Arrendar casa de férias: 13 cuidados para evitar burlas
Arrendar uma casa de férias pode ser uma opção segura e económica, desde que adote alguns cuidados essenciais, como utilizar plataformas confiáveis, verificar o alojamento e evitar pagamentos fora de sistemas protegidos. Ainda assim, existem riscos, sobretudo associados a anúncios falsos, preços demasiado baixos ou pedidos de pagamento urgente.
Se está a planear as suas férias e pondera este tipo de alojamento, é importante saber como identificar sinais de alerta e evitar esquemas fraudulentos.
Neste artigo, explicamos como se proteger ao arrendar uma casa de férias, quais são as burlas mais comuns e o que fazer caso seja vítima de fraude.
O que dizem as autoridades sobre as burlas no arrendamento para férias?
As burlas no arrendamento de imóveis para férias são cada vez mais comuns. Em 2025, a GNR registou 725 casos de fraude, que aconteceram um pouco por todo o país.
Segundo dados da GNR, Faro é o distrito com mais ocorrências, seguido de Setúbal, Lisboa, Braga e Porto e Aveiro.
| Distritos com mais crimes registados | Número de ocorrências |
| 1.º Faro | 153 |
| 2.º Setúbal | 91 |
| 3.º Lisboa | 86 |
| 4.º Braga e Porto | 72 |
| 5.º Aveiro | 46 |
Ainda que este tipo de crimes continuem a ser mais prevalentes nas zonas turísticas e grandes centros urbanos, a Guarda Nacional Republicana destaca o crescimento acentuado de ocorrências em distritos do interior e do norte, como Portalegre, que registou um aumento de 150% em relação ao ano anterior (quatro crimes em 2024 e dez em 2025).
Quais são as burlas mais comuns no arrendamento para férias?
As burlas imobiliárias são esquemas fraudulentos em que o burlão anuncia um imóvel inexistente ou já ocupado, ou utiliza outras estratégias para enganar pessoas que procuram alojamento para férias, com o objetivo de obter dinheiro de forma ilícita.
Os tipos de burla variam, mas há alguns mais comuns do que outros:
| Tipo de burla | Características |
| Anúncios falsos com preços baixos | Os burlões utilizam fotografias reais de imóveis para criar anúncios falsos, muitas vezes com preços significativamente abaixo dos praticados no mercado com o objetivo de os tornar atrativos. |
| Imóveis inexistentes ou que já estão ocupados | Nestes casos, o imóvel existe mas já está ocupado no período em que a pessoa o quer arrendar ou então nem sequer está disponível para arrendamento. |
| Falsos proprietários ou intermediários | Aqui, o burlão faz-se passar pelo proprietário do imóvel ou por um intermediário legítimo. Pode utilizar identidades falsas ou até apropriar-se de logótipos, informações e contactos de agências verdadeiras para criar credibilidade e uma sensação de confiança. |
Como identificar uma burla ao arrendar uma casa de férias?
Os crimes de burla nas casas de férias para arrendar são cada vez mais sofisticados e perigosos, já que as técnicas utilizadas pelos burlões nem sempre são fáceis de detetar.
Ainda assim, há comportamentos comuns de quem está a tentar cometer a burla que podem ajudar a identificar situações fraudulentas:
- Preços demasiado baixos para a zona ou época do ano: é bastante comum os criminosos anunciarem casas a um preço muito inferior ao normal. A justificação, muitas vezes, é que têm urgência em arrendar ou que foi feita uma promoção de última hora. Por isso, se encontrar uma casa de férias com um preço “bom demais para ser verdade” para determinada zona ou altura do ano, desconfie. Por exemplo, um apartamento no Algarve a 50 euros por noite em agosto, muito provavelmente trata-se de uma tentativa de burla;
- Pressão para efetuar o pagamento: geralmente, os burlões tentam criar uma sensação de urgência nas vítimas afirmando que há várias pessoas interessadas no mesmo imóvel, ou que só reservam a casa se for adiantado um determinado valor. Esta é uma tática comum para impedir que os consumidores tenham tempo de verificar se o anúncio é fidedigno. Essa pressão, em conjunto com os preços baixos (que são vistos como oportunidades imperdíveis), faz com que a vítima faça o pagamento pedido;
- Recusa em visitar o imóvel: também é normal os burlões recusarem-se a mostrar a casa presencialmente, alegando que estão fora do país, por exemplo;
- Falta de documentação legal: todos os imóveis em alojamento local devem ter a respetiva licença. Se a solicitar ao suposto proprietário e este não a tiver (nem lhe conseguir ou quiser fornecer provas de propriedade), deve desconfiar;
- Recusa em utilizar plataformas seguras: os sites de reserva de alojamento, como o Booking ou Airbnb dispõe de mecanismos próprios de pagamento que garantem a segurança e o reembolso dos consumidores em caso de fraude. Se o anúncio estiver numa destas plataformas e o anunciante insistir para que o pagamento seja feito diretamente por transferência bancária ou MBWay, é possível que se trate de uma burla;
- Recusa em fazer contrato ou emitir fatura: caso o proprietário ou intermediário ponha entraves à celebração de um contrato formal de arrendamento, ou se se recusar a emitir fatura pela estadia, possivelmente trata-se de uma tentativa de burla.
13 cuidados para evitar burlas ao alugar uma casa de férias
A melhor forma de evitar ser vítima de burla é a prevenção. Se estiver a pensar arrendar uma casa de férias, estes são alguns cuidados que deve ter:
- Utilize sites fidedignos e seguros, como o Airbnb, o Booking ou agências imobiliárias reconhecidas em Portugal e trate de todo o processo dentro da plataforma;
- Por vezes, anúncios em sites terceiros fazem os utilizadores acreditar que estão a ser reencaminhados para o Airbnb. Na verdade, estão a aceder a páginas fraudulentas que imitam quase na perfeição a plataforma oficial. Para evitar estas situações, faça a pesquisa diretamente no Google e nunca clique em links duvidosos;
- Opte por alojamentos que já tenha arrendado anteriormente e nos quais tenha confiança;
- Compare os preços dos imóveis na zona onde quer arrendar. Se alguma casa for muito mais barata do que as restantes, desconfie;
- Verifique se o imóvel está registado como Alojamento Local pesquisando o número de registo (que deve aparecer no anúncio) no site do Turismo de Portugal;
- Tente pesquisar a casa no Google Maps ou veja se aparece noutras plataformas com dados diferentes. Pode, por exemplo, utilizar as imagens do anúncio para fazer uma pesquisa inversa no Google Images;
- Confirme a identidade do anunciante e verifique se o IBAN corresponde a uma conta portuguesa que esteja no nome da pessoa que está a arrendar a casa;
- Verifique os comentários e avaliações nos anúncios;
- Peça a alguém para tentar arrendar o mesmo imóvel para o mesmo período de forma a verificar se o anunciante tenta fazer um duplo negócio;
- Peça um contrato escrito com o número de contribuinte e IBAN do anunciante;
- Nunca ceda a pressões para fazer pagamentos;
- Faça o pagamento sempre dentro da plataforma de reserva e evite enviar dinheiro por MB Way ou transferência;
- Se pagar a reserva e receber um contacto a dizer que houve um problema e o dinheiro não entrou na conta de destino, confirme a situação com o seu banco, já que pode ser uma tentativa para que faça o pagamento duas vezes. Caso desconfie de burla, cancele de imediato a ordem de pagamento.
Checklist rápida antes de reservar uma casa de férias
Em resumo, antes de efetuar qualquer pagamento, confirme se:
- O anúncio está numa plataforma confiável e segura;
- O preço está dentro da média do mercado;
- Existe um número de registo de alojamento local;
- Há avaliações de outros utilizadores;
- O pagamento é feito dentro da plataforma.
Por outro lado, evite avançar com o negócio se:
- Houver um pedido de pagamento por transferência direta;
- Houver pressão para decidir rapidamente;
- O proprietário recusar contrato ou fatura;
- Não conseguir confirmar a existência do imóvel.
O que fazer se for vítima de burla ao arrendar uma casa de férias?
Se perceber que foi burlado, a primeira coisa que deve fazer é contactar de imediato o seu banco para pedir o cancelamento da transferência.
A má notícia é que na maior parte das vezes as burlas com casas de férias só são detetadas quando o burlão deixa de responder aos contactos ou quando a vítima chega ao local e percebe que não existe imóvel.
Mas mesmo que já não seja possível reaver o seu dinheiro, há outras medidas que pode (e deve) tomar:
- Guarde todos os comprovativos e comunicações com os burlões;
- Apresente queixa nas autoridades. Pode fazê-lo na PSP, GNR ou diretamente no Gabinete de Cibercrime;
- Denuncie o anúncio e o anunciante à plataforma;
- Comunique a burla ao seu banco.
Se quiser, também pode reportar o caso ao Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS). Não conta como denúncia, mas o CNCS recolhe este tipo de informações para fins estatísticos e de prevenção.
Arrendar uma casa de férias pode ser uma excelente forma de poupar e aproveitar melhor o descanso, mas exige atenção redobrada. Com alguns cuidados simples – como verificar o alojamento, usar plataformas seguras e evitar decisões impulsivas – consegue reduzir significativamente o risco de burla.