Poupar

Será que sabemos reciclar?

7 min
Hoje há soluções para podermos reciclar quase tudo.
Hoje há soluções para podermos reciclar quase tudo.

A reciclagem está cada vez mais presente no dia-a-dia dos portugueses, no entanto há ainda um longo caminho a percorrer. É importante consciencializar para a separação correta de resíduos. Se tem dúvidas na hora de separar o lixo, nós damos uma ajuda.

Apesar de, nos últimos dois anos, se ter registado uma mudança positiva no comportamento dos portugueses face à reciclagem, com um aumento de 6,4% em relação a 2020, estamos ainda longe de alcançar as metas previstas na lei para 2025. Quem ainda não faz a reciclagem de resíduos aponta a falta de ecopontos na zona de residência ou o facto de já pagar a taxa de gestão de resíduos na fatura da água como as principais razões.

Se o processo de reciclagem dos ecopontos azul, amarelo e verde é uma prática que já lhe é familiar, saiba que existem muitos outros equipamentos espalhados pelo país para a reciclagem de outros materiais igualmente poluentes que talvez desconheça ou ainda não utilize. Explicamos-lhe como se desfazer de alguns materiais e bens, de forma a proteger a saúde do planeta.

1. Medicamentos

Tem em casa medicamentos com o prazo já expirado ou que tenha deixado de tomar, mas ainda dentro do prazo de validade? E embalagens vazias com os respetivos folhetos informativos? Entregue-os numa farmácia ou parafarmácia e a VALORMED encarrega-se de lhes dar o tratamento adequado. Para seu conhecimento, trata-se de uma sociedade sem fins lucrativos que tem em Portugal a responsabilidade da gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso.

2. Óleos alimentares

O oleão é o contentor onde deve colocar os óleos alimentares usados e encontra-se por todo o país. Nunca despeje este tipo de resíduo no lavatório, para evitar a contaminação de milhões de litros de água. Recolha os óleos que usa para fritar os seus alimentos numa garrafa de plástico e, quando quiser deitá-los fora, coloque-os num oleão perto de si ou identifique o seu conteúdo e entregue-o num super ou hipermercado. Ao reciclar os óleos alimentares usados, está a contribuir para a criação de combustível biodiesel que emite menos 80% de CO2 do que o gasóleo.

3. Equipamentos elétricos e eletrónicos

Também pode, e deve, reciclar os materiais elétricos ou eletrónicos que já funcionam. Sejam torradeiras, secadores de cabelo, máquinas de café, fornos, televisões, carregadores, computadores ou até lâmpadas, não os deixe no caixote do lixo para resíduos indiferenciados. Pode colocá-los num eletrão (há mais de 4800 locais de recolha um pouco por todo o país), pode entregá-los em lojas de eletrodomésticos quando for comprar os seus novos equipamentos, ou ainda, no caso de serem equipamentos maiores, solicitar a recolha junto do seu município.

4. Pilhas e baterias

Se tiver pilhas ou baterias portáteis, como baterias de telemóvel ou computador, encaminhe-as para o sítio certo, os pilhões que podem ser encontrados junto aos ecopontos de rua ou nas grandes superfícies. A reciclagem de pilhas evita que os materiais que as compõem, incluindo metais pesados, contaminem os solos e águas.

5. Pneus

Vai trocar os pneus do seu carro? Então saiba que pode deixar os antigos no concessionário, para reciclagem ou então contacte uma empresa certificada, como a ValorPneu, e descubra como encaminhá-los de forma mais ecológica… a menos que queira dar-lhes uma nova vida. Pode ser transformar velhos pneus em bancos ou pequenas mesas de centro. Faça uma rápida busca na internet e surpreenda-se com a facilidade e o resultado. 

6. Automóveis

Também os automóveis em fim de vida podem ser entregues em centros de abate. Aqui dá-se início ao processo de despoluição, para remoção de elementos considerados perigosos e desmantelamento, de forma a identificar as peças que possam ser vendidas em segunda mão e as que devem seguir para reciclagem.

7. Cápsulas de café

São às dezenas ou centenas as cápsulas de café feitas de plástico usadas nas casas portuguesas, ao longo de um ano. Para já, não existe um processo de reciclagem próprio para este tipo de cápsulas. No entanto, já há muitas marcas empenhadas na sua reciclagem, o que se reflete na colocação de depósitos próprios em algumas superfícies comerciais. Pergunte no hipermercado mais perto de si onde poderá entregar as suas cápsulas usadas.

8. Escovas de dentes

Pensa que as escovas de dentes devem ser colocadas no ecoponto amarelo, por terem um cabo de plástico? Engana-se. A reciclagem de escovas de dentes também não tem um processo de reciclagem próprio, mas já existe o EcoEscovinha, um projeto de responsabilidade social, que visa a promoção da saúde oral e a reciclagem destes objetos de forma correta. Encontra estes recipientes em várias zonas do país.

9. Mobiliário

Está a pensar livrar-se do sofá velho, da mesa da sala ou da cama dos miúdos e não sabe como? Pode colocá-los em ecocentros, espaços vedados e vigiados e que possuem contentores de grandes dimensões. Além de móveis, pode ainda deixar nestes espaços resíduos de jardim, materiais de construção, plásticos rígidos, peças de metal destinadas à sucata e vidros que não entram no circuito doméstico de reciclagem, como os das janelas ou os espelhos. Procure o ecocentro mais perto de si.

10. Têxteis

A indústria têxtil é uma das mais poluentes a nível mundial. Compramos roupa barata, mas que, muitas vezes, dura pouco. São as t-shirts que encolhem à primeira lavagem, as camisolas que se enchem de borbotos à terceira vez que são vestidas ou as calças que deviam ter sido um número acima. No entanto, é possível minimizar o impacto ambiental do desperdício de roupa de diversas formas.

  • Compre peças em segunda mão

Evite o consumo desmesurado de calçado e vestuário e aproveite para comprar peças em segunda mão. Existem em Portugal diversas aplicações para dispositivos móveis onde encontra peças como novas e a um preço interessante, além das tradicionais feiras e vendas de garagem, onde encontra artigos em ótimo estado por um preço mais amigável.

  • Doe as peças que já não usa

Pode entregar a roupa que já não usa a instituições, lares de acolhimento ou na sua paróquia. Se não usa aquelas peças há mais de um ano, por que razão elas continuam no seu armário, quando fazem falta a outras pessoas? Faça uma seleção de roupa para doar, liberte espaço no armário e permita que alguém dê uma nova vida às peças que não veste. Haverá quem agradeça.

  • Deposite-as em contentores de roupa

Pode optar por colocar tudo o que já não usa em contentores próprios. Estão distribuídos a nível nacional e com cores distintas, de forma a identificar os projetos e as entidades a que estão afetos. Cada contentor contém uma lista de regras de utilização. Quando colocadas nestes equipamentos, as peças passam por um processo de seleção para que, caso estejam em bom estado, sejam entregues a instituições ou, caso não seja possível, tenham como fim a reciclagem.

A reciclagem de têxteis evita a emissão de gases bastante prejudiciais para o nosso planeta.

Embalagens de take-away requerem cuidados especiais

Além de tudo o que já foi dito – e se tem por hábito encomendar refeições – tenha em consideração a colocação correta das embalagens na hora de reciclar. Tudo depende do tipo de material dos recipientes:

  • Se forem caixas de papel ou cartão, não as deposite no ecoponto azul. A gordura e a sujidade dos alimentos impedem o seu processo de reciclagem;
  • Os talheres descartáveis, de plástico ou madeira, devem ser colocados no lixo comum;
  • As embalagens de alumínio podem ser colocadas no ecoponto amarelo, mesmo que contenham gordura; Quanto à tampa de papel, deve certificar-se de que não tem sujidade ou que não é plastificada antes de a colocar no ecoponto azul;
  • No caso de potes de sopa, caixas ou bandejas em plástico, pode colocá-las no ecoponto amarelo depois de escorridas;
  • Caso o saco de transporte da sua refeição seja de plástico, coloque-o no ecoponto amarelo ou pode guardá-lo e reutilizá-lo mais tarde. Se o saco for de papel, coloque-o no ecoponto azul;
  • Aposte no reaproveitamento de embalagens. Utilize as próprias caixas ou sacos de transporte em encomendas futuras ou reutilize-as em casa.

Para um futuro mais ecológico e sustentável há ainda vários passos que pode seguir. Damos-lhe a conhecer 14 dicas de reaproveitamento e otimização da reciclagem em sua casa:

  1. Não precisa de lavar as embalagens antes de as colocar no ecoponto. Poupe tempo e água.
  2. Espalme as embalagens para otimizar espaço no seu ecoponto, até porque evita deslocações mais frequentes ao contentor.
  3. Ainda que contenham gordura, as latas de conserva devem ser colocadas no ecoponto amarelo.
  4. Os guardanapos e papel de cozinha devem ser colocados no lixo indiferenciado e não no ecoponto azul.
  5. Não precisa de perder tempo a retirar os rótulos das suas embalagens quando colocadas no ecoponto.
  6. Se uma embalagem for constituída por vários materiais e não for possível separá-los, pode colocar no ecoponto do material predominante.
  7. Coloque os copos de vidro partidos no lixo indiferenciado.
  8. A esferovite deve ser colocada no ecoponto amarelo.
  9. Ainda que por vezes seja difícil, evite o consumo de materiais plásticos e opte por opções mais verdes e sustentáveis, como palhinhas reutilizáveis ou pratos descartáveis de papel.
  10. Seja criativo e, na hora de deitar alguns objetos fora, questione-se se terão outra utilização. Por exemplo, utilize frascos de vidro de iogurtes e compotas para armazenar outros alimentos ou criar centros de mesa originais.
  11. Evite o uso de sacos de plástico. Pode optar por sacos de papel ou sacos reutilizáveis que, além de amigos do ambiente, existem em versões giras e que pode adaptar ao seu outfit.
  12. Caso não tenha em casa um caixote para cada tipo de reciclagem, pode utilizar sacos de plástico apenas para reciclar coisas do mesmo material e caixas de cartão para colocar papel e cartão.
  13. Se na sua zona de residência não existir nenhum contentor ou estiver demasiado longe, basta ligar para a Câmara Municipal e dar conta do problema, para que seja resolvido.
  14. Não tem espaço na cozinha para compartimentos de reciclagem? Despeje os caixotes todos os dias e evite odores ou utilize outras áreas da casa para colocar os baldes de reciclagem, como a garagem ou a cave.

A nova sinalética nos ecopontos

Esta iniciativa resultou de um trabalho desenvolvido entre a Sociedade Ponto Verde, a Empresa Geral do Fomento, S.A. e a Associação de Empresas Gestoras de Sistemas de Resíduos e pretende tornar o ato de separar o lixo mais simples e claro para todos.

Na sinalética anterior era possível identificar regras contraditórias e terminologias diferentes, consoante a região, o que poderia suscitar dúvidas aos portugueses. Este projeto pretende mitigar essas situações e evitar erros na separação dos resíduos e na deposição do lixo nos ecopontos.

Uma novidade na nova sinalética é a incorporação de um código de cores universal para daltónicos (ColorADD), que recorre a símbolos para ajudar a distinguir as cores de cada ecoponto. A nova sinalética deverá ser implementada em todo o território nacional durante os próximos anos.

Hoje não há desculpas para não reciclar. Temos à disposição todos os recursos para o fazer. Só depende de cada um de nós. Lembre-se que a carteira e o ambiente agradecem.