes novas”. Já Joana Moura comprou “uma boa cadeira de escritório, um suporte de portátil e um pousa-pés” para “trabalhar confortável”.

No estudo “Nova vida, Nova casa?” realizado pela consultora JLL, além das remodelações, 43% dos inquiridos mudaria de casa como resultado do confinamento, quando antes da pandemia apenas 19% faria essa opção. E, na hora de procurar uma casa nova, o fator que assume maior importância é a existência de um espaço exterior privado: 60% dos inquiridos consideraram essa característica “muito importante” numa casa, contra os 38% registados antes da pandemia. O mesmo foi possível constatar no inquérito realizado pelo Contas Connosco. Alexandra Lopes alterou o pavimento do jardim e comprou “uma mesa e cadeiras para poder fazer refeições no exterior”. Já Ricardo Mesquita impermeabilizou “o terraço de uma varanda” para “tornar o local mais aprazível para o Verão com plantas, mesa, cadeiras, espreguiçadeiras e chuveiro para uns duches fresquinhos”.

Do lado das empresas que prestam este tipo de serviços também há a perceção de que a procura aumento. “Pelo momento que estamos a passar estávamos a contar com uma grande queda”, explica Fernandes Altair, empreiteiro de obras e serviços gerais, “mas fizemos muitas obras, muitas remodelações durante a quarentena. E, ao contrário de muitas empresas que dispensaram pessoal, nós contratámos mais gente para trabalhar”. Quanto às despesas realizadas pelas famílias que responderam à sondagem do Contas Connosco, a maioria recorreu a poupanças e houve até quem conseguisse fazer as alterações necessárias “a custo zero”. Se não for o seu caso, não desespere. Se tem mesmo necessidade de fazer remodelações ou obras em sua casa, pondere recorrer a uma solução de financiamento flexível. Avalie as suas necessidades primeiro, por um lado faça um orçamento do que precisa, por outro avalie a sua situação financeira.

O mundo está em mudança. E a sua casa também pode estar.

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