Trabalho e carreira

Não entrou no curso que queria?

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Não entrar no ensino superior pode ser dramático para milhares de jovens. Mas há várias alternativas que pode seguir, caso aconteça. Deixamos-lhe algumas ideias para ultrapassar esta fase e aproveitar da melhor forma o ano que se segue.

A entrada no ensino superior é, para muitos jovens, o realizar de um sonho e a esperança num futuro melhor. É por isso que o culminar do ensino secundário é, tantas vezes, sinónimo de ansiedade acrescida para todos aqueles que ambicionam dar o passo seguinte.

Todos os anos, quando saem as colocações, muitos são os que conseguem entrar no curso dos seus sonhos, mas outros tantos veem as suas expetativas frustradas, quando não conseguem ficar colocados no curso e/ou na universidade pretendidos. A esses dizemos: não é o fim do mundo. Além de haver sempre a possibilidade de voltar a concorrer no ano seguinte, durante esse compasso de espera, são várias as alternativas para aproveitar da melhor forma o ano que têm pela frente.

Deixamos algumas sugestões para rentabilizar o tempo da melhor maneira.

Frequentar o Ano Zero

Esta modalidade de ensino funciona como uma fase preparatória com a duração de um ano letivo. Os estudos pré-universitários podem ser uma boa alternativa para quem vai ficar um ano parado.

Ao ingressar no Ano Zero, pode aproveitar para conhecer melhor o curso que escolheu e perceber as dinâmicas do Ensino Superior. Além disso, tem a possibilidade de frequentar algumas unidades curriculares (disciplinas isoladas) que, futuramente, podem vir a ser uma mais-valia.

Uma dica extra. Para quem ainda não terminou o ensino secundário, o Ano Zero pode ser uma boa oportunidade de ter algum apoio no estudo às disciplinas que faltam e que podem servir de prova de ingresso para a nova candidatura ao Ensino Superior.

Quem pode frequentar o Ano Zero?

  • Estudantes que concluam o 12º ano e que obtenham aprovação nos exames das provas de ingresso, mas que não entrem no curso pretendido;
  • Estudantes que terminem o ensino secundário com classificação positiva, mas que não consigam obter uma média suficiente para entrar no curso que ambicionam;
  • Estudantes com uma ou duas disciplinas por terminar, que vejam no Ano Zero uma forma de apoio para a realização do exame de ingresso no ano seguinte.

Se pretender frequentar o Ano Zero, é importante que saiba que o estatuto do aluno não equivale ao de um estudante do Ensino Superior. Assim, um aluno que opte por esta modalidade é considerado aluno externo e, nesse sentido, não tem acesso direto ao resto do curso após esse ano letivo, nem a bolsas de estudo ou a outros tipos de apoio. Mesmo que tenha frequentado o Ano Zero, o aluno tem de candidatar-se novamente ao Ensino Superior, de acordo com o procedimento habitual, para que possa ter o devido estatuto e acesso a toda a oferta formativa.

Cada instituição de ensino é que define o valor a pagar pela frequência do Ano Zero e das respetivas unidades curriculares, assim como as disciplinas que podem ser feitas durante este ano letivo. Contactar o estabelecimento de ensino ao qual se pretende candidatar para esclarecer qualquer dúvida que tenha.

Se não entrou no curso desejado, faça um Gap Year

Quando o plano A não resulta, é preciso passar ao plano B. É preciso parar e respirar e perceber que as coisas podem não correr de acordo com o que estava planeado. É igualmente importante colecionar outras experiências e ganhar alguma maturidade para ter a certeza do caminho a seguir no futuro, até porque nesta passagem do secundário para a universidade, muitos são os que escolhem um curso só porque sim ou porque a melhor amiga também concorreu… e só se apercebem disso muito mais tarde.   

É por isso que há cada vez mais pessoas a defender a importância de fazer um Gap Year. Viajar, fazer voluntariado, conhecer outras realidades, visitar outras culturas, desenvolver competências e, acima de tudo, explorar o campo do autoconhecimento. Esta pode ser uma boa opção para por as ideias no lugar e trilhar novos caminhos para conseguir alcançar os objetivos. É uma boa maneira de sair da zona de conforto e, para muitos, é a experiência de uma vida. Pode ser tão enriquecedor como desafiante e, além de ocupar este tempo de espera, irá contribuir para esclarecer o que realmente se quer fazer no futuro.

Se pensa que todos os projetos e experiências associadas à prática do Gap Year requerem um investimento pessoal, está enganado. Há programas financiados pela União Europeia e associações que promovem outras experiências no estrangeiro sem qualquer custo associado. Mas se sair do país não é opção, pode sempre aceder ao site da Bolsa de Voluntariado e inscrever-se num dos projetos que têm disponíveis. Saiba mais aqui.

Tente a mudança de Instituição/Curso

Se por outro lado entrou no Ensino Superior, mas não no curso ou instituição que queria, a mudança também é uma possibilidade. Para isso, basta estar inscrito ou matriculado noutro curso, e caso não o tenha concluído, matricular-se num estabelecimento de ensino ou curso diferente daquele em que estava inscrito anteriormente.

Mas não se esqueça que também é necessário fazer as provas de ingresso para o curso para o qual pretende mudar.

O pedido deve ser feito nos serviços administrativos da instituição em que se pretende matricular, acompanhado pelos documentos necessários para o efeito. Pode fazê-lo em qualquer momento do ano letivo, mas está sujeito a avaliação, consoante a reunião dos critérios de seriação, pré-requisitos e vagas disponíveis. Os prazos e vagas podem variar e são estabelecidos por cada estabelecimento de ensino.

Se não entrou no curso que queria, arranje trabalho

Ter uma primeira experiência profissional também é uma possibilidade. Vai ajudá-lo a perceber as dinâmicas do mercado de trabalho, a manter-se ocupado enquanto se prepara para o próximo ano e, ao mesmo tempo a ganhar dinheiro. Começar a ganhar para comprar as próprias coisas e aprender a gerir o dinheiro é também uma ótima forma de ganhar independência e responsabilidade. Esta experiência pode ser uma mais-valia para desenvolver competências sociais e comportamentais, mas também serve como base para o futuro, independentemente da área que escolher.

O importante é não desviar a atenção do objetivo principal: voltar a tentar no ano seguinte e manter o foco na preparação para os exames.

Não desmotive e mantenha-se ativo e ocupado. Organize bem o tempo, estabeleça objetivos e procure informações relevantes. Peça ajuda aos professores para a preparação dos exames e, em caso de dúvidas, não hesite em contactar as instituições de ensino.