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Ensino superior privado: quanto pode custar?

6 min
Olga Teixeira
Olga Teixeira

Índice de conteúdos:

  1. Quanto custam as propinas no ensino superior privado em Portugal?
  2. Que outras despesas devem ser consideradas além das propinas?
  3. Existem bolsas de estudo para estudantes do ensino superior privado?
  4. Que outras formas de financiar os estudos existem?
  5. Vale a pena pedir um crédito para estudar?

Estudar no ensino superior privado implica um investimento superior ao do ensino público, mas o valor pode variar bastante. A universidade escolhida, o curso, o grau de ensino e a cidade onde está localizada são alguns dos fatores que influenciam o custo total.

Além das propinas, é importante contar com despesas como alojamento, alimentação, transportes e materiais de estudo, que também podem pesar no orçamento. No total, frequentar uma universidade privada em Portugal pode representar um investimento de vários milhares de euros por ano.

Neste artigo, explicamos quanto custa estudar no ensino superior privado em Portugal, quais os principais encargos a incluir no orçamento e que soluções existem para ajudar a financiar este investimento.

Fast Fact: O ensino superior privado continua a desempenhar um papel relevante no sistema de ensino português. De acordo com dados da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), referentes ao ano letivo de 2024/2025:
→ Existem 61 instituições de ensino superior privado em Portugal;
→ Destas, 8 são universidades, 8 são institutos politécnicos e as restantes correspondem a estabelecimentos de ensino superior não integrados;
→ Cerca de 20% dos estudantes do ensino superior frequentam instituições privadas, o que representa aproximadamente 92.500 alunos;
→ A Área Metropolitana de Lisboa concentra 53% das instituições de ensino superior privado do país.

Estes números mostram que o ensino superior privado tem uma expressão significativa em Portugal, oferecendo uma ampla diversidade de instituições e cursos. Contudo, antes de escolher uma universidade, é importante avaliar não só a oferta formativa, mas também o investimento financeiro associado, que pode variar consideravelmente entre instituições e regiões.

Quanto custam as propinas no ensino superior privado em Portugal?

O valor das propinas no ensino superior pode chegar a vários milhares de euros, embora o montante varie consoante a universidade, o curso, o número de ECTS (European Credit Transfer and Accumulation System ou Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos) e outros fatores.

As propinas das licenciaturas e dos mestrados também diferem entre si, variando igualmente consoante a modalidade de pagamento (pronto pagamento ou pagamento em prestações). As mensalidades podem oscilar entre 240 e 1.200 euros, sendo comum ultrapassarem os 400 euros.

Além das propinas, é importante contar com despesas relacionadas com a matrícula e os seguros. Isto significa que, só em custos básicos, estudar numa instituição de ensino superior privado pode representar um investimento superior a 5.000 euros por ano, ou cerca de 15.000 euros ao longo de uma licenciatura.

Que outras despesas devem ser consideradas além das propinas?

As propinas e as restantes despesas pagas diretamente à universidade representam apenas uma parte dos custos de estudar no ensino superior privado. Existem outros encargos a ter em conta, que variam consoante o curso, a cidade onde se estuda e a necessidade de alojamento e alimentação longe de casa.

Estes são alguns dos principais custos a considerar:

  • Material académico: varia de acordo com o curso. Em alguns casos, um computador pode ser suficiente, mas há também despesas com livros, sebentas e, em cursos como Arquitetura, Medicina Dentária ou Artes Plásticas, materiais específicos que podem aumentar os custos em várias centenas de euros;
  • Alojamento: as opções de alojamento para para estudantes universitários representam, regra geral, uma das maiores despesas. Em cidades como Lisboa e Porto, é comum encontrar quartos com rendas superiores a 300 ou 400 euros por mês;
  • Alimentação: o valor depende da cidade onde se estuda e do estilo de vida do estudante. Cozinhar em casa tende a ser a opção mais económica, enquanto fazer as refeições fora implica um orçamento mais elevado;
  • Transportes e viagens: utilizar os transportes públicos é, normalmente, a opção mais económica, sobretudo porque os passes para estudantes são gratuitos. Ainda assim, é importante considerar as deslocações para casa, como outras viagens ocasionais.

Existem bolsas de estudo para estudantes do ensino superior privado?

Sim. Os alunos do ensino superior privado também podem candidatar-se a bolsas de estudo, incluindo as que são atribuídas pela Direção-Geral de Ensino Superior (DGES).

No caso das bolsas da DGES, as candidaturas são feitas através da plataforma BeOn, seguindo o mesmo procedimento que se aplica aos estudantes do ensino superior público.

Na maioria dos casos, a análise dos pedidos e a proposta de decisão são da responsabilidade dos Gabinetes de Ação Social da instituição de ensino. No entanto, em algumas situações, este processo continua a ser assegurado pela Direção de Serviços de Apoio ao Estudante da DGES.

Além das bolsas da DGES, existem outras formas de apoio financeiro, como:

  • Bolsas de mérito e programas de isenção de propinas, atribuídos por algumas universidades;
  • Bolsas concedidas por empresas e outras entidades privadas, destinadas a estudantes com menores recursos financeiros e/ou bom desempenho académico;
  • Bolsas municipais, atribuídas por algumas autarquias a estudantes residentes no concelho que cumpram determinados critérios, como o aproveitamento escolar.

Que outras formas de financiar os estudos existem?

Além das bolsas de estudo, os estudantes universitários – ou os seus pais – podem recorrer ao crédito para financiar uma licenciatura, mestrado ou doutoramento.

Neste âmbito, existem duas soluções de financiamento especificamente destinadas a apoiar os custos do ensino superior.

Conheça o Crédito Formação

1. Crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua

O crédito para estudantes do ensino superiorcom garantia mútua está disponível apenas em algumas instituições de crédito. Neste modelo, o Estado atua como fiador de um empréstimo que pode variar entre 1.000 e 5.000 euros por cada ano letivo, sendo o montante disponibilizado em tranches.

A renovação do crédito depende do aproveitamento académico, sendo necessário comprovar a matrícula no início de cada ano letivo. Os estudantes podem ainda beneficiar de um período de carência (durante o qual apenas pagam juros) igual à duração do curso (entre 12 e 72 meses), acrescido de até dois anos.

2. Crédito pessoal com finalidade de educação

O crédito pessoal com finalidade de educação tem condições mais vantajosas do que um crédito pessoal sem finalidade específica. Por exemplo, a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) máxima é significativamente mais baixa, o que pode traduzir-se em prestações mensais mais reduzidas e num menor custo total do empréstimo.

A título de exemplo, para o terceiro trimestre de 2026, as taxas máximas definidas pelo Banco de Portugal são:

  • 15,3% para um crédito pessoal;
  • 8,9% para um crédito pessoal destinado a despesas de educação.

Tenha em atenção que, no momento da contratação, deve indicar que o crédito se destina a financiar despesas de educação para beneficiar desta taxa mais reduzida. Posteriormente, terá de apresentar comprovativos da utilização do montante para essa finalidade, como a matrícula num curso, o pagamento de propinas ou outros documentos relacionados com a formação.

Ao contrário do crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua, o montante é disponibilizado de uma só vez e pode ser utilizado para financiar despesas como matrículas, propinas, material informático e didático ou deslocações necessárias para frequentar o curso.

O Crédito Formação da Cofidis é um exemplo deste tipo de financiamento, que lhe permite pedir entre 2.500 e 20.000 euros, com um prazo de reembolso que pode ir até aos 120 meses (ou seja, dez anos).

Além disso, pode financiar até 100% do custo da formação e não tem comissão de abertura, reduzindo os encargos iniciais associados ao empréstimo.

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Vale a pena pedir um crédito para estudar?

A educação é um investimento no futuro e, por isso, recorrer ao crédito para financiar os estudos pode ser uma solução a considerar. No entanto, a decisão deve ter em conta a situação financeira de cada estudante ou agregado familiar.

Se já existem outros créditos em curso ou se os rendimentos são baixos, assumir uma nova prestação pode sobrecarregar o orçamento e aumentar o risco de incumprimento, com as respetivas consequências.

Assim, antes de pedir um crédito para financiar um curso no ensino superior privado, é importante:

  • Fazer simulações e comparar diferentes propostas de crédito;
  • Consultar o Mapa de Responsabilidades de Crédito;
  • Confirmar que não tem créditos em incumprimento;
  • Calcular a taxa de esforço;
  • Pedir apenas o montante de que realmente necessita;
  • Esclarecer todas as dúvidas antes de assinar o contrato.

Desta forma, poderá tomar uma decisão mais informada e escolher a solução de financiamento mais adequada às suas necessidades e capacidade financeira.

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