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Dicas simples para ser mais sustentável em casa

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Há muitas decisões, gestos ou pequenos gastos sustentáveis que pode fazer no seu dia a dia que trazem um grande retorno para si e para a sua família, mas também para o ambiente e para sociedade em geral. Veja quantas destas dicas já pôs em prática, descubra sugestões novas, e viva a sua casa e a sua vida com mais sustentabilidade.

1. Aposte nos 5 ‘R’ para uma economia circular

De uma assentada, damos-lhe logo 5 conselhos que pode aplicar ao longo de todo o dia para um estilo de vida mais sustentável: Recusar, Reduzir, Reutilizar, Repensar, Reciclar. Os ‘cinco R’ foram apresentados pela autora Bea Johnson no seu livro Desperdício Zero, em 2013, e acabaram por gerar um movimento internacional. O conceito passa pela tentativa não tanto de promover a reciclagem, mas principalmente de evitá-la, sendo esta o último passo.

  • O que é grátis, normalmente aceitamos. Mas faz mesmo falta? Desde os panfletos que recebe na rua; os sacos ou excesso de embalamento de algo que pode ir na mão; as amostras que na verdade não precisa; ou os pacotinhos de ketchup que vêm no tabuleiro do restaurante e depois vão para o lixo. Ao recusar, ao dizer não, já está a eliminar um pouco o desperdício.
  • Aqui já entram as compras – e as escolhas – que faz no dia a dia. Deve evitar acima de tudo o plástico, embalagens de utilização única como por exemplo as de fruta ou legumes. Papel na impressora, água na cozinha ou na casa de banho e roupa boa que deitamos fora, são coisas que aumentam o desperdício.
  • Tente aumentar o tempo de vida de coisas que já foram usadas, como as embalagens com tampa – sejam de vidro ou não – que podem ser lavadas e usadas novamente. Prefira produtos que duram mais tempo, como garrafas de água de vidro ou reutilizáveis, palhinhas de metal, chávenas de café em vez de copos de plástico, sacos de pano. Procure também confirmar se um produto tem arranjo antes de o deitar fora, seja um par de sapatos, um casaco ou um pequeno eletrodoméstico.
  • Este talvez conheça como upcycling, uma técnica de dar nova vida à roupa com criatividade. Pois o upcycling aplica-se a tudo, pode inspirar-se e conseguir interessantes projetos de decoração ou bricolage com as embalagens de plástico, as caricas ou as caixas de cartão que vai juntando. E quem tem filhos pode aproveitar tudo isso para os entreter melhor ao fim de semana, nas férias, ou quando trazem projetos de trabalhos manuais da escola para fazer em casa.
  • Quando já nada há a fazer, é altura de pôr no contentor certo do ecoponto, com a certeza de que essa quantidade de desperdício que foi para reciclagem podia ser muito maior, e que isso tem um efeito direto na redução das necessidades de plástico ou de outros materiais.

2. Faça compras no seu bairro

O comércio local pode preencher quase todas as suas necessidades, muitas vezes é só uma questão de procurar ou perguntar. Se comprar mais produtos no seu bairro está a ajudar a economia local, os seus vizinhos. Muitas vezes tem acesso a artigos de melhor qualidade e produzidos mais perto também o que reduz o seu impacto com as deslocações a grandes superfícies. Também acaba por influenciar o impacto ambiental e energético dos transportes e da distribuição de bens, que frequentemente vêm de muito longe para as principais zonas comerciais.

3. Crie uma horta em casa e faça compostagem

Para ter uma horta em casa, saiba que não precisa de um quintal ou de muito espaço. Basta uma pequena varanda ou uma marquise soalheira para conseguir produzir as suas ervas aromáticas e alguns legumes. É uma forma sustentável, e barata, de ter sempre à mão coisas que às vezes custam muito dinheiro no supermercado. Quanto ao desperdício desses ou de outros produtos alimentares, faça compostagem em casa ou no seu bairro – cada vez mais juntas de freguesia e câmaras municipais instalam compostores comunitários -, e consegue um fertilizante 100% orgânico para novas aventuras agrícolas.

4. Cozinhe de forma eficiente

Desde o bom aproveitamento dos alimentos e a atenção aos prazos de validade, à gestão eficiente da utilização da cozinha, há muitas formas de tratar das refeições de forma sustentável. Planeie a ementa para toda a semana; cozinhe em maiores quantidades para rentabilizar o fogão ou o forno e ter comida guardada para outros dias; desligue o forno uns minutos antes para terminar a confecção com o calor residual; e evite abrir e fechar o frigorífico muitas vezes. A cozinha é um dos locais da casa que maiores gastos de energia representa, pelo que pequenas mudanças causam um elevado impacto.

5. Controle os gastos de eletricidade e de água

A energia e a água são bens essenciais à nossa vida e de cujo equilíbrio depende todo o planeta. E nestas duas áreas apenas, a preocupação com a sustentabilidade tem também efeitos notórios e imediatos nas despesas mensais.

  • Ter um consumo energético sustentável passa por evitar o desperdício de luz em divisões vazias ou com lâmpadas pouco eficientes; pelo uso responsável de equipamentos de ar condicionado ou aquecimento – a temperatura nunca deve estar muitos graus acima ou abaixo dos 21 ou 22 graus dentro de casa; pelo bom isolamento exterior, mas também de divisões que não estão a ser usadas; por desligar equipamentos que não estão a ser usados; pela escolha de eletrodomésticos eficientes e utilização cuidada dos mesmos, nomeadamente os ciclos que requerem menos consumo nas máquinas de roupa ou de louça.
  • Água. Não deixar a torneira aberta, lavar a louça na máquina e evitar passar muito tempo no duche, são os gestos óbvios de quem quer poupar água. Mas também pode colocar redutores de caudal nas torneiras e tentar reaproveitar parte da água para outras utilizações. A água fria do início do banho, a água de lavar os legumes e a fruta, ou mesmo a água de cozedura da massa, por exemplo, podem ser usadas para o autoclismo, ou para regar plantas. E água ‘limpa’ mas que tenha algum tipo de detergente serve de base para lavar o chão ou o carro.

6. Use produtos amigos do ambiente

Seja para a casa ou para a sua higiene pessoal, escolha produtos que não contenham substâncias nocivas para o ambiente, principalmente as que afetam a água, o que causa impacto em todo o ecossistema. Há cada vez mais opções ecológicas na prateleira de detergentes do supermercado, e também truques naturais – como limão ou vinagre – para a limpeza e a desinfeção. Na casa de banho, champôs, amaciadores, desodorizantes ou pastas de dentes sólidas, com ingredientes naturais, evitam a poluição da água, reduzem o seu consumo e ainda recorrem menos a plásticos e embalagens em geral.

7. Escolha empresas sustentáveis

O poder de decisão é uma arma que está sempre ao nosso dispor e uma forma eficaz de incentivar a mudança nos outros. Ao comprar produtos biológicos, ou artigos e serviços de empresas verdadeiramente focadas no ambiente e na sustentabilidade, está a beneficiar esses negócios. Isso é válido para as coisas que compra para casa, mas também pode ser para os serviços a que recorre ou mesmo para os investimentos financeiros que faz, nomeadamente ações, obrigações ou fundos de investimento.

A sustentabilidade começa em casa, nas decisões pessoais que tomamos, mas estende-se às nossas deslocações, ao trabalho, a tudo o que pode ser influenciado pelas nossas escolhas e pelos nossos consumos. Escolha um estilo de vida mais sustentável, pelo planeta e por si.